Quarta, 07 Março 2018 18:44

A economia solidária empodera mulheres

A economia solidária e os negócios sociais se beneficiam da presença feminina como força trabalhadora e de liderança. Para marcar o Dia Internacional da Mulher, abrimos este espaço para algumas dessas lideranças expressarem suas percepções sobre as conquistas que vêm sendo colhidas pelas mulheres rumo a uma sociedade mais justa e igualitária. São lideranças que participam de iniciativas apoiadas pela Fundação Banco do Brasil, que acredita no protagonismo de pessoas e comunidades como meio de alcançar a transformação social.

Aline Souza

Entrevista com Aline Souza

Como a mulher se desenvolve na economia solidária?

O setor da economia solidária é o único do país que consegue incluir a mulher no mercado, dá condição de ser mãe, trabalhar e fazer as outras coisas que a gente gosta de fazer. A mulher não teria essa mesma oportunidade em outro setor do mercado para dar suporte em todas as outras áreas, seja por obrigação, ou porque gosta mesmo. Se eu tivesse emprego formal eu teria que conseguir alguém para olhar meus filhos e não teria tempo para atuar com a própria família, por que seria tudo muito corrido. Esse setor dá oportunidade para as mulheres ocuparem mais espaço.

A gente vê hoje coisas que antes não aconteciam. Agora a maioria das presidentes das cooperativas da rede Centcoop são mulheres. A questão é como criar ferramentas para garantir essa equidade. No caso da Centcoop, a gente aproveitou o apoio da Fundação BB para reinserir a equidade no estatuto da Centcoop e outras cooperativas seguiram o exemplo.

Como a economia solidária se beneficia do trabalho feminino?

A mulher vai pautar coisas que o homem não vai pautar. Ela tem um pensamento muito amplo, desenvolve o empreendimento em vários setores, não fica focada somente na produção. Ela participa das manifestações coletivas e começa a ser vista e a ser convidada a participar mais da comunidade. Eu participo de conselho de segurança publica, do conselho comunitário, do conselho dos feirantes. A mulher defende os interesses dela, mas enquanto comunidade ela participa do interesse geral.

E os homens, como vêm reagindo?

O homem nem perde espaço nem ganha. Se a forma de gerenciar está fluindo e dando certo, você ganha a confiança do gestor masculino. Não dá apenas para ocupar o espaço que está sendo ocupado por outra pessoa, tem que ocupar e mostrar que dá conta.

A liderança foi conquistada pela capacidade

Adriana Galvao

Entrevista com Adriana Galvão

O fortalecimento feminino no trabalho também beneficia a comunidade a que elas pertencem?

Quando uma mulher se organiza ela também puxa as outras. Ela também traz para a comunidade. O fundo rotativo solidário também é pensado assim: se quero benefício para mim eu contribuo para que a outra também possa receber. As mulheres se sentem fortalecidas nessa rede e vai estendendo o benefício em que se sentiu contemplada para um grupo maior de mulheres. Essa liderança que sai para conhecer outras experiências, volta trazendo novas iniciativas e oportunidades para o benefício de toda a comunidade.

Como os homens estão reagindo à maior ocupação de espaço social das mulheres?

Todas essas conquistas não são feitas sem conflitos, seja dentro do ambiente familiar, seja na disputa na associação. Os homens se questionam porque não eles? Mas o que a gente percebe aqui no polo da Borborema é que essa liderança foi conquistada pela capacidade.

Além disso, a trajetória que a gente desenvolveu de dar visibilidade ao trabalho delas, ao papel econômico, social, de educação e para todas as dificuldades postas para a vida das mulheres e dar alternativas para que elas possam reconstruir seus caminhos, foi feita com o grupo de mulheres, mas também junto aos grupos mistos e organizações sindicais que passam a compreender que a gente não faz agroecologia sem fortalecer o papel das mulheres também na agricultura.

Como a economia solidária fortalece o papel feminino?

Aqui no Polo da Borborema, as mulheres vêm se organizando em espaços coletivos, principalmente em fundos rotativos solidários e a participação delas é decisiva para esse empreendimento. Permite que elas possam adquirir bens para as famílias e melhorar a sua capacidade produtiva. Para além de sua capacidade de ir, visitar conhecer e voltar ter a chance de ter um fogão agroecológico, de reorganizar os seus quintais de ter um animal, para além do beneficio pessoal ela passa a ser vista pela família de uma outra forma, com capacidade de gerir recursos, de produção e de geração de renda.

O exercício de gestão coletiva é também um exercício de cidadania, porque muitas não tinham contato com dinheiro, agora elas estão organizando o recolhimento de recursos, decidindo como quando usar esse recurso e esse aprendizado também é libertador. De se formarem enquanto pessoas e exercerem um papel público que é muito diferente do que ela fazia. Por ser um grupo de mulheres, por fortalecer a auto-organização, elas também se fortalecem entre si, aprendem umas com as outras.

Publicado em Notícias
Quarta, 14 Fevereiro 2018 14:16

Quem é Gabriela?

Projeto apoiado pela Fundação BB capacita jovens e adultos do DF e Entorno em administração e controle do orçamento familiar

“Eu nasci assim, eu cresci assim
Eu sou mesmo assim
Vou ser sempre assim
Gabriela, sempre Gabriela”

Esse é um trecho de “Gabriela”, música de Dorival Caymmi que inspirou o nome do projeto “Não Sou Gabriela - Formação em Educação Financeira Comunitária”, que ensina jovens e adultos carentes a controlar os gastos, administrar de forma eficiente as finanças familiares e criar o hábito de poupança para necessidades futuras.

Recentemente, o projeto, encabeçado pela organização não governamental Programa Providência de Elevação da Renda Familiar, de Brasília, recebeu investimento social de R$ 68 mil da Fundação BB para estruturar novos cursos a moradores do Distrito Federal e de cidades do chamado Entorno, que compreende 22 municípios que fazem fronteira com a unidade federativa ou são próximos a ela.

Mas qual a relação da letra de Caymmi com o projeto? O educador financeiro Max Coelho, coordenador do projeto e formador dos educadores do curso, explica que qualquer pessoa tem capacidade de mudar o discurso da Gabriela da música, com adoção de novos hábitos como aqueles que auxiliem no controle e organização do orçamento.

Coelho explica que as turmas são formadas por quase 90% de mulheres, e que o projeto incentiva a conquista da autonomia e do protagonismo social para que elas se prepararem para o futuro. “Procuramos sensibilizar as pessoas e nunca impor nada. Nosso desejo é que eles aprendam a poupar, a reduzir custos e não a ter mais trabalho”.

O curso é dividido em três módulos: endividamento, planejamento e investimentos. Em treze encontros realizados ao longo de três meses, os alunos têm acesso a ferramentas que auxiliam no processo de reeducação financeira, com orientações sobre como elaborar um planejamento. Nele também são abordados temas como financiamentos bancários, direitos trabalhistas e consumo consciente.

Em abril, a ONG iniciará uma turma para formar educadores sociais voluntários, que serão multiplicadores ou educadores financeiros. As novas turmas de alunos têm previsão de início para maio.

Programa Providência de Elevação da Renda Familiar:

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Sustentabilidade financeira para crianças
Em janeiro, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) homologou documento para que a educação financeira integre a lista de disciplinas que devem ser incorporadas às propostas pedagógicas para crianças do ensino fundamental de estados e municípios. Também estão neste rol de matérias o ensino das Relações Étnico-Raciais, a História e Cultura Afro-Brasileira, Educação Ambiental e Educação para o Trânsito.

A divulgação deste assunto contempla três Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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