Quinta, 25 Abril 2019 09:22

Gueroba: a riqueza do Cerrado

Portal Maior  gueroba
Cadeia produtiva do óleo foi responsável pela premiação de grupo de mulheres goianas

 Em 2007, um grupo de mulheres do município de Buriti de Goiás se uniu em cooperativa para colocar em prática o projeto “Cadeia Produtiva do Óleo de Amêndoas de Gueroba”. A ideia era gerar renda para as famílias da região e contribuir com a preservação da palmeira e a conservação do bioma Cerrado. Sucesso garantido, a iniciativa foi a terceira colocada na categoria Mulheres, do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, no ano de 2013.

 A gueroba, também conhecida como gueiroba, gariroba, gairoba, jaguaroba, catolé, pati, pati-amargosa, coqueiro-amargoso e palmito-amargoso é uma palmeira de grande potencial oleaginoso do bioma Cerrado, mas que pode ser encontrada em outras regiões do país. Muito presente na cultura dos habitantes do Território do Rio Vermelho em Goiás, a planta foi de grande importância na vida dos primeiros agricultores que chegaram à região, sendo utilizada como madeira, forrageira, uso medicinal e ornamental, e principalmente como alimento, com a extração do seu palmito de sabor amargo.

A produção do óleo, por meio do aproveitamento de seus frutos, está revitalizando a importância cultural, ambiental e econômica da palmeira. Além de rico em ácido graxo, possui propriedades medicinais e cosméticas.O beneficiamento (retirada da amêndoa, quebra e extração do óleo) e a produção do óleo de amêndoas da gueroba foram iniciados em 2006, até então, um produto inédito no mercado brasileiro.

A metodologia foi desenvolvida pela Articulação Pacari – rede socioambiental do bioma Cerrado, com o objetivo de fortalecer a organização comunitária e dar assistência técnica na elaboração de projetos. Hoje, o trabalho tem o envolvimento de 14 mulheres, raizeiras, dos municípios goianos de Barro Alto, Mineiros, Cavalcante, Goiânia e Aparecida de Goiânia.
Extracao Oleo

Lurdes Cardoso Laureano, coordenadora da Articulação Pacari, explica que o trabalho na produção do óleo da gueroba exige paciência e dedicação, uma vez que a palmeira também é um alimento muito utilizado pelos moradores do Cerrado. "A amêndoa só é colhida depois de madura. Nós incentivamos o cultivo agroecológico, por meio do sistema agroflorestal com outras culturas", disse.

A cadeia produtiva do óleo de gueroba envolve principalmente agricultores familiares que possuem a palmeira plantada em suas propriedades e extrativistas que fazem acordos com fazendeiros para a coleta dos frutos. A gueroba possui uma importante função ecológica, pois alimenta um grande número de animais silvestres, o que é respeitado no manejo sustentável de seus frutos e folhas. Também são oferecidos ao gado, como um excelente complemento alimentar animal, na época da seca.

"O Prêmio da Fundação Banco do Brasil nos ajudou muito. Com o valor da premiação que recebemos, adquirimos uma máquina hidráulica para a extração do óleo e capacitamos as mulheres. Somos gratas por isso até hoje", declarou Lurdes.

Para conhecer esta iniciativa, acesse o Banco de Tecnologias Sociais (BTS) - base de dados que reúne metodologias reconhecidas por resolverem problemas comuns às diversas comunidades brasileiras.

Prêmio 2019 

As inscrições para a 10ª edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social estão abertas até 12 de maio. Instituições de ensino e de pesquisa, fundações, cooperativas, organizações da sociedade civil e órgãos governamentais de direito público ou privado, legalmente constituídas no Brasil ou nos demais países da América Latina ou do Caribe, terão algumas semanas a mais para participarem de um dos maiores prêmios do terceiro setor do país.

As iniciativas selecionadas vão concorrer a R$ 700 mil, divididos entre as categorias nacionais: "Cidades Sustentáveis e/ou Inovação Digital”; “Educação”; “Geração de Renda" e "Meio Ambiente” e as premiações especiais: “Mulheres na Agroecologia”, “Gestão Comunitária e Algodão Agroecológico” e “Primeira Infância”. A edição deste ano também irá reconhecer três iniciativas do exterior na categoria: “Internacional”, destinada a iniciativas da América Latina e do Caribe, onde serão identificadas tecnologias sociais que possam ser reaplicadas no Brasil e que constituam efetivas soluções para questões relativas a “Cidades Sustentáveis e/ou Inovação Digital”; "Educação", “Geração de Renda” e “Meio Ambiente.” Conforme o regulamento está previsto um bônus de 5% na pontuação total obtida na classificação final para propostas que promovam a igualdade de gênero e o protagonismo e empoderamento da juventude.

Em sua décima edição, o Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social tem a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Instituto C&A, Ativos S/A e BB Tecnologia e Serviços, além da cooperação da Unesco no Brasil e apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ministério da Cidadania e Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Palmeira GuerobaAmendoa Gueroba retirada

Confira aqui as outras matérias da série Retrospectiva:

2001: Prêmio da Fundação BB de Tecnologia Social valoriza soluções desde 2001

2003: Tecnologia social: o saber popular ao alcance de todos

2005: Projeto da Ilha das Cinzas (PA) foi vencedor do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social 2005

2007: Colostro: um produto nobre

2009: Vida ativa na terceira idade

2011: Uma voz de liberdade para detentos e deficientes visuais

2013: Gueroba: a riqueza do Cerrado

2015: Librário: tecnologia social com efeito multipliador

2017: Prêmio de Tecnologias Sociais: países da América Latina e Caribe participam desde 2017

 

 

 

 

Publicado em Notícias
Segunda, 25 Junho 2018 10:42

Babaçu e a força do trabalho feminino

Projeto em Miguel Alves recebe apoio da Fundação BB para beneficiar produtos de quebradeiras de coco

Da palmeira do babaçu, tudo se aproveita. Da folha, que pode chegar a 20 metros de altura, faz-se telhado para casas, móveis, cestas e outros objetos artesanais. O caule pode ser aproveitado na fabricação de adubo e em estrutura de construções. Da casca do coco faz-se carvão, do mesocarpo, farinha, e da amêndoa do coco extrai-se o óleo, que é usado, sobretudo, na alimentação, mas também como combustível, lubrificante e na fabricação de sabão e cosméticos.

Em Miguel Alves, município localizado ao norte do Piauí, um grupo composto por 29 mulheres está dando um novo rumo na vida das famílias que trabalham com a cadeia produtiva do babaçu. As agricultoras fazem parte da Associação das Mulheres Quebradeiras de Coco, que recebeu da Fundação Banco do Brasil R$ 250 mil, usados na construção de duas unidades de processamento e na compra de máquinas e equipamentos.

O projeto “Mulheres Quebradeiras de Coco de Miguel Alves - Um sonho que se torna realidade” está contribuindo para o empoderamento das mulheres, o fortalecimento da economia solidária e a defesa do extrativismo sustentável do babaçu, melhorando a qualidade de vida das famílias associadas. Ao todo, 150 pessoas serão beneficiadas, além de um grande número de consumidores que vão adquirir os produtos manipulados pelas mulheres do babaçu. Na região, o quilo da amêndoa do coco é vendido por R$ 2,30, um valor considerado muito abaixo se comparado com o cobrado em outras regiões do país.

Para a coordenadora do projeto, irmã Ana Lúcia Corbani, ainda persiste a percepção de que o trabalho das quebradeiras de coco vale pouco. Mesmo carregando muito peso nas costas ou na cabeça, o esforço não é recompensado com valor justo. A religiosa explica que, na contramão da desvalorização da mão de obra, existe uma grande expectativa com as novas unidades de beneficiamento, com as quais as mulheres organizadas poderão melhorar a qualidade dos produtos, além de ampliar a produção.

Merenda escolar
No segundo semestre deste ano, a Associação das Mulheres Quebradeiras de Coco passará a fornecer os produtos para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), por meio da Secretaria de Agricultura e Educação do município. Serão 800 quilos de farinha de mesocarpo e 600 quilos de biscoitos de mesocarpo para as escolas da rede municipal de ensino de Miguel Alves. Também existe um diálogo bem avançado com a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Piauí - SDR para acessar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e obter maior visibilidade nas feiras de agricultura familiar e economia solidária que periodicamente acontecem na região.

Homenagens
As unidades de processamento entregues nas comunidades de Conrado e Retrato receberam nomes de personagens locais. Em Conrado, o empreendimento foi batizado com o nome de Dona Paixão - em memória à quebradeira de coco, pioneira do grupo organizado de mulheres em Miguel Alves. Ela ajudou a conceber as Comunidades Eclesiais de Base na região. Dona Paixão faleceu há três anos.
Já na comunidade de Retrato, a unidade foi apelidada de Expedita Araújo, uma agente pastoral, que ainda vive e que sempre abraçou a causa da terra e, em especial, a mulheres camponesas.

O projeto tem o apoio também das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, Comissão Pastoral da Terra Piauí, Sindicato de Trabalhadores Rurais e Paróquia de Miguel Alves.

A divulgação deste assunto contempla cinco Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano 2030.

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Projeto apoiado pela Fundação amplia produção de mel e promove a conscientização ambiental

Mel para adoçar o corpo e poesia para adoçar a alma. Esta frase está no rótulo dos potes de mel que a apicultora Ana Lucia Schmidt comercializa na região de Caxias do Sul (RS). Ela começou a trabalhar na produção de mel aos 18 anos, mas agora, após se aposentar do Banco do Brasil, decidiu dedicar exclusivamente para este trabalho. “Antes era um hobby, agora se tornou uma paixão. Todo apicultor é um apaixonado”, declara Ana.

Com investimento da Fundação BB de cerca de R$ 60 mil, em parceria com a Associação Caxiense de Apicultores – ASCAP, um projeto tem gerado emprego e renda e, ao mesmo tempo, promovido ações de conscientização nas escolas sobre a importância das abelhas. Os recursos foram utilizados para aquisição de novos maquinários para beneficiamento do mel e edição de 5 mil cartilhas.

Também estão previstas a produção de filmes educativos e visita de grupos de estudantes aos apiários. O responsável técnico do projeto, Antônio Viapiana, destaca a importância da educação ambiental. “O caminho é conscientizar e sensibilizar. A distribuição das cartilhas para as crianças pode ajudar a mudar a realidade para o futuro”.

A proposta da associação nasceu a partir de levantamento da redução do número de abelhas nos últimos anos. A situação é bastante preocupante, tanto para apicultores como para a sociedade em geral, pois esses insetos tem um papel fundamental na polinização de diversas espécies de plantas, com papel crucial na produção de alimentos.

Viapiana informa que a redução das abelhas começou a ser percebida na Europa e nos Estados Unidos, mas também já é notada no Brasil. Segundo ele, o problema está na aplicação inadequada de inseticidas, que mata as pragas, mas também extermina insetos importantes para o equilíbrio ambiental. “As abelhas sofrem com o uso excessivo do agrotóxico e isto faz que a população reduza a cada ano. Temos que evitar o uso de inseticidas”, reforça.

Redução das abelhas e o impacto na agricultura

Atualmente, as abelhas estão desparecendo por muitos motivos. As principais causas, além do uso do agrotóxico, é o aumento de áreas de monocultura, o desmatamento e o desequilíbrio ecológico.

A Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB) identificou que 15 mil colmeias foram extintas no Brasil nos últimos cinco anos, o que representa aproximadamente um trilhão de insetos erradicados no País. As abelhas são responsáveis por 70% da polinização no mundo e a redução pode resultar na diminuição de 35% das colheitas de todo planeta, conforme alerta o Fundo das Nações Unidas de Agricultura e Alimentação (FAO).

Associação Caxiense de Apicultores

Com sede em Caxias do Sul, a associação atua desde 1989 com o processamento do mel e produtos derivados. Ela comercializa sua produção em pontos de venda na região ou dentro da própria associação. Atualmente, a entidade possui mais de 120 cooperados e suas ações beneficiam mais de 200 pessoas indiretamente. Ela também mantém atividades permanentes de integração, capacitação e aperfeiçoamento profissional.

A divulgação deste projeto está relacionada aos seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável - ODS:

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