Quarta, 20 Novembro 2019 12:24

Protagonismo Negro

Portal Interno ConscienciaNegra

Para celebrar o dia da Consciência Negra, a Fundação BB apresenta iniciativas que valorizam a cultura negra e contribuem para a geração de renda

Hoje, 20 de novembro, é celebrado o dia da Consciência Negra. A data faz referência à morte de Zumbi dos Palmares, líder do maior quilombo do Brasil e que fez resistência no período colonial contra a escravidão.

A relevância da data deve-se ao protagonismo dos afro-brasileiros na história do país. O Brasil tem a segunda maior população negra do mundo, aproximadamente 110 milhões, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2019 - PNAD. Em números absolutos, o país perde apenas para a Nigéria que tem uma população negra de 190 milhões. 

O povo negro tem uma grande importância para formação social, econômica e cultural do país. Segundo dados do Movimento Black Money, 51% dos empreendedores do país são negros e esta população movimenta R$ 1,7 trilhão por ano na economia brasileira. 

Autonomia para mulheres negras

Aliando conhecimentos ancestrais e geração de renda, a Fundação Banco do Brasil aportou R$ 350 mil no projeto Sustentabilidade das Comunidades de Matriz Africana, uma parceria com a prefeitura municipal de Teresina (PI). O valor foi investido na aquisição de máquinas e equipamentos para estruturação de 20 ateliês, capacitação de corte, costura e bordado para 20 comunidades de matriz africana, além de consultoria em novos produtos e gestão de empreendimentos solidários. “Conhecer nossa cultura, nossa religião, nossos turbantes, colares, pulseiras; o que há de belo na cultura negra, nos motiva”, afirma Lusineide de Souza uma das mulheres que participaram da capacitação. 

As roupas confeccionadas são comercializadas pelas mulheres, como forma de gerar renda e contribuir para a autonomia. No último dia 13/11, o IBGE divulgou o estudo Desigualdades por raça e cor e as mulheres negras estão na base da pirâmide com o rendimento médio de R$ 444,00. 

Valorização da Identidade Negra 

Uma iniciativa na cidade de São Sebastião, no Distrito Federal, também recebeu apoio no valor de R$ 70 mil da Fundação Banco do Brasil para o resgate e valorização da identidade negra com crianças e adolescentes.

O projeto foi idealizado pela Associação Ludocriarte para atender em torno de 100 jovens utilizando métodos de fixação por meio de músicas, brincadeiras e histórias orais. Além disso, a iniciativa apresenta subsídios para a implementação da lei 11645/2008 que tornou obrigatório o ensino da história afro-brasileira e indígena nas instituições de ensino do país.

Daniel Guedes, 15 anos, destaca que aprender sobre a África no projeto o faz valorizar a ascendência africana e descobrir algo que ele não teve oportunidade de aprender na escola formal. “Eu uso turbante quando estou muito feliz, acho legal e divertido, porque aqui no projeto aprendi de um jeito divertido sobre a minha ancestralidade”, conta. 

Preservação Cultural do Jongo 

Outra herança do povo negro, para a formação cultural do Brasil foi a criação do Jongo - uma expressão afro-brasileira que agrega dança e percussão, trazidas pelos negros do Congo e de Angola, que se fixaram na região sudeste do Brasil. Devido a importância, o Jongo foi reconhecido como Patrimônio Imaterial do país, título concebido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 2005.

Como forma de garantir a preservação do Jongo para as gerações atuais, a Fundação Banco do Brasil aportou aproximadamente R$ 500 mil para atender 400 crianças, adolescentes e jovens do Morro da Serrinha, no Rio de Janeiro.

Desde a implementação do projeto, com a parceria da Associação Grupo Cultural Jongo da Serrinha, a instituição têm oferecido oficinas de capoeira, percussão afro, percussão de samba, teatro, cultura popular e jongo recreação. As atividades ocorrem no contraturno escolar e têm mudado a realidade local e, ao mesmo tempo, incentivado os jovens e as crianças a resgatarem a cultura ancestral.

Publicado em Notícias
Sexta, 11 Maio 2018 09:15

Moda e resgate cultural de matriz africana

Projeto apoiado pela FBB gera renda para comunidades de matriz africana no Piauí

“Conhecer nossa cultura, nossa religião, nossos turbantes, colares, pulseiras; o que há de belo na cultura negra”. É desta forma, que Lusineide de Souza, participante do projeto Sustentabilidade das Comunidades de Matriz Africana, narra a experiência ao participar do desfile Piauí Moda House 2018, na última semana.

As peças exibidas no evento trazem o resgate cultural da identidade negra e reforçam a importância dos movimentos de resistência dos quilombos no Brasil. No desfile, mulheres de 10 terreiros apresentaram roupas com identidade, cor e arte afro-brasileira produzidas por meio do projeto Sustentabilidade das Comunidades de Matriz Africana, apoiado pela Fundação BB e com participantes de 20 quilombos, localizados nas proximidades de Teresina (PI).

Com investimento social de R$ 350 mil, o projeto atende prioritariamente mulheres, 80% do público atendido. Elas costuram, bordam e rendam, resgatando tradições repassadas de geração em geração. “Era um trabalho feito pelas nossas ancestrais para sobreviverem”, ressalta Lusineide.

Segundo Vinicius Queiroz, gerente do projeto, a iniciativa apoia a produção de artesanato, costura e adereços com apelo simbólico dos grupos de matrizes africanas. Também resgata a ancestralidade africana, perpetuada no Brasil.

Em parceria com a Secretaria Municipal de Economia Solidária (Semest), o projeto gera oportunidades de emprego e renda para as mulheres quilombolas, que tinham dificuldades de inserção no mercado de trabalho. Após a implementação, foi possível atuar em dois eixos: a gestão solidária com capacitação em empreendedorismo e a criação de novos produtos.

Durante toda a cadeia de produção – da concepção da roupa, à costura e da venda da peça – é perceptível o envolvimento e participação das mulheres. “Elas estão se sentido representadas e com autoestima elevada. É um sonho estar lá” ressalta Vinicius.

Ele informa que está em fase de conclusão a construção de 20 ateliês e que 170 participantes passarão por capacitação com carga horária de 120 horas. Também já foram adquiridas cinco máquinas – entre costura e de bordar –, além de tecidos.

Orgulhosa, Lusineide destaca dois vestidos produzidos por meio do projeto e que participaram dos desfiles: um para moda casual com bordados das cores do estado do Piauí, turbante e bolsa e outro para atividades religiosas, branco com símbolos africanos e colares. “Este projeto ajuda dar visibilidade, combater o preconceito e traz prosperidade. Ele também mostra que somos capazes de criar desde uma bolsa a uma roupa artesanal sofisticada”.

A divulgação deste assunto contempla os seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030:

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