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Trabalho sustentável e produção ecológica garantiram à cooperativa o primeiro lugar na categoria Geração de Renda do Prêmio de Tecnologia Social

Peças bonitas, confortáveis, produzidas com amor e sustentabilidade por mãos habilidosas, com matéria-prima que reúne cuidado ambiental e trabalho organizado. É assim que há 14 anos trabalha a Justa Trama, empreendimento da economia solidária, que atua na geração de renda e melhoria na qualidade de vidas de seus cooperados.

A entidade nasceu do sonho coletivo de costureiras motivadas pela produção de bolsas para o Fórum Social Mundial, que aconteceu em Porto Alegre. Naquele ano de 2005, elas se juntaram a outros empreendimentos e parceiros para colocar em prática o plantio do algodão orgânico e a produção das primeiras peças de roupas. A cooperativa é autossustentável e envolve todos os elos da cadeia produtiva do algodão agroecológico - desde o plantio à comercialização das roupas e acessórios. O tingimento é feito por meio de pigmentos naturais e vegetais.

Hoje, a cooperativa beneficia cerca de 500 trabalhadores (as) das cinco regiões do Brasil. Com sede em Porto Alegre, seus produtos estão presentes em vários estados brasileiros e em Montevidéu, capital do Uruguai. A produção também é feita por demanda de produtos corporativos, vendida no site www.justatrama.com.br e por meio de uma loja física situada na própria sede.

A atuação da Justa Trama influi diretamente na definição do valor do algodão orgânico pago no nordeste. E para conscientizar as pessoas sobre consumo consciente e esclarecer sobre o algodão agroecológico e, ainda, para que saibam de onde vem a sua roupa, a entidade promove desfiles e debates. Em 2018, teve o melhor resultado econômico desde a sua fundação, com aumento das vendas e agregação de valores - melhor resultado de distribuição das sobras para cada associado, e a produção de duas toneladas do algodão rubi e cinco toneladas do algodão cru-.

Este ano, a Trama do Algodão que Transforma foi primeira colocada da categoria Geração de Renda do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, premiada com R$ 50 mil. Na disputa estavam a Cloc - Criatividade Lógica/Oportunidade / Crescimento, de Santa Luzia do Itanhy (SE), segunda colocada com premiação de R$ 30 mil, e Turismo de Base Comunitária: melhorando vidas e preservando o meio ambiente, de Tefé (AM), em terceiro lugar, que foi contemplada com R$ 20 mil. Todas as 21 finalistas nacionais e as três finalistas internacionais receberam troféu e um vídeo retratando a iniciativa.

Nelsa Nespolo, diretora-presidente da Justra Trama, conta que todos estão muito felizes e ainda saboreando a vitória no Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social. E que vão aproveitar o bom momento para fortalecer o trabalho que vêm desenvolvendo e que vão trabalhar para avançar na comercialização dos produtos. “É muito bacana perceber que as pessoas já estão se apropriando da tecnologia social. Agora, é continuar divulgando esse jeito que a gente tem de trabalhar e que tem o reconhecimento da Fundação Banco do Brasil para poder incentivar e inspirar outras pessoas, e agregar valor a cadeia produtiva do algodão agroecológico”, destacou.

Sobre o Prêmio

Realizado a cada dois anos, o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social foi criado em 2001. Este ano, a premiação recebeu 801 inscrições. Dessas, 123 tecnologias sociais passaram a fazer parte do Transforma! Rede de Tecnologias Sociais, plataforma online que reúne metodologias reconhecidas por promoverem a resolução de problemas comuns às diversas comunidades brasileiras, aptas e disponíveis para reaplicação.

A 10ª edição o Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social teve a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Instituto C&A, Ativos S/A e BB Tecnologia e Serviços, além da cooperação da Unesco no Brasil e apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ministério da Cidadania, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

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Tecnologia Social implementada no Rio Grande do Sul é premiada como referência em atendimentos a gestantes e crianças de até seis anos

Orientar as famílias a partir da cultura e experiência para que promovam o desenvolvimento integral de crianças de zero aos seis anos. Esta é a ação que resume a iniciativa Primeira Infância Melhor (PIM), vencedora da modalidade Primeira Infância, concedida por meio do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social neste ano. A metodologia implantada pela Secretaria Estadual da Saúde do Rio Grande do Sul, em 2003, na capital Porto Alegre, atende hoje 237 cidades do estado (50% dos municípios gaúchos) e cerca de 31 mil famílias por ano.

Nas visitas são propostas orientações ou brincadeiras que contemplam as fases do desenvolvimento infantil ou o período gestacional de cada beneficiário. Um exemplo é a construção da “caixa de sentimentos”, onde a gestante e sua família são convidadas a registrar, por meio de desenhos, palavras ou recortes de revistas, suas expectativas e emoções a respeito da gestação. Outra atividade é o “diário da gestante”, realizado em diferentes municípios , em particular, para as mulheres privadas de liberdade, que podem ali registrar, com fotos e relatos, todo o contexto da gestação no cárcere; a confecção de brinquedos/brincadeiras com materiais disponíveis nas próprias residências, além da construção da “caixa do brinquedo” que insere o brincar na rotina das famílias; a prática da shantala - massagem de origem indiana que ajuda no relaxamento do bebê, fortalecendo o vínculo cuidador/ bebê; a revitalização de cantigas de roda, como estímulo à linguagem e à socialização; entre outras.

Priscila do Rosário é uma das pessoas atendidas pelo programa. “O PIM me acompanha em tudo. Os visitadores me ajudaram a ter mais contato e a brincar com minha filha, e me ajudaram também a reservar horários só para nossos compromissos. Como seria bom se cada família pudesse receber a visita do PIM em suas casas. Tenho certeza que ia transformar a vida dessas pessoas, como transformou a minha”, revela.

A metodologia

A trajetória do PIM resultou em seu reconhecimento enquanto uma das tecnologias de desenvolvimento e transformação social mais importantes da América Latina. Para além dos resultados quantitativos das avaliações apresentadas, são as histórias de vida e os relatos das famílias no dia a dia que comprovam a qualidade do Programa e a força que tal política tem para promover a vida, transformar histórias, empoderar as famílias e provavelmente romper ciclos de vulnerabilidade. À medida que o PIM foi se estruturando e se fortalecendo, seus resultados abrangem não apenas as famílias beneficiárias, mas também a sociedade como um todo.

Expectativas

Segundo a coordenadora da tecnologia social, Gisele Mariuse da Silva, após a premiação recebida em Brasília, a expectativa é de que a metodologia possa ser expandida para outros municípios do estado e, numa visão mais ousada, garantir a cobertura completa. “Para nós, ser reconhecida como uma tecnologia exitosa nos possibilita mais visibilidade e abre muitas portas, inclusive com apoiadores para captação de recursos. Agora nossa meta é atingir os outros 50% dos municípios do Rio Grande do Sul”, explica.


Premiação geral

Classificada em primeiro lugar, a tecnologia social Primeira Infância Melhor receberá R$ 50 mil, que serão destinados à expansão, aperfeiçoamento ou reaplicação da metodologia. Outras duas tecnologias sociais também foram premiadas na modalidade Primeira Infância. Em segundo lugar a Fundação Amazonas Sustentável, de Manaus (AM), receberá R$ 30 mil pela metodologia Programa Primeira Infância Ribeirinha (PIR). Já o terceiro lugar ficou para a Prefeitura de Osório (RS), que receberá R$ 20 mil pela tecnologia Programa Municipal de Aleitamento Materno - PRÓ-MAMÁ.

A premiação deste ano teve a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Instituto C&A, Ativos S/A e BB Tecnologia e Serviços, além da cooperação da Unesco no Brasil e apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ministério da Cidadania e Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

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Sexta, 10 Maio 2019 16:51

Um banho de solidariedade

Voluntários de Porto Alegre (RS) oferecem banho quente e roupas limpas para moradores de rua do Centro da cidade

 
Para quem está em situação de extrema vulnerabilidade social, em condições precárias e que nem um lar possui para se abrigar, viver na rua pode ser a única opção. Em grandes cidades essa dura realidade já faz parte do dia-a-dia de algumas pessoas que por dificuldade familiar, psicológica, social ou financeira, acabaram em situação de rua,sobrevivendo sem os cuidados básicos que um lar oferece - como por exemplo um simples banho.
 
Em Porto Alegre (RS), um grupo de pessoas se mobilizou para oferecer um pouco de conforto e dignidade às pessoas em situação de rua. A iniciativa começou em 2016 e um ano depois foi fundada a ONG Voluntários do Centro Social da Rua, em atuação até hoje. O objetivo principal é atender homens e mulheres com o projeto Banho Solidário.
 
A ação acontece da seguinte forma: uma vez por semana, sempre aos domingos, o grupo de voluntários se desloca para um local onde as pessoas em situação de rua costumam se abrigar e oferece uma série de preparos para o banho solidário. Inicialmente eles recebem um número de atendimento, depois é servido um lanche (em geral sanduíches, biscoito, café). Em seguida, escolhem o que vestir em araras de roupas doadas e recebem kits de higiene: toalha, creme e escova dental, sabonete e mini xampus. Por último, vão para o banho, em um espaço com dois boxes de chuveiros, (masculino e feminino) com água quente.
 
A estrutura é deslocada por um reboque de carro e utiliza locais que disponibilizam a água gratuitamente ao projeto, geralmente uma escola municipal, um estacionamento, o Teatro São Pedro e a Catedral metropolitana. A cada edição do Banho Solidário são atendidas cerca 60 pessoas, mas o grupo já chegou a atender 112 moradores em um único dia. Em 2018 foram contabilizados 4.800 atendimentos.
 
Segundo Letícia Andrade, coordenadora geral da ONG, nas primeiras ações do Banho Solidário a reação foi de desconfiança. “Eles achavam que a gente tinha algum interesse por trás daquela ação. Não acreditavam que  estávamos  fazendo apenas pelo bem. Diziam que era difícil de acreditar que a gente largava a família no domingo para ficar com eles, mas com o passar do tempo,  começaram a respeitar  e a acreditar no projeto”, relata.
 
A iniciativa busca fomentar que essas pessoas encontrem novos caminhos e possibilidades, por meio do resgate de sua visibilidade, de sua autoestima, do apoio e da promoção de seus talentos, acrescenta Letícia. E explica ainda,  que com a consolidação do Banho Solidário, outras ações foram agregadas ao projeto.
 
Assim nasceu a Lavanderia da Rua (em funcionamento desde maio de 2018), o Banco de Doações de roupas e calçados com repasse para outras instituições assistenciais dos materiais sobressalentes; os Cursos de formação focando em qualificação e possível contratação no mercado de trabalho; o Curso de jardinagem em edifícios (já em andamento); o Banco de vagas de trabalho e acompanhamento (em inicio de implementação); a Assistência Jurídica (em funcionamento, com uma equipe de três advogados voluntários);  o Atendimento odontológico (equipamentos já disponíveis);  o Atendimento médico (dermatologista e oftalmologistas voluntários); o Atendimento psicológico (em funcionamento desde maio de 2018, com uma equipe de dois psicólogos); e o Suporte a dependentes químicos e familiares com encaminhamento à desintoxicação (equipe de trabalho de seis pessoas).
 
A coordenadora explica que as ações foram adaptadas de acordo com as necessidades das pessoas atendidas. A Lavanderia de Rua, por exemplo, foi desenvolvida para contribuir com a qualidade de vida e saúde, garantindo acesso mínimo à higiene pessoal. “Assistimos muitas vezes as pessoas atendidas pelo Banho Solidário lavando roupas no próprio chuveiro ou até mesmo na pequena pia que se usa para escovar os dentes". Agora, os moradores lavam e secam suas roupas adequadamente, podendo reutilizá-las ao invés de descartá-las.
 
Voluntários vencedores

O grupo Voluntários do Centro Social da Rua foi um dos vencedores do Prêmio Viva Voluntário, realizado pelo Governo Federal, em 2018, com apoio da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O Prêmio faz parte do Programa Nacional Viva Voluntário que identifica e incentiva o desenvolvimento da cultura do voluntariado e de educação para a cidadania, com o objetivo de fortalecer as organizações da sociedade civil e promover uma participação ativa da sociedade. A ONG venceu a categoria “organizações da sociedade civil” e recebeu o investimento social de R$ 50 mil da Fundação Banco do Brasil, para a manutenção dos seus projetos. Letícia relata que por meio deste investimento foi feita a aquisição de uma caixa d’água, um carro e um gerador. “Nos próximos meses nosso grupo terá autonomia para atender toda a cidade, e não só nos locais onde é cedida a água”, afirma.
 
Viva Voluntário
O programa Viva Voluntário também disponibiliza a plataforma Viva Voluntário - que funciona em formato de rede social para conectar cidadãos, empresas e membros da sociedade civil que buscam ou promovam oportunidades de trabalho voluntário. A plataforma tem abrangência nacional e busca dar visibilidade a ações voluntárias que acontecem em todo o país, possibilitando a junção entre organizações e voluntários.
Acesse para saber mais https://vivavoluntario.org/
 
Como ajudar
Atualmente, todas as doações para o Banho Solidário são feitas pela sociedade civil. São doados material de higiene, roupas, toalhas, calçados, ou dinheiro (através do PagSeguro) e além disso, muitas pessoas auxiliam na preparação dos alimentos entregues no dia do banho. Os interessados também podem se voluntariar para as ações semanais que são organizadas por meio das redes sociais da ONG.
Acesse o perfil https://www.facebook.com/banhosolidariors ou participe do grupo no Facebook Amigos do Banho Solidário – POA.

 

Confira aqui os outros vencedores do Prêmio Viva Voluntário:

Voluntariado nas Organizações da Sociedade Civil

Voluntariado no Setor Público

Líder Voluntário

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