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Capacitação em quintais produtivos contribui para mulheres de várias realidades sociais em Minas Gerais

Nilma Pereira, 48 anos, cresceu no meio rural, aprendeu com os pais a plantar e a cuidar dos animais. Aos nove anos foi morar na cidade e teve várias ocupações: babá, cuidadora de idosos, doméstica, catadora de material reciclável. O tempo passou, veio o casamento e chegou um tempo em que Nilma e o companheiro ficaram desempregados. Foram dois anos tentando uma recolocação profissional e sem perspectivas entraram para tráfico de drogas. Autuada pelo crime, em 2018 começou a cumprir a pena no Presídio Feminino de Eugenópolis, localizado na Zona da Mata Mineira.

Foi neste contexto, que ela foi convidada a fazer o curso Quintais Produtivos para mulheres em situação de vulnerabilidade social, para que elas pudessem aprender os conceitos de agroecologia e produzir alimentos. “Eu saí da roça aos nove anos, então fazer este curso significou para mim um retorno a minha infância”, afirma Nilma.

A iniciativa surgiu do Instituto Cultural Boa Esperança, que apresentou a proposta para o edital do Voluntariado da Fundação Banco do Brasil em 2017. O projeto foi executado em municípios da região metropolitana de Belo Horizonte e na cidade de Eugenópolis. Foram quatro capacitações de 80 horas, com a participação máxima de 15 mulheres, e os temas tratados eram relacionados com a construção de canteiros, mandalas, espiral de ervas, mini-viveiros e mudas.

A responsável pelo desenvolvimento do projeto no presídio, Célia da Consolação, avalia que a capacitação superou as expectativas e ajudou a melhorar a autoestima das mulheres. “Uma das mulheres queria plantar morango e teve oportunidade de semear, plantar e colher. Quando surgiram os primeiros frutos ela me disse: eu estou tendo a chance de comer o fruto do meu trabalho. É muito gratificante ouvir isto”, Célia se emociona ao falar.

Estudantes de escolas públicas da cidade também puderam visitar o canteiro, como forma de aprenderem conceitos sobre a agroecologia e de conhecerem a origem dos alimentos que consomem na escola. “Muita coisa que plantamos aqui doamos para creches e escolas, por isso isto estamos em busca de parceiros para continuarmos este projeto e dar oportunidade a outras mulheres que estão cumprindo pena. Das quinze que fizeram o curso, oito já estão em liberdade e queremos que esse projeto tenha vida longa”, explica Célia.

Nilma agora quer terminar de cumprir a pena (2020 ela estará em liberdade) e retomar as atividades da infância. “Eu aprendi plantar brócolis, espinafre, e então quero sair daqui para voltar para roça”, finaliza.

Outras capacitações

Além do presídio feminino, os coordenadores do projeto pelo Instituto Cultural Boa Esperança George Helt e Reny Fonseca montaram as capacitações para mulheres assentadas de São Joaquim das Bicas, para mães de alunos de uma escola pública de Belo Horizonte e para mulheres idosas em Lagoa Santa.

Por serem moradoras de assentamento, já tinham conhecimento de agroecologia, mas foi uma oportunidade para aumentar a produção e comercializar o excedente. “A organização dessas mulheres, contribuiu, após as capacitações dos quintais produtivos, para a construção de uma cisterna para a produção de verduras e legumes, que ajuda na alimentação de suas famílias e para a comercialização em feiras agroecológicas” avalia George.

Em Belo Horizonte, a capacitação em quintais produtivos surgiu para melhorar a nutrição das crianças e adolescentes de uma escola pública. “Elas foram capacitadas, começaram a produzir e os alimentos foram incorporados na merenda dos estudantes para melhorar a qualidade da alimentação”, complementa Reny.

Não bastasse capacitar mulheres assentadas e mães, a última capacitação uniu agroecologia e acessibilidade. O grupo de mulheres da cidade de Lagoa Santa reúne mulheres acima dos 60 anos, que têm dificuldade de ficar descendo e levantando para adubar, semear, plantar e colher. Então, veio a ideia de um quintal produtivo suspenso. “Foi emocionante o resultado, porque este grupo de mulheres já tinha um conhecimento mais aprofundado em agroecologia e a construção do quintal elevado por meio de bombonas plásticas permitiu a elas cultivarem em pé aliando amor a agroecologia com acessibilidade”, finaliza George.

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Soluções agroecológicas de Pernambuco, Santa Catarina e Alagoas são as finalistas da categoria Mulheres na Agroecologia

As iniciativas Programa Educacional de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável – PEADS , de Ibimirim (PE), Pitanga Rosa – agroecologia, saúde e qualidade de vida , de Chapecó (SC) e Mulheres Protagonistas no Beneficiamento de Produtos Agroecológicos , de Flexeiras (AL), estão entre as finalistas na categoria Mulheres na Agroecologia do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, deste ano.

As metodologias foram certificadas como tecnologias sociais por atenderem critérios como participação da comunidade, inovação, facilidade de reaplicação e transformação social. As finalistas concorrem aos prêmios de R$ 50 mil, para a primeira colocação, R$ 30 mil para a segunda e R$ 20 mil para a terceira. Conheça abaixo as finalistas:

Programa Educacional de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável – PEADS
Na zona rural de Ibimirim (PE), os estudantes não valorizavam sua identidade, origem familiar e território. Como forma de solução, o Serviço de Tecnologia Alternativa criou o Programa Educacional de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável, uma formação profissional no curso técnico de Agroecologia com o objetivo de resgatar a identidade, valorizar histórias, a vida no campo e contribuir para que as mulheres transitem de um cultivo tradicional para o agroecológico.

A metodologia consiste em quatro etapas: pesquisa, aprofundamento dos dados coletados, devolução à comunidade escolar e a avaliação. Um dos responsáveis pela criação da iniciativa Abdalaziz de Moura Xavier de Moraes, afirma que a interação com a comunidade resgatou a cultura do campo. “A interação com as mulheres gera conhecimento e faz com que a gente aprofunde relações entre escola e família gerando autonomia, valorização da identidade e respeito ao território”, avalia.

Pitanga Rosa: agroecologia, saúde e qualidade de vida
Na cidade de Chapecó (SC) também era necessário resgatar e retransmitir o conhecimento sobre as propriedades medicinais de plantas da região do oeste catarinense, além do cultivo de mudas e sementes crioulas.

As mulheres da região, lideradas por Rosalina Nogueira da Silva, começaram de forma voluntária a sistematizar capacitações para resgatar e preservar as plantas medicinais, além de estimular o uso fitoterápico na comunidade. O projeto começou em 2005, com 25 mulheres que iniciaram plantando, cultivando e processando ervas e frutos em um terreno doado por Rosalina. Atualmente este terreno é um horto, com várias espécies fitoterápicas e alimentícias, onde 40 mulheres atuam oferecendo de seis a oito formações anuais para outras pessoas serem multiplicadoras em todo o estado de Santa Catarina.

A historiadora Fernanda Ben, uma das voluntárias da Associação Pitanga Rosa, avalia que a iniciativa mantém um conhecimento tradicional. “Estas mulheres são descendentes indígenas, caboclas e este conhecimento elas carregam por causa desta origem. Ao compartilhá-lo, proporcionam que estas informações cheguem a outras gerações”, afirma.

Além da preservação, a iniciativa também gera renda. “Os produtos oriundos do processamento das plantas medicinais são transformados em florais, infusões, pomadas e óleos que são usados para consumo próprio e o excedente que comercializam contribui para o sustento de suas famílias” avalia Fernanda.

Mulheres protagonistas no beneficiamento de produtos agroecológicos
As mulheres de Flexeiras (AL) desde 2006 estavam reunidas em uma associação para comercializarem as frutas, legumes e vegetais que produziam em suas propriedades. Ainda que tirassem alimentos para o consumo de suas famílias e para as vendas, havia muito desperdício nos quintais produtivos.

Como forma de solucionar este problema, a Cooperativa Agropecuária de Alagoas foi criada em 2013 para beneficiar e escoar a produção. Uma nutricionista iniciou um trabalho de sensibilização para as mulheres aprenderem sucos, bolos, biscoitos além de técnicas de congelamento para agregar mais valor, evitar o desperdício e aumentar a renda. “Criamos uma cozinha industrial, contratamos uma nutricionista para aprender a manusearmos os alimentos de forma segura, obedecendo as regras da vigilância sanitária, e ainda fizemos várias capacitações”, afirma o presidente.

O resultado foi a redução do desperdício e aumento da renda das mulheres com a comercialização de produtos como geleias, doces, pães, bolos e salgados. Ao saberem que estavam entre as finalistas do Prêmio de Tecnologia Social, Paulo disse: “recebemos com surpresa e ficamos muito alegres”, finaliza.

Prêmio de Tecnologia Social
A cerimônia de premiação do Prêmio de Tecnologia Social será no dia 16 de outubro na cidade de Brasilia. Todas as iniciativas certificadas já fazem parte do Banco de Tecnologias Sociais (BTS), base de dados on-line que reúne atualmente 1.110 metodologias certificadas por solucionarem problemas comuns às diversas comunidades brasileiras nas áreas de: Alimentação, Educação, Energia, Habitação, Meio Ambiente, Recursos Hídricos, Renda e Saúde.

Nesta edição o Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social tem a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Instituto C&A, Ativos S/A e BB Tecnologia e Serviços, além da cooperação da Unesco no Brasil e apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ministério da Cidadania, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

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Portal Interno   Proeza

As expositoras participam de projeto de reúso de resíduo têxtil que recebeu investimento social da Fundação Banco do Brasil

No ano em que a lei Maria da Penha, que pune a violência contra a mulher, completa 13 anos, o Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT) e o Instituto Proeza se uniram para promover uma exposição com o trabalho de 80 mulheres vítimas de violência, em Brasília.

A mostra intitulada "Vidas Bordadas" ficará aberta ao público até o dia 7 de setembro, no Ministério Público, e reúne 60 autorretratos e três painéis que abordam, além da violência doméstica, o empoderamento feminino, e chama a atenção para os índices de feminicídio no país.

As artesãs bordadeiras e costureiras são atendidas no Instituto Proeza, em duas unidades, na Cidade Estrutural e no Recanto das Emas, regiões administrativas do Distrito Federal, no projeto de Reúso de Resíduo Têxtil e Produção Comunitária de Pães e Alimentos, que recebeu o apoio da Fundação Banco do Brasil, em 2017, para capacitação de mulheres que vivem situação de vulnerabilidade social.

Os retalhos de tecidos e roupas que seriam descartadas, são transformados em peças novas que garantem renda e autonomia para as mulheres. A entidade oferece gratuitamente capacitação em bordado manual, crochê, corte e costura em máquina industrial, tecelagem, tingimento orgânico, panificação, educação financeira e plano de negócios.

“A gente precisa trabalhar a autonomia, mas também a educação de gênero. A mulher que coloca o feijão na mesa rompe com a lei de desigualdade que foi pactuada lá atrás entre homens", destacou a coordenadora do Núcleo de Gênero do MPDFT, promotora de Justiça Mariana Távora, durante a abertura da exposição. Na ocasião, as mulheres atendidas no projeto fizeram uma performance, cortando uma peça de roupa bordada com frases e palavras alusivas às dores que já sentiram. O ato representou a superação dos episódios de violência vivenciados pelas artesãs, simbolicamente partidos em pedaços para serem jogados fora, como forma de repúdio.

Kátia Ferreira, diretora do Instituto Proeza fala com propriedade das dores e da transformação na vida das mulheres que são atendidas na entidade. “Elas bordaram a vida. E a vida tem lá suas dores. E, infelizmente, as maiores dores da vida são associadas a pessoas que amamos: virão na morte de um ente querido, na despedida de um amigo que vai embora para quem sabe nunca mais voltar, na perda de um grande amor, na traição de uma pessoa amada. Pode doer por muito tempo. Em alguns momentos nos perguntamos se é possível morrer de amor, saudade, ou outras coisas que a gente só sabe sentir. Elas se juntaram numa roda e falaram das dores da alma e bordaram tudo isso nesse vestido que foi cortado, fazendo de todas essas dores, pedacinhos que irão para bem longe e nunca mais voltar. A partir deste dia eles serão só retalhos, fragmentos de dor que terão outro significado: o da superação, o de que de toda queda podemos nos levantar e de que todo dia é possível começar de novo”, declarou.

A abertura da exposição, que ocorreu em 08 de agosto, contou também com a presença da atriz e ativista Luiza Brunet; da assessora da Fundação Banco do Brasil, Rosângela D’Angelis Brandão, da presidente e da diretora de comunicação e relacionamento da GPS Foundation, Viviane Piquet e Paula Santana, respectivamente.

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SERVIÇO:

Exposição Vidas Bordadas
Período: de 8 de agosto a 7 de setembro
Local: Mezanino do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT)
Eixo Monumental, Praça do Buriti, Lote 2 - Etapa 1. Brasília/DF
De segunda a sexta-feira, das 12h às 18h.

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GIFE Mulheres em Rede

Parceria entre Fundação BB e ONU Mulheres irá impulsionar agricultoras familiares do Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro

“A gente tem que chorar no começo para sorrir no fim”. Foi com esta frase, que a jogadora Marta da Silva sintetizou como deve ser o investimento para que o futebol feminino brasileiro seja vencedor. O desabafo foi após a derrota para o time da França em junho. Marta, além de ser eleita seis vezes a melhor jogadora do mundo pela Federação Internacional de Futebol (Fifa), é embaixadora da ONU Mulheres e reivindica os mesmos direitos para homens e mulheres no futebol.

A metáfora “chorar no começo, para sorrir no fim” é uma realidade para várias mulheres, não só no futebol, mas também na agricultura. Ainda há uma realidade no meio rural, da mulher cuidar da casa, dos filhos, da lavoura, mas a decisão sobre os rumos da produção continuam na mão dos homens. Estudos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que representa a posição da ONU, aponta que as mulheres são responsáveis por 40% da produção de alimentos no Brasil, mas não possuem os mesmos acessos aos recursos de financiamento agrícola, aos serviços e educação. Porém, em países em que as mulheres alcançam as mesmas oportunidades, a produção agrícola aumenta no mínimo um terço. Isto ocorre porque as mulheres tendem a reinvestir o lucro na produção e no bem-estar da família.

Este é um dos diagnósticos levantados pela ONU Mulheres que possibilitou a parceria entre a entidade e a Fundação Banco do Brasil no projeto Mulheres Rurais em Rede. A união de forças, possibilitou o apoio para o Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense (MMNEPA), em janeiro deste ano, da Associação de Comercialização Solidária Xique Xique, no Rio Grande do Norte e a mais nova entidade beneficiada é a Cooperativa de Comércio Justo e Consciente GiraSol, com sede em Porto Alegre.

O investimento social é de mais de R$ 849 mil e vai atender 18 empreendimentos de agricultoras familiares, quilombolas e mulheres reassentadas pela reforma agrária dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Rio de Janeiro. Serão 180 mulheres atendidas de forma direta e ao todo, 14 municípios contemplados: Teresópolis, Magé e Maricá no estado do Rio de Janeiro; Pitanga, Mallet, e Inácio Martins no estado do Paraná e; Mostardas, Itati, Torres, Viamão, Gravataí, Taquara, Portão, Piratini no estado do Rio Grande do Sul.

A parceria foi assinada no dia 10 de julho, em Porto Alegre com as presenças do presidente da Fundação BB Asclepius Soares, representante da ONU Mulheres do Brasil, Ana Carolina Querino e das representantes de entidades ligadas ao movimento de mulheres do campo, agroecologia e economia solidária.

Para o presidente da Fundação Banco do Brasil o objetivo da parceria é fortalecer os empreendimentos solidários e econômicos liderados por mulheres e reduzir as desigualdades. “Ao fazer esta parceria com a ONU Mulheres, a Fundação BB contribui ainda mais para a autonomia, geração de renda e protagonismo das mulheres rurais”, avalia.

Capacitação, beneficiamento e comercialização

A Cooperativa GiraSol faz parte da Rede de Economia Solidária e Feminista (Resf) e tem atuação nos três estados que o projeto irá apoiar. Como cada organização está em diferentes estágios no processo de produção e comercialização agroecológica, as ações serão desenvolvidas em três etapas: primeiro a capacitação sobre melhores práticas agroecológicas, fortalecimento dos empreendimentos solidários a partir das realidades locais e beneficiamento e estrutura para comercialização dos produtos.

A coordenadora do projeto Tanara Lucas explica que já há a feira de Teresópolis (RJ) onde as produtoras já comercializam o que produzem, então será fornecido barracas e capacitação para beneficiamento dos produtos para aumentar a renda. Na cidade de Pitanga, no Paraná, a rede de mulheres também tem um espaço de comercialização de produtos agroecológicos, assim, o projeto vai impulsionar a produção de leite, já que a região tem este potencial.

“As mulheres quilombolas aqui do Rio Grande do Sul plantam para a subsistência porque ainda não sabem aproveitar o potencial do solo, então, primeiro faremos as capacitações, depois a estruturação logística e construiremos o armazém por meio da parceria com a Fundação BB. Nossa expectativa é transformar esta dinâmica e estimular estas mulheres quilombolas a produzirem excedente para venda e assim adquirirem autonomia", avalia Tanara. Autonomia que pode ser relacionada com “o sorrir no fim”, como disse a jogadora Marta.

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Thursday, 27 June 2019 14:40

Tesouras na mão e um emprego à vista

Portal   Ciame

Cursos profissionalizantes dão novo rumo para mulheres e jovens em situação de vulnerabilidade na comunidade de Bom Pastor, em Natal (RN)

O desemprego é uma situação que assusta boa parcela da sociedade, pois sem a garantia de um emprego fixo, muitas pessoas não têm previsão financeira para pagar as contas e manter sua moradia e subsistência. Esta situação se agrava a cada mês de espera pelo novo emprego. Uma análise de mercado de trabalho divulgada neste mês pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), revela que o desemprego de longo prazo atinge mais fortemente as mulheres e jovens. Entre as pessoas sem emprego, 28,8% estão nesta condição há pelo menos dois anos, contra 20,3% dos homens desempregados no mesmo período. Na análise por faixa etária, 27,3% dos desempregados com mais de 40 anos insistem sem sucesso na busca por trabalho há pelo menos dois anos, mas o crescimento do desemprego de longo prazo é maior entre os jovens. As regiões Norte e Nordeste são as mais afetadas.

Frente a este cenário, um projeto realizado em Natal (RN), busca qualificar jovens e mulheres no ramo de estética e beleza, além de desenvolver habilidades empreendedoras para este público. O projeto “Inclusão Social e Empoderamento de Jovens e Mulheres” nasceu a partir de um convênio entre a Fundação Banco do Brasil e Instituto Bom Pastor, com o intuito de oferecer qualificação profissional para um público vulnerável na região. O convênio foi assinado em outubro de 2018 e desde então passou a oferecer cursos de corte de cabelo, auxiliar de cabeleireiro, barbeiro e manicure.

Os cursos foram realizados no Centro Integrado de Atendimento a Mulher (Ciame), do Instituto Bom Pastor, e foram ofertados para capacitação de jovens entre 15 a 29 anos, mulheres, pessoas com deficiência, público LGBT ou pessoas que tenham dependentes com câncer. O intuito foi fortalecer a autoestima, o resgate da dignidade, o exercício da cidadania, a profissionalização e também para impactar socialmente na melhoria da qualidade de vida da comunidade do bairro Bom Pastor, zona Oeste de Natal.

Segundo a coordenadora do projeto, Jane Martins de Lima Nunes, a opção dos cursos surgiu a partir de uma demanda local. “Escolhemos os cursos por recebermos este tipo de pedido e para oferecermos uma oportunidade de geração de renda para o público que nos procura. Vimos neste projeto uma oportunidade de transformar vidas, empoderando essas pessoas com qualificação profissional e cidadania”, conclui.

Além dos cursos de estética e beleza e noções de empreendedorismo, Jane relata que também foram ofertadas oficinas importantes para uma cultura de paz, como prevenção da violência doméstica praticada contra mulheres, noções de direitos humanos e sociais, ética e cidadania e oficinas que abordaram os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Agenda 2030, elaborada pela Organização das Nações Unidas (ONU). “Também tivemos turmas que conferiram palestras com a equipe da Mesa Brasil sobre o aproveitamento de alimentos e oficinas de matemática e lógica, para melhorar o desempenho dos futuros profissionais. O Mesa Brasil é uma rede nacional de bancos de alimentos contra a fome e o desperdício, liderada pelo Serviço Social do Comércio (Sesc). Todos os alunos também participaram de ações sociais para praticar suas habilidades em comunidades locais, escolas públicas e associações”, relata Jane.Weslley

Ao todo, 67 pessoas realizaram os cursos, concluindo a formação de 23 novos cabeleireiros e auxiliares, 25 barbeiros e 19 novas manicures, todos com certificado. Adenilson Weslley Ribeiro Bezerra, 24, foi um dos que concluíram o curso de barbeiro. Ele já havia trabalhado anteriormente, mas estava há quase dois anos sem um trabalho fixo. Logo depois de receber o certificado, Weslley, como é conhecido, conseguiu abrir a sua própria barbearia. “O curso me ajudou muito, pois aprendi novas técnicas e as oficinas também foram muito boas”. Ele foi motivado por um amigo cabeleireiro a realizar o curso e hoje os dois trabalham juntos. “Já tenho minha clientela e a qualidade de vida melhorou bastante”, conclui o jovem que pretende se aperfeiçoar mais no ramo para abrir um estúdio de barbearia futuramente.

Já a maquiadora Joice Vanessa Domingos Moreira, 23, foi uma das participantes do curso de manicure. Ela já havia realizado cursos e estágios como bartender, mas foi no ramo da beleza que ela se viu realizada - tanto, que abriu o seu próprio salão de beleza. “Eu sempre gostei de automaquiagem, então fiz vários cursos e fui aperfeiçoando com workshops. Depois comecei a atender pessoas em domicílio e agora tenho um salão, que fica na minha casa”, relata. Ela quis complementar seus conhecimentos também como manicure, pois era um pedido de suas clientes. Além de fazer unhas, ela também trabalha com prancha, estética, design de sobrancelhas e maquiagem, com hora marcada.

Joice

 Joice relata que o curso no Ciame foi muito proveitoso. “A professora passou muita segurança para este trabalho e também pude ter noções sobre o uso correto de     diversas   ferramentas que garantem mais qualidade no trabalho, como esterilização de equipamentos, uso de máscara, touca, luvas, etc”, pontua.

 Agora a profissional se divide entre os atendimentos no seu salão de beleza e as oficinas que ministra como voluntária no lugar onde tudo começou. Joice dá aulas de   automaquiagem no Ciame e repassa todos os seus conhecimentos para que outras jovens também tenham uma profissão e construam um futuro melhor.

 Voluntariado BB

 O projeto “Inclusão Social e Empoderamento de Jovens e Mulheres”, de autoria do Instituto Bom Pastor, foi selecionado por meio do edital Voluntariado BB em 2018 e recebeu o investimento social de R$ 90 mil. Participam do     processo de seleção projetos sociais desenvolvidos por entidades sem fins lucrativos, que têm a atuação de um voluntário e funcionário do Banco do Brasil. A seleção busca apoiar iniciativas que promovam a cidadania, geração   de  trabalho e renda, cuidado ambiental, educação, cultura, esporte e saúde. 

 

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Portal TicoLipu

Mulheres indígenas da aldeia Tico Lipú foram capacitadas para confecção de biojóias com produtos da região


Repassar conhecimento, dividir o tempo livre e levar esperança para o próximo sem qualquer tipo de remuneração. Essas são algumas características de um líder voluntário – pessoa que compartilha sabedoria e trabalha para angariar recursos a fim de proporcionar o bem comum de um grupo. Foi desta forma que Janir Gonçalves Leite, indígena Terena e servidora pública em Aquidauana (MS), mobilizou mulheres da aldeia Tico Lipú, em 2017, para dar orientações quanto ao manejo de sementes e confecção de biojóias.

Janir explica que a aldeia passava por dificuldades e o trabalho desenvolvido com as mulheres indígenas serviu como estímulo. “Realizamos um curso de produção de ecobag, com certificado para as participantes. Elas produziram bolsas com pinturas e grafismos Terena e também receberam orientação com foco na precificação e comercialização das bolsas”, explica. Desta forma, o projeto proporcionou geração de renda com a receita das vendas e, investimentos como reposição de materiais e reparo de equipamentos.

Os primeiros frutos da ação já vieram logo no início do projeto, quando o trabalho foi reconhecido pelo Prêmio Acolher Natura. Com o recurso obtido foi possível viabilizar a construção de um espaço cultural com um banheiro e sala em alvenaria para abrigar o trabalho das mulheres. Também foi possível realizar a compra de uma mesa de trabalho, prateleira para guardar os produtos e a matéria-prima, além de bicicletas para facilitar a locomoção das mulheres.

No mesmo ano a ação foi novamente reconhecida, desta vez como vencedora na categoria Líder Voluntário do Prêmio Viva Voluntário, organizado pelo Governo Federal com apoio da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Na ocasião o Coletivo de Mulheres Indígenas Artesãs Terena recebeu o investimento social de R$ 50 mil da Fundação Banco do Brasil para a manutenção dos seus projetos.

Janir explica que esta premiação proporcionou mais visibilidade e gerou impacto positivo. O maior deles foi o reconhecimento pela Fundação Nacional do Índio – FUNAI, permitindo aos residentes locais a identificação como pertencentes à aldeia, além de direitos sociais e acesso a serviços públicos garantidos. Antes disso as mulheres precisavam se deslocar até outras aldeias para registrarem seus filhos como pertencentes a outra comunidade. Com a certificação da FUNAI, o cacique local tem autoridade para registrar as crianças e demais moradores como provenientes da Aldeia Tico Lipú. As mulheres indígenas também conquistaram acesso a outros direitos, como licença-maternidade e aposentadoria pelo Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, disponibilizadas devido ao trabalho artesanal da confecção de biojoias e ao trabalho na terra.

Feliz com a conquista, Janir leva adiante a sua liderança voluntária e já articula novas ações em outra comunidade indígena. “Com o recurso e a visibilidade do Prêmio, consegui expandir o projeto para a Aldeia Água Branca (situada no Distrito de Taunay, distante 60km da cidade de Aquidauana), onde atualmente desenvolvo um trabalho que possibilita a realização de oficinas para confecção de roupas indígenas femininas e produção de biojóias com sementes naturais”, explica Janir.

Viva Voluntário

O Prêmio Viva Voluntário faz parte do Programa Nacional Viva Voluntário que identifica e incentiva o desenvolvimento da cultura do voluntariado e de educação para a cidadania, com o objetivo de fortalecer as organizações da sociedade civil e promover uma participação ativa da sociedade. O programa o também disponibiliza uma plataforma virtual que funciona em formato de rede social para conectar cidadãos, empresas e membros sociedade civil que buscam ou promovam oportunidades de trabalho voluntário. A plataforma tem abrangência nacional e busca dar visibilidade a ações voluntárias que acontecem em todo o país possibilitando a junção entre organizações e voluntários. Acesse para saber mais https://vivavoluntario.org/

 

 

Confira aqui os outros vencedores do Prêmio Viva Voluntário:

Voluntariado nas Organizações da Sociedade Civil

Voluntariado no Setor Público

Líder Voluntário

 

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Portal Quitandeira
Investimento social foi usado na estruturação do espaço, compra de equipamentos, capacitações e criação de identidade visual

Quem visita o município de Rio Doce (MG), aproximadamente 200 quilômetros de capital Belo Horizonte  já deve ter provado algumas das delícias feitas pelas mulheres da Associação Comunitária Rural de Santana do Deserto (Acorsande). São bolos, rosquinhas de leite, roscas da rainha ou roscas trançadas, biscoitos de fubá, de polvilho e biscoitos integrais que fazem o maior sucesso na região.

As quitandas são produzidas  pelas mãos de 24 associadas,  donas de casa e agricultoras familiares,  em dois núcleos de produção: Santana do Deserto e Comunidade do Jorge. Muitas receitas são antigas queaprenderam com as mães, avós e bisavós. Já outras foram desenvolvidas com a ajuda de entidades parceiras.

Em dezembro de 2017 a Acorsande formalizou convênio com a Fundação Banco do Brasil e recebeu R$ 249,9 mil para estruturação do espaço de fabricação dos produtos e  para  qualificação da mão de obra das associadas, com o objetivo de ampliar a comercialização e agregar valor aos produtos.  Com o investimento social foram adquiridos  máquinas e equipamentos,  móveis para escritório, matéria-prima, uniformes e utensílios domésticos, além de cobrir os custos com a criação do rótulo e identidade visual dos produtos.  O apoio da Fundação BB possibilitou também a criação de uma linha de biscoitos integrais e a implementação de duas fossas sépticas.

Adriana Aparecida de Souza que está há três anos na Acorsande e há seis meses  assumiu a presidência da entidade, explica que as associadas buscam melhorar ainda mais os produtos e ganhar novos mercados. “Tudo que produzimos é muito gostoso e recebemos elogios das pessoas. Os produtos que mais fazem sucesso são as rosquinhas de leite e os biscoitos integrais, que temos de coco, cenoura, banana, maracujá, cacau e fubá”, declarou.  

A maior parte da produção da Acorsande é comercializada para os programas institucionais como Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Wilma Aparecida Loures Vieira é extensionista de bem-estar social da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater/MG), uma das responsáveis pelos cursos e capacitações. “A Emater vem acompanhando e colaborando com o trabalhando das mulheres - no aperfeiçoamento da qualidade dos biscoitos, na motivação, criação de rótulos e no relacionamento interpessoal” -, disse.

A associação também tem parceria com Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

 

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Portal  InstitutoProeza

Promoção para o Dias das Mães valoriza o trabalho de mulheres da Cidade Estrutural e do Recanto das Emas

“Ver o resultado do meu trabalho transformado em brindes para um shopping center é muito bom”. Esse foi o sentimento de Maria Bertomeire Tavares, a Berta, de 49 anos, durante a entrega de 2.500 peças confeccionadas por ela e por outras 31 colegas da Cidade Estrutural e do Recanto das Emas, regiões administrativas do Distrito Federal, e que serão distribuídas durante as compras do Dia das Mães como ação promocional de um shopping de Brasília.

O responsável pelo trabalho das costureiras e confecção das peças é o Instituto Proeza, entidade que Berta conheceu a pouco mais de um mês e que tem entre tantos projetos o Reúso de Resíduo Têxtil e Produção Comunitária de Pães e Alimentos, que recebeu o apoio da Fundação Banco do Brasil, em 2018, para capacitação de mulheres que vivem situação de vulnerabilidade social.

Com retalhos de tecidos e roupas que seriam descartadas, as costureiras transformam em peças novas e garantem renda e autonomia. A entidade oferece, gratuitamente, capacitação em bordado manual, crochê, corte e costura em máquina industrial, tecelagem, tingimento orgânico, panificação, educação financeira e plano de negócios.

“Já tinha ouvido falar do projeto, mas cheguei até ele por acaso, quando fui levar uma amiga para preencher uma ficha. Foi amor à primeira vista, mas eu tinha um problema, não sabia costurar, nem mesmo pregar um botão, muito menos tinha tido algum contato com uma máquina de costura. Em um mês estou aqui, mostrando os brindes que fizemos para o shopping”, relata Berta.

Nos próximos dias, quem fizer compras no Brasilia Shopping tem a chance de levar para casa uma linda toalha canga, com estampa exclusiva, assinada pela publicitária Didi Colado. Além de Berta, Maria Zildolene Silva,
Maria Juliana das Chagas e sua mãe, a bordadeira Francisca das Chagas participaram da entrega das peças ao shopping. De acordo com a coordenadora do projeto, Kátia Ferreira, todas as participantes têm uma história de luta, mas agora sonham com um futuro promissor.

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Kátia explica que com o recurso da Fundação BB no valor de R$ 300 mil, foi possível comprar máquinas de costura, oferecer cursos de corte e costura e de bordados para 68 mulheres, além de oportunizar curso de panificação e estruturação de uma unidade de produção de pães e confeitaria. O objetivo é vender os produtos na própria região e abastecer com lanche os eventos relacionados à divulgação dos produtos feitos pelas costureiras. “Vejo a felicidade estampada no rosto de cada uma, porque elas não tinham dinheiro para custear um curso de corte e costura oferecido no mercado que é muito caro. Eu explico para elas que o nosso propósito é fazer brindes para que tenham uma renda no final do mês, e que existe cliente para comprar". 

Segundo Kátia, confeccionar as peças trouxe uma série de aprendizados como prazos de entrega, qualidade, comprometimento e ainda o preparo da embalagem. “Esse brinde feito para o shopping tem uma resposta a tudo isso. Algumas mulheres que atuaram nesse trabalho vão receber entre R$ 500 a R$ 1.300. Muitas estavam com aluguel atrasado e esse dinheiro vai fazer a diferença. Esse projeto é mais do que inserção econômica, ele traz as mulheres para um ciclo de convívio e amizades", conclui Kátia.

Sobre o Instituto Proeza

O Instituto já capacitou mais de 192 pessoas. A entidade também disponibiliza aulas de balé para as filhas das costureiras, oferecidas por uma professora voluntária no mesmo horário das oficinas. Uma forma de deixar as mães despreocupadas e estimuladas para o aprendizado. Também são oferecidas aulas de reforço escolar de várias disciplinas e de pré-vestibular. As oficinas de panificação tiveram a participação de jovens das comunidades com idades entre 17 a 23 anos.

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 Portal Maior FashionWeek

Peças criadas pela estilista Flávia Aranha, com produtos confeccionados por artesãs de MG, estarão presentes na 47ª edição do evento
Há quatro anos, a fiandeira Neusali Gonçalves de Souza Figueiredo, do município de Riachinho (MG) juntou-se ao grupo de mulheres da Central Veredas para aprender um lindo ofício: o tear ou fiar. Em pouco tempo ela já sabia fazer peças incríveis que passaram a ser comercializadas no Brasil e em outros países. A sua mestre foi a artesã Maria Nadir Mendes de Sá, uma das mais experientes do grupo de 160 mulheres.
Os produtos desenvolvidos pelas artesãs são frutos da criatividade, inspiração e da cultura do Urucuia Grande Sertão, região noroeste de Minas Gerais, onde Guimarães Rosa se inspirou para escrever sua obra Grande Sertão:Veredas. As técnicas, repassadas de pais para filhos, são referenciais  na qualidade e no tingimento com pigmentação de árvores do Cerrado.
Na lista de peças confeccionadas pelo grupo estão os artesanatos de algodão - xales, mantas para sofá, colchas, jogos americanos e caminhos de mesa. Elas também confeccionam objetos decorativos e bordados com temas da região e árvores do Cerrado, como caixas, móveis e flores produzidas com o buriti.
No próximo dia 27, no Espaço Arca em São Paulo, Neusali, Maria Nadir e outras duas artesãs apresentarãosuas peças em um dos maiores e mais famosos desfiles de moda do mundo, o São Paulo Fashion Week.  As roupas foram desenvolvidas pela estilista de moda Flávia Aranha, que conheceu o trabalho do grupo em 2015.
Flávia conta que andava a procura de pessoas que trabalhassem com o tingimento à base do índigo natural quando descobriu que as mulheres da Central Veredas usavam a técnica que estava meio esquecida. “Em pouco tempo visitei todos os núcleos e me apaixonei pelo lugar, pelas histórias de vida e pelo conhecimento que elas têm sobre a fiação tradicional. Além disso, vi que elas trabalhavam cantando e isso foi muito impactante. A partir daí, a gente passou a fazer experiências juntas na tecelagem. Também me interessei pelos bordados, pelos tecidos, por tudo. Quero investir na cultura do algodão, pois o artesanato  precisa de apoio  e de fomento, e eu quero colaborar”, declarou a estilista. 
Investimento da Fundação BB
A Fundação Banco do Brasil é um dos principais parceiros da Central Veredas, entidade composta por núcleos produtivos nas localidades mineiras de Natalândia, Sagarana, Bonfinópolis de Minas, Riachinho, Serra das Araras, Chapada Gaúcha, Urucuia, Uruana de Minas, Buritis e Arinos. Desde 2013 foram investidos cerca de R$ 980 mil na estruturação da Rede Solidária de Artesanato, com objetivo de garantir a sustentabilidade da organização.
Os recursos foram aplicados na mobilização e capacitação das artesãs para o fortalecimento dos núcleos, melhoria da qualidade das peças e aumento da produtividade. E ainda, contribuíram para o aprimoramento da tecnologia social “Cores do Cerrado” na construção e estruturação da unidade de tingimento.
A metodologia "Cores do Cerrado" foi certificada pelo Prêmio Fundação de Tecnologia Social em 2011 e é parte do Banco de Tecnologia Social (BTS), junto com outras 985 iniciativas. A tecnologia propõe a recuperação da atividade artesanal tradicional, com foco no trabalho em rede e conceitos do comércio justo, possibilitando a geração de emprego e renda dignos em atividades de fiação artesanal, tecelagem e tingimento com corantes naturais e orgânicos.
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Mulheres tem sido protagonistas na criação de tecnologias sociais e reconhecidas pela Fundação BB por gerarem transformação social

No dia Internacional da Mulher, a Fundação Banco do Brasil dá visibilidade as mulheres do Brasil e destaca três iniciativas incríveis em que elas são as principais protagonistas.

A partir da oitava edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil do Brasil de Tecnologia Social, realizado em 2015, a Fundação incluiu uma categoria dedicada às a mulheres, com o objetivo de exaltar as iniciativas de protagonismo e o empoderamento feminino. E entre as muitas ações apresentadas nas duas últimas edições destacaram-se às tecnologias sociais “Água Viva: Mulheres e o redesenho da vida no semiárido”, da cidade de Mossoró (RN), vencedora em 2015; a “Rede Bodega de Comercialização Solidária”, de Fortaleza (CE), vencedora em 2017, e a “Arte na Palha Crioula”, da cidade de Guapiara (SP), finalista em 2017.

A metodologia “Água Viva: Mulheres e o redesenho da vida no semiárido” consiste no reaproveitamento da água utilizada nas atividades domésticas para a irrigação de frutas e hortaliças agroecológicas. A ideia nasceu de um grupo de mulheres do assentamento Monte Alegre, devido às constantes estiagens na região. O sistema gerou uma mudança significativa na vida, produção, auto-organização e na autonomia das mulheres.

Passados quase quatro anos em que foi vencedor do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2015, o projeto segue no caminho proposto, o do reuso da água nos quintais produtivos, uma alternativa que gera vida e renda para as famílias. A iniciativa foi desenvolvida em 2013 pelo Centro Feminista 8 de Março (CF8), em parceria com a Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) e financiamento da União Europeia.

“A tecnologia segue sendo utilizada pelas mulheres em seus quintais produtivos. Em 2018 tivemos um projeto aprovado pelo CNPq e agora, em 2019, ele será implantado. Nesse projeto novas pesquisas e ajustes podem surgir na tecnologia Água Viva”, destacou Ivi Aliana Dantas, umas das coordenadoras do CF8. Ela também acrescentou que, ao longo desses anos, as beneficiárias estiveram em diversos espaços no Rio Grande do Norte e fora do estado, compartilhando suas experiências com a tecnologia de reuso de água. “Outra grande conquista é o fato das próprias mulheres apresentarem a experiência e seus aprendizados, superando o medo e a vergonha da fala em espaços públicos. Realizamos, ainda, o encontro Mulheres do Semiárido e a Construção de Tecnologias Sociais. Foi um espaço muito valioso onde as mulheres de todos os estados do semiárido puderam conhecer e trocar experiências em tecnologias sociais”, disse.

No estado do Ceará, a Rede Bodega é o símbolo de luta e trabalho das mulheres. As Bodegas são espaços coletivos e solidários de divulgação e comercialização de produtos - alimentos, roupas e livros, por exemplo - frutos do trabalho de mulheres e homens do campo e da cidade.

Articulada pela Rede Cáritas, a partir de demanda de grupos organizados em cooperativas e associações, a tecnologia social "Rede Bodega de Comercialização Solidária” está presente em Fortaleza, Sobral, Viçosa do Ceará, Aracati e Maranguape.

“Trabalhamos para fortalecer e ampliar a Rede e aumentar os grupos. Após o Prêmio da Fundação Banco do Brasil, os espaços físicos receberam melhorias. O dinheiro da premiação ajudou nas reformas das bodegas que já existiam. Ainda temos as dificuldades da luta, da crise, mas uma coisa que é fundamental é que a Rede se mantém firme, uma bodega ajudando a outra, e essa união nos mantém vivas, declarou, Luciana Eugênio, articuladora da Rede. Luciana explica, ainda, que figura feminina é a mais presente nos empreendimentos. A Rede também se envolve em outras lutas em benefício das mulheres, como a questão do feminicídio. “A cada ano, mais mulheres morrem e isto tem estado muito presente em nossas ações enquanto movimento da economia solidária. Além disso, a rede tem se aproximado mais dos territórios, não só na área da comercialização, mas no todo, no pensar das pessoas como o centro da vida humana”, disse.

Do interior de São Paulo, mais precisamente do município de Guapiara, apresentamos a tecnologia social “Arte na Palha Crioula: Banco de Milhos Crioulos”, que traz na palha do milho, que normalmente é descartada, o grande segredo de sucesso de um grupo de mulheres. O trabalho totalmente artesanal é realizado com o auxílio de uma agulha de arame, que também é confeccionada pelas artesãs. Naturalmente colorida em tons de vermelho e roxo, a palha do milho é usada na produção de peças decorativas e utilitárias de alta qualidade. As palhas menores são usadas na produção de flores de variados modelos e tamanhos e as mais largas na produção de bonecas. Na lista de produtos, há também cestarias, vasos, santos, galinhas, jogos americanos, petecas, bolsas, chapéus e revestimento para móveis.

A iniciativa da Associação Arte e Vida de Mulheres Artesãs foi uma das finalistas do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, na Categoria Agroecologia. Nascida na roça, a idealizadora da tecnologia, Alice de Oliveira Almeida viu no oficio que aprendeu com o pai, uma forma de valorizar o artesanato local e de diversificar as atividades de geração de renda para as mulheres da região. Em 2005, Alice foi convidada pela prefeitura local para ministrar a arte do trançado para um grupo de mulheres e não parou mais.

“Passei para as mulheres as técnicas que aprendi em casa e hoje colhemos do fruto do nosso trabalho. Essa arte ajuda no fortalecimento das mulheres e na continuidade das sementes crioulas”, concluiu

Reconhecimento da luta das mulheres
A Fundação Banco do Brasil, por meio do Projeto Memória, reconheceu o protagonismo e a luta da educadora Nísia Floresta, no ano de 2006, e da filosofa e militante negra Lélia Gonzalez, em 2015. Nísia Floresta nasceu em 1810 na cidade de Papari (RN) e ficou conhecida pela defesa de igualdade de educação para mulheres além de denunciar a violência que as mulheres sofriam por não terem oportunidade de atuarem na vida pública durante o século XIX.

Lélia Gonzalez nasceu em 1935 em Belo Horizonte (MG) e teve uma grande contribuição nos estudos de gênero e raça no Brasil, com destaque para a vida das mulheres negras.Fundadora do Movimento Negro Unificado, Lélia teve uma atuação importante nos movimentos sociais negros e feministas. Segundo a filósofa Sueli Carneiro: “Lélia enegreceu o movimento feminista e feminizou a raça”.

Nísia Floresta1 Lelia Gonzalez

 

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