Segunda, 11 Fevereiro 2019 10:02

Do mel aos cosméticos

Famílias do Pará recebem incentivo para revitalização de meliponários, aproveitamento de frutas e fabricação de cosméticos

A meliponicultura é uma das atividades desenvolvidas pela Associação dos Meliponicultores de Curuçá (Asmelc), entidade que recebeu apoio da Fundação Banco do Brasil, por meio do edital Ecoforte Extravismo no estado do Pará. O investimento de R$ 525 mil foi destinado no aprimoramento e fortalecimento dos processos produtivos da associação, com a finalidade de aumentar a renda familiar e melhorar qualidade de vida dos associados da entidade.

Meliponicultura é a criação de abelhas sem ferrão, especialmente dos gêneros melipona e trigona. A atividade já era praticada há muito tempo pelos povos indígenas da América Latina. Os objetivos da meliponicultura envolvem a produção e comercialização de colmeias, mel, pólen, resinas, própolis e outros derivados do mel.
Os participantes são moradores das comunidades de Santo Antônio, Cabeceiras, Km 50, Caju, Pingo D’Água, Pedras Grandes e São Pedro, situadas em áreas de mangues e de matas e pertencentes à Reserva Extrativista Mãe Grande de Curuçá (PA). Entre as ações destacadas no projeto está prevista a orientação de 30 famílias para trabalhar com as abelhas nativas da Amazônia, as abelhas sem ferrão.

O projeto também contemplou uma pesquisa científica, realizada em parceria com Universidade Federal do Pará, para a identificação de espécies de plantas com potencial para a produção de mel e pólen de abelhas sem ferrão, e recomposição florestal nas áreas no entorno dos meliponários das sete comunidades.Com o resultado da pesquisa, a Asmelc adquiriu mudas que estão sendo usadas no reflorestamento das matas.

A principal matéria prima, o mel, é usada na produção artesanal de artigos de higiene e cosméticos - sabonetes, shampoos, esfoliantes, creme hidratante - comercializados em feiras e eventos do município.

A bióloga e gestora do projeto, Maria Liliana Rodrigues, aponta o aumento da exploração sobre a fauna e flora, a exemplo da diminuição dos peixes em função da pesca em grande escala por pescadores de outras regiões, com métodos mais eficazes; a diminuição do volume das águas dos igarapés, como os maiores desafios enfrentados pelos moradores das comunidades. E aliado a isso, ela conta que a região precisa também de plano de manejo, pesquisas e fiscalização, para manter os recursos naturais, que são a base de sobrevivência das famílias.

“A parceria da Fundação BB com a Asmelc favoreceu a revitalização dos meliponários, o aumento da flora, contribuiu para o maior aproveitamento das frutas da nossa região e possibilitou a reativação da produção de cosméticos, que por falta de recursos tínhamos parada", disse.

Liliana também explica que a cooperativa está em processo de habilitação para receber o Selo de Inspeção Municipal, que vai permitir a associação vender os produtos para os mercados da região.

Além da atuação na cadeia produtiva do mel, as famílias também se dedicam à outras atividades como fonte de sobrevivência - pesca, coleta de caranguejos, lavoura de mandioca e as culturas de manga, banana, açaí, cupuaçu, urucum, taperebá, citros -, muitas dessas usadas na fabricação de polpas de frutas, picolés e sorvetes.

Com o investimento social da Fundação BB, a Asmelc adquiriu kits apicultor, compostos por chapéu-véu, suporte de cobertura, chave de fenda, pratos descartáveis, seringa, faca, formão, balde inox, medidor de pH, bomba de vácuo, além de despolpadoras, seladora, balanças, mesa de lavagem de frutas, freezer, mudas frutíferas, materiais de irrigação, minhocário, assistência técnica que permitirá aos agricultores manejo, beneficiamento e comercialização dos produtos.

Elias Correa do Mar vive na comunidade do Caju. Ele é artesão e trabalha com a confecção de peças de madeiras e também é meliponicultor. Com as 25 caixas de colmeias que têm instaladas na propriedade, consegue extrair 27 quilos de mel, em três colheitas anuais, nos meses de julho a janeiro. Cada quilo é vendido por R$ 70. “Meu objetivo e duplicar o número de caixas ainda este ano. Nós agora podemos vender também as polpas de frutas que vão ajudar na renda, porque temos um lugar para armazenar. Com esse incentivo da Fundação, a associação está dando um grande passo na preparação das abelhas e vai melhorar a vida de todos nós associados”, celebrou.

Ecoforte Extrativismo

O Programa Ecoforte Extrativismo tem como objetivo fortalecer empreendimentos coletivos nas fases de produção, beneficiamento ou comercialização de produtos extraídos por meio de práticas sustentáveis na floresta. Os recursos da parceria Fundação Banco do Brasil e Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que apoiou 53 projetos, com investimento de R$ 33 milhões, envolvendo mais de 14 mil participantes.

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Parceria tem o objetivo de fortalecer o ODS 5 sobre igualdade de gênero e vai beneficiar cerca de 700 mulheres da região nordeste do estado

Uma parceria entre a Fundação Banco do Brasil e a ONU Mulheres vai apoiar associações que promovem o protagonismo e o combate à violência contra as mulheres no Brasil. Uma das entidades assistidas será o Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense MMNEPA. Criada em 1993, em Capanema – cidade a 165 km de Belém - o MMNEPA tem como missão fortalecer o papel da mulher para superar as desigualdades sociais, promovendo o desenvolvimento humano, integrado, sustentável, buscando a justiça social, emancipação feminina e equidade de gênero através da organização, formação e articulação.

O investimento social de R$ 750 mil será destinado para 43 grupos de mulheres, em 14 cidades do nordeste paraense, totalizando um atendimento direto a 700 participantes. Estes grupos estão nos seguintes municípios: Aurora do Pará, Capanema, Bragança, Irituia, Mãe do Rio, Capitão Poço, Ourém, Nova Timboteua, Santa Luzia do Pará, Santa Maria do Pará, São Domingo do Capim, São Miguel do Guama, Salinópolis, Tracuateua.

O diretor de desenvolvimento social da Fundação Banco do Brasil, Rogério Biruel, explica que a cooperação com a ONU Mulheres é fundamental para fortalecer o protagonismo feminino. “Essa parceria com o Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense e a ONU Mulheres amplia a defesa de direitos, promove a inclusão produtiva, o empoderamento econômico e a participação das mulheres em diversos espaços da sociedade”, avalia.

O convênio será assinado na próxima quarta-feira, 23, em Santa Maria do Pará, com a presença de representantes da Fundação Banco do Brasil, ONU Mulheres, autoridades, representantes de entidades parcerias e lideranças locais e regionais.

 Empoderamento econômico e sustentável para as mulheres

A parceria entre Fundação Banco do Brasil e ONU Mulheres é resultado do compromisso da instituição com a plataforma dos Princípios de Empoderamento das Mulheres, da qual o Banco do Brasil é signatário, e visa mostrar como as fundações empresariais podem contribuir para o alcance do ODS 5 (Objetivo do Desenvolvimento Sustentável) – Alcançar a igualdade de gênero e empoderamento de todas as mulheres e meninas. As mulheres brasileiras ainda enfrentam muitos desafios, são sobrecarregadas pelos trabalhos do cuidado não remunerados e ainda trabalham muitas vezes na informalidade.

“O empoderamento econômico das mulheres é decisivo para a transformação de suas vidas, de suas comunidades e da economia como um todo. Investir na capacidade produtiva das mulheres, nos seus locais de vida e promover o fortalecimento de grupos de mulheres são iniciativas concretas para alterar a economia como foco em direitos e sustentabilidade, além de influenciar novas práticas em toda a cadeia produtiva em favor das mulheres”, afirma Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil. Gasman lembra a relação entre o ODS 5 com todos os objetivos globais, entre eles o ODS 8 – Trabalho Decente e Crescimento Econômico e ODS 2- Fome Zero e Agricultura Sustentável. “Esse investimento social e produtivo demonstra como os objetivos globais fazem parte da vida real das brasileiras e como enfrentar as desigualdades de gênero, raça e etnia implica ações em diferentes áreas”, completa.


Autonomia econômica e fim da violência de gênero

Diagnóstico realizado em 2010, com as participantes da associação comprovou que mulheres que possuem autonomia financeira, sofrem muito menos com a violência. Segundo a ONU Mulheres, o Brasil é o quinto país com maior taxa de feminicídio (assassinato de mulheres por razões de gênero): 4,8 vítimas para cada 100 mil mulheres. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) com dados de 2016, informa que o Pará tem uma taxa de 7,2 vítimas para cada 100 mil mulheres, colocando o estado como o segundo mais letal para as mulheres.

Esta realidade em números pode ser expressada pela vivência narrada por Rita Teixeira, uma das coordenadoras do MMNEPA. “Costumamos dizer que quando eu pago a conta, eu determino quem senta na minha mesa e isto é o propósito do MMNEPA acabar com a violência pelo empoderamento social e econômico para nós, mulheres, vivermos dias melhores”.

As participantes da associação são em sua maioria mulheres agricultoras, quilombolas e extrativistas. O apoio financeiro da Fundação BB, em parceria com a ONU Mulheres, possibilitará a reforma de dez espaços para beneficiamento do mel, a compra de quatro tendas para comercialização de produtos, aquisição de um veículo utilitário, além de capacitações e intercâmbios para serem apresentadas novas práticas de produção e manejo de mel, farinha de milho, produtos agroecológicos e artesanato para agregar valor e aumentar a renda das mulheres associadas ao MMNEPA.

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Parceria entre a Fundação BB e entidade local vai atender 70 famílias em comunidade do município de Moju

Os moradores do quilombo de São Manoel têm sonhos em comum: novas oportunidades de trabalho e acesso à água potável. A comunidade localizada no Território do Jambuaçu, a 42 quilômetros do município de Moju (PA), possui um único reservatório com capacidade de dez mil litros, com mais de 20 anos de uso e insuficiente para a população atual.

Uma parceria inédita entre a Associação Quilombola dos Agricultores de São Manoel e a Fundação Banco do Brasil traz esperança de transformação social. Com investimento de R$ 250 mil, o projeto “Potencializando Direitos e Levando Dignidade para a Comunidade Quilombola de São Manoel” irá construir um microssistema de abastecimento de água com poço artesiano, instalação de caixa d’água central e encanamentos. A estrutura tem capacidade para atender o consumo das 70 famílias que vivem no local.

O presidente da associação, Manoel Almeida, destaca a importância de garantir o abastecimento de água na região. “Apesar da abundancia de água na comunidade, ela não é própria para o consumo. Essa questão vinha nos preocupado bastante”, disse.

Além do sistema de abastecimento, o projeto também prevê a implementação de um atelier de corte e costura, onde serão ministrados cursos de capacitação. Trabalhar com corte e costura é um desejo antigo das mulheres da comunidade que sonham com a possibilidade de resgatarem a cultura e a autonomia familiar.

“Estamos bem otimistas com esse projeto, pois vai atender toda família, beneficiando os mais jovens, que são a grande maioria. Queremos que eles encontrem um meio de sustento aqui, para que não precisem buscar oportunidades nas grandes cidades. Esperamos que consigam trabalhar e criar seus filhos em nossa terra”, concluiu Manoel.

A divulgação deste projeto contempla três Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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