Podem participar entidades sem fins lucrativos com propostas que busquem gerar emprego e renda em qualquer região do Brasil

Pela primeira vez, a Fundação Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançam nesta quarta (18), em Brasília, edital para selecionar projetos de reaplicação de tecnologias sociais que visem promover a geração de trabalho e renda em qualquer parte do País. Podem participar entidades sem fins lucrativos, com mais de dois anos de existência e que tenham sede ou experiência comprovada de atuação na região onde pretendem implantar o projeto. As inscrições vão até 29 de junho.

A reaplicação deve ser necessariamente de iniciativas integrantes do Banco de Tecnologias Sociais, um acervo online que reúne todas as metodologias certificadas pela Fundação BB, desde 2001, disponível no endereço http://tecnologiasocial.fbb.org.br/. Poderão ser implementadas uma ou mais tecnologias do banco de dados, desde que tenha como finalidade a geração de emprego e renda. Os valores por projeto se situam entre R$ 500 mil a R$ 1 milhão. As entidades com diretorias compostas por, no mínimo, 50% de mulheres ou que possuam tecnologia certificada pela Fundação BB receberão bonificação extra, conforme os critérios do edital.

O investimento total na seleção será de R$ 10 milhões e poderá ser ampliado, se houver disponibilidade de recursos e for avaliada a necessidade de suplementação. O evento de lançamento foi realizado no Museu Banco do Brasil, em Brasília, e contou com a presença de representantes da Fundação BB, do BNDES e de iniciativas que obtiveram a certificação de tecnologia social pela Fundação BB.

"A gente acredita muito que apostar na capacidade de criação e de inovação das comunidades é o melhor caminho para solucionar os problemas sociais. Mais do que propor, é sobre tudo ouvir o que elas têm a dizer", afirmou Fernando Zanban (Coordenador da Cáritas Brasileira). 

A chefe do Departamento de Inclusão Produtiva do BNDES, Daniela Arantes, destacou que a Fundação é a principal parceira do BNDES nos projetos apoiados pelo Fundo Social. "Tenho orgulho de ter participado da última edição do Prêmio de Tecnologias Sociais e me sinto muito honrada de escrever esse novo momento da história da FBB." 

Rogério Biruel, diretor da Fundação BB, narrou a trajetória das tecnologias sociais. "Quando estávamos construindo este edital, vários colegas relembraram o ano de 2001, momento em que Fundação foi pioneira na identificação das iniciativas e construção de um banco de dados - o Banco de Tecnologias Sociais. Naquela época quando o conceito de tecnologia social ainda não era bem entendido, já se sabia o grande poder de transformação social daquelas iniciativas. Com o edital, a FBB completa o ciclo, que começa com a certificação, premiação, divulgação e agora oinvestimento na efetivação dessas metodologias."

Acesse o edital em fbb.org.br/reaplicaTS

Metodologias servem de referência para desafios sociais

Tecnologia social é toda solução (produto, técnica ou metodologia) para desafios sociais que reúne conhecimento científico e popular, implementada com a participação da comunidade e de fácil reaplicação e adaptação em outra localidade. No Banco de Tecnologias Sociais há cerca de mil metodologias certificadas pela Fundação BB, todas selecionadas nas nove edições do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, realizado a cada dois anos, desde 2001.

Duas vencedoras de 2017 são bons exemplos de soluções para geração de renda que contam com atuante participação feminina. Uma é a Arte na Palha Crioula, uma metodologia que une o artesanato tradicional na palha de milho crioulo com a necessidade de gerar renda para as mulheres da região de Guapiara, interior de São Paulo. Naturalmente colorida em tons de vermelho e roxo, a palha do milho é usada na produção de artesanatos decorativos e utilitários de alta qualidade, como flores, bonecas, cestos, vasos, santos, galinhas, jogos americanos, petecas, bolsas, chapéus e revestimento para móveis. O trabalho das mulheres da Associação Arte e Vida de Mulheres Artesãs resgata o cultivo das sementes crioulas, que foram utilizadas pelos agricultores de gerações anteriores e passaram pela seleção natural de milhares de anos, com grãos mais resistentes e menos dependentes de substâncias sintéticas.

Outro exemplo é a Rede Bodega de Comercialização Solidária, implantada no Ceará. As bodegas são espaços coletivos de comercialização, espécies de mercearias, onde há grande variedade de produtos à venda. Articulada pela Rede Cáritas, a iniciativa abriga trabalhos de 220 famílias de agricultores familiares, extrativistas, costureiras, artesãos, escritores e poetas, reunidos em cooperativas e associações. A Rede Bodega fica em Fortaleza e nos municípios de Sobral, Viçosa, Aracati e Maranguape.

A divulgação deste prêmio contempla todos os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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Publicado em Notícias
Quarta, 07 Março 2018 18:44

A economia solidária empodera mulheres

A economia solidária e os negócios sociais se beneficiam da presença feminina como força trabalhadora e de liderança. Para marcar o Dia Internacional da Mulher, abrimos este espaço para algumas dessas lideranças expressarem suas percepções sobre as conquistas que vêm sendo colhidas pelas mulheres rumo a uma sociedade mais justa e igualitária. São lideranças que participam de iniciativas apoiadas pela Fundação Banco do Brasil, que acredita no protagonismo de pessoas e comunidades como meio de alcançar a transformação social.

Aline Souza

Entrevista com Aline Souza

Como a mulher se desenvolve na economia solidária?

O setor da economia solidária é o único do país que consegue incluir a mulher no mercado, dá condição de ser mãe, trabalhar e fazer as outras coisas que a gente gosta de fazer. A mulher não teria essa mesma oportunidade em outro setor do mercado para dar suporte em todas as outras áreas, seja por obrigação, ou porque gosta mesmo. Se eu tivesse emprego formal eu teria que conseguir alguém para olhar meus filhos e não teria tempo para atuar com a própria família, por que seria tudo muito corrido. Esse setor dá oportunidade para as mulheres ocuparem mais espaço.

A gente vê hoje coisas que antes não aconteciam. Agora a maioria das presidentes das cooperativas da rede Centcoop são mulheres. A questão é como criar ferramentas para garantir essa equidade. No caso da Centcoop, a gente aproveitou o apoio da Fundação BB para reinserir a equidade no estatuto da Centcoop e outras cooperativas seguiram o exemplo.

Como a economia solidária se beneficia do trabalho feminino?

A mulher vai pautar coisas que o homem não vai pautar. Ela tem um pensamento muito amplo, desenvolve o empreendimento em vários setores, não fica focada somente na produção. Ela participa das manifestações coletivas e começa a ser vista e a ser convidada a participar mais da comunidade. Eu participo de conselho de segurança publica, do conselho comunitário, do conselho dos feirantes. A mulher defende os interesses dela, mas enquanto comunidade ela participa do interesse geral.

E os homens, como vêm reagindo?

O homem nem perde espaço nem ganha. Se a forma de gerenciar está fluindo e dando certo, você ganha a confiança do gestor masculino. Não dá apenas para ocupar o espaço que está sendo ocupado por outra pessoa, tem que ocupar e mostrar que dá conta.

A liderança foi conquistada pela capacidade

Adriana Galvao

Entrevista com Adriana Galvão

O fortalecimento feminino no trabalho também beneficia a comunidade a que elas pertencem?

Quando uma mulher se organiza ela também puxa as outras. Ela também traz para a comunidade. O fundo rotativo solidário também é pensado assim: se quero benefício para mim eu contribuo para que a outra também possa receber. As mulheres se sentem fortalecidas nessa rede e vai estendendo o benefício em que se sentiu contemplada para um grupo maior de mulheres. Essa liderança que sai para conhecer outras experiências, volta trazendo novas iniciativas e oportunidades para o benefício de toda a comunidade.

Como os homens estão reagindo à maior ocupação de espaço social das mulheres?

Todas essas conquistas não são feitas sem conflitos, seja dentro do ambiente familiar, seja na disputa na associação. Os homens se questionam porque não eles? Mas o que a gente percebe aqui no polo da Borborema é que essa liderança foi conquistada pela capacidade.

Além disso, a trajetória que a gente desenvolveu de dar visibilidade ao trabalho delas, ao papel econômico, social, de educação e para todas as dificuldades postas para a vida das mulheres e dar alternativas para que elas possam reconstruir seus caminhos, foi feita com o grupo de mulheres, mas também junto aos grupos mistos e organizações sindicais que passam a compreender que a gente não faz agroecologia sem fortalecer o papel das mulheres também na agricultura.

Como a economia solidária fortalece o papel feminino?

Aqui no Polo da Borborema, as mulheres vêm se organizando em espaços coletivos, principalmente em fundos rotativos solidários e a participação delas é decisiva para esse empreendimento. Permite que elas possam adquirir bens para as famílias e melhorar a sua capacidade produtiva. Para além de sua capacidade de ir, visitar conhecer e voltar ter a chance de ter um fogão agroecológico, de reorganizar os seus quintais de ter um animal, para além do beneficio pessoal ela passa a ser vista pela família de uma outra forma, com capacidade de gerir recursos, de produção e de geração de renda.

O exercício de gestão coletiva é também um exercício de cidadania, porque muitas não tinham contato com dinheiro, agora elas estão organizando o recolhimento de recursos, decidindo como quando usar esse recurso e esse aprendizado também é libertador. De se formarem enquanto pessoas e exercerem um papel público que é muito diferente do que ela fazia. Por ser um grupo de mulheres, por fortalecer a auto-organização, elas também se fortalecem entre si, aprendem umas com as outras.

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Finalista no Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social, a Rede Bodega do Ceará está presente em cinco municípios do estado

Sabe aqueles lugares onde você encontra tudo o que precisa? No estado do Ceará eles são chamados de Bodegas: espaços coletivos e solidários de divulgação e comercialização de produtos - alimentos, roupas e livros, por exemplo - frutos do trabalho de homens e mulheres do campo e da cidade.

Articulada pela Rede Cáritas, a partir de demanda de grupos organizados em cooperativas e associações, a tecnologia social "Rede Bodega de Comercialização Solidária" está presente no estado do Ceará, além da capital Fortaleza, onde recebe o nome de a Budegama, e em outros quatro municípios: Sobral, com a Bodega dos Arcos; Viçosa, com a Bodega do Povo; Aracati, com a Bodega Nordeste Vivo e Solidário e Maranguape, com a Bodega da Vila.

Finalista no Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, na Categoria Economia Solidária, a metodologia é constituída de pontos fixos de comercialização coletiva e autogestionária, que abriga trabalhos de 220 famílias de agricultores familiares, extrativistas, costureiras, artesãos, escritores e poetas.

De acordo com Izabel Cristina de Lima, responsável pela iniciativa, a participação das mulheres se dá em todos os aspectos, na produção de artesanato, de alimentação, na gestão dos grupos de produção, sejam eles formais e informais. A presença feminina também é maioria na diretoria e na comissão gestora.

“Elas estão nas feiras, nos encontros e detêm a fala sobre a Rede Bodega, mesmo nas regiões onde se tem uma expressiva participação masculina e isso revela um dado já mostrado em pesquisas, que no Brasil a economia solidária tem rosto feminino, pois é a maioria no movimento”, destacou Izabel.

Ana Lurdes de Freitas expõe seu trabalho na Bodega da Vila, situada na cidade de Maranguape, a 26 quilômetros de Fortaleza. Especialista na confecção do rói rói - brinquedo que leva esse nome por conta do som que emite -, a artesã trabalha em parceria com outras nove pessoas.

Na Bodega da Vila, além do rói rói, o visitante também pode encontrar cartões com poesias produzidas pelos artistas locais, livros, brinquedos confeccionados a partir de materiais reciclados e brindes feitos com madeiras reaproveitadas, além de alimentos variados e outras atrações.

O espaço também oferece hospedagens na pousada local - com capacidade para receber até 30 pessoas-, serviços de massoterapia e reiki. “Vivemos do que produzimos, das poesias, do artesanato, das apresentações artísticas e das oficinas que ministramos. Com o nosso trabalho, também ajudamos as pessoas a adquirirem o gosto pela leitura e pela poesia”, declarou Ana.

Sobre o Prêmio

A fase final do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social irá selecionar vencedoras entre 18 finalistas nas categorias nacionais e três na internacional. O evento de premiação será realizado em 23 de novembro. Entre as 735 inscritas neste ano, 173 foram certificadas e passaram a constar no Banco de Tecnologias Sociais (BTS), um acervo online gratuito de soluções para problemas sociais mantido pela Fundação BB.

Nesta edição, o concurso tem a cooperação da Unesco no Brasil e o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Banco Mundial, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Veja aqui a lista das finalistas do Prêmio 

Veja aqui a lista das 173 certificadas

Visite o site do Prêmio


A divulgação deste projeto contempla quatro Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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