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Povos e comunidades tradicionais de Minas Gerais driblam os desafios do semiárido e veem agroecologia prosperar

O Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas – CAA-NM em parceria com a Fundação Banco do Brasil está ajudando a melhorar as perspectivas de vida de agricultores familiares, assentados da reforma agrária, indígenas e quilombolas que vivem no Norte de Minas Gerais.

Com o Projeto Ampliação e Fortalecimento da Rede Sociotécnica de Agroecologia do Sertão Norte Mineiro, a entidade está organizando a produção agroecológica, por meio da qualificação de uma unidade regional de comercialização, de registro e certificação de empreendimentos e produtos da agricultura familiar e agroextrativista, que além de incentivar o protagonismo dos empreendimentos locais, também fortalecerá os circuitos regionais de comercialização, com o funcionamento regular do Empório do Sertão.

Em 2019, a entidade recebeu cerca de R$ 500 mil, por intermédio do edital Ecoforte Redes, uma parceria da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para promover cursos e capacitações para trabalhadores dos municípios de Brasília de Minas, Coração de Jesus, Montes Claros, Janaúba, São João das Missões, Januária, Cônego Marinho, Bonito de Minas, Pai Pedro, Serranópolis de Minas, Riacho dos Machados, Rio Pardo de Minas e Grão Mogol.

O investimento também foi usado para a aquisição de equipamentos como cafeteiras elétricas e demais utilidades de cozinhas para a montagem de um café no interior do Empório, que fica na cidade de Montes Claros, na formação gastronômica dos trabalhadores, na compra de quatro kits compostos com barracas e balanças que serão usadas em feiras agroecológicas, além de kits para a implantação de energia solar. Entre os produtos comercializados pelas famílias estão: óleos de rufão (fruta típica do Cerrado), de pequi e buriti, farinha de mandioca, açúcar mascavo, rapadura, sementes crioulas, grãos e uma variedade de produtos hortifrutigranjeiros.

Francisco Wagner, agricultor e um dos dirigentes da Cooperativa Grande Sertão, uma das filiadas ao Centro de Agricultura Alternativa, conta o que todas as famílias têm em comum na região: o desejo de melhorias na produção e de um lugar de confiança para comercializar seus produtos. E que na sua propriedade, que fica na Comunidade Pinheiros, distrito de Montes Claros, em que ele trabalha com a esposa e um casal de filhos, cultiva uma variedade de frutas que são transformadas em polpas – cajá, maracujá, acerola e abacaxi, entre outras.

“A perspectiva da gente da roça é de cada vez mais aumentar a produção e melhorar a renda da família, mas a falta de chuva tem nos preocupado, só que nós não perdemos o ânimo. Só na Cooperativa Grande Sertão são 200 cooperados, e estamos aproveitando essas capacitações que o projeto nos oferece e que tem ajudado a melhorar o nosso conhecimento”, afirma.

De acordo com o coordenador do projeto, Luciano Rezende, a ideia é que o projeto alcance até mil pessoas indiretamente com as capacitações. “Essa etapa do projeto qualifica as anteriores que já receberam incentivos da Fundação BB. Ela abrange as diversas etapas da produção agroecológica, além disso, qualifica o processo e abre um espaço maior para a comercialização dos produtos, com Empório do Sertão, que é um lugar onde o agricultor familiar tem como referência para comercializar seus produtos”, disse.

Sobre a organização

O CAA-NM foi idealizado a partir das necessidades dos agricultores familiares e formado por meio de aliança entre os povos. A primeira parceria foi estabelecida em 2005. Foram desenvolvidos 15 projetos na região, com destaque para a instalação de cisternas de placa e calçadão, implantação da Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS), reforma e adequação do espaço Solar do Sertão.

 

Publicado em Notícias

M2

Iniciativas de Atiquizaya, em El Salvador e Montes Claros, no Brasil, são exemplos que contribuem com as metas do ODS 2

Extinguir a fome no mundo; alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável são ações que sintetizam o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável 2 – definido pelas Nações Unidas em 2015 com o propósito de alcançar a dignidade até 2030, pela nova agenda de desenvolvimento sustentável global. Com o título Fome Zero e Agricultura Sustentável, esta ODS elenca oito metas para todos os países adotarem de acordo com suas prioridades e desafios ambientais de todo o planeta. O cumprimento das metas estabelecidas pretende acabar com todas as formas de fome e má-nutrição até 2030, garantindo o acesso suficiente a alimentos nutritivos durante todos os anos.

Segundo dados das Nações Unidas, a agricultura é a maior empregadora única no mundo, provendo meios de vida para 40% da população global atual. Ela é a maior fonte de renda e trabalho para famílias pobres rurais. Dessa forma, investir em pequenos agricultores é um modo importante de aumentar a segurança alimentar e a nutrição para os mais pobres, bem como a produção de alimentos para mercados locais e globais.

Alinhada com esses desafios, a prefeitura de Atiquizaya, em El Salvador, desenvolveu o projeto Escolas Sustentáveis a nível municipal, com uma metodologia que promove atividades orientadas de diferentes instituições e setores relacionados com atividades de alimentação escolar, participação social, educação nutricional através de jardins educacionais, compra da agricultura familiar local e adoção de menus adequados e saudáveis. Além de ser enriquecida com os vegetais colhidos na horta, a merenda das escolas é complementada com a aquisição da produção dos agricultores familiares da região. A iniciativa foi finalista no último Prêmio de Tecnologia Social e integra o Banco de Tecnologias Sociais da Fundação Banco do Brasil para ser reaplicada em outras localidades. O projeto também tem o apoio da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO).

"O projeto permitiu que muitos atores se juntassem para promover o desenvolvimento da economia local, com a compra de produtos da agricultura familiar, e assegurou uma alimentação completa para crianças em idade escolar, assim como contribuiu para a mudança cultural na alimentação das famílias", comenta o chefe da Unidade de Segurança Alimentar e Nutricional de Atiquizaya.

Produto brasileiro combate a desnutrição infantil em Minas Gerais

No Brasil, o Instituto de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – unidade de Montes Claros - promoveu a elaboração de um produto inovador no combate à desnutrição infantil local. Trata-se de uma bebida láctea fermentada a base de soro de leite, suplementada com minerais e adicionada de polpa de fruto do Cerrado (como mangaba, coquinho azedo, cajá, entre outros), capaz de suprir as necessidades nutricionais de crianças desnutridas.

Esse produto constitui-se de um alimento estável, nutricionalmente balanceado, que complementa as necessidades básicas diárias de uma criança. A tecnologia social “Ações e Alternativas contra a Subnutrição Infantil” foi certificada pela Fundação Banco do Brasil em 2017 e também consta no Banco de Tecnologias Sociais.

Segundo o professor e pesquisador do instituto, Igor Viana Brandi, responsável pelo desenvolvimento do produto, a bebida láctea foi elaborada para tratamento de subnutrição infantil para crianças fora da rotina escolar. “Na etapa de cadastro das crianças subnutridas, observou-se que estas não estão na escola. Normalmente, crianças subnutridas são as que não frequentam o ambiente escolar”, conclui o professor. Ele explica que na avaliação sensorial, com 120 crianças, confirmou-se que ambos os gêneros gostaram muito da bebida e que a aceitação pelas crianças foi acima de 85%.

Na avaliação da eficácia contra a subnutrição infantil em crianças de 2 a 5 anos de idade, com apoio de agentes de saúde e pastoral da criança, conseguiu-se cadastrar em grupo de 15 crianças na fase experimental. Estudantes de graduação forneceram 200 mil da bebida diariamente, por 60 dias. Apesar de serem apenas 6% o número de crianças subnutridas atendidas da cidade, todas as crianças tratadas saíram do estado de subnutrição. “Foi possível retirá-las do estado de subnutrição, comprovados através de medidas antropométricas, peso e altura, e análise de albumina no sangue”, explica Igor.

A prefeitura de Montes Claros apoiou as etapas de identificação das crianças, com dados dos postos de saúde. Agora novas ações estão sendo realizadas para reativar a fábrica de alimentos para merenda escolar da rede municipal, todavia, busca-se um novo modelo de gestão para que a fábrica seja autossustentável, e também aumentar a capacidade de produção na Universidade. Para Igor, o produto também pode ser uma alternativa ao Sistema Único de Saúde (SUS), que pode deixar de importar produtos funcionais, valorizando a tecnologia nacional.

“O produto possui em sua formulação os nutrientes em concentração suficiente para se retirar uma criança do estado de subnutrição. É rico em proteínas, lipídeos, minerais como cálcio e ferro. Utiliza em sua formulação subproduto da indústria de laticínios, o que permite a redução de efluente e redução de custos do produto, além disso, possui elevada aceitabilidade, e utiliza ainda frutos do Cerrado, que são encontrados com elevada disponibilidade no nosso país”, conclui o professor.

No Brasil a subnutrição infantil representa, provavelmente, o problema mais importante da população, com severas consequências econômicas e sociais. Dados do Ministério da Saúde registram mais de 70 mil crianças menores de cinco anos desnutridas no Brasil (SISVAN, 2014). A desnutrição infantil, além de diminuir a imunidade de crianças, aumenta a susceptibilidade a doenças e prejudica o desenvolvimento físico e mental.

M3

A Agenda 2030

Definidos pela ONU durante a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, também conhecidos como Objetivos Globais, fazem parte da Agenda 2030, que se baseia nos progressos e lições aprendidas com os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, entre 2000 e 2015. Esta agenda é fruto do trabalho conjunto de governos e cidadãos de todo o mundo que pretende criar um novo modelo global para acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar de todos, proteger o meio ambiente e combater as alterações climáticas.

No total são 17 ODS e 169 metas que estimulam ações até o ano de 2030 em áreas de importância crucial para a humanidade e para o planeta.

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 Esta matéria faz parte da série “Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil”, produzido pela Fundação BB com conteúdos sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas para o ano de 2030.

 

Publicado em Série ODS