GIFE Mulheres em Rede

Parceria entre Fundação BB e ONU Mulheres irá impulsionar agricultoras familiares do Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro

“A gente tem que chorar no começo para sorrir no fim”. Foi com esta frase, que a jogadora Marta da Silva sintetizou como deve ser o investimento para que o futebol feminino brasileiro seja vencedor. O desabafo foi após a derrota para o time da França em junho. Marta, além de ser eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), é embaixadora da ONU Mulheres e reivindica os mesmos direitos para homens e mulheres no futebol.

A metáfora “chorar no começo, para sorrir no fim” é uma realidade para várias mulheres, não só no futebol, mas também na agricultura. Ainda há uma realidade no meio rural, da mulher cuidar da casa, dos filhos, da lavoura, mas a decisão sobre os rumos da produção continuam na mão dos homens. Estudos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que representa a posição da ONU, aponta que as mulheres são responsáveis por 40% da produção de alimentos no Brasil, mas não possuem os mesmos acessos aos recursos de financiamento agrícola, aos serviços e educação. Porém, em países em que as mulheres alcançam as mesmas oportunidades, a produção agrícola aumenta no mínimo um terço. Isto ocorre porque as mulheres tendem a reinvestir o lucro na produção e no bem-estar da família.

Este é um dos diagnósticos levantados pela ONU Mulheres que possibilitou a parceria entre a entidade e a Fundação Banco do Brasil no projeto Mulheres Rurais em Rede. A união de forças, possibilitou o apoio para o Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense (MMNEPA), em janeiro deste ano, da Associação de Comercialização Solidária Xique Xique, no Rio Grande do Norte e a mais nova entidade beneficiada é a Cooperativa de Comércio Justo e Consciente GiraSol, com sede em Porto Alegre.

O investimento social é de mais de R$ 849 mil e vai atender 18 empreendimentos de agricultoras familiares, quilombolas e mulheres reassentadas pela reforma agrária dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro. Serão 180 mulheres atendidas de forma direta e ao todo, 14 municípios contemplados: Teresópolis, Magé e Maricá no estado do Rio de Janeiro; Pitanga, Mallet, e Inácio Martins no estado do Paraná e; Mostardas, Itati, Torres, Viamão, Gravataí, Taquara, Portão, Piratini no estado do Rio Grande do Sul.

A parceria foi assinada no dia 10 de julho, em Porto Alegre com as presenças do presidente da Fundação BB Asclepius Soares, representante da ONU Mulheres do Brasil, Ana Carolina Querino e das representantes de entidades ligadas ao movimento de mulheres do campo, agroecologia e economia solidária.

Para o presidente da Fundação Banco do Brasil o objetivo da parceria é fortalecer os empreendimentos solidários e econômicos liderados por mulheres e reduzir as desigualdades. “Ao fazer esta parceria com a ONU Mulheres, a Fundação BB contribui ainda mais para a autonomia, geração de renda e protagonismo das mulheres rurais”, avalia.

Capacitação, beneficiamento e comercialização

A Cooperativa GiraSol faz parte da Rede de Economia Solidária e Feminista (Resf) e tem atuação nos três estados que o projeto irá apoiar. Como cada organização está em diferentes estágios no processo de produção e comercialização agroecológica, as ações serão desenvolvidas em três etapas: primeiro a capacitação sobre melhores práticas agroecológicas, fortalecimento dos empreendimentos solidários a partir das realidades locais e beneficiamento e estrutura para comercialização dos produtos.

A coordenadora do projeto Tanara Lucas explica que já há a feira de Teresópolis (RJ) onde as produtoras já comercializam o que produzem, então será fornecido barracas e capacitação para beneficiamento dos produtos para aumentar a renda. Na cidade de Pitanga, no Paraná, a rede de mulheres também tem um espaço de comercialização de produtos agroecológicos, assim, o projeto vai impulsionar a produção de leite, já que a região tem este potencial.

“As mulheres quilombolas aqui do Rio Grande do Sul plantam para a subsistência porque ainda não sabem aproveitar o potencial do solo, então, primeiro faremos as capacitações, depois a estruturação logística e construiremos o armazém por meio da parceria com a Fundação BB. Nossa expectativa é transformar esta dinâmica e estimular estas mulheres quilombolas a produzirem excedente para venda e assim adquirirem autonomia", avalia Tanara. Autonomia que pode ser relacionada com “o sorrir no fim”, como disse a jogadora Marta.

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Portal Maior Teresina

Projeto tem investimento social de R$ 2,3 milhões, sendo R$ 2 milhões da Fundação BB, e o restante de contrapartida da Prefeitura de Teresina 

A Fundação Banco do Brasil e a Prefeitura de Teresina (PI) lançaram na sexta-feira (29), em Teresina (PI), o projeto “Apoio ao Desenvolvimento da Agricultura Agroecológica e Produção Orgânica de Hortaliças". O evento realizado no salão nobre da Prefeitura contou com a presença do presidente da Fundação BB, Asclepius Soares, do diretor de Governo do Banco do Brasil, Ênio Mathias Ferreira e de representantes da Prefeitura de Teresina e de horticultores beneficiados.

O convênio de cooperação financeira vai receber o investimento social de R$ 2,3 milhões, sendo R$ 2 milhões da Fundação BB, e o restante de contrapartida da Prefeitura de Teresina. O projeto será executado pela Superintendência de Desenvolvimento Rural de Teresina e vai atender cerca de 1,4 mil agricultores familiares.

O objetivo do projeto é promover o desenvolvimento da agroecologia e produção orgânica de hortaliças, do cultivo de arroz, feijão, milho, mandioca, além da oferta de composto orgânico, comercialização de hortaliças sanitizadas, higienizadas e padronizadas, contribuindo para a melhoria do padrão alimentar, nutricional e renda das famílias.

Os recursos financeiros serão investidos na compra de equipamentos (trator agrícola, caçambas, caminhão, triciclos com baú isotérmico/refrigerado), compostador de resíduos orgânicos, além de usina de processamento de coco verde, aquisição de sementes de hortaliças, de materiais de higiene, limpeza, embalagens, compra de adubo orgânico e a realização de cursos na área de higienização e sanitização, de agroecologia e produção orgânica.

Investimento social no estado do Piauí
Nos últimos 10 anos, a Fundação Banco do Brasil investiu cerca de R$ 56,4 milhões no estado do Piauí. Foram 249 projetos executados, em 101 municípios e 104,7 mil pessoas atendidas. Na capital Teresina, de 2009 até 2019, a Fundação Banco do Brasil aportou R$ 28,4 milhões em 27 projetos e cerca de 5 mil pessoas foram beneficiadas.

No estado, o maior investimento foi na construção de cisternas de água de beber e de produção. Foram R$ 33,5 milhões investidos para garantir o acesso a água para 1,4 mil famílias. O programa AABB Comunidade, que atende crianças e adolescentes no contraturno escolar, recebeu R$ 4.5 milhões e atendeu 12,6 mil estudantes. Foi o segundo maior investimento da FBB no estado do Piauí. As cadeias de produção de mel e caju, também receberam aporte de R$ 1.7 milhões e R$ 700 mil, atendendo 4.6 mil participantes.

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Fotos: acervo Prefeitura Municipal de Teresina.

 

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Revolução dos Baldinhos, de Florianópolis, foi o único representante do Brasil no Fórum Global de Alimentação e Agricultura

O método de reaproveitar resíduos orgânicos para fazer compostagem e o desenvolvimento da agricultura urbana foi reconhecido, na Alemanha, como uma das 15 práticas excepcionais em agroecologia do mundo. A iniciativa, originalmente brasileira, é conhecida como Revolução dos Baldinhos e foi desenvolvida com o apoio do Cepagro (Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo), de Florianópolis (SC).

A iniciativa foi a única representante do Brasil na premiação do Fórum Global de Alimentação e Agricultura, realizada no dia 18, durante a Semana Verde Internacional, em Berlim. O concurso foi promovido pelo WFC (World Future Council), que escolheu, entre 77 indicações, de 44 países, práticas que promovem a transição para a agroecologia do Sul do globo e que atingiram os critérios de agroecologia desenvolvidos pela FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura). Os escolhidos são projetos, programas, empresas sociais e organizações não-governamentais ligadas à alimentação sustentável.

A Revolução dos Baldinhos teve início em 2008, na comunidade Chico Mendes, região continental de Florianópolis, para resolver um problema grave de contaminação de doenças pelo manejo incorreto do lixo e que ocasionou na infestação de ratos - incluindo a morte de pessoas por doenças. O saldo do trabalho realizado por meio da gestão comunitária de resíduos e da compostagem foi a redução do número de doenças, higienização das ruas e o envolvimento da comunidade. A iniciativa sensibiliza as famílias para a reciclagem das sobras de comida e as transforma em composto orgânico, disseminando o plantio como promoção da saúde e alimentação saudável.

A metodologia constrói um círculo virtuoso. No momento em que se recolhe os resíduos orgânicos nas casas, escolas e creches, faz-se a entrega do adubo aos moradores, que utilizam em suas hortas e pequenas plantações orgânicas, resultando em alimentos saudáveis. O lixo que segue para a coleta pública, sem a mistura de restos de comida, fica seco, sem mau cheiro, não suja a rua e é facilmente manuseável. Além disso, ao separar o lixo, a comunidade faz a triagem de materiais, encaminhando aquilo que pode ser reaproveitado para a reciclagem.

Este não é o primeiro prêmio da instituição. Em 2011 a Revolução dos Baldinhos já havia sido certificada como Tecnologia Social pela Fundação BB. Dois anos depois, foi vencedora nacional no Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social, na categoria Instituições de Ensino, Pesquisa e Universidades. A iniciativa também é uma das cinco escolhidas para ser implementada no Projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social (Muts) – criado para mobilizar moradores por meio da convivência social em empreendimentos de baixa renda financiados pelo Banco do Brasil. O Muts também foi premiado pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU Habitat), na categoria “Inovações tecnológicas para a habitação e para uma cidade sustentável e inclusiva”, em 2018.

Cintia Aldaci Cruz é a coordenadora da tecnologia social, em Santa Catarina. Ela diz que o trabalho do grupo pode ser reconhecido como uma política pública junto a comunidade. "Sabemos que estamos no caminho certo. Somos uma tecnologia social certificada pela Fundação BB e esperamos que este prêmio internacional também possa abrir portas para nosso trabalho", avalia.

Segundo Júlio César Maestri, engenheiro agrônomo da Cepagro, os prêmios são importantes, no sentido de exaltar a experiência comunitária dos moradores que há tantos anos se dedicam para manter o projeto ativo. "Muitas coisas aconteceram, mas o projeto é tão importante para a comunidade que se mantém vivo até hoje. Esses prêmios ajudam a dar esse reconhecimento, renovando a energia da comunidade. Nós, do Cepagro, estamos felizes pela autonomia do grupo. Além disso, acredito que isso fortalece a dimensão, para que essa experiência continue sendo reaplicada dentro do projeto Muts, por outras comunidades do Brasil", avalia.

 

Por ser reconhecida como tecnologia social, a Revolução dos Baldinhos passou a integrar o Banco de Tecnologias Sociais da Fundação BB para que a metodologia possa ser reaplicada em qualquer localidade do Brasil. A metodologia pode ser conferida aqui: http://bit.ly/2RcY9GU

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Projeto foi financiado pela Fundação BB e BNDES em parceria com ADAI

Agricultores familiares do Paraná, Santa Catarina e do Rio Grande do Sul receberam unidades de produções agroecológicas e placas solares de aquecimento de água. A implementação das tecnologias sociais aconteceu entre os anos de 2016 e janeiro deste ano, com o objetivo de promover melhoria na qualidade de vida das famílias, por meio da soberania alimentar, geração de renda, bem como potencializar a alternativa de geração de energia.

A Fundação Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) investiram R$ 4,5 milhões no Programa de Promoção da Soberania Alimentar em Regiões Atingidas por Barragens. A Associação de Desenvolvimento Agrícola Interestadual – ADAI foi a entidade responsável por executar o projeto nas 210 propriedades dos agricultores familiares, em 18 municípios. Cada família recebeu uma unidade da Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (Pais), além das Placas Solares ASBC (Aquecimento Solar de Baixo Custo), assistência técnica e curso de formação teórica e prática.

As duas tecnologias sociais são certificadas pelo Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social e integram o Banco de Tecnologias Sociais (BTS). A tecnologia social Pais tem papel importante na produção de alimentos saudáveis e livres de agrotóxicos. Seu formato em círculo permite o cultivo de hortas e criação de galinhas, simultaneamente, envolvendo diretamente homens, mulheres e jovens em todas as fases.

Cristiane Hannauer, colaboradora da ADAI, explica que o sistema Pais fez com que as famílias repensassem a sua alimentação de forma a priorizar os produtos que elas mesmas produziam e alimentos sem resquícios de agroquímicos. Para além do autoconsumo, muitas delas comercializam os produtos nas feiras e comércio local, garantindo renda extra, principalmente com a venda de ovos e hortaliças.

As placas solares de aquecimento de água têm montagem fácil e demandam pouca manutenção. A água em temperatura ambiente é disponibilizada para um boiler (aquecedor) de 200 litros, montado no telhado, na parte que mais recebe sol. A água do boiler entra por gravidade em tubos de vidro revestidos por uma tinta específica para captar melhor a luz solar, e a partir daí começa o processo de aquecimento de água, que pode chegar a mais de 90 graus, trazendo mais economia e conforto para as famílias.

“As placas solares também geraram inúmeros benefícios para as famílias, a maioria relatou ter percebido diminuição significativa na conta de luz, economia que chegava de 30% a 40%. E para além de uso no banho, a água quente também é usada nos serviços domésticos na cozinha, limpeza de materiais e equipamentos de ordenha e manuseio com o leite, além de outras necessidades da família, garantindo economia, conforto e qualidade de vida”, declarou.

Antônio Tavares, morador do Assentamento Santa Clara, distrito de Condói, sempre trabalhou com lavouras de feijão, milho e soja. Ele conta que há dois anos, com a chegada da produção agroecológica em sua propriedade, ampliou sua pequena horta caseira. Hoje ele produz um canteiro bem maior com alface, almeirão, repolho, batata, amendoim, melancia, melão, além de outras variedades. “O projeto mudou a nossa forma de plantar os alimentos que levamos à mesa. Antes comprávamos tudo no comércio e hoje em dia nós é quem oferecemos os nossos produtos ao mercado’, disse.”

Grande parte das famílias beneficiadas pelo projeto vive próxima à barragens, a exemplo do complexo binacional de Garabi-Parambi, Barragem de Itá, Barragem de Machadinho, Barragem de Itapiranga, Barragem Foz do Chapecó, Usina Hidrelétrica de Águas de Chapecó e Celso Ramos e Usina Hidrelétrica de Campos Novos. Os municípios paranaenses que receberam as tecnologias são: Candói, Rio Bonito do Iguaçu e Porto Barreiro. Os selecionados do Rio Grande do Sul são: Aratiba, Mariano Moro, Marcelino Ramos, Erechim, Alecrim e Porto Lucena. Os de Santa Catarina: Mondai, Itapiranga, São João de Oeste, São Carlos, Águas de Chapecó, Caxambu do Sul, Celso Ramos, Anita Garibaldi e Cerro Negro.

 

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Projetos vão atender cerca de 7 mil pessoas das cinco regiões do país

Vinte e oito entidades sem fins lucrativos foram habilitadas pela Fundação Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Programa Ecoforte Redes, para investirem em projetos de agroecologia nas cinco regiões do país. As contempladas foram escolhidas nas seleções públicas 2017/030 e 2017/031, que disponibilizam recursos no valor de R$ 25 milhões do Fundo Social e do Fundo Amazônia administrados pelo BNDES. 

A seleção tem como objetivo, apoiar projetos territoriais de redes de agroecologia, extrativismo e produção orgânica, voltados à intensificação das práticas de manejo sustentável de produtos da sociobiodiversidade e de sistemas produtivos orgânicos e de base agroecológica. Os projetos vão atender cerca de 7 mil pessoas diretamente.

No Edital 2017/030, que é voltado para atender propostas novas de redes de agroecologia ou à consolidação das atendidas pelo certame de 2014 foram habilitadas 21 entidades..

Enquanto o Regulamento número 2017/031, uma chamada direta para melhoria de organizações de agroecologia conveniadas pelo edital de 2014, vai atender sete entidades.

Conheça aqui as vencedoras.

Programa Ecoforte
Criado em 2013, o Ecoforte possibilitou a integração das organizações participantes, com ampliação da participação de agricultores familiares no processo de transição agroecológica, inserção produtiva de jovens e mulheres, melhoria da capacidade de produção, articulação e realização de negócios solidários nas próprias redes

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Coletivo agroecológico investiu em irrigação no cultivo de alimentos e apicultura

“Lugar de mulher do campo é na cozinha.” Esta frase é ultrapassada para boa parte das alunas da Escola Familia Agrícola de Goiás, na região da antiga capital do estado. As mulheres agora desempenham papeis no cultivo da plantação e na administração da propriedade e conseguem financiamento para seus projetos.

Elas são a maioria num grupo de 22 jovens que formaram um coletivo agroecológico vinculado à Associação de Pais e Alunos da Escola da Família Agrícola de Goiás (EFAGO). A proposta para formar o coletivo foi selecionada no edital do Programa de Juventude Rural. Cada integrante entrou com um projeto de produção, beneficiamento ou comercialização de produtos agrícolas, com base em agroecologia. O recurso de R$ 200 mil reais distribuídos entre os participantes foi investido principalmente em irrigação e apicultura.

Nayara Rodrigues, de 22 anos, disse que o investimento foi um estímulo para as mulheres se voltarem para a produção. “Com o projeto, a gente conseguiu ter mais iniciativa e tomar a frente.” Ela usou a verba para plantar milho e maracujá. “Esse investimento foi bom porque possibilitou ter lucro com aquilo que gostamos de fazer. A gente teve a oportunidade de escolher o que queria”, explica.

“Ficamos mais independentes, não dependendo tanto dos homens, do marido e dos pais. Foi um incentivo para os jovens continuarem no campo”, afirma Ana Paula Ferreira, de 29 anos, que mantém um apiário no mesmo lote onde fica a casa em que vive com a família. 

A participante Jéssica Souza, de 24 anos, diz que a mentalidade em relação aos papeis de mulheres e homens no campo vem mudando. “A gente começa a perceber que é capaz de fazer as duas coisas, tanto ficar em casa, como também participar na roça, como o homem também começa a perceber que ele pode fazer as duas coisas”.

Junto com o marido Édipo Santana, Jéssica cultiva milho, quiabo e jiló, com a ajuda dos pais dela, em uma área de um hectare e meio. De acordo com eles, as capacitações oferecidas dentro do Juventude Rural ajudaram a perceber novas possibilidades de produção, comercialização e divulgação, como o uso de redes sociais, por exemplo. O resultado tem sido positivo e eles até pensam em ampliar o empreendimento. “A gente tá pensando em aumentar mais a produção e buscar mais comércio, talvez tenha que empregar mais pessoas para ajudar”, afirma Édipo.

“Grande parte da juventude que participou desse projeto está no campo, voltou pra trabalhar com as famílias e tem hoje um trabalho específico dentro da propriedade”, destacou Iracélia Ferreira, professora e ex-presidente da Efago.

Assista ao vídeo sobre o projeto do Coletivo Agroecológico:

 

 

O que é agroecologia
A agroecologia é uma forma de cultivo que integra diversas espécies no mesmo ecossistema, respeita os ciclos da natureza, otimiza o uso dos recursos (água, incidência de luz solar, ocupação do solo) e dispensa o uso de agrotóxicos. O combate às pragas é feito por meio de predadores naturais, como os insetos.

Juventude Rural
O edital Juventude Rural é uma iniciativa da Fundação Banco do Brasil em parceria com o BNDES e a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ/SGPR). O objetivo é gerar oportunidades de emprego e renda para pessoas de 15 a 29 anos permanecerem no campo. Foram selecionadas 49 propostas, apresentadas por entidades de agricultores familiares ou de extrativistas, pescadores artesanais e povos tradicionais. 

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Entidades podem entrar com recurso até 7 de novembro, cinco dias úteis após a publicação no DOU

A Fundação Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgam o resultado da Etapa II das duas seleções públicas em andamento do Programa Ecoforte Redes. No Edital número 2017/030 – voltado a novas propostas de redes de agroecologia ou à consolidação das já atendidas pelo certame de 2014 – foram habilitadas 13 entidades.
Acesse aqui o resultado preliminar da etapa II do Edital.

Já no Regulamento número 2017/031, uma chamada direta para melhoria de organizações de agroecologia já conveniadas pelo edital de 2014, foram habilitadas cinco entidades.
Acesse aqui o resultado preliminar da etapa II do Regulamento.

As redes inscritas têm até o dia 7 de novembro para entrar com recursos – data em que completa cinco dias úteis após a publicação no DOU, em 30 de outubro, conforme o edital. Após a análise dos recursos, será divulgado o resultado final dos processos seletivos.
Confira mais informações sobre o edital em fbb.org.br/ecoforte2017.

Programa Ecoforte
Criado em 2013, o Ecoforte possibilitou a integração das organizações participantes, com ampliação da participação de agricultores familiares no processo de transição agroecológica, inserção produtiva de jovens e mulheres, melhoria da capacidade de produção, articulação e realização de negócios solidários nas próprias redes.

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Quinta, 18 Outubro 2018 09:06

Alimentação saudável e boa convivência

Com a implantação de 40 canteiros, as famílias residentes no conjunto habitacional já colhem verduras em abundância

Em 2017, os cerca de 6 mil moradores dos conjuntos habitacionais Veneza I e II, que fica na cidade de Balsas (MA), foram contemplados no projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social (MUTS) , promovido pela Fundação Banco do Brasil (FBB). Em um primeiro momento, os moradores das mais de mil moradias do residencial receberam a tecnologia social Transformando realidades por meio da mobilização e organização comunitária, que buscou promover a cidadania, os laços entre os moradores e a organização coletiva para buscarem soluções dos problemas no condomínio.

A ação resultou em ganhos tão positivos para a comunidade que, com o apoio recebido, foi possível investir em uma alimentação mais saudável e na comercialização do excedente da produção. A Produção Agroecológica em Meio Urbano – Horta Urbana foi a segunda tecnologia social escolhida pelos moradores das mais de mil moradias do residencial. E o resultado é ainda melhor.

A Associação de Apoio ao Desenvolvimento Social Sustentável – Mandacaru foi a entidade responsável pela reaplicação das iniciativas na região de Balsas. De acordo com Carlos Augusto Rodrigues, diretor da Mandacaru, todo trabalho de viabilização da horta foi feito em sistema de mutirão – cercamento da área, que tem 6,5 mil², plantio das culturas (implantação da horta) e construção do viveiro de mudas. Para essa etapa, os moradores contaram com a colaboração da prefeitura local, que cedeu um trator para os serviços de roçagem (limpeza) e gradeamento (descompactação da terra da área).

Após quatro meses da implantação dos 40 canteiros, as famílias residentes já colhem verduras em abundância. Lucilene Barros Leal é moradora do Veneza II e faz parte do projeto desde a concepção. Mãe de três filhos, ela vive com uma renda pequena e conta que, apesar de sentir muitas dores no corpo, consegue participar na mobilização dos moradores. “Como sou falante, bem conhecida aqui no condomínio e não consigo trabalhar no sol e tarefas pesadas, fico na parte de mobilização e de organização. O projeto vem transformando a vida e o dia a dia de todos por aqui. Os canteiros já fornecem verduras em grande quantidade, principalmente folhagens. No início, as pessoas não acreditavam que daria tão certo e hoje não estamos dando conta de todas as pessoas interessadas, tem fila de espera para participar”, declarou.

Engenheiro agrônomo do projeto, Givanildo Silva, esclarece que toda produção é orgânica, com adubação natural, sem defensivos químicos. “O projeto, além de ajudar a melhorar a questão nutricional, tirou muita gente da ociosidade, trouxe mais entrosamento entre as famílias, porque muitas delas nem se conheciam e hoje convivem em harmonia, sem contar que tem morador que consegue tirar R$ 120,00 mensais com a venda do excedente”, disse.

Com o MUTS, também foi elaborado um regimento de convivência da horta e estatuto para formalização da associação comunitária, que será registrado em breve, por meio da assessoria da Mandacaru e do engenheiro agrônomo contratado. Além disso, foram formalizadas demandas junto ao poder público local para resolução de problemas, como por exemplo, o mau cheiro da estação de tratamento de resíduos, a constante falta de água e a coleta de lixo.

Mas você sabe o que é o MUTS?
O MUTS foi criado para mobilizar moradores por meio da convivência social e da reaplicação de tecnologias sociais em empreendimentos de baixa renda, permitindo o protagonismo social e a geração de renda. É voltado para população com renda familiar de até R$1,8 mil mensais que vivem em residenciais financiados pelo Banco do Brasil. O projeto hoje contempla 124 empreendimentos em 84 municípios, distribuídos em 22 estados, num total de 83.284 Unidades Habitacionais (U.H), atingindo cerca de 330.000 pessoas. Em junho desse ano, esse projeto promovido pela FBB foi premiado no concurso “Práticas Inspiradoras, a Vivência no Centro da Nova Agenda Urbana”, promovido pelo Fórum Latinoamericano e Caribeño de Habitação, realizado na República Dominicana.

 

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 A edição de 2018 contou com a representação de 51 políticas de 25 países

A Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica do Brasil (PNAPO) recebeu o Prêmio Prata no concurso Políticas para o Futuro (Future Policy Award) de 2018, organizada pelo World Future Council, pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e pela IFOAM – Organics International, com o apoio da Cruz Verde Internacional, DO-IT – (Dutch Organic International Trade) e o Grupo Sekem do Egito.

A iniciativa brasileira disputou a final com outras sete inciativas. O vencedor foi a política “Estado 100% Orgânico”, de Sikkim, na Índia. O Concurso exalta as iniciativas de sistemas agrícolas e alimentares sustentáveis, fundamentais para o desenvolvimento sustentável e a resiliência climática. Também receberão Prêmios Prata: o Plano de Ação Orgânica da Dinamarca (2011-2020, atualizado em 2015) e Programa Participativo de Agricultura Urbana de Quito (AGRUPAR, 2002).

As melhores práticas do mundo para a promoção de abordagens agroecológicas selecionadas para o prêmio internacional incluiu também políticas do Equador, Dinamarca, Senegal, Filipinas e Estados Unidos, e também a do TEEBAgrifood. Criada há seis anos, a edição de 2018 contou com a representação de 51 políticas de 25 países. Um júri de especialistas internacionais foi convocado para deliberar sobre os principais candidatos.

O PNAPO é uma política estrutural desenvolvida com envolvimento da sociedade civil. Em seu primeiro ciclo de atividades contou com investimentos de 364 milhões de euros. Entre outras conquistas, ajudou 5.300 municípios a investir 30% ou mais de seus orçamentos para alimentação escolar em produtos orgânicos e agroecológicos adquiridos de agricultores familiares.

A partir do PNAPO, em 2014, foi criado o Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia e Produção Orgânica ( Ecoforte), que também integra o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) para o fortalecimento e a ampliação das redes, cooperativas e organizações socioprodutivas e econômicas de agroecologia, extrativismo e produção orgânica.

Os recursos do Ecoforte são originários da Fundação Banco do Brasil, do Fundo Amazônia e do Fundo Social do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entre 2014 e 2018 já foram investidos cerca de R$ 50 milhões para estruturar 28 redes de agroecologia e produção orgânica e mais de 30 empreendimentos econômicos coletivos de populações extrativistas beneficiárias de Unidades de Conservação Federais de Uso Sustentável localizadas no Bioma Amazônia para beneficiamento e comercialização de produtos da sociobiodiversidade. Além disso, a FBB está realizando processo de seleção de redes de agroecologia, extrativismo e produção orgânica, além de empreendimentos econômicos coletivos nessa temática, com previsão de investimento de R$ 25 milhões em 2018/2019.

O prêmio Vision Award foi concedido para o TEEBAgriFood, uma iniciativa da “Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade (TEEB)” pela ONU Environment. Já as Menções Honrosas do Prêmio Future Policy Award foram para a Política de Compra de Alimentos de Los Angeles, EUA (2012); para o Programa de Desenvolvimento Agrícola de Ndiob, Senegal (2017); e para o programa Das Armas para as Fazendas, de Kauswagan, ilipinas (2011). A cerimônia da premiação foi realizada na segunda-feira, 15 de outubro, durante a Semana Mundial da Alimentação, em Roma, com a participação de Ministros, tomadores de decisão e imprensa na sede da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

 

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Entidades habilitadas na Etapa I têm até dia 5 de outubro para enviar documentos

A Fundação Banco do Brasil prorrogou o prazo para a entrega de documentos das entidades habilitadas na Etapa I dos dois últimos processos seletivos do Ecoforte Redes – o Edital e o Regulamento. Agora a data limite vai até 5 de outubro. Os envelopes contendo os documentos exigidos na ETAPA II, devem ser entregues pessoalmente ou postados pelos Correios, conforme o item 10.2 do Edital e do Regulamento.

Os certames são destinados a organizações sem fins lucrativos de extrativismo ou produção orgânica com base na agroecologia. Após a apresentação de recursos na Etapa I dos processos, foram habilitadas 42 entidades candidatas.

O Edital número 2017/030 é voltado para novas propostas de redes ou à consolidação das já atendidas pelo certame do Ecoforte realizado em 2014, desde que integrem novos grupos ou organizações produtivas.

A outra seleção que teve o resultado preliminar final da Etapa I divulgado é o Regulamento de número 2017/031, uma chamada pública direta que visa à implantação e melhoria de empreendimentos econômicos coletivos de organizações já conveniadas pelo edital de 2014.

A iniciativa é da Fundação Banco do Brasil, em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o Fundo Amazônia. Confira o resultado final da etapa I.

Confira a divulgação da prorrogação para entrega de documentos

Encontre mais informações na seguinte página: fbb.org.br/ecoforte2017

Programa Ecoforte

Criado em 2013, o Ecoforte possibilitou a integração das organizações participantes, com ampliação da participação de agricultores familiares no processo de transição agroecológica, inserção produtiva de jovens e mulheres, melhoria da capacidade de produção, articulação e realização de negócios solidários nas próprias redes.

 

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