Projeto foi financiado pela Fundação BB e BNDES em parceria com ADAI

Agricultores familiares do Paraná, Santa Catarina e do Rio Grande do Sul receberam unidades de produções agroecológicas e placas solares de aquecimento de água. A implementação das tecnologias sociais aconteceu entre os anos de 2016 e janeiro deste ano, com o objetivo de promover melhoria na qualidade de vida das famílias, por meio da soberania alimentar, geração de renda, bem como potencializar a alternativa de geração de energia.

A Fundação Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) investiram R$ 4,5 milhões no Programa de Promoção da Soberania Alimentar em Regiões Atingidas por Barragens. A Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual – ADAI foi a entidade responsável por executar o projeto nas 210 propriedades dos agricultores familiares, em 18 municípios. Cada família recebeu uma unidade da Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais), além das Placas Solares ASBC (Aquecimento Solar de Baixo Custo), assistência técnica e curso de formação teórica e prática.

As duas tecnologias sociais são certificadas pelo Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social e integram o Banco de Tecnologias Sociais (BTS). A tecnologia social Pais tem papel importante na produção de alimentos saudáveis e livres de agrotóxicos. Seu formato em círculo permite o cultivo de hortas e criação de galinhas, simultaneamente, envolvendo diretamente homens, mulheres e jovens em todas as fases.

Cristiane Hannauer, colaboradora da ADAI, explica que o sistema Pais fez com que as famílias repensassem a sua alimentação de forma a priorizar os produtos que elas mesmas produziam e alimentos sem resquícios de agroquímicos. Para além do autoconsumo, muitas delas comercializam os produtos nas feiras e comércio local, garantindo renda extra, principalmente com a venda de ovos e hortaliças.

As placas solares de aquecimento de água têm montagem fácil e demandam pouca manutenção. A água em temperatura ambiente é disponibilizada para um boiler (aquecedor) de 200 litros, montado no telhado, na parte que mais recebe sol. A água do boiler entra por gravidade em tubos de vidro revestidos por uma tinta específica para captar melhor a luz solar, e a partir daí começa o processo de aquecimento de água, que pode chegar a mais de 90 graus, trazendo mais economia e conforto para as famílias.

“As placas solares também geraram inúmeros benefícios para as famílias, a maioria relatou ter percebido diminuição significativa na conta de luz, economia que chegava de 30% a 40%. E para além de uso no banho, a água quente também é usada nos serviços domésticos na cozinha, limpeza de materiais e equipamentos de ordenha e manuseio com o leite, além de outras necessidades da família, garantindo economia, conforto e qualidade de vida”, declarou.

Antônio Tavares, morador do Assentamento Santa Clara, distrito de Condói, sempre trabalhou com lavouras de feijão, milho e soja. Ele conta que há dois anos, com a chegada da produção agroecológica em sua propriedade, ampliou sua pequena horta caseira. Hoje ele produz um canteiro bem maior com alface, almeirão, repolho, batata, amendoim, melancia, melão, além de outras variedades. “O projeto mudou a nossa forma de plantar os alimentos que levamos à mesa. Antes comprávamos tudo no comércio e hoje em dia nós é quem oferecemos os nossos produtos ao mercado’, disse.”

Grande parte das famílias beneficiadas pelo projeto vive próxima à barragens, a exemplo do complexo binacional de Garabi-Parambi, Barragem de Itá, Barragem de Machadinho, Barragem de Itapiranga, Barragem Foz do Chapecó, Usina Hidrelétrica de Águas de Chapecó e Celso Ramos e Usina Hidrelétrica de Campos Novos. Os municípios paranaenses que receberam as tecnologias são: Candói, Rio Bonito do Iguaçu e Porto Barreiro. Os selecionados do Rio Grande do Sul são: Aratiba, Mariano Moro, Marcelino Ramos, Erechim, Alecrim e Porto Lucena. Os de Santa Catarina: Mondai, Itapiranga, São João de Oeste, São Carlos, Águas de Chapecó, Caxambu do Sul, Celso Ramos, Anita Garibaldi e Cerro Negro.

 

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Terça, 15 Janeiro 2019 10:17

Música clássica como inclusão social

Projeto Reciclando Sons utiliza a música clássica como método para geração de renda no Distrito Federal

Quando idealizou o projeto Reciclando Sons em 2001, a maestrina Rejane Pacheco sabia que poderia escrever uma história diferente para as crianças, adolescentes e jovens da Cidade Estrutural (DF). E uma de suas prioridades era que eles tivessem acesso aos espetáculos e escolas de música.

O nome dado ao projeto “Reciclando Sons” faz referência à reciclagem de lixo, ocupação da maioria dos moradores da cidade quando o projeto foi criado, e de onde eles tiravam a renda para o sustento das famílias.

Prestes a completar dezoito anos, a pequena escola de música ganhou corpo, firmou parceiras e se tornou um instituto. A partir de então, desenvolveu a metodologia que utiliza a educação em música clássica para crianças e jovens como ferramenta para geração de renda e democratização da cultura. A metodologia foi vencedora do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, em 2013, na categoria Juventude. O modelo faz uso de um sistema simples de aprendizagem em que os alunos conseguem tocar o instrumento musical de maneira efetiva em um ano. Com o valor da premiação, a tecnologia social foi reaplicada para outras regiões administrativas do Distrito Federal - Vicente Pires, Ceilândia, Taguatinga e também para a cidade de Águas Lindas de Goiás (GO).

De acordo com Rejane, a premiação contribui na divulgação, ajudou a fortalecer e abriu portas. A parceria com Fundação BB também proporcionou o intercâmbio internacional de dois alunos na Accademia Nazionale di Santa Cecilia de Roma. Em 2017, recebeu recursos da Fundação BB para a aquisição de uma van, que contribui para o fluxo de atividade da orquestra e divulgação do trabalho; e ainda, a inclusão da Orquestra Vitrine em diversos eventos no DF.

Em 2018, a entidade inaugurou o galpão de tecnologia social na Cidade Estrutural, onde fica a sede, com o apoio de diversas entidades voltadas para o financiamento social e da sociedade civil, um espaço para a inclusão, protagonismo social e desenvolvimento de alternativas socioeducacionais que contribuam para a superação da vulnerabilidade social dos atendidos.

Recentemente o instituto foi selecionado para receber novos recursos da Fundação BB, para o projeto "Sabor & Som". Previsto para iniciar as atividades em março 2019, a iniciativa vai atender cerca de 60 jovens e mulheres, prioritariamente, com idade a partir de 16 anos. O objetivo é oferecer capacitação profissional em panificação e confeitaria e na estruturação de uma padaria comunitária, fruto de uma demanda social urgente na qual se encontra a comunidade local, com o fechamento do lixão que era uma fonte de renda para as famílias. A capacitação oferecida proporcionará a produção de produtos que serão comercializados na instituição, colaborando com a sustentabilidade do projeto. A produção beneficiará conjuntamente a alimentação de todos os alunos atendidos pela entidade.

Em fevereiro, serão abertas novas turmas para crianças e adolescentes e jovens que tenham interesse pela música nos cursos que já existem: primeira e segunda fase do "Notas & Canções", para crianças com idades entre 7 a 16 anos; terceira fase do "Arte do Protagonismo" para adolescentes e jovens com idades entre 16 a 26 anos (20 vagas); quarta fase do "En-canto & En-cordas", direcionado a adolescentes e jovens a partir de 16 anos (40 vagas); fomento e geração de renda "Amigos da Orquestra" (50 vagas). As atividades são gratuitas, prioritárias a pessoas em situação de vulnerabilidade social para o preenchimento de vagas. Quem não consegue vaga para o ano vigente tem o nome incluído no cadastrado de reservas da instituição.

“A gestão do Instituto Reciclando Sons tem buscado continuamente modernizar sua atuação e planejamento. É sabido que vivemos na era do protagonismo, nisso a música como tecnologia de educação se faz importantíssima para o desenvolvimento humano. Vislumbramos tornar a nossa tecnologia cada vez mais criativa, replicável e autossustentável. Nós acreditamos que estamos formando uma geração comprometida não só com o fazer musical, mas também com a complexidade que envolve a inclusão social,a sustentabilidade das ações e com a continuidade para a futuras gerações”, declarou a maestrina.

Para saber mais sobre os cursos acompanhe pelo site http://reciclandosons.org.br ou entre em contato pelo telefone (61) 3363-0036.

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Sexta, 23 Novembro 2018 11:03

Educação política e divertida

Promover o debate de um tema polêmico de forma alegre e saudável, sem criar inimizade, é a proposta do Fast Food da Política

Em uma época em que a propagação de notícias falsas tornou o debate eleitoral mais confuso e a polaridade de posições chegou ao extremo, uma iniciativa oferece uma forma mais leve de debater o assunto, sem acabar em briga entre amigos e familiares. A ONG Fast Fast Food da Política, de São Paulo, se propõe a levar as pessoas a aprenderem na prática, por meio de jogos de tabuleiro e online, como funciona a política no Brasil.

“A vantagem dos jogos é proporcionar a capacidade de conversar coisas que são difíceis sem ficar inimigo do outro. Um espaço seguro, onde as pessoas se deparam com o próprio preconceito e refletem sobre o posicionamento político que têm”, explica Júlia Carvalho, a designer que idealizou a metodologia.

Em três anos de existência, a equipe já elaborou 90 jogos, incluindo os protótipos criados em oficinas. No site da entidade, há 18 jogos disponíveis para baixar gratuitamente. Também é possível receber jogos de tabuleiro mediante doação em dinheiro à organização, em valores que variam de R$ 80 a R$ 150. A proposta deu tão certo que há um ano a iniciativa venceu o Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social, na categoria Educação, e ficou entre as seis finalistas, entre 160 inscritos, no Prêmio Empreendedor Social 2018Prêmio Empreendedor Social 2018.

Após a conquista do Prêmio de Tecnologia Social e com o aumento de interesse por 2018 ser ano eleitoral, a equipe recebeu muitos convites para aplicar jogos, dar cursos e participar de eventos. As atividades ocorreram em universidades, espaços públicos, escolas e organizações sociais, envolvendo mais de 1.200 pessoas. “Tivemos muita solicitação de educadores, de pessoas de ONGs, que trabalham com educação, e de muita gente querendo comprar jogos. Acredito que muitos desses convites aconteceram por causa da visibilidade que recebemos pela premiação e certificação da Fundação BB’, afirma Lays Harumi Morimoto, a vice-presidente da ONG.

Uma das ações realizadas foi a arrecadação virtual, lançada em maio, para o projeto Jogo e Eleições. O projeto reuniu cinco jogos, cada um com um tema: a história do voto no Brasil e suas implicações sociais; como é a competição no sistema proporcional; o que pode ou não ser prometido por cada candidatura; a discussão dos planos de governo ou a falta deles; e a desigualdade entre gêneros na disputa eleitoral.

A entidade conseguiu mobilizar 420 doadores e arrecadou R$ 55 mil reais, o suficiente para imprimir 250 kits. Os materiais chegaram a 11 estados do Brasil e foram baixados mais de 250 vezes no site da Fast Food. Além disso, foram doados para 16 escolas públicas de São Paulo – um kit para cada unidade - e para participantes de oficinas.

Uma das formações, batizada de Descomplicadores da Política, aconteceu na capital paulista, em agosto e setembro, em que 20 jovens foram capacitados como multiplicadores para aplicarem os jogos nos seus contextos sociais. Para saber mais sobre os jogos deste projeto, clique aqui http://juntos.com.vc/pt/jogosdeeleicoes2018

Para quem tem várias conquistas em tão pouco tempo de existência, a expectativa para os próximos anos não poderia ser tímida. “Queremos formalizar uma rede de educação política a ponto de influenciar as políticas públicas brasileiras”, destaca Júlia.

Uma das ideias é formatar uma formação cívica de maior profundidade, também com metodologia lúdica, chamada “Slow Food da Política, voltada para a compreensão da política no Brasil, da colonização até os dias de hoje.

A iniciativa está inserida no  Banco de Tecnologias Sociais da FundaçãoBB para reaplicação em outras localidades. 

Serviço:
Contato: e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e telefone (11) 95107-3842, com Lays.

 

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Foram habilitadas 42 entidades sem fins lucrativos para promover organização comunitária e educação financeira em conjuntos habitacionais populares

A Fundação Banco do Brasil divulgou o resultado final do edital de credenciamento do Projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social (Muts).

Foram habilitadas 42 entidades sem fins lucrativos das cinco regiões do país. As credenciadas vão realizar trabalho de mobilização comunitária com moradores de empreendimentos habitacionais financiados pelo Banco do Brasil e destinados à população com renda familiar abaixo de R$1.800.

O trabalho consistirá na reaplicação de tecnologia social chamada “Transformando realidades por meio da mobilização e organização comunitária” que busca promover a cidadania, os laços entre os moradores e a organização coletiva para buscarem soluções dos problemas no condomínio.

A princípio, a reaplicação será iniciada em 15 empreendimentos. Nos estados com mais de uma habilitada, haverá sorteio para a escolha da entidade que fará o trabalho de mobilização, conforme o edital.

Acesse o resultado final do Edital do Muts

Acesse a página do edital e anexos aqui

 
Diagnóstico

A reaplicação da metodologia em cada residencial prevê várias atividades: autorrecenseamento (dados demográficos, socioeconômicos e outros desejados pelos moradores); oficinas de educação financeira, educacão ambiental e conservação dos espaços comuns; e intercâmbio de experiências com outras comunidades que tenham realidades semelhantes.

Ao final, será feito um diagnóstico junto com os participantes para identificar as principais demandas de cada condomínio e escolher uma tecnologia social que atenda as necessidades observadas. A escolha será feita dentre as cerca de mil metodologias disponíveis no Banco de Tecnologias Sociais (BTS), mantido pela Fundação BB. O BTS é um acervo online e gratuito com soluções para os diversos desafios enfrentados por comunidades, nos temas alimentação, educação, energia, habitação, meio ambiente, recursos hídricos, renda e saúde.

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Tecnologia social utiliza a música e a arte para promover a inclusão social; além do DF, metodologia será reaplicada no Maranhão

João Gabriel é um garoto lindo, alegre, mas que depende de orientações para tudo que vai fazer, até mesmo executar as tarefas mais simples, como escovar os dentes e tomar banho.

Aos 2 anos e 6 meses de idade, foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista-TEA, isso após seus pais, o bancário Sérgio Rocha e a professora Érika Dinato, perceberem que ele não respondia às suas solicitações quando era chamado. Mais tarde, vieram as estereotipias (movimentos repetitivos) nas mãos que aos poucos foram se intensificando, e foi aí que eles começaram a peregrinação para descobrir o que o filho tinha. Já com o diagnóstico, o desafio era buscar formas de inclusão e de ampliar as possibilidades de socialização.

Prestes a completar 12 anos, João Gabriel é um dos 22 atendidos pela tecnologia social “Uma Sinfonia Diferente - musical para pessoas com autismo”, do Instituto Steinkopf, de Brasília (DF). Vencedora do Prêmio Fundação Banco do Brasil de 2017, na Categoria Saúde e Bem-Estar, a metodologia foi idealizada pela musicoterapeuta, Ana Carolina Steinkopf, em 2015, e utiliza a música e seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) no acompanhamento do autista.

A iniciativa envolve pessoas com autismo verbal e não-verbal e, no caso de João Gabriel, o foco é na atividade motora fina e estímulo à socialização. "Ele adora comer e ter contato com água, no caso piscina, rio, mar e chuveiro; gosta de cama elástica, de se balançar e ficar deitado em superfícies planas. Quando estimulado, adora dançar.Vejo muito progresso após fazer parte do Sintonia. Ele já desenvolveu a noção de espaço; gosta de rodopiar e quando é estimulado, dança e maneja os instrumentos musicais. Hoje já percebe que existem outros como ele", conta o pai, chamado de Serginho.

Nesse final de semana, o grupo fez duas apresentações do musical “Todas as formas de amor e de amar”, na Sala Plínio Marcos da Funarte. A primeira, para os parceiros do projeto; e a segunda foi aberta ao público em geral. O espetáculo contou um repertório diversificado voltado para o universo infantil como – Peixe Vivo, Tumbalacatumba, Se Você está Feliz - e com muitas brincadeiras no palco. Para que tudo fosse acontecesse foram realizados ensaios semanais, durante seis meses, com objetivo terapêutico e de aprendizagem das músicas e coreografias.

De acordo com Ana Carolina, o espetáculo deste ano foi todo produzido pelas pessoas com autismo. Os mais velhos do grupo foram os responsáveis pela a escolha do nome do espetáculo, roteiro, luz, cenário e figurinos. Tudo foi pensado neles, para que fosse um momento de diversão, em que eles pudessem mostrar seus potenciais e que a sociedade veja que as pessoas com autismo são muito mais do que só ficarem num cantinho, elas conseguem ser protagonistas de suas próprias histórias”, declarou Carol.

Da turma também participa o João Lucas, de nove anos, que está na projeto há três e não perde um ensaio. “O João Lucas já se desenvolveu muito. Aqui é onde nos encontramos com outras mães de autistas. O projeto tem feito muito bem para meu filho, e acredito que para todos que participam. A Carol é um amor de pessoa, sempre pronta a ajudar”, disse Lena Silva, mãe do João Lucas.

E o que falar de Daniel Cavalcanti? Jovem esperto e muito inteligente, que se envolveu em todas as fases do musical. Veja o que ele diz.


Desmistificação

Amar, cuidar e tratar de uma pessoa com autismo não é uma tarefa fácil. Os pais precisam de uma rede de apoio que vai do aspecto econômico ao psicossocial. Se informar sobre os direitos do filho, buscar tratamento especializado e ter tempo para se dedicar às tarefas cotidianas, muitas vezes, gera ansiedade e tristeza

Serginho diz que esta crença de que pais e mães de pessoas com autismo são especiais não ajuda, pelo contrário, esconde os desafios diários. “Não somos super-heróis; precisamos de ajuda dos familiares, da sociedade, do poder público. Não é porque somos 'especiais' que não temos cansaço, raiva, tristeza e frustração”, afirma.

Para ele, desmistificar estas crenças mostra que há grandes desafios no cuidado de um autista e precisa ser discutido de forma ampla. Além disso, em uma sociedade cada vez mais competitiva, o conceito de ser bem sucedido também precisa ser questionado. “Num mundo onde o sucesso é um valor, é preciso que ressignifiquem o que é sucesso para pessoas com dificuldades”, avalia.


Reaplicabilidade

Após ser vencedor do Prêmio de Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, a metodologia ganhou mais visibilidade, aumentou o número de crianças e jovens atendidos e criou mais uma turma em Brasília. Nos próximos dias, o método começará a ser reaplicado na cidade de São Luís (MA). A TS também foi vencedora do Edital do Fundo de Apoio à Cultura de Porto Alegre. A iniciativa e outras 985 formam o Banco de Tecnologias Sociais da Fundação BB, um acervo online com todas as metodologias certificadas pela organização desde 2001.

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Quinta, 18 Outubro 2018 09:06

Alimentação saudável e boa convivência

Com a implantação de 40 canteiros, as famílias residentes no conjunto habitacional já colhem verduras em abundância

Em 2017, os cerca de 6 mil moradores dos conjuntos habitacionais Veneza I e II, que fica na cidade de Balsas (MA), foram contemplados no projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social (MUTS) , promovido pela Fundação Banco do Brasil (FBB). Em um primeiro momento, os moradores das mais de mil moradias do residencial receberam a tecnologia social Transformando realidades por meio da mobilização e organização comunitária, que buscou promover a cidadania, os laços entre os moradores e a organização coletiva para buscarem soluções dos problemas no condomínio.

A ação resultou em ganhos tão positivos para a comunidade que, com o apoio recebido, foi possível investir em uma alimentação mais saudável e na comercialização do excedente da produção. A Produção Agroecológica em Meio Urbano – Horta Urbana foi a segunda tecnologia social escolhida pelos moradores das mais de mil moradias do residencial. E o resultado é ainda melhor.

A Associação de Apoio ao Desenvolvimento Social Sustentável – Mandacaru foi a entidade responsável pela reaplicação das iniciativas na região de Balsas. De acordo com Carlos Augusto Rodrigues, diretor da Mandacaru, todo trabalho de viabilização da horta foi feito em sistema de mutirão – cercamento da área, que tem 6,5 mil², plantio das culturas (implantação da horta) e construção do viveiro de mudas. Para essa etapa, os moradores contaram com a colaboração da prefeitura local, que cedeu um trator para os serviços de roçagem (limpeza) e gradeamento (descompactação da terra da área).

Após quatro meses da implantação dos 40 canteiros, as famílias residentes já colhem verduras em abundância. Lucilene Barros Leal é moradora do Veneza II e faz parte do projeto desde a concepção. Mãe de três filhos, ela vive com uma renda pequena e conta que, apesar de sentir muitas dores no corpo, consegue participar na mobilização dos moradores. “Como sou falante, bem conhecida aqui no condomínio e não consigo trabalhar no sol e tarefas pesadas, fico na parte de mobilização e de organização. O projeto vem transformando a vida e o dia a dia de todos por aqui. Os canteiros já fornecem verduras em grande quantidade, principalmente folhagens. No início, as pessoas não acreditavam que daria tão certo e hoje não estamos dando conta de todas as pessoas interessadas, tem fila de espera para participar”, declarou.

Engenheiro agrônomo do projeto, Givanildo Silva, esclarece que toda produção é orgânica, com adubação natural, sem defensivos químicos. “O projeto, além de ajudar a melhorar a questão nutricional, tirou muita gente da ociosidade, trouxe mais entrosamento entre as famílias, porque muitas delas nem se conheciam e hoje convivem em harmonia, sem contar que tem morador que consegue tirar R$ 120,00 mensais com a venda do excedente”, disse.

Com o MUTS, também foi elaborado um regimento de convivência da horta e estatuto para formalização da associação comunitária, que será registrado em breve, por meio da assessoria da Mandacaru e do engenheiro agrônomo contratado. Além disso, foram formalizadas demandas junto ao poder público local para resolução de problemas, como por exemplo, o mau cheiro da estação de tratamento de resíduos, a constante falta de água e a coleta de lixo.

Mas você sabe o que é o MUTS?
O MUTS foi criado para mobilizar moradores por meio da convivência social e da reaplicação de tecnologias sociais em empreendimentos de baixa renda, permitindo o protagonismo social e a geração de renda. É voltado para população com renda familiar de até R$1,8 mil mensais que vivem em residenciais financiados pelo Banco do Brasil. O projeto hoje contempla 124 empreendimentos em 84 municípios, distribuídos em 22 estados, num total de 83.284 Unidades Habitacionais (U.H), atingindo cerca de 330.000 pessoas. Em junho desse ano, esse projeto promovido pela FBB foi premiado no concurso “Práticas Inspiradoras, a Vivência no Centro da Nova Agenda Urbana”, promovido pelo Fórum Latinoamericano e Caribeño de Habitação, realizado na República Dominicana.

 

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Pelo resultado preliminar, 150 entidades foram pré-selecionadas para a próxima etapa

A Fundação Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgaram nesta quarta-feira, 03, a relação das entidades habilitadas na etapa I do Edital de Tecnologia Social, que seleciona projetos de reaplicação de tecnologias sociais com foco em geração de trabalho e renda em qualquer parte do País.

Ao todo foram habilitadas 150 entidades das cinco regiões do país - 13 na Centro-Oeste, 9 na Norte, 59 na Nordeste, 28 na Sul e 41 na Sudeste. A próxima etapa será eliminatória, que consiste na análise dos orçamentos e da documentação exigida. O prazo para apresentação de recursos será de cinco dias úteis, até as 18 horas, horário de Brasília (DF), contados a partir de 4 de outubro de 2018.

O investimento total na seleção é de R$ 10 milhões, e cada proposta concorrente deve ter valor mínimo de R$ 500 mil e máximo de R$ 1 milhão. Para concorrer, as entidades sem fins lucrativos precisaram comprovar ter mais de dois anos de existência e sede ou experiência de atuação na região onde pretendem implantar o projeto. Além disso, a reaplicação deve ser necessariamente de iniciativas listadas no Banco de Tecnologias Sociais, acervo online que reúne todas as metodologias certificadas pela Fundação BB, desde 2001.

As entidades com diretorias compostas por, no mínimo, 50% de mulheres ou que possuam tecnologia certificada pela Fundação BB recebem bonificação extra, conforme os critérios do edital.

Confira aqui a relação das habilitadas.

Conheça o edital .

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Leitores poderão escolher entre seis iniciativas finalistas até o dia 8 de novembro

Está aberta a votação para o público escolher uma solução inovadora favorita entre as seis finalistas dos prêmios Empreendedor Social e Empreendedor Social de Futuro em 2018, anunciadas nesta segunda-feira (1º). A eleição na categoria Escolha do Leitor vai até o dia 8 de novembro, pelo site do jornal Folha de S.Paulo, e tem o patrocínio da Fundação Banco do Brasil pelo terceiro ano consecutivo.

“Trabalhar com o leitor e colocar para eles essas tecnologias é muito pertinente. Entendemos que o envolvimento das pessoas pode fazer com que elas mudem sua realidade. Essa atuação nas comunidades pode resolver problemas sociais”, afirma Asclepius Soares, presidente da Fundação BB.

Os vencedores na Escolha do Leitor e nos prêmios Empreendedor Social e Empreendedor Social de Futuro serão anunciados em evento no dia 12 de novembro, no Teatro Porto Seguro, em São Paulo.

Finalistas

As seis iniciativas finalistas foram selecionadas entre 160 experiências inscritas em diversas áreas como ambiente, cultura de doação, cidadania, leis de incentivo fiscal, mobilidade e desenvolvimento humano. Abaixo, uma breve descrição das finalistas:

Roberta Faria e Rodrigo Pipponzi são fundadores da Editora Mol, iniciada há dez anos. A Mol busca estimular a cultura de doação no país por meio de produtos socioeditoriais distribuídos em redes de varejo. A venda de revistas, livros e calendários tem a renda revertida para causas. O trabalho já destinou mais de R$ 25 milhões a 39 ONGs, entre elas o Graacc e o Instituto Ayrton Senna.

Pedro Paulo Diniz se dedica à Fazenda da Toca, propriedade da família Diniz, em Itirapina (SP). Em uma área de 2.300 hectares, a fazenda é uma incubadora de sistemas quesimulam padrões da natureza e regeneram o solo sem a utilização de agrotóxicos. A ideia é dar escala ao modelo que integra lavoura, pecuária e floresta para chegar a 1 milhão de hectares.

Já o boxeador e antropólogo britânico Luke Dowdney, idealizador da organização Luta pela Paz, emprega as artes marciais para desenvolver o potencial de jovens de comunidades com alto índice de violência. Criou a primeira academia no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, onde testou a metodologia que replicou em 26 países e impactou 250 mil crianças e jovens vulneráveis.

Os amigos de infância André Biselli e Victor Castello Branco criaram a empresa de logística Ecolivery Courrieros para realizar entregas ecológicas em São Paulo. Com o uso de bicicletas e triciclos, que são também veículos de inclusão, eles empregam ex-presidiários, refugiados e portadores de deficiência.

A designer Júlia Carvalho é uma das idealizadoras da Tecnologia Social Fast Food da Política, que usa jogos online e de tabuleiro para explicar a diferentes públicos como funciona a política no Brasil. A iniciativa inova na linguagem e na forma lúdica para despertar o interesse pelo tema, com o objetivo de promover a formação cidadã e fortalecer a democracia. A solução inovadora foi vencedora do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2017, na categoria Educação.

Os jovens Mathieu Anduze e Raphael Mayer criaram uma plataforma, a Simbiose Social, para democratizar o acesso de organizações sociais a recursos financeiros de empresas. Eles montaram uma base de dados do investimento social do país para facilitar que parte da receita de impostos seja direcionada a projetos culturais, sociais e de sustentabilidade, levando transparência à aplicação dessa verba.

Os finalistas concorrem a prêmios como bolsas de estudos, cursos de gestão, assessoria jurídica e mentorias, e terão seus perfis publicados em um caderno especial da Folha, que circulará em 13 de novembro. Este ano, os finalistas também participarão da primeira edição do Festival de Inovação e Impacto Social)  realizado em Poços de Caldas (MG), de 2 a 7 de novembro.

Para votar, clique aqui

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Segunda, 01 Outubro 2018 14:10

Que trem é esse?

Portal   Biciclotrem

Biciclotrem une elementos de carro, bicicleta e trem para tornar transporte mais limpo e acessível

Um veículo curioso: formado por duas bicicletas, uma de cada lado, atracadas a quatro rodas e ligadas ao meio por bancos de madeira. As rodas são confeccionadas com tambor de freio – uma peça do sistema de frenagem de carro popular – e acionadas quando cada bicicleta é movimentada por um condutor. Assim como as rodas, todos os componentes da estrutura do veículo provêm de sucata e de materiais reaproveitados. Ao todo, tem capacidade para cinco pessoas, inclusive cadeirantes. E roda em linhas férreas. Trata-se do Biciclotrem, uma tecnologia social certificada pela Fundação Banco do Brasil em 2017.

A ideia inusitada foi a forma que um grupo de ambientalistas – o Coletivo Cerca Onça – encontrou para ocupar a Estrada de Ferro Leopoldina, que corta o município de Cataguases (MG) e região. A proposta começou a ser concretizada em 2015, (um ano depois da desativação da linha férrea), adotada pela organização não governamental Pacto Ambiental. Juntos, os voluntários do coletivo e da ONG têm como objetivo mobilizar a comunidade local para valorizar e preservar o patrimônio ferroviário e dele fazer uso para a educação, lazer, turismo e economia solidária.

“A gente reutilizou a via e materiais que estavam parados, ressignificando o patrimônio cultural. Conseguimos democratizar o uso da linha com baixo custo”, explica Marcos Torres Cravo, um dos idealizadores do projeto.

Há três anos, o Biciclotrem roda aos fins de semana em uma extensão de oito quilômetros, do centro da cidade até a estação Barão de Camargos, na área rural, conforme a demanda de moradores e visitantes. Faz de duas a quatro viagens por fins de semana, com duração de uma hora, e já levou mais de 7 mil pessoas. Cada visita começa com uma explicação sobre a importância do patrimônio ferroviário e de a população fazer uso dele.

Cravo afirma que o Biciclotrem ajuda a despertar a consciência sobre os meios de transporte não poluentes. “Leva as pessoas a verem com outros olhos a questão do transporte. Vimos como é ruim ficar preso em um modal de transporte apenas, durante a greve dos caminhoneiros. Além disso, o transporte ferroviário é muito menos poluente do que o rodoviário, só perde para o fluvial”, destaca.

O projeto também contribui para a educação ambiental, já que o Biciclotrem passa por diversos pontos próximos ao Rio Pomba, que abastece as cidades da região. Os voluntários do projeto mostram o lixo acumulado na beira do rio e alertam sobre o descarte correto de resíduos e a necessidade de cuidar da recuperação da cobertura vegetal dos mananciais. “O que a gente quer é conscientizar as pessoas para preservação do meio ambiente e do patrimônio das cidades, para cuidar de tudo que está no nosso entorno”, explica Fábio Caetano Machado, presidente da Pacto Ambiental.

A tecnologia social está alinhada com os Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 13 que prevê “Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos”. O Biciclotrem não emite gases e, por reutilizar materiais que seriam descartados, evita a poluição durante a produção das peças e na deposição dos resíduos, contribuindo com a atmosfera.

Outras cidades
A experiência já foi reaplicada em outras cidades de Minas Gerais – Visconde do Rio Branco e Viçosa e já envolveu cerca de dois mil visitantes. Houve também eventos de demonstração e mobilização nas cidades mineiras de Cajuri, São Geraldo, Sobral Pinto e Cisneiros (distrito de Palma). Em São Cristóvão (SE) o veículo está passando por testes para começar a funcionar regularmente.

Os idealizadores do Biciclotrem querem que o meio seja regulamentado no Brasil, assim como ocorre em outros países do exterior. “Somos uma de duas iniciativas na América Latina, a outra fica em Mendoza, na Argentina. Podemos gerar emprego e renda, incluindo adolescentes da comunidade de 15 a 18 anos”, explica Cravo.

Para ampliar a iniciativa e ter a participação das escolas, os voluntários buscam parcerias. Interessados podem entrar em contato pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..

BOX ODS 13

 

 

Publicado em Série ODS

Portal   muts

Biblioteca é o primeiro aparato público da região onde está localizado o Residencial Paraíso Feliz I e II (TO)

Depois de concretizarem o sonho da casa própria, as famílias do Residencial Paraíso Feliz I e II poderiam criar uma horta comunitária, produz joias sustentáveis ou implementar uma biblioteca comunitária. Esta era a proposta do MUTS - Moradia Urbana com Tecnologia Social – com apoio da Fundação BB para aplicação no empreendimento. Os moradores optaram pela biblioteca. “A escolha evidencia a preocupação da comunidade com a primeira infância e os jovens que residem naquele espaço”, afirma Aluísio Cavalcante, diretor da Casa da Árvore, entidade gestora no residencial do (MUTS).

O residencial Paraíso Feliz I e II está localizado na cidade de Paraíso do Tocantins, cidade a 60 quilômetros de Palmas (TO) e possui 309 famílias residentes com renda de até R$ 1.800. A cidade tem apenas uma biblioteca municipal, localizada no centro. Durante o autorecenseamento, os moradores apontaram que a região carece de aparelhos públicos como centros de saúde, creches, escolas e bibliotecas. “O empreendimento foi construído, mas sem nenhuma área pública, ou seja, esta foi outra razão pela escolha da biblioteca” avalia Aluísio.

A biblioteca comunitária utiliza o método Vaga Lume que se baseia no tripé estrutura-capacitação-gestão, ou seja, a entrega de recursos materiais é acompanhada da formação de pessoas e do incentivo à gestão comunitária. A proposta foi certificada pela Fundação Banco do Brasil como tecnologia social em 2009 e já possibilitou a formação de99 bibliotecas comunitárias em 22 municípios da Amazônia Legal.

A Casa da Árvore adquiriu 318 livros, realizou o curso de mediação de leitura para 22 moradores os quais estão aptos para fazer contação de histórias a crianças em processo de alfabetização. Além disso, montaram a biblioteca com estantes modulares, que podem ser deslocadas para vários espaços dentro do residencial e a capacitação da gestão da biblioteca por meio de metodologias de empréstimo de livros. “O plano de trabalho que desenvolvemos dá condições para o residencial dar continuidade a este projeto nos próximos anos”, constata Aluísio. 

Projeto MUTS

O Projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social é uma ação da Fundação Banco do Brasil para reaplicar Tecnologias Sociais (TS) em empreendimentos habitacionais de baixa renda. O objetivo é ocupar o espaço urbano como um estímulo ao espirito público e ao fortalecimento dos laços entre as famílias, ao promover os princípios de associativismo, a participação comunitária e empoderamento da comunidade.

A Fundação BB publicou em abril de 2018 o edital 2018/003 para credenciar novas instituições para realizar um trabalho de mobilização e organização comunitária por meio das tecnologias sociais, por um período de 9 meses. Este primeiro período será de trabalho e diagnóstico com os moradores dos empreendimentos. No final deste período, a instituição poderá apresentar um projeto à FBB, com o objetivo de resolução de uma demanda identificada pela comunidade, com aplicação de metodologias do Banco de Tecnologias Sociais – BTS da Fundação BB.

Além disso, o projeto pretende disseminar os princípios básicos de educação financeira para pessoas de referência da família. Para esta fase do projeto, funcionários aposentados do Banco do Brasil serão formadores voluntários para ministrar aulas de finanças, patrimônio e meio ambiente.

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Publicado em Série ODS