Terça, 15 Janeiro 2019 10:17

Música clássica como inclusão social

Projeto Reciclando Sons utiliza a música clássica como método para geração de renda no Distrito Federal

Quando idealizou o projeto Reciclando Sons em 2001, a maestrina Rejane Pacheco sabia que poderia escrever uma história diferente para as crianças, adolescentes e jovens da Cidade Estrutural (DF). E uma de suas prioridades era que eles tivessem acesso aos espetáculos e escolas de música.

O nome dado ao projeto “Reciclando Sons” faz referência à reciclagem de lixo, ocupação da maioria dos moradores da cidade quando o projeto foi criado, e de onde eles tiravam a renda para o sustento das famílias.

Prestes a completar dezoito anos, a pequena escola de música ganhou corpo, firmou parceiras e se tornou um instituto. A partir de então, desenvolveu a metodologia que utiliza a educação em música clássica para crianças e jovens como ferramenta para geração de renda e democratização da cultura. A metodologia foi vencedora do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, em 2013, na categoria Juventude. O modelo faz uso de um sistema simples de aprendizagem em que os alunos conseguem tocar o instrumento musical de maneira efetiva em um ano. Com o valor da premiação, a tecnologia social foi reaplicada para outras regiões administrativas do Distrito Federal - Vicente Pires, Ceilândia, Taguatinga e também para a cidade de Águas Lindas de Goiás (GO).

De acordo com Rejane, a premiação contribui na divulgação, ajudou a fortalecer e abriu portas. A parceria com Fundação BB também proporcionou o intercâmbio internacional de dois alunos na Accademia Nazionale di Santa Cecilia de Roma. Em 2017, recebeu recursos da Fundação BB para a aquisição de uma van, que contribui para o fluxo de atividade da orquestra e divulgação do trabalho; e ainda, a inclusão da Orquestra Vitrine em diversos eventos no DF.

Em 2018, a entidade inaugurou o galpão de tecnologia social na Cidade Estrutural, onde fica a sede, com o apoio de diversas entidades voltadas para o financiamento social e da sociedade civil, um espaço para a inclusão, protagonismo social e desenvolvimento de alternativas socioeducacionais que contribuam para a superação da vulnerabilidade social dos atendidos.

Recentemente o instituto foi selecionado para receber novos recursos da Fundação BB, para o projeto "Sabor & Som". Previsto para iniciar as atividades em março 2019, a iniciativa vai atender cerca de 60 jovens e mulheres, prioritariamente, com idade a partir de 16 anos. O objetivo é oferecer capacitação profissional em panificação e confeitaria e na estruturação de uma padaria comunitária, fruto de uma demanda social urgente na qual se encontra a comunidade local, com o fechamento do lixão que era uma fonte de renda para as famílias. A capacitação oferecida proporcionará a produção de produtos que serão comercializados na instituição, colaborando com a sustentabilidade do projeto. A produção beneficiará conjuntamente a alimentação de todos os alunos atendidos pela entidade.

Em fevereiro, serão abertas novas turmas para crianças e adolescentes e jovens que tenham interesse pela música nos cursos que já existem: primeira e segunda fase do "Notas & Canções", para crianças com idades entre 7 a 16 anos; terceira fase do "Arte do Protagonismo" para adolescentes e jovens com idades entre 16 a 26 anos (20 vagas); quarta fase do "En-canto & En-cordas", direcionado a adolescentes e jovens a partir de 16 anos (40 vagas); fomento e geração de renda "Amigos da Orquestra" (50 vagas). As atividades são gratuitas, prioritárias a pessoas em situação de vulnerabilidade social para o preenchimento de vagas. Quem não consegue vaga para o ano vigente tem o nome incluído no cadastrado de reservas da instituição.

“A gestão do Instituto Reciclando Sons tem buscado continuamente modernizar sua atuação e planejamento. É sabido que vivemos na era do protagonismo, nisso a música como tecnologia de educação se faz importantíssima para o desenvolvimento humano. Vislumbramos tornar a nossa tecnologia cada vez mais criativa, replicável e autossustentável. Nós acreditamos que estamos formando uma geração comprometida não só com o fazer musical, mas também com a complexidade que envolve a inclusão social,a sustentabilidade das ações e com a continuidade para a futuras gerações”, declarou a maestrina.

Para saber mais sobre os cursos acompanhe pelo site http://reciclandosons.org.br ou entre em contato pelo telefone (61) 3363-0036.

Publicado em Notícias
Segunda, 01 Outubro 2018 14:09

O que fazer com sobras de tecido?

Portal   reusotextil

Projeto usa tecidos que seriam jogados no lixo para dar uma nova esperança de vida a mulheres em situação de vulnerabilidade social

Duas regiões administrativas do Distrito Federal que estão entre as de menor renda - Estrutural e Recanto das Emas – começam a ter um projeto que abrange a sustentabilidade nos níveis econômico, social e ambiental.

Trata-se do projeto Reuso Têxtil, Panificação e Produção de Alimentos, iniciativa realizada pelo Instituto Proeza com o apoio da Fundação Banco do Brasil (FBB). A ideia do projeto é reutilizar retalhos de tecido e roupas que seriam descartadas para a confecção de novas peças, permitindo gerar ganhos mensais e autonomia para mulheres que moram nessas regiões do DF e vivem em situação de vulnerabilidade social.

A iniciativa oferece, gratuitamente, capacitação em bordado manual, crochê, costura em máquina industrial, tecelagem, tingimento orgânico, panificação, educação financeira e plano de negócios.
No final de julho, o Recanto das Emas recebeu as primeiras oficinas de bordado e crochê. O interesse foi grande, com 90 alunas inscritas, sendo que mais da metade das participantes foi encaminhada pela rede de assistência social por estarem em vulnerabilidade social, segundo a presidente do Instituto Proeza, Kátia Ferreira. Mais importante que a capacitação para o trabalho, as alunas constroem um espaço de amizade e confiança. “Para mim está sendo excelente, porque além da renda, ajuda muito no psicológico da gente, na autoestima", afirma Maria Juliana da Silva, de 43 anos, que já fez aulas de bordado no Instituto e agora está utilizando o projeto para aprimorar a habilidade.

Outro motivo de satisfação para as participantes é que as filhas podem frequentar aulas de balé oferecidas por uma professora voluntária no mesmo horário das oficinas. É uma forma de deixar as mães despreocupadas e estimuladas para o aprendizado. Ana Lídia é uma das alunas da turma de crochê e leva sua filha de 6 anos para as aulas de balé. Ela relata a satisfação de mãe e filha com o projeto. "Ela está gostando muito e eu posso estar perto dela, participar e acompanhar". Em breve, uma nova atividade extra curso promete trazer mais filhos para lá: estudantes voluntários da Universidade de Brasília (UnB) darão aula de reforço escolar de várias disciplinas.

Além disso, o projeto cresce e em breve serão oferecidas oficinas de panificação com a estruturação de uma unidade de produção de pães e confeitaria. Esse é um pedido que veio da própria comunidade, já que muitas mães têm como prática a produção caseira de pães e bolos. A expectativa é que a padaria venda as guloseimas na própria região e abasteça com lanche os eventos relacionados à divulgação dos produtos feitos pelas costureiras.

E tem mais! Para as mulheres aprenderem a gerir as finanças do empreendimento coletivo ou individual que surgirão após as capacitações, o projeto também oferecerá oficina de educação financeira e plano de negócios.

Produção responsável

Para viabilizar a matéria-prima para os novos produtos finalizados pelas futuras costureiras, os idealizadores do projeto articularam parcerias com empresas doadoras de tecidos e de roupas usadas para a customização e confecção de peças novas. "Conseguir resíduos como matéria-prima para o projeto é fácil. As grandes confecções têm tanta necessidade de fazer o descarte, porque não podem levar para o aterro sanitário, que estão doando e ainda oferecendo a logística para entregar", afirma Kátia Ferreira, que também é coordenadora do projeto.

Kátia pesquisou iniciativas de reciclagem de produtos têxteis e disse que a indústria da moda causa bastante impacto ambiental. No segundo lugar no ranking das mais poluentes, perde apenas para a indústria do petróleo. O impacto ocorre em toda a cadeia produtiva têxtil, com a contaminação do solo, consumo de água e de energia, emissões de gases poluentes e geração de resíduos. Em levantamento feito com confecções do DF, Kátia estima que são geradas cerca de 155 toneladas de retalhos por mês na região.

As atividades do projeto são orientadas para o reaproveitamento de materiais, inclusive no tingimento, que vai utilizar matéria-prima natural, como borra de café, sobras de legumes de feiras livres (cenoura, beterraba, cebola) e madeiras descartadas em podas de árvore. Além do baixo custo, os corantes naturais também têm a vantagem de não contaminar a água e o solo. A proposta está de acordo com o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) 12 , que tem como tema "Consumo e Produção Sustentáveis". O ODS 12 é um dos 17 temas que compõem a Agenda 2030, adotada pelas Nações Unidas (ONU) para orientar os países a tomar medidas pelo desenvolvimento sustentável do planeta.

É do DF e quer ajudar o projeto?
Contato: Kátia Ferreira, presidente do instituto Proeza e coordenadora do projeto, telefone (61) 98209-7000
Endereço: Instituto Proeza - Quadra 200, conjunto 3, lote 5, Recando das Emas
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