Segunda, 01 Outubro 2018 14:08

Banco comunitário fortalece economia local

Portal   união sampaio
Com crédito acessível, juros baixos e moeda social,  iniciativa também estimula o protagonismo de mulheres

A assistente social Cláudia Souza precisava de dinheiro para pagar a reforma de sua casa, onde queria voltar a morar após ter emprestado o imóvel ao filho por um período. A casa estava muito deteriorada: manchas no chão, paredes com infiltração, vazamentos. O problema é que ela não tinha capital para arcar com as despesas da reforma. Foi então que se lembrou do Banco Comunitárioi União Sampaio, que empresta dinheiro para mulheres em situação de vulnerabilidade social, desde 2009. “Eu faço trabalho com mulheres negras e um dia quando fui fazer estágio no CDCM - Centro de Defesa e Convivência da Mulher – conheci o trabalho do Banco União”. Ela conseguiu o crédito no valor que precisava: R$ 7 mil. Em um mês, ela e o neto de 5 anos retornaram a morar no imóvel e o empréstimo foi quitado em 15 parcelas de R$ 500.

O Banco Comunitário União, localizado no bairro de Campo Limpo, zona sul de São Paulo, foi criado pela União Popular de Mulheres com o objetivo de fomentar e fortalecer a organização da comunidade e o desenvolvimento local, com foco na inclusão financeira e bancária.  A vice-presidente da entidade, Norina Nunes, esclarece que o ponta pé inicial para a fundação do banco foi a parceria com entidades, para formar capital de giro e realizar os primeiros empréstimos. “Contamos com a ajuda de parceiros para termos capital e fazer girar o banco, mas naquela época, houve muita desconfiança sobre o sucesso deste projeto”.

O clima de incerteza apareceu porque, junto com a criação do banco, foi lançada a moeda social para desenvolver o crédito na comunidade, porém os comerciantes não acreditavam nesta proposta. “Fizemos campanha junto à comunidade, assembleia com os associados no momento da implantação da moeda, porque os comerciantes do bairro tinham resistência. O trabalho de esclarecimento e orientação fortaleceu a economia local” conta entusiasmada Norina.

A criação da moeda social, junto com um sistema de análise de crédito feito pela própria comunidade, permitiu à muitas pessoas terem acesso ao financiamento que promoveu o desenvolvimento e a autoconfiança, principalmente das mulheres. O sucesso da iniciativa possibilitou que Banco União Sampaio fosse certificado como tecnologia social, sendo  finalista do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2017. Norina afirma que, mesmo sem levar o troféu, a certificação deu  visibilidade ao empreendimento. 

O que é um banco comunitário

Um banco comunitário se diferencia de um banco comercial porque os serviços financeiros e bancários são geridos pela comunidade, fazendo com que estes serviços, além de mais acessíveis, sejam um instrumento de organização e estímulo ao desenvolvimento local. Como o estímulo ao consumo local é o foco deste tipo de iniciativa, é comum a criação de moedas sociais para circularem nestes espaços. 

Os créditos em consumo são concedidos em moeda social, sem juros, de forma a propiciar uma sinergia entre os créditos produtivos concedidos e os créditos de consumo. A gestão do banco é feita por uma associação local conjuntamente com a comunidade, por meio da criação de um conselho gestor e da realização de fóruns periódicos. Os trabalhadores são integrantes da própria comunidade ou vivem na localidade, o que gera outra forma de atendimento, mais humana e acolhedora, além de oportunidade de trabalho para moradores da região. 

 Portal   BOX moeda sampaio

A iniciativa do Banco Comunitário União Sampaio atende ao ODS 9, no item 3, que estimula o acesso ao crédito acessível para integração de cadeias de valor e mercado, principalmente em países em desenvolvimento.

Box ods 9

 

 

Publicado em Série ODS

Atividade é desenvolvida no distrito paulista de Campo Limpo e concorre ao Prêmio de Tecnologia Social da Fundação BB

Silvestre e Vera são dois moradores entre as 216 mil pessoas que residem no distrito de Campo Limpo, zona Sul de São Paulo. Ele, proprietário de um açougue no bairro Jardim Maria Sampaio, via-se ameaçado com a abertura de um grande supermercado na região. Ela, dona de casa, tinha um sonho de começar o seu próprio negócio e aumentar a renda da casa, porém não tinha emprego fixo e nem as economias davam conta das despesas da casa. As histórias dessas duas pessoas passaram por uma grande transformação depois de conhecerem o Banco Comunitário União Sampaio, aberto pela União Popular de Mulheres do Campo Limpo (UPM), em 2009 e que concorre como finalista no Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social deste ano.

Frente às dificuldades situacionais do bairro, como a grande concentração de população de baixa renda e em situação de vulnerabilidade social, as associadas pensaram numa alternativa para fomentar a atividade econômica local e gerar renda para as pessoas da região, principalmente para fortalecer o protagonismo das mulheres e pequenos empreendimentos solidários e desenvolveram uma metodologia econômica que gerou bons resultados. A ideia foi criar uma moeda social para circular apenas dentro do próprio bairro, o “Sampaio” e com isso, passou a oferecer crédito para os moradores da região, usando como apoio a análise de um Conselho de Análise de Crédito (CAC), formado também por moradores da localidade.

Segundo Neide de Fátima Abati, presidente da UPM, qualquer pessoa do bairro pode solicitar o empréstimo, mas a preferência é para mulheres chefes do lar. Após preencher um cadastro, a solicitação passa pela avaliação do Conselho, que faz visitas presenciais às casas dos solicitantes e fazem um acompanhamento financeiro, inclusive com instruções de conscientização do empréstimo. O solicitante recebe o valor em “Sampaios”, moeda que é aceita apenas por comerciantes credenciados do bairro. “O pagamento de volta para o banco pode ser parcelado e dependendo do valor do empréstimo, não há juros - e quando há, são menores do que os bancos convencionais”, garante Neide.

O açougueiro Silvestre foi um dos primeiros comerciantes a aderir ao “Sampaio”. Após aceitar a moeda social, ele ganhou a fidelização de seus clientes e já contabilizou 30% de crescimento em um período de dois anos, o que permitiu ampliar o seu negócio e não se preocupar mais com a ameaça de outros concorrentes. Já a moradora Vera realizou o curso de panificação em um dos núcleos da UPM e em 2015 procurou o banco para realizar um empréstimo com a finalidade de comprar materiais para produzir pães para venda. O pequeno negócio gerou lucro e hoje ela continua recebendo encomendas de pães, além de ministrar cursos de panificação para dividir a experiência com outras moradoras do bairro.

Neide explica que os comerciantes são conscientes do impacto positivo pelo uso da moeda local para o reforço do seu negócio. “O “Sampaio” é fundamental para melhorar a vida das pessoas no bairro, que muito interessa aos comerciantes. Não só por uma questão de sentimento de solidariedade, que existe realmente entre eles, mas também por que veem nesta dinâmica econômica a saída para a sobrevivência de seus negócios”, conclui.

A moeda

A cédula do “Sampaio” é produzida em parceria com o Banco Palmas do Ceará, que comanda a rede de Bancos Comunitários. Ela é feita com papel moeda e com marca d’água especial para evitar falsificações.  Cerca de 30 comerciantes já aderiram à moeda entre mercadinhos, lojas, farmácias, salões de beleza e lanchonetes.

Segundo Neide, o banco já atendeu mais de três mil pessoas desde sua fundação, fortalecendo assim uma rede de economia solidaria local. “Não há uma média de valores do empréstimo. Já atendemos desde grandes empréstimos, como cinco mil reais, até pequenos valores de 100 reais, em função das necessidades e capacidade econômica de devolução”, explica.

Esta iniciativa foi inscrita no prêmio de Tecnologia Social da Fundação Banco do Brasil neste ano e foi certificada como tecnologia social. Agora ela é uma das 18 finalistas e concorre como ao prêmio de R$ 50 mil, na categoria Economia Solidária. A proposta também já compõe o Banco de Tecnologias Sociais e pode ser reaplicada em outras localidades.

Conheça outras iniciativas finalistas do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social 2017 em fbb.org.br/finalistas

Sobre o Prêmio

O Prêmio Fundação BB tem 18 finalistas nas categorias nacionais e três na internacional. O evento de premiação será realizado em novembro. Este ano, o concurso tem a cooperação da Unesco no Brasil e o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Banco Mundial, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Veja aqui a lista das finalistas do Prêmio 

Veja aqui a lista das 173 certificadas

 

 


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Como conseguir o empréstimo de "Sampaios"?


Público alvo: Mulheres da comunidade em situação de vulnerabilidade social, pequenos empreendimentos solidários, empréstimos destinados à moradia e ao consumo local.

• Solicitação do empréstimo com preenchimento do cadastro

• Palestra para conscientização do processo de crédito

• Análise da ficha com vista à casa do solicitante e vizinhos

• Geração de informe e deliberação dos membros do CAC

• Retorno ao solicitante (com ou sem aprovação)

• Apoio de assistência social para fazer um acompanhamento da evolução do solicitante, sem aprovação do crédito, para que possa conseguir o empréstimo mais adiante.

• Análise e apoio social, para além da necessidade financeira, com um atendimento em busca do desenvolvimento familiar, por meio de encaminhamentos à rede sócio assistencial e recursos da comunidade.

• Pagamento do empréstimo realizado pelo solicitante

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A divulgação deste projeto contempla seis Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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