Tuesday, 10 December 2019 11:09

Voluntariado gera oportunidades

Portal Interno Artigo Voluntariado

O trabalho voluntário já não é somente sinônimo de práticas de boa vontade, generosidade e altruísmo. O voluntariado tem se destacado com uma forma de elevar a autoestima, adquirir experiências, desenvolver competências  e ampliar o network.

Ajudar o próximo, cuidar do planeta ou proteger os animais são bons motivos para o engajamento em causas socioambientais e também excelente oportunidades para o desenvolvimento pessoal..

Quem já apoiou alguma iniciativa voluntária sabe que o retorno dessas ações faz um bem enorme! Mesmo sem a intenção de ganhar algo em troca, o que se recebe é infinitamente maior do que aquilo que se doa.

A Organização das Nações Unidas estabeleceu 5 de dezembro como o Dia Internacional do Voluntario, buscando estimular e ampliar ações de voluntariado em toda sociedade.

Além de contribuir com a construção de um mundo mais justo e solidário, o voluntário faz um favor a si mesmo ao desenvolver competências como trabalhar em grupo, melhorar a comunicação, vivenciar outras realidades, conhecer pessoas, valorizar experiências, exercer a liderança, lidar com recursos escassos, ou ainda, inserir-se no mercado de trabalho.

E por que não agregar valor às atividades profissionais oferecendo suas aptidões em prol de uma causa, de uma instituição ou qualquer outra forma de exercer o voluntariado?  Não há nada de errado em enriquecer o currículo desempenhando trabalho voluntário.

Muitas instituições sem fins lucrativos têm necessidade de apoio em gestão administrativa e financeira, em marketing ou em gerenciamento de redes sociais. Assim, aplicar o conhecimento adquirido, se já é um profissional da área, ou que está adquirindo, no caso de estudantes, pode ser uma ótima oportunidade de aplicar a teoria na prática.

Segundo o relatório Brasil Giving Report 2019, elaborado pela Charities Aid Foundation (CAF), são os  mais jovens que têm maior interesse em realizar trabalho voluntário; 51% na faixa etária entre 18 e 24 anos, em comparação com os 43% de interessados de outras faixas.

A busca por soluções concretas para problemas sociais agrega valor às competências pessoais e profissionais do voluntário e gera oportunidades para o desenvolvimento de ações verdadeiramente transformadoras.

O voluntariado nos setores público e privado

O Programa Nacional de Incentivo ao Voluntariado promove o voluntariado incentivando o engajamento social e a participação cidadã por meio da articulação entre o governo, organizações da sociedade civil e o setor privado.

Valorizar e reconhecer o voluntário são objetivos do Programa que, para estimular a prática, poderá utilizar as horas de atividades voluntárias como critério de desempate em concursos públicos da administração pública direta, autárquica e fundacional, conforme Decreto nº 9.906, de 9 de julho de 2019.

No mundo corporativo, as organizações que atuam com programas de voluntariado empresarial buscam cada vez mais conectar o tema com os objetivos do negócio e avaliam que as ações voluntárias potencializam o engajamento dos colaboradores e a imagem institucional diante dos stakeholders, além de aproximar a organização das comunidades onde está presente.

Um exemplo é o investimento da Fundação Banco do Brasil em projetos de instituições sem fins lucrativos onde atuam voluntários do Banco do Brasil, seu instituidor. A iniciativa faz parte do Programa de Voluntariado BB, que lança, anualmente, chamada interna para apresentação de propostas.

Atualmente, o Programa possui em seu portal da internet o cadastro de mais de 32 mil funcionários com interesse em atuar como voluntários ou que já atuam em alguma instituição.

Desde 2004, o Programa já apoiou mais de 700 iniciativas de voluntários do  BB, voltadas à geração de trabalho e renda, educação, cultura, esporte, saúde e meio ambiente. Cerca de R$ 43 milhões foram investidos em projetos de todas as regiões do país.

O voluntário tem um papel fundamental em todo o processo, pois acompanha desde a elaboração da proposta, até a realização efetiva das ações. E, ao oferecer sua experiência, sua aptidão e seu tempo à iniciativa voluntária, o empregado aprimora competências extremamente valorizadas pelo mercado, como empatia, resiliência, liderança, inovação e criatividade.

Voluntariado no Brasil

53% da população fez trabalho voluntário entre agosto de 2017 a julho de 2018

85% dos colaboradores de empresas participam de atividades voluntárias motivados pela satisfação em apoiar pessoas

69% das empresas concordam que programas de voluntariado fortalecem o espírito de equipe dos colaboradores

 

Fontes: Pesquisa Benchmarking do Investimento Social Corporativo  - BISC 2019 e

Brasil Giving Report 2019 – Charities Aid Foundation (CAF)

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Correio Braziliense / Opinião: A urgência da gestão sustentável da água, por Asclepius Soares e Sérgio Besserman

A Cidade do Cabo enfrentará um colapso da água a partir de junho, sendo a primeira grande metrópole mundial a esgotar seus recursos hídricos. Após três anos de estiagem extrema, a cidade já estimou o Dia Zero, momento quando será cortado o abastecimento não essencial da água. Antes previsto para abril, as medidas de racionamento na agricultura e no consumo diário da população – de até 50 litros diários por pessoa – conseguiu adiar esta previsão para junho.

O Brasil, detentor de maior reserva de água doce do planeta, também tem sofrido com a escassez da água, seja pela distribuição desigual pelo território e ou pela irregularidade das chuvas, que causaram reduções drásticas nos reservatórios para abastecimento da água dos grandes centros urbanos, como em São Paulo (2014-2015) e Brasília (2017).

Notícias alarmantes como essas indicam uma emergente crise global da água e apontam para a necessidade de realizar um planejamento urgente, repensando toda a governança dos recursos hídricos. Há um consenso entre os especialistas que as mudanças climáticas, decorrentes da elevação da temperatura média do planeta, irá alterar a demanda de água para irrigação e consequentemente afetará a produção de alimentos, com impactos significativos nos preços e na distribuição para a sociedade.

O ativista Seth Siegel, autor do livro Faça-se a Água, alerta para uma previsão do governo dos Estados Unidos para 2025, quando 60% da massa terrestre mundial será afetada pela escassez da água. Além das mudanças climáticas, o crescimento da população, o aumento dos padrões de vida e a deficiência de infraestrutura agravarão o problema, levando instabilidade em diversas regiões. Muitos países já enfrentam dificuldades devido à escassez de água e o problema se agrava a cada ano. O autor destaca que se não houver políticas eficazes e tempestivas teremos num cenário futuro, o surgimento de refugiados da água: contingente de pessoas que migrarão sem planejamento para outras regiões, com graves problemas humanitários. 

É importante planejar o uso sustentável dos recursos hídricos, assim como a preservação de nascentes e recomposição de matas ciliares para possibilitar a recarga d’água dos mananciais, como rios e aquíferos. Tão urgente também é a adoção de iniciativas que permitam a segurança hídrica das populações para permanência em suas localidades de origem.

A tecnologia tem sido grande aliada na garantia dos recursos hídricos, tanto as convencionais – onde se destaca Israel, um país com escassos recursos hídricos e que garante o acesso à água por meio de tecnologias de captação e distribuição eficiente; ou as sociais, que aliam o saber popular e o conhecimento científico, além de mobilizar comunidades para criar soluções sustentáveis.

As tecnologias sociais de captação de água de chuva, conhecidas como cisternas de placas é um exemplo brasileiro de sucesso na interação da comunidade, sistematização de metodologias cotidianas e formulação de políticas públicas. Já são mais de um milhão de cisternas no semiárido brasileiro, permitindo que populações reservem água da chuva para convivência com a seca. 

Outra iniciativa de destaque é o dessalinizador solar, desenvolvida por meio de parceria de pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba e cooperativas locais. Essa solução tem permitido a transformação de água salobra com alto índice de contaminação biológica e química (sais), em água potável em assentamentos do estado. Este aparato simples construído com vidro, lona de caminhão e pequena estrutura de alvenaria causa a condensação da água à temperatura de 70º C, com a eliminação de sais e elementos patogênicos com produção de água de qualidade para atendimento das necessidades de consumo básico.

Com o tema “Compartilhando Água”, o Fórum Mundial da Água fomentou debates e intercâmbio de soluções sobre a oferta e preservação dos recursos hídricos entre especialistas, pesquisadores, empresas e a sociedade civil. Realizado pela primeira vez no hemisfério sul, em Brasília, o evento reforçou o papel de potência estratégica do Brasil nas discussões sobre a água.

A agenda da Organização das Nações Unidas para o ano de 2030 estabelece como objetivo de desenvolvimento sustentável assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e o saneamento para todas as pessoas. Entre as metas estabelecidas estão o acesso ao saneamento e a higiene adequados, a redução em 50% da proporção de águas residuais não tratadas, aumento da eficiência do uso da água em todos os setores, proteção e restauração de ecossistemas relacionados como florestas, zonas úmidas, rios, aquíferos e lagos.

São diretrizes que devem ser adotadas e implementadas com urgência, já que a disponibilidade de recursos hídricos é tema emergente em todos continentes e que dependem do envolvimento global da sociedade imediatamente. O não comprometimento desta geração com o enfrentamento das mudanças climáticas e com  a gestão da água pode trazer consequências muito graves para o futuro e a sustentabilidade da vida no planeta.

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Sérgio Besserman Vianna - Presidente do Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro e  Asclepius Soares - Presidente da Fundação Banco do Brasil

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