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Ação de reflorestamento “Cerrado no Fórum” levou doadores do Fórum Mundial da Água a plantarem em propriedade rural

Moradoras do Distrito Federal, Vanira Tavares e Elizabeth Ribeiro foram sensibilizadas pela ideia de ajudar a preservar o cerrado durante o 8º Fórum Mundial da Água, ocorrido em Brasília (DF) no período de 17 a 23 de março de 2018. Elas fizeram uma doação em dinheiro ao Programa Produtor de Água no Pipiripau e ficaram surpresas quando, oito meses depois, foram convidadas a participar do mutirão de plantio de mudas nativas do cerrado. A ação foi realizada por parceiros do programa, para compensação das emissões de carbono ocorridas durante o evento. O plantio visa a recuperação de áreas degradas no Distrito Federal.

“Eu decidi que queria doar um pouquinho, que queria fazer parte dessa ideia que é muito bacana e então acabei fazendo a doação, porque achei muito interessante o desafio” diz Elizabeth. Ela estava aposentada quando recebeu o convite para organizar o Fórum Mundial da Água devido à experiência que possui em grandes eventos, como as Olimpíadas. “Tenho experiência em organização de eventos. Eu já trabalhei nas Olimpíadas e nos Jogos Mundiais Escolares. Conheci o projeto do Pipiripau no Fórum e achei fantástico, porque você produz água, preserva e recompõe a vegetação e com isto armazenamos água por mais tempo no solo”, complementa.

O plantio - atividade denominada “Cerrado no Fórum” - ocorreu na última quarta-feira (28/11), na propriedade rural da família de Fátima Cabral, na divisa entre Brasília (DF) e Formosa (GO). Foram utilizadas 430 mudas de espécies nativas do Cerrado representando cada participante que fez doação durante o Fórum Mundial da Água.

Já Vanira Tavares ficou emocionada ao plantar a primeira muda na propriedade de Fátima: um Ipê Amarelo. Tradutora de inglês/português, ela passou a se interessar por meio ambiente depois que aumentou o número de traduções nesta área. “Sou tradutora e desde 2007 a demanda de tradução na área de meio ambiente aumentou muito. Decidi ir ao Fórum Mundial da Água, fiz a doação e o convite para participar desta ação foi a chance de ouro para conhecer o Pipiripau”, conta entusiasmada.

Além do plantio de mudas, a ação contemplou a plantação de sementes do cerrado por meio da muvuca. A técnica consiste na mistura de sementes de árvores, arbustos e gramíneas do Cerrado. O plantio ocorre ao lançar a mistura no terreno, por meio de máquina. A técnica reduz os custos da recuperação de áreas degradadas em relação ao tradicional plantio de mudas para recuperar grandes extensões de terra com espécies nativas. Enquanto a restauração pelo plantio tradicional de mudas custa em torno de R$ 12 a R$ 15 mil por hectare, o plantio com a técnica da muvuca sai por R$ 5 mil o hectare.

Projeto Produtor de Água

O Programa Produtor de Água foi criado em 2001 e tem como objetivo o uso racional de água no meio rural por meio de ações de revitalização ambiental de bacias hidrográficas, como o reflorestamento e a conservação do solo em áreas produtivas.

O projeto na bacia hidrográfica do Pipiripau foi implantado em 2012, com participação de 17 parceiros, entre eles a Fundação Banco do Brasil. Os valores investidos foram em torno de R$ 6 milhões, que custearam a plantação de mais de 360 mil mudas, além de atividades de conservação de solo em mais de 1,3 mil hectares.


Cadeirantes e cegos poderão desfrutar da ecotrilha Pedra dos Amigos, no Lago Norte de Brasília

O Instituto Oca do Sol lançou nesta semana a segunda fase do projeto "Ecotrilhas em defesa das Águas da Serrinha do Paranoá", que prevê a adaptação da trilha Pedra dos Amigos, localizada no Núcleo Rural Córrego do Urubu, no Lago Norte, para pessoas com deficiência visual e cadeirantes. Com 3,7 quilômetros de extensão e nível leve de dificuldade, o trajeto tem espécies típicas do cerrado e uma visão panorâmica do lago Paranoá e da arquitetura central de Brasília ao fundo. O trecho que será adaptado para as pessoas com deficiência tem extensão de aproximadamente 800 metros, do início até o Pedra dos Amigos, que funciona como um mirante para os caminhantes.

A iniciativa foi selecionada por meio da chamada interna do Programa Voluntariado BB e recebeu investimento social de R$ 61 mil, em 2017, da Fundação Banco do Brasil. Com o recurso, foram sinalizadas e estruturadas cinco trilhas - três na Serrinha do Paranoá e duas na península do Lago Norte - com o objetivo de ampliar o ecoturismo e a conscientização ambiental para preservar o cerrado. 

Segundo o coordenador de execução, Maicon Braúna, destaca-se no projeto a participação predominante de voluntários. A prática do bem de forma genuína e a solidariedade são as principais características do voluntário, cuja a data de homenagem - Dia Internacional do Voluntário - foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 05 de dezembro.

Nesta nova fase, com o recurso de R$ 71 mil para a implementação da trilha acessível, serão realizados estudos para impedir danos ambientais. “Não é interessante fazer uma pavimentação e nem pode porque é área de preservação", explica Maicon. A forma como haverá a adaptação será debatida entre os voluntários do instituto e parceiros, como a Associação dos Amigos Deficientes Visuais (AADV) Brasília. Uma possibilidade é a instalação de corrimão ou cordas para auxiliar na locomoção dos cadeirantes e deficientes visuais. Além disso, serão realizadas oficinas para orientar voluntários a conduzirem os cegos na caminhada, assim como atividades que estimulem os moradores a se engajarem na manutenção das trilhas. 

A presidente da AADV, Maristela Batista da Silva, acredita que será inédita a trilha adaptada para pessoas com deficiência no Distrito Federal. “Eu acho muito bom porque tem deficiente visual que não tem nenhum tipo de lazer. Se for bem divulgada, como nós queremos fazer, os familiares vão ver e vão levá-los”, aposta ela. 

Maristela, de 51 anos, também é deficiente visual, há cinco anos, devido à doença retinose pigmentar. Mas isso não a impede de curtir passeios na natureza junto com o marido, que é cego desde o nascimento. “Eu e meu esposo somos aventureiros, a gente não para muito não. Vamos para cachoeira, trilha. Já fomos para tirolesa e descemos rio de boia, acompanhados de familiares”, conta Maristela.

Interessados em participar como voluntário, podem entrar em contato com o instituto Oca do Sol, pelo telefone (61) 9 9856-5455.

O maestro e pianista se reúne com regentes e coordenadores culturais do estado, no dia 1º, em João Pessoa, para divulgar o projeto e integrar novas orquestras e bandas à iniciativa

Idealizado pelo maestro João Carlos Martins e desenvolvido em parceria com a Fundação Banco do Brasil, SESI/SP e FIESP, o Orquestrando o Brasil já agrega 150 grupos musicais, reunindo aproximadamente 5 mil músicos. Desta quarta (28) a dia 1º, o Orquestrando vai passar por João Pessoa (PB), onde o músico se reunirá com regentes e visitará iniciativas de inclusão social e educação musical para explicar como funciona o projeto e conhecer um pouco do trabalho realizado na região.

De 28 a 30 de novembro, João Carlos Martins vai conhecer projetos sociais em áreas de vulnerabilidade social de João Pessoa e Santa Rita. Os projetos são: CEFEC-PB, em Marcos Moura, Santa Rita, que atende cerca de 600 crianças e jovens de baixa renda; a unidade do PRIMA, também em Marcos Moura, projeto do Governo do Estado da Paraíba que tem apoio da Fundação BB e atende mais de mil crianças e jovens, em 15 polos espalhados pelo estado; dois polos do projeto Ação Social pela Música, apoiado pela Prefeitura de João Pessoa, em Mangabeira e Alto do Mateus; o projeto Uma Nota Musical que Salva, que desde 2011 atua em Mandacaru, na terceira comunidade mais violenta de toda região nordeste do Brasil; além da Banda Marcial Padre Nicola Mazza e o Projeto Ciranda, em Alto do Mateus.

O Orquestrando é um projeto de mobilização social através da música, melhorando a interlocução dos regentes e coordenadores com os poderes públicos e a sociedade, apresentando novas oportunidades de atuação e unindo os músicos em prol de uma causa única. O projeto nacional é uma expansão do Orquestrando São Paulo, criado pelo maestro João Carlos Martins em 2017. Nesta expansão, o público é formado por músicos, amadores e voluntários e terá um investimento social de mais R$ 1,6 milhão. São priorizados os atendimentos a grupos musicais de municípios de baixo Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) e que utilizam a música como ferramenta de transformação social e promoção da cultura local, nas comunidades em vulnerabilidade social.

Por meio de uma plataforma digital, a iniciativa visa disseminar conteúdos, oferecer capacitação para regentes e músicos, além de ser uma ferramenta para a troca de conhecimento, construindo uma relação permanente e online de suporte e informação. A plataforma dá apoio para que, a partir dos recursos humanos e físicos de cada comunidade, os envolvidos possam liderar um movimento de expansão ou consolidação da música local. Um canal de comunicação, informação e interação, que tem o objetivo de unir os profissionais da área no país.

Um dos objetivos do projeto é a valorização e reconhecimento do regente em sua própria comunidade e sempre que possível, o maestro João Carlos Martins convida os regentes locais para abrirem os concertos da Filarmônica Bachiana SESI/SP. Nesse último ano foram cerca de 20 regentes convidados e em sua maioria, foi a primeira vez que tiveram a oportunidade de comandarem uma orquestra profissional e de renome internacional.

A importância desse reconhecimento para os maestros em sua região muitas vezes é vital para a sobrevivência do grupo, é uma forma da sociedade perceber a importância da música e do trabalho social que ela proporciona. No dia 1º o maestro vai se reunir com regentes para mobilizar mais adesões ao projeto.

Informações para a imprensa:
Andréia Vital
(11) 2539-6957

Associação recebeu investimento social da Fundação BB para compra de equipamento e inclusão social de trabalhadores na cadeia produtiva de moda alternativa

Papel, papelão, plásticos, ferro, latas, vidros, tampinhas e muitos outros produtos recolhidos em empresas e nas ruas são transformados em fonte de renda para 39 catadores de materiais recicláveis da cidade de Mogi Guaçu (SP).

Com uma população de 140 mil habitantes, o município produz aproximadamente 139 toneladas de resíduos por dia. A Associação Cooper 3R’s - Coleta Seletiva por Catadores e Reciclagem Popular recolhe parte desse material que seria jogado no aterro, cerca de 120 toneladas de materiais por mês, que são transformados em fardos para a comercialização com empresas de reciclagem. Por outro lado, peças que podem ser reaproveitadas são destinadas ao “Bazar Eco: Fomento da Economia Criativa”, negócio lucrativo desenvolvido pela associação, para melhorar a renda dos catadores. Tem também o trabalho Upcycling - reutilização criativa, que transforma subprodutos, resíduos e objetos em desuso em novos materiais ou produtos de melhor qualidade ou com maior valor ambiental. Entre os objetos transformados estão, móveis feitos de paletes, vasos, mesas e aparadores confeccionados com blindex.

Os dois projetos da entidade receberam da Fundação Banco do Brasil investimento social em dois momentos - em 2016 , R$ 60 mil destinados ao Bazar Eco e, em 2017, outros R$ 60 mil para o projeto Saúde Guaçu!, usado na compra de uma empilhadeira. Os recursos são frutos de editais do Voluntariado BB.

“Aqui na cooperativa damos uma sobrevida aos materiais recicláveis e isso está na Agenda 21 e na Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê a prevenção e a redução na geração de resíduos. A regulação tem como proposta a prática de hábitos de consumo sustentável e o incentivo à reciclagem e à reutilização dos resíduos sólidos, aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reaproveitado, e a destinação ambientalmente adequada dos rejeitos", declarou Maria Beatriz Vedovello Bimbati, fonoaudióloga, psicopedagoga, educadora ambiental. Já a voluntária Maria Beatriz desenvolve um trabalho de organização, uso correto de equipamentos, mediação de conflitos e melhoria da autoestima. “É visível o quanto eles mudaram, o olhar estético, a forma de pensar, de ver o lado bom das coisas e do quanto é importante para o meio ambiente”.

Antes de se tornar presidente da Cooper 3R’s, Maria Aparecida Nascimento atuou em várias atividades, cortou cana, colheu café e fez faxina para sobreviver. Mas o trabalho onde se encontrou foi na reciclagem. Uma característica que ela acredita ter herdado da mãe, que trabalhou por muitos anos como catadora. Na associação, Cida ganhou respeito e o carinho dos colegas, e soube aproveitar as oportunidades – trabalhou na triagem, foi fiscal, coordenadora e em abril deste ano tornou–se presidente. “O cargo não me subiu à cabeça, continuo fazendo o trabalho do dia a dia, ajudo em tudo que precisa no galpão e também no bazar. Tudo que faço na reciclagem é com amor, porque é daqui que eu tiro o meu sustento e dou minha contribuição para o meio ambiente”, disse.

De acordo com a presidente, a aquisição da empilhadeira proporcionou uma forma de trabalho mais saudável aos catadores que atuam na Central de Triagem, com menor esforço e mais rendimento. “Facilitou a organização do espaço de trabalho, pois os bags [sacos para coleta de material reciclável] e fardos puderam ser recolocados no novo ambiente de forma a realizar um mapa de risco e atender à legislação e normas de segurança e saúde no trabalho. Com o equipamento, houve aumento da produção e da renda dos associados, já que foi gasto menos tempo arrastando bags, carregando fardos ou esperando os caminhões dos atravessadores virem buscar”. A renda dos associados passou de R$ 900 para R$ 1.100. As vendas aumentaram, e os materiais antes destinados à reciclagem foram comercializados, como no caso das garrafas brancas de leite Jussara, entre outros, que puderem ser armazenados para carga suficiente e viável para transporte pelas recicladoras.

Os catadores também receberam capacitações e participaram de seminários nos últimos anos nas áreas de economia circular e criativa, negócios sustentáveis e upcycling, com a presença de costureiras, artistas plásticos, ambientalistas, empresários da moda, arquitetos e estudantes de moda e engenharia ambiental.

Desde 2003, a Fundação Banco do Brasil atua na cadeia produtiva de resíduos sólidos com a inclusão social dos catadores de materiais recicláveis em ações de geração de trabalho e renda e de educação, e apoia a melhoria das condições de trabalho.

Com cozinha industrial e cisterna os moradores terão condições de trabalhar a produção de polpas de frutas, remédios caseiros e realizar pequenas plantações

Na região conhecida como Quilombo Poços do Lunga, localizada na zona rural da cidade de Taquarana (AL), os descendentes de escravos sofrem com a falta de serviços básicos e de oportunidades de trabalho.

E para abolir o abandono ao qual essa população foi submetida, foi criada, em 2011, a Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos Passagem, com a finalidade de fortalecer o desenvolvimento sustentável e a preservação ambiental nas comunidades do sertão alagoano.

A agricultura familiar de subsistência é a principal atividade econômica da região, acompanhada por eventuais produções artesanais e de gêneros alimentícios, sendo que a maioria das famílias ainda precisa contar com o programa Bolsa Família para sobreviver.

Mesmo estando a cinco quilômetros do Rio Lunga, o acesso à água doce ainda é uma questão complicada. A prolongada seca que afeta a região desde 2012 tem provocado dificuldades de subsistência e intensificado o quadro de vulnerabilidade social. No segundo semestre de 2017, a associação apresentou o projeto “Quilombo, Inclusão e Transformação” à Fundação Banco do Brasil e foi contemplada com o investimento social de R$ 249 mil. O recurso foi usado na implantação de uma cozinha industrial e na construção de uma cisterna de placas de 52 mil litros. O projeto atende 65 famílias residentes no quilombo, contribuindo para promoção da segurança alimentar e geração de trabalho e renda.

Antônia do Espírito Santo é nascida e criada no povoado e hoje ocupa o cargo de coordenadora da associação. Ela explica que nesse período o rio já se encontra totalmente seco, o que faz com que as famílias recorram às cisternas para obterem água potável. “Nossa intenção no primeiro momento era abrir poços artesianos, mas aqui, qualquer tanto que cavar a terra, a água que brota é muito salgada, não serve para nada”.

E para garantir a geração de trabalho e renda, a cozinha industrial, que já está pronta, será usada na produção de polpas de frutas e na fabricação de remédios caseiros derivados de plantas medicinais, como angico, barbatimão, aroeira e caju vermelho. “Vamos trabalhar com as frutas da região, a exemplo do umbu, que no período de safra costuma dar em abundância. Além de outros frutos que já iniciamos o plantio". Os associados também já iniciaram o cultivo de verduras, legumes e folhagens para ajudar na alimentação das famílias. Todas atividades são acompanhadas de conversas para motivar os participantes. “As pessoas aqui são muito desconfiadas, muitas não acreditavam que o projeto iria acontecer, porque nunca tiveram uma renda, mas a gente está sempre trabalhando a questão do pensamento positivo e a autoestima, principalmente com as mulheres e os mais jovens”, declarou Antônia.

Projeto com o apoio da Fundação BB vai oferecer capacitações e atendimento jurídico e psicossocial

Oferecer um espaço de acolhimento, integração, atendimento jurídico e psicossocial e capacitação para imigrantes e refugiados é o objetivo da Casa de Direitos, inaugurada nesta quinta-feira (8), em Brasília, pela Cáritas Brasileira, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, a Cáritas Suíça e o Departamento de Estado dos Estados Unidos (PRM).

No espaço será realizado o Projeto de Educação e Capacitação para Refugiados e Migrantes no Distrito Federal e Cidades do Entorno, que vai oferecer acompanhamento psicossocial, formação em língua portuguesa, cultura brasileira, legislação trabalhista, economia solidária, empreendedorismo e inclusão digital.

As inscrições para o curso de língua portuguesa, que tem 40 vagas, estão abertas até o dia 14 de novembro. “Os cursos vão dar uma base fundamental para essas pessoas poderem se integrar melhor aqui em Brasília. Já existe uma procura grande por esses cursos”, afirma Cristina dos Anjos, assessora para Migração e Refúgio, da Cáritas Brasileira. Já houve inscrições de migrantes do Chile, Venezuela, Haiti, Colômbia, Afeganistão e Senegal.

O senegalês Abdoul Aziz, de 27 anos, é um dos que se inscreveu no curso de português. Abdoul está no Brasil há um ano e oito meses e deixou no país de origem a mãe e dois irmãos menores, em busca de emprego. Ele já trabalhou como mecânico de automóveis por um período, mas está sem trabalho no momento. O senegalês se comunica com dificuldade em português e acredita que o curso vai ajudar. "Espero conseguir trabalho", afirma.

Já Andrerobert Lunga, de 36 anos, veio da República Democrática do Congo há oito anos. Ele fala português fluente, mas foi convidado a participar do curso pra ajudar na integração dos outros imigrantes. Veja ele comentando como vai participar.




Na Casa de Direitos também vai funcionar o Programa Pana, que tem como objetivo ser referência na acolhida, proteção e integração de imigrantes no Brasil. O Pana também estará presente em outras seis capitais do país – Boa Vista, Porto Velho, Recife, São Paulo, Curitiba e Florianópolis.

A palavra pana significa amigo na língua do povo indígena venezuelano Warao, os primeiros a atravessar a fronteira com a Roraima em busca de ajuda e formas de sobrevivência.

O Pana propiciará acesso à moradia, por meio do aluguel subsidiado de casas ou apartamentos para imigrantes que serão alocados de Roraima, oportunidade de formação em vista de trabalho e renda, assistência jurídica e psicológica. Para complementar as ações, no campo emergencial, os migrantes em situação de vulnerabilidade social terão acesso a itens de primeira necessidade como alimentos e kits de higiene pessoal e de limpeza e roupas.

As iniciativas contam com a parceria da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH); Cátedra Sérgio Vieira de Mello, da Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e Organização Internacional das Migrações (OIM).

Serviço:
Inscrições: na Cáritasno, endereço: CONIC - Edifício Venâncio II – SDS Bloco H - 1º Andar - Salas – 101 a 104
Telefone para informações: (61) 3521-0350 - com Juliana Sangoi 

 

Tecnologia social utiliza a música e a arte para promover a inclusão social; além do DF, metodologia será reaplicada no Maranhão

João Gabriel é um garoto lindo, alegre, mas que depende de orientações para tudo que vai fazer, até mesmo executar as tarefas mais simples, como escovar os dentes e tomar banho.

Aos 2 anos e 6 meses de idade, foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista-TEA, isso após seus pais, o bancário Sérgio Rocha e a professora Érika Dinato, perceberem que ele não respondia às suas solicitações quando era chamado. Mais tarde, vieram as estereotipias (movimentos repetitivos) nas mãos que aos poucos foram se intensificando, e foi aí que eles começaram a peregrinação para descobrir o que o filho tinha. Já com o diagnóstico, o desafio era buscar formas de inclusão e de ampliar as possibilidades de socialização.

Prestes a completar 12 anos, João Gabriel é um dos 22 atendidos pela tecnologia social “Uma Sinfonia Diferente - musical para pessoas com autismo”, do Instituto Steinkopf, de Brasília (DF). Vencedora do Prêmio Fundação Banco do Brasil de 2017, na Categoria Saúde e Bem-Estar, a metodologia foi idealizada pela musicoterapeuta, Ana Carolina Steinkopf, em 2015, e utiliza a música e seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) no acompanhamento do autista.

A iniciativa envolve pessoas com autismo verbal e não-verbal e, no caso de João Gabriel, o foco é na atividade motora fina e estímulo à socialização. "Ele adora comer e ter contato com água, no caso piscina, rio, mar e chuveiro; gosta de cama elástica, de se balançar e ficar deitado em superfícies planas. Quando estimulado, adora dançar.Vejo muito progresso após fazer parte do Sintonia. Ele já desenvolveu a noção de espaço; gosta de rodopiar e quando é estimulado, dança e maneja os instrumentos musicais. Hoje já percebe que existem outros como ele", conta o pai, chamado de Serginho.

Nesse final de semana, o grupo fez duas apresentações do musical “Todas as formas de amor e de amar”, na Sala Plínio Marcos da Funarte. A primeira, para os parceiros do projeto; e a segunda foi aberta ao público em geral. O espetáculo contou um repertório diversificado voltado para o universo infantil como – Peixe Vivo, Tumbalacatumba, Se Você está Feliz - e com muitas brincadeiras no palco. Para que tudo fosse acontecesse foram realizados ensaios semanais, durante seis meses, com objetivo terapêutico e de aprendizagem das músicas e coreografias.

De acordo com Ana Carolina, o espetáculo deste ano foi todo produzido pelas pessoas com autismo. Os mais velhos do grupo foram os responsáveis pela a escolha do nome do espetáculo, roteiro, luz, cenário e figurinos. Tudo foi pensado neles, para que fosse um momento de diversão, em que eles pudessem mostrar seus potenciais e que a sociedade veja que as pessoas com autismo são muito mais do que só ficarem num cantinho, elas conseguem ser protagonistas de suas próprias histórias”, declarou Carol.

Da turma também participa o João Lucas, de nove anos, que está na projeto há três e não perde um ensaio. “O João Lucas já se desenvolveu muito. Aqui é onde nos encontramos com outras mães de autistas. O projeto tem feito muito bem para meu filho, e acredito que para todos que participam. A Carol é um amor de pessoa, sempre pronta a ajudar”, disse Lena Silva, mãe do João Lucas.

E o que falar de Daniel Cavalcanti? Jovem esperto e muito inteligente, que se envolveu em todas as fases do musical. Veja o que ele diz.


Desmistificação

Amar, cuidar e tratar de uma pessoa com autismo não é uma tarefa fácil. Os pais precisam de uma rede de apoio que vai do aspecto econômico ao psicossocial. Se informar sobre os direitos do filho, buscar tratamento especializado e ter tempo para se dedicar às tarefas cotidianas, muitas vezes, gera ansiedade e tristeza

Serginho diz que esta crença de que pais e mães de pessoas com autismo são especiais não ajuda, pelo contrário, esconde os desafios diários. “Não somos super-heróis; precisamos de ajuda dos familiares, da sociedade, do poder público. Não é porque somos 'especiais' que não temos cansaço, raiva, tristeza e frustração”, afirma.

Para ele, desmistificar estas crenças mostra que há grandes desafios no cuidado de um autista e precisa ser discutido de forma ampla. Além disso, em uma sociedade cada vez mais competitiva, o conceito de ser bem sucedido também precisa ser questionado. “Num mundo onde o sucesso é um valor, é preciso que ressignifiquem o que é sucesso para pessoas com dificuldades”, avalia.


Reaplicabilidade

Após ser vencedor do Prêmio de Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, a metodologia ganhou mais visibilidade, aumentou o número de crianças e jovens atendidos e criou mais uma turma em Brasília. Nos próximos dias, o método começará a ser reaplicado na cidade de São Luís (MA). A TS também foi vencedora do Edital do Fundo de Apoio à Cultura de Porto Alegre. A iniciativa e outras 985 formam o Banco de Tecnologias Sociais da Fundação BB, um acervo online com todas as metodologias certificadas pela organização desde 2001.

Na Etapa II, as habilitadas devem apresentar documentos; certame seleciona entidades para reaplicar metodologias com foco na geração de renda

Os nomes das entidades selecionadas na etapa Etapa I para receber os recursos da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) já estão disponíveis.

Com investimento social de R$ 10 milhões, o edital tem como objetivo a seleção de projetos de reaplicação de tecnologias sociais com foco em geração de trabalho e renda em qualquer parte do País.

Nesta fase foi selecionado o primeiro lugar de cada uma das cinco regiões do País, de acordo com a pontuação, definindo os cinco primeiro projetos. As demais habilitadas obedeceram a ordem de classificação geral obtida até o total de recursos financeiros não reembolsáveis, contemplando 11 projetos. Na lista das entidades com maior pontuação estão duas de Pernambuco, uma do Pará, uma do Paraná, uma de Goiás, uma de São Paulo, uma do Rio Grande do Norte, uma do Amazonas, uma do Ceará, uma da Paraíba e uma do Rio Grande do Sul.

Para fazer a reaplicação, as entidades devem escolher, necessariamente, iniciativas listadas no Banco de Tecnologias Sociais, acervo online que reúne todas as metodologias certificadas pela Fundação BB, desde 2001. As entidades com diretorias compostas por, no mínimo, 50% de mulheres ou que possuam tecnologia certificada pela Fundação BB recebem bonificação extra, conforme os critérios do edital.

As contempladas passam agora a atender a Etapa II em que devem apresentar a a documentação prevista no item 11.2 do edital.

Conheça as selecionadas aqui

Organização comunitária no Médio Juruá, na Amazônia, fortalece produção sustentável de recursos e atrai apoio de organizações e empresas

O boto cor-de-rosa é atração entre os turistas que vão visitar os rios da Amazônia, mas não é companhia desejada pelos barqueiros da região. Têm a fama de distraírem a atenção do condutor e de fazê-lo perder o rumo. Além disso, os barqueiros rejeitam levar mulheres que estão no período menstrual, devido ao folclore de que elas atraem os mamíferos ao redor do barco.

Essa história faz parte do repertório das comunidades ribeirinhas no Médio Juruá, no município de Carauari, região sudoeste do Amazonas, onde o transporte fluvial tem papel decisivo: é o único meio de ligação entre as localidades e o resto do mundo. O rio Juruá tem inúmeras curvas, o que torna o percurso bastante demorado. Para chegar à área urbana leva até três dias de barco. Para a capital do estado, Manaus, a viagem dura até dez dias. Assim vivem 4,2 mil pessoas que moram nas 55 comunidades na reserva extrativista Médio Juruá e na reserva de desenvolvimento sustentável Uacari, unidas pelo sinuoso rio.  

“Aqui na Amazônia, além da falta de comunicação, nós temos grandes distâncias que elevam os custos e aumenta o preço dos produtos”, afirma Adevaldo Dias, presidente do Memorial Chico Mendes. 

Para superar a dificuldade com o transporte e o sustento das famílias, a saída foi a organização comunitária. Associações e cooperativas formadas por moradores contam com o apoio financeiro e acompanhamento de instituições parceiras mobilizadas na preservação da biodiversidade e da cultura dos ribeirinhos. As iniciativas na região conciliam a geração de renda com a conservação da floresta e buscam fortalecer cadeias produtivas com base no manejo sustentável de espécies vegetais e animais.

As famílias vivem da extração de acaí, da borracha e de oleaginosas como andiroba e murumuru, do cultivo da mandioca e da pesca - principalmente do manejo do pirarucu. O manejo das tartarugas, com o acompanhamento de pesquisadores, é feito para evitar que entrem para a lista das espécies em extinção, mas o uso comercial autorizado é um objetivo dos produtores locais.

Apoiadores nacionais, entre eles a Fundação Banco do Brasil, se reuniram com representantes de 45 comunidades em um seminário, entre 17 e 19 de outubro, na comunidade de Bauana. O evento teve a participação de mais de 200 pessoas, entre moradores e parceiros, e a organização foi do Instituto Chico Mendes (ICMBio) e da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc). O objetivo foi debater o fortalecimento das cadeias produtivas das duas reservas.

Bruna de Vita, coordenadora Geral de Populações Tradicionais do ICMBio, ficou satisfeita com a aproximação entre os comunitários e as instituições.


Ecoforte

A Fundação Banco do Brasil investe em diversos projetos no Médio Juruá, por meio do Programa Ecoforte, em parceria com o Fundo Amazônia (gerido pelo BNDES) e o apoio do Ministério do Meio Ambiente e ICMBio. 

Em convênio com a Asproc, o recurso em torno de R$ 1,2 milhão  foi utilizado para a compra de dois barcos para o transporte dos produtos e para a construção de um entreposto de pesca, que está em andamento. “Agora a gente pega o peixe e leva para Manaus para ser feito o processamento, com alto custo de transporte e de beneficiamento. Com esse entreposto construído aqui o manejador vai poder receber um valor a mais pelo pescado”, explica o presidente da Asproc, Manuel Siqueira. A entidade também recebeu o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, em 2015, na categoria Comunidades Tradicionais, Agricultores Familiares e Assentados da Reforma Agrária. O troféu foi um reconhecimento à Tecnologia Social Sanear, que permite o acesso a água potável, por captação de chuva ou de poço, e a construção de sanitário nas residências.

Ainda pelo Ecoforte, a Cooperativa Codaemj recebeu cerca de R$ 600 mil que são empregados na aquisição de sementes de andiroba, murumuru e ucuuba e na construção de galpão para o processamento das oleaginosas.

"Participar do Seminário nos deu a dimensão da forte mobilização e organização social dos comunitários e da seriedade de suas associações e cooperativas para o desenvolvimento sustentável da região. Com o Ecoforte, contribuímos para a estruturação das cadeias produtivas manejadas por essas comunidades, agregando valor e ativando a economia extrativista,  possibilitando que mais pessoas se beneficiem, conheçam e consumam esses produtos em todo o Brasil", explica Cláudia Zulmira, assessora da Fundação Banco do Brasil. 

O que é manejo

Manejo Florestal Sustentável é a administração da floresta para obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando os mecanismos de sustentação do ecossistema, possibilitando a utilização de múltiplas espécies, produtos e subprodutos madeireiros e não-madeireiros, assim como outros bens e serviços florestais. A produção leva em conta a legislação em vigor e tem o acompanhamento de órgãos ambientais. 

Fotos: Paula Crepaldi/Fundação BB e Bruno Bimbato/ICMbio

Entidades podem entrar com recurso até 7 de novembro, cinco dias úteis após a publicação no DOU

A Fundação Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgam o resultado da Etapa II das duas seleções públicas em andamento do Programa Ecoforte Redes. No Edital número 2017/030 – voltado a novas propostas de redes de agroecologia ou à consolidação das já atendidas pelo certame de 2014 – foram habilitadas 13 entidades.
Acesse aqui o resultado preliminar da etapa II do Edital.

Já no Regulamento número 2017/031, uma chamada direta para melhoria de organizações de agroecologia já conveniadas pelo edital de 2014, foram habilitadas cinco entidades.
Acesse aqui o resultado preliminar da etapa II do Regulamento.

As redes inscritas têm até o dia 7 de novembro para entrar com recursos – data em que completa cinco dias úteis após a publicação no DOU, em 30 de outubro, conforme o edital. Após a análise dos recursos, será divulgado o resultado final dos processos seletivos.
Confira mais informações sobre o edital em fbb.org.br/ecoforte2017.

Programa Ecoforte
Criado em 2013, o Ecoforte possibilitou a integração das organizações participantes, com ampliação da participação de agricultores familiares no processo de transição agroecológica, inserção produtiva de jovens e mulheres, melhoria da capacidade de produção, articulação e realização de negócios solidários nas próprias redes.