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Projeto beneficia agricultoras na região do Polígono das Secas, com capacitações para o uso de cisternas e biogás

Resolver as desigualdades de gênero requer políticas públicas e outras iniciativas que garantam autonomia financeira às mulheres. Esse, aliás, é o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 5 da Organização das Nações Unidas (ONU): alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas no mundo inteiro até 2030. No Brasil, uma dessas iniciativas tem começado a gerar resultados para agricultoras do sertão Sergipano.

O projeto Mulheres em Movimento está sendo realizado no município de Simão Dias, na região do Polígono das Secas, um dos mais pobres do país. Quase metade da população de 40 mil pessoas vive com uma renda mensal de meio salário mínimo (equivalente a R$ 477 ou R$ 15,90 por dia). A vida é ainda mais difícil para as mulheres, que além das limitações materiais lidam com a dominação masculina.

Realizado pela Sociedade de Apoio Sócio Ambientalista e Cultural (Sasac) com apoio da Fundação Banco do Brasil, o projeto consistiu na reaplicação de três tecnologias sociais em pequenas propriedades rurais familiares: Biodigestor para produção de gás natural a partir de esterco animal, Cisternas de Placas para consumo e Cisternas Calçadão para produção de alimentos. Ao mesmo tempo, qualificou 30 agricultoras para atuarem como protagonistas na resolução de problemas cotidianos.

Iniciada no primeiro semestre deste ano, a ação já rende frutos. “Vou poder criar minhas ovelhas, que é um sonho antigo. Daqui pra frente é só prosperar”, declara Elenice Batista dos Santos (44 anos).

Elenice acompanhou a construção de uma cisterna de produção no seu pequeno sítio. Concluído no início deste mês, o reservatório já começa a acumular a água da chuva. Com o abastecimento, Elenice pretende ampliar o cultivo de frutas e hortaliças para melhorar alimentação da família, além de poder vender o excedente para gerar renda. “Meu marido é vaqueiro, empregado de fazenda. O que ele ganha é só pra gente comer”, explica.

Atualmente, o quintal dela tem cultivo bem diversificado, no entanto, a produção nem sempre se dá no volume esperado por causa da seca. “Aqui no meu sítio plano coentro, couve, alecrim, fava, feijão de corda, batata doce, cebola, manga, abacate, macaxeira, pinha, tamarindo, mamão e goiaba, mas é mais pra gente de casa mesmo. E quando não chove não dá. Com essa cisterna já estou vendo a possibilidade de montar minha barraquinha na feira junto com outras vizinhas aqui da região”.

Elenice também ressalta a importância do projeto focar no empoderamento das mulheres. “A gente sabe das dificuldades da família, enfrenta tudo com a mesma garra dos homens, então merecemos aprender a fazer nossas próprias melhorias e não ficar somente esperando pelo marido. Aliás, agora eles até olham a gente diferente, com mais respeito”, conta.

Joelma Tavares Santos, presidenta da Sasac, explica que a ideia do projeto nasceu da vontade de realizar ações capazes de fortalecer a autonomia feminina. “Aqui ainda existe uma cultura muito enraizada de que o homem é a cabeça da família. Mesmo conscientizando, realizando uma caminhada contra a violência todo ano, muitas mulheres continuam amedrontadas em casa, por isso começamos a pensar em como empoderá-las e assim desenhamos o Mulheres em Movimento”.

Terezinha Maria de Jesus, outra participante do projeto, lembra que muitas vezes as mulheres não podem procurar emprego porque têm filhos pequenos ou porque moram distante. “Com um projeto desses, muitas passam a ter condição de trabalhar em casa mesmo, com o que já produz e aproveitando muita coisa da propriedade, porque o ganho dos maridos é mais pra botar comida na mesa”, reflete.

Dona Terezinha, como é conhecida a agricultora de 64 anos, vive na comunidade quilombola de Sítio Alto e foi contemplada com um biodigestor que começou a funcionar no início do mês. Entre seus objetivos está o de comercializar doces junto com a filha. Com o biogás, a produção terá o custo reduzido.

O biodigestor instalado no sítio de dona Terezinha aproveita as fezes dos animais para produzir biogás, mantendo o curral limpo e evitando a emissão do gás metano na atmosfera, o que contribui para evitar efeito estufa e mantém a sanidade animal. Além disso, permite à família cortar despesas com o botijão de gás metano ou outro tipo de combustível para cozinhar alimentos.

Tecnologias sociais
O Banco de Tecnologias Sociais (http://tecnologiasocial.fbb.org.br/tecnologiasocial/principal.htm) da Fundação BB tem várias soluções certificadas com viés de gênero. São iniciativas que procuram empoderar mulheres a partir de várias perspectivas, como educação, trabalho e renda e agroecologia, entre outras. Além das tecnologias sociais, inúmeros projetos apoiados pela Fundação BB visam promover o protagonismo feminino a partir da capacitação para geração de renda.

Igualdade de Gênero  é o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de número 5. No total são 17 ODS e 169 metas que estimulam ações até o ano de 2030 em áreas de importância crucial para a humanidade e para o planeta.

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Com investimento social de R$ 296 mil da Fundação Banco do Brasil, cerca de 80 produtores participam da iniciativa no município de Jucati

Um projeto para melhorar a alimentação de famílias em Jucati, no sertão de Pernambuco, já implantou 22 sistemas de reaproveitamento de água de uso doméstico para a irrigação de hortas orgânicas nos quintais das casas. A iniciativa beneficia 80 agricultores familiares, 22 contemplados pela tecnologia social Bioágua Familiar e assessoria voltada à agroecologia e 58 com capacitação para educação alimentar e nutricional, além de dois mil alunos de 14 escolas envolvidos com campanhas alimentares e nutricionais.

O projeto "Jucati Sustentável: Bioágua, Agroecologia e Nutrição" é resultado da parceria entre a Associação de Voluntários para o Serviço Internacional - Brasil (AVSI) e a Fundação Banco do Brasil, com o investimento social de R$ 296 mil. 

O objetivo é promover a agroecologia, a educação alimentar e ambiental e de reduzir a pobreza rural. A iniciativa proporciona alimentação saudável para os moradores mesmo no período de seca, além da venda da produção excedente, e permite que a água utilizada nas casas deixe de ser descartada no solo, evitando a poluição ambiental e a proliferação de doenças. 

Nesta quinta, 20, representantes das duas entidades visitaram famílias beneficiadas pelo projeto. "Este Sistema integra e potencializa outras tecnologias sociais já apoiadas pela Fundação Banco do Brasil para o desenvolvimento do Semiárido, como é o caso das cisternas. A integração das tecnologias traz uma infraestrutura básica para a população poder conviver de forma sustentável com o semiárido", afirmou Rogério Biruel, diretor de Desenvolvimento Social da Fundação BB.

Como funciona a tecnologia

A água usada para lavar louças, roupas e para tomar banho é canalizada para um reservatório que contém minhocas, areia, brita e adubo orgânico. A camada de um metro do composto serve para filtrar as gorduras e impurezas do conteúdo armazenado. As minhocas têm o papel de ingerir e remover as gorduras presentes na água. Assim que a filtragem se completa, ocorre o bombeamento para as mangueiras que irrigam a plantação por gotejamento.

A tecnologia social já foi implantada pela AVSI em outras cinco cidades do agreste pernambucano - Calçado, Jupi, Caetés, Lajedo e Garanhuns - em um total de 131 unidades familiares.

Acesse o manual da tecnologia social, clique aqui

A divulgação deste projeto contempla três 
Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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Iniciativas promovem o reaproveitamento da água no chuveiro e na pia para a irrigação de hortaliças e a capacitação, inclusive em escolas

Dentre os muitos projetos do estado do Ceará que receberam investimento social da Fundação Banco do Brasil, dois são da região de Crateús, 353 quilômetros de Fortaleza.

Com a Cáritas Diocesana de Crateús, o investimento social de cerca de R$170 mil da Fundação BB é para estruturar 12 brinquedotecas, compostas por livros, jogos e brinquedos, e para implementar oito unidades de bioágua acopladas em quintais produtivos nas escolas públicas da região.

O Sistema Bioágua de tratamento e reuso de águas cinzas é composto por caixas filtradoras, com brita, areia, pó de serragem e húmus com minhoca. Após passar pela composição, a água sai purificada e pode ser destinada à irrigação de hortaliças, frutas e plantas medicinais. O cultivo de alimentos vai complementar a merenda escolar.

O projeto intitulado “Educação Contextualizada para a Convivência com o Semiárido Cearense” busca contribuir para o desenvolvimento sustentável da região. A meta é alcançar o maior número de educadores no processo de formação continuada, para que eles disseminem conhecimentos aos alunos e seus pais sobre o semiárido brasileiro, as potencialidades, os desafios ambientais, sociais políticos e econômicos. As capacitações acontecem em três módulos temáticos sobre a convivência com o semiárido brasileiro. A implantação dos sistemas está prevista para junho deste ano.

"Ver uma instituição como a Fundação BB abrindo editais de projetos que vão potencializar o semiárido nos deixa feliz. Acreditamos que essa atividade nas escolas, com a participação de educadores e educandos possa ajudar a desconstruir a ideia que o semiárido é um lugar pobre, que não é bom para viver. Queremos mostrar uma região rica, com diversidade na fauna e flora e dar oportunidades aos jovens o poder de decisão de morar aqui ou não", declara, Adriano Leitão, coordenador de projetos sociais.

A outra ação da Fundação BB na região é realizada com o Instituto Bem Viver (IBV) para implementar o projeto intitulado “Reuso de Águas Cinzas para Produção de Alimentos no Semiárido Cearense”, com o investimento social também de R$ 170 mil. O projeto tem como objetivo, sensibilizar os moradores das comunidades para a importância da conservação do recurso hídrico e do solo, e estimular a produção de alimentos nas propriedades das famílias. Por meio do Sistema de Bioágua Familiar nos quintais produtivos, a iniciativa permite o reaproveitamento da água e a consequente redução da demanda num lugar de extrema escassez.

A parceria vai implantar 35 sistemas de reuso de águas cinzas - desde a captação até a irrigação. As famílias beneficiadas vão receber capacitação para o uso e manutenção da tecnologia e para atuar como pedreiro, além de participarem de intercâmbio de agricultores e assessoria.

Duas escolas da região também serão beneficiadas com o projeto. Dos 35 sistemas, 27 estão sendo implementados no município de Ipaporanga, distante 30 quilômetros de Crateús. Nessa comunidade, no dia 3 de maio, prefeitos de 20 municípios do Ceará participaram de um intercâmbio para conhecer os quintais produtivos e o uso do sistema.

A divulgação deste projeto contempla três Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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