Com cozinha industrial e cisterna os moradores terão condições de trabalhar a produção de polpas de frutas, remédios caseiros e realizar pequenas plantações

Na região conhecida como Quilombo Poços do Lunga, localizada na zona rural da cidade de Taquarana (AL), os descendentes de escravos sofrem com a falta de serviços básicos e de oportunidades de trabalho.

E para abolir o abandono ao qual essa população foi submetida, foi criada, em 2011, a Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos Passagem, com a finalidade de fortalecer o desenvolvimento sustentável e a preservação ambiental nas comunidades do sertão alagoano.

A agricultura familiar de subsistência é a principal atividade econômica da região, acompanhada por eventuais produções artesanais e de gêneros alimentícios, sendo que a maioria das famílias ainda precisa contar com o programa Bolsa Família para sobreviver.

Mesmo estando a cinco quilômetros do Rio Lunga, o acesso à água doce ainda é uma questão complicada. A prolongada seca que afeta a região desde 2012 tem provocado dificuldades de subsistência e intensificado o quadro de vulnerabilidade social. No segundo semestre de 2017, a associação apresentou o projeto “Quilombo, Inclusão e Transformação” à Fundação Banco do Brasil e foi contemplada com o investimento social de R$ 249 mil. O recurso foi usado na implantação de uma cozinha industrial e na construção de uma cisterna de placas de 52 mil litros. O projeto atende 65 famílias residentes no quilombo, contribuindo para promoção da segurança alimentar e geração de trabalho e renda.

Antônia do Espírito Santo é nascida e criada no povoado e hoje ocupa o cargo de coordenadora da associação. Ela explica que nesse período o rio já se encontra totalmente seco, o que faz com que as famílias recorram às cisternas para obterem água potável. “Nossa intenção no primeiro momento era abrir poços artesianos, mas aqui, qualquer tanto que cavar a terra, a água que brota é muito salgada, não serve para nada”.

E para garantir a geração de trabalho e renda, a cozinha industrial, que já está pronta, será usada na produção de polpas de frutas e na fabricação de remédios caseiros derivados de plantas medicinais, como angico, barbatimão, aroeira e caju vermelho. “Vamos trabalhar com as frutas da região, a exemplo do umbu, que no período de safra costuma dar em abundância. Além de outros frutos que já iniciamos o plantio". Os associados também já iniciaram o cultivo de verduras, legumes e folhagens para ajudar na alimentação das famílias. Todas atividades são acompanhadas de conversas para motivar os participantes. “As pessoas aqui são muito desconfiadas, muitas não acreditavam que o projeto iria acontecer, porque nunca tiveram uma renda, mas a gente está sempre trabalhando a questão do pensamento positivo e a autoestima, principalmente com as mulheres e os mais jovens”, declarou Antônia.

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Entidades podem entrar com recurso até 7 de novembro, cinco dias úteis após a publicação no DOU

A Fundação Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgam o resultado da Etapa II das duas seleções públicas em andamento do Programa Ecoforte Redes. No Edital número 2017/030 – voltado a novas propostas de redes de agroecologia ou à consolidação das já atendidas pelo certame de 2014 – foram habilitadas 13 entidades.
Acesse aqui o resultado preliminar da etapa II do Edital.

Já no Regulamento número 2017/031, uma chamada direta para melhoria de organizações de agroecologia já conveniadas pelo edital de 2014, foram habilitadas cinco entidades.
Acesse aqui o resultado preliminar da etapa II do Regulamento.

As redes inscritas têm até o dia 7 de novembro para entrar com recursos – data em que completa cinco dias úteis após a publicação no DOU, em 30 de outubro, conforme o edital. Após a análise dos recursos, será divulgado o resultado final dos processos seletivos.
Confira mais informações sobre o edital em fbb.org.br/ecoforte2017.

Programa Ecoforte
Criado em 2013, o Ecoforte possibilitou a integração das organizações participantes, com ampliação da participação de agricultores familiares no processo de transição agroecológica, inserção produtiva de jovens e mulheres, melhoria da capacidade de produção, articulação e realização de negócios solidários nas próprias redes.

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Projeto gera renda para agricultores familiares que beneficiam de farinha de mandioca e vão iniciar produção de polpas de fruta

Na margem esquerda do rio Tapajós, bem no meio da floresta amazônica, uma comunidade tradicional usa bicicletas para coletar frutas, energia solar para beneficiar a farinha de mandioca na agroindústria e triciclo para transportar os produtos até os barcos que vão a Santarém (PA).

Essas alternativas sustentáveis de energia e transporte foram encontradas pelos moradores de Surucuá para ampliar a produção de derivados das frutas e de mandioca e a comercialização dos produtos, diante das condições naturais da região. Os moradores das Reservas Extrativistas Tapajós e Arapiuns têm o rio Tapajós como única porta de entrada. Saindo de Santarém, são, em média, seis horas de viagem de barco até lá.

Em convênio firmado com a Fundação Banco do Brasil (FBB), a Associação Comunitária de Moradores Produtores Agroextrativistas de Surucuá (Amprosurt) vai envolver 40 famílias que vivem na reserva. O objetivo é gerar oportunidade de renda para os participantes, principalmente mulheres e jovens. A gestora do projeto, Mayá Schwade, afirma que com o beneficiamento “melhora a apresentação dos produtos, através do uso dos equipamentos, e agrega valor à produção, possibilitando um melhor preço de venda”.

A farinha de mandioca é o primeiro produto que vem sendo beneficiado. Após capacitação, as famílias passaram a seguir padrões de higiene e qualidade na produção e com o ensacamento na agroindústria puderam aumentar o valor de venda de R$ 2 para R$ 3,50 o quilo. Atualmente, 14 famílias produzem cerca de 100 quilos por semana.

“A gente agora consegue vender melhor o produto da gente. Antes trabalhava mais e era menos renda”, afirma Cristiane Almeida, que também trabalha com o marido na produção. Em breve, a comunidade receberá mais equipamentos para beneficiar outros frutos, como maracujá, manga, murici, goiaba, acerola, caju, açaí, coco e cupuaçu.

Outra associada, Eloisa Sousa de Castro, também produz com o marido. Ela explica que o grupo de participantes vai comprar frutas e farinha de mandioca com outras famílias da comunidade, sendo esta uma forma de garantir a matéria-prima para produção e de gerar renda para mais gente. “O nosso projeto é principalmente para fortalecer a renda da comunidade. Os que não estão envolvidos na agroindústria vão fazer um preço mais baixo e em troca terão um preço melhor nos produtos beneficiados”.

As moradoras afirmam que a união para realizar o trabalho trouxe mais confiança e motivação para todos. “Tenho certeza de que todas as mulheres que estão no grupo estão mais confiantes”, disse Eloisa. “Estamos muito empenhadas e unidas e assim a coisa anda”, declarou a participante Maria Assunção Araújo.

Parceria para o desenvolvimento
O projeto na comunidade de Surucuá é um dos 23 habilitados no edital do Ecoforte Extrativismo, realizado em 2017. O edital apoia empreendimentos coletivos nas fases de produção, beneficiamento ou comercialização de produtos extraídos por meio de práticas sustentáveis na floresta. O investimento social é de R$ 8 milhões, da Fundação Banco do Brasil e do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Com recursos da Parceria Fundo Amazônia, o Ecoforte Extrativismo contribui para o cumprimento do Objetivo do Desenvolvimento Sustentável: “Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável”.

 

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Terça, 25 Setembro 2018 10:10

Cadê a farinha? Farinha pra fazer pirão

Fábricas móveis em Goiás vão melhorar condições de trabalho de agricultores familiares e aumentar a capacidade de beneficiamento da mandioca

Um dos ingredientes mais populares na mesa dos brasileiros, a farinha de mandioca está presente no mercado de qualquer região do País. Com grãos finos ou grossos, brancos ou amarelos, a iguaria já foi homenageada com músicas e rimas por diversos artistas. Martinho da Vila, por exemplo, cantou “Menina cadê a farinha? Farinha pra fazer pirão, pirão pra comer com peixe pescado no ribeirão”. Em 2001, Djavan dedicou uma canção inteirinha a ela: “a farinha é feita de uma planta da família das euforbiáceas de nome manihot utilissima que um tio meu apelidou de macaxeira”. O rei do baião - Luiz Gonzaga - também não deixou a farinha passar despercebida e declarou seu amor nos versos da música Fogo Pagou: "teve pena da rolinha que o menino matou, mas depois que torrou a bichinha, comeu com farinha...gostou”.

Para agricultores familiares dos municípios goianos de Planaltina e Vila Boa, vai além da música: é garantia de aumento na renda e melhoria das condições de vida. Por meio de um projeto inovador do Instituto Sócio Econômico de Desenvolvimento Social - Instituto Transformar, eles receberam duas casas de farinha móveis, no início deste mês. São trailers equipados com forno, descascador, ralador, prensa, e com capacidade para beneficiar 600 kg por dia de farinha. As unidades fazem parte da primeira fase do projeto “Organização Agroecológica do Processo Produtivo Mandiocultura no Nordeste Goiano”, que recebeu da Fundação Banco do Brasil investimento social de R$ 211 mil.

A iniciativa tem como objetivo melhorar a produtividade e solucionar os problemas de cultivo de mandioca no cerrado e prevê também a entrega de equipamentos, de insumos agrícolas e assessoria técnica. Nessa primeira fase serão atendidas 200 famílias. “É um projeto construído por várias mãos para melhorar a vida do produtor rural. As casas vão circular pelas propriedades para atender as demandas das famílias e tornar o trabalho mais rápido e menos árduo. Somos gratos à Fundação BB por mais uma vez acreditar nos nossos projetos”, declarou Jesiel Campos, coordenador do projeto.

A primeira unidade foi entregue na chácara do casal Vicente Maia Sobrinho e Maria do Socorro Marques Maia, em Planaltina - GO. “Antes, plantávamos a mandioca para vender. Depois, nós e os vizinhos passamos a juntar a mandioca para fazer farinha numa casa de beneficiamento muito rústica na propriedade do senhor Pedro, nosso vizinho. Mas o processo era muito trabalhoso e demorado. Só temos a agradecer à Fundação Banco do Brasil pela confiança”, disse dona Socorro.

A segunda unidade foi entregue na Associação dos Pequenos Produtores de Vila Boa – GO. Na década de 1990, os agricultores familiares de Vila Boa foram os maiores produtores e processadores de farinha de mandioca do nordeste goiano, mesmo utilizando o método artesanal (forno de barro e prensa de madeira). Já os trabalhadores de Planaltina, só começaram a produzir farinha a partir de ano 2000. O produto tem boa aceitação pelo consumidor porque mantém a goma, o que facilita o preparo do pirão.

Participação das mulheres

As mulheres estão presentes em todo processo da cadeia produtiva da mandioca – plantio, colheita, beneficiamento e na elaboração de pratos. A aposentada Juraci Dias de Oliveira, de 72 anos, faz parte dessa tradição - o antigo forno de barro que era usado no beneficiamento da farinha fica na propriedade dela e do marido, Pedro da Cruz. Cozinheira de profissão, Juraci já mostrou seus dotes culinários em restaurantes famosos de Brasília e até em Nova Iorque. “Tudo em minhas mãos vira comida boa e gostosa, e com a farinha não é diferente, faço farofa e pirão como ninguém”, conta com orgulho.

 

 

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Iniciativa prevê uso de minhoca gigante na formação de compostagem para produção de mudas nativas, compra de materiais e equipamentos e capacitações

Situada a 400 quilômetros de Boa Vista (RR), no município de Caroebe, a Associação dos Pequenos Produtores Rurais de Banana entre Rios – Aprupers prioriza o fortalecimento da agricultura familiar e o desenvolvimento sustentável do município.  

A entidade recebeu investimento social da Fundação Banco do Brasil para o projeto “Agroecologia”, que tem como público alvo indígenas da etnia Wai Wai e agricultores familiares não indígenas, que vivem às margens da rodovia BR-210 – Perímetro Norte, e que trabalham na produção de banana.  A iniciativa vai privilegiar a produção agroecológica, com a valorização e cuidado com o meio ambiente.

De acordo com Samuel Carlos de Santana, engenheiro agrônomo e coordenador do projeto, a integração dos indígenas tem grande relevância, devido suas formas tradicionais de organização, de ocupação da terra e de uso dos recursos naturais, e que ao mesmo tempo, eles carecem de apoio para suas atividades.  “Aqui temos a presença dos índios em todos os cantos. Eles são fortes na extração e venda da castanha do Brasil, sabem como ninguém os conceitos da agroecologia e precisamos dessa união entre os povos para que todos sejam beneficiados” declarou.

As famílias já comercializam seus produtos na Feira da Agricultura Familiar, em Caroebe, mas enfrentam dificuldade de retirada de seus lotes em função da falta de transporte para escoamento da produção, levando a grandes perdas e impactando negativamente a renda dos associados.

O recurso no valor de R$ 200 mil será usado na aquisição de um caminhão com carroceria, kits para irrigação, materiais para viveiros de mudas, despolpadoras, carrinhos de mão, trituradores de resíduos, sacos plásticos transparentes, entre outros materiais para adequação de uma estufa de propagação de plantas e enraizamento de partes de vegetais (estacas).

Estão previstas também capacitações para o aprimoramento e empoderamento dos agricultores familiares, em sementes, florestais tropicais, compostagem orgânica e produção de polpas de frutas.

Uma curiosidade do projeto é o uso da minhocuçu ou minhoca gigante na formação da compostagem orgânica. O coordenador explica que as minhocas ainda estão sendo estudadas pelo Departamento de Biologia da Universidade Federal de Roraima (UFRR), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e escolas da rede estadual de ensino, e que chegam a medir um metro de comprimento. O húmus produzido pelas minhocas é usado também na produção de mudas de árvores nativas da região como a castanha do Brasil, andiroba, açaí, patuá, bacaba e a camu camu. 

A divulgação deste projeto contempla três Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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Aquisição do veículo está prevista no projeto “Quitanda sobre Rodas”, que beneficiará 140 produtoras familiares de Cataguases

Brevemente, o tradicional Café Rural produzido por agricultoras familiares de Cataguases (320 Km de Belo Horizonte), em Minas Gerais, ganhará ruas e eventos locais com o food truck que a Associação de Mulheres Rurais de Cataguases (AMURC) está adquirindo com apoio da Fundação Banco do Brasil. Orçado em R$ 298 mil, o projeto “Quitanda sobre Rodas” também possibilitará a estruturação de uma cozinha industrial e equipamentos para o box que a entidade mantém no Mercado do Produtor.

Maria Inês Oliveira Rocha, vice-presidente da AMURC, afirma que a execução do projeto impactará positivamente cerca de 140 famílias de pequenas produtoras em nove comunidades. Atualmente, a renda obtida com a comercialização dos produtos gera um incremento médio de 30% na renda familiar das associadas, calcula.

Produzidas com matéria-prima orgânica, as broas, biscoitos, bolos e o pastel de angu, entre outras quitandas, já foram reconhecidas por consultores da Associação das Cidades Histórias de Minas Gerais (ACHMG) como histórica e culturalmente autênticas, passando a compor o roteiro turístico da região. Além dos itens do Café Rural, as produtoras comercializam compotas, doces em barra e cristalizados, geleias, polpadas (espécie de doce de colher utilizado como sobremesa, recheio de bolos e acompanhamento de biscoitos) e licores, entre outros itens culinários produzidos com mão-de-obra familiar.

Atualmente, os alimentos são feitos nas cozinhas das produtoras e transportados em carros fretados, sem nenhuma estrutura para tal. Marlene Aparecida do Carmo Soares comercializa o Café Rural para eventos há cerca de 15 anos, junto com a amiga Vanderli Docelino Moisés. Moradora da comunidade da Glória, ela aposta na iniciativa para aumentar o lucro e facilitar o transporte até os locais dos eventos. “Hoje a gente paga até R$ 130 de frete, sem falar que os carros não são próprios para isso. Com esse food truck, a gente espera melhorar o ganho, a produção e a qualidade de vida”.

A divulgação deste projeto está relacionada aos seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável - ODS:

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Produção em comunidade de Paço do Lumiar (MA) poderá dobrar com as novas máquinas

“Este projeto foi uma oportunidade muito boa porque podemos aumentar a nossa produção. Para nós, foi uma benção e estamos muito felizes”. O depoimento do presidente da Associação de Agricultores e Agricultoras Familiar da Vila Residencial Nova Canaã, Raimundo Silva, traduz a satisfação do agricultor com a recém parceria firmada entre a Fundação BB e a entidade de Paço de Lumiar, cidade localizada na região metropolitana de São Luís (MA).

O projeto “Produção Agroecológica HortCanaã” tem como objetivo melhorar a capacidade produtiva e logística das 95 famílias participantes. Por meio da iniciativa, será adquirido maquinário que irá agilizar a produção das famílias. Atualmente, o trabalho manual em um canteiro de aproximadamente 30 metros quadrados leva quatro semanas para ser concluído. Com os equipamentos, a mesma tarefa poderá ser realizada em apenas duas horas.

“O trator, a roçadeira, o arado e a enxada rotativa eram máquinas que há muito tempo precisávamos, assim como um veículo para transportar a produção, porque usávamos o da prefeitura”, avalia o coordenador do projeto Vinicius Morais.

As principais culturas produzidas pelos agricultores da HortCanaã são alface, rúcula, couve, tomate e pepino. Com as máquinas agrícolas, os agricultores pretendem cultivar novos produtos, como mamão, cebola, banana, macaxeira, melancia. Também devem ser agregadas as culturas de milho, acerola, limão e quiabo. A produção será realizada por um coletivo de 25 pessoas no lote onde a associação está instalada.

“As máquinas aumentam a nossa produção em 200%. Com o trabalho manual, não conseguíamos atender todas as demandas. Já recebemos pedidos de um grande supermercado de São Luís, que não pudemos atender”, afirma Morais.

Feiras Orgânicas
Os produtos dos agricultores familiares da HortCanaã abastecem escolas, restaurantes populares e entidades assistenciais. Desde 2013, a associação é parceria dos programas governamentais: Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

Com o aumento da plantação, a associação já planeja a participação em feiras livres itinerantes. O projeto, inclusive, oferece suporte com barracas, caixas e balanças. “Com os programas que somos parceiros, temos uma renda entre R$ 900 e R$ 1200. Quando começarmos a trabalhar nos lotes da associação, esperamos que a nossa renda aumente para R$ 2000 a R$ 2500. Pretendemos vender os orgânicos em feiras livres itinerantes e em condomínios fechados da região”, explica o presidente da associação.

A divulgação deste assunto contempla cinco Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano 2030.

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Segunda, 25 Junho 2018 10:42

Babaçu e a força do trabalho feminino

Projeto em Miguel Alves recebe apoio da Fundação BB para beneficiar produtos de quebradeiras de coco

Da palmeira do babaçu, tudo se aproveita. Da folha, que pode chegar a 20 metros de altura, faz-se telhado para casas, móveis, cestas e outros objetos artesanais. O caule pode ser aproveitado na fabricação de adubo e em estrutura de construções. Da casca do coco faz-se carvão, do mesocarpo, farinha, e da amêndoa do coco extrai-se o óleo, que é usado, sobretudo, na alimentação, mas também como combustível, lubrificante e na fabricação de sabão e cosméticos.

Em Miguel Alves, município localizado ao norte do Piauí, um grupo composto por 29 mulheres está dando um novo rumo na vida das famílias que trabalham com a cadeia produtiva do babaçu. As agricultoras fazem parte da Associação das Mulheres Quebradeiras de Coco, que recebeu da Fundação Banco do Brasil R$ 250 mil, usados na construção de duas unidades de processamento e na compra de máquinas e equipamentos.

O projeto “Mulheres Quebradeiras de Coco de Miguel Alves - Um sonho que se torna realidade” está contribuindo para o empoderamento das mulheres, o fortalecimento da economia solidária e a defesa do extrativismo sustentável do babaçu, melhorando a qualidade de vida das famílias associadas. Ao todo, 150 pessoas serão beneficiadas, além de um grande número de consumidores que vão adquirir os produtos manipulados pelas mulheres do babaçu. Na região, o quilo da amêndoa do coco é vendido por R$ 2,30, um valor considerado muito abaixo se comparado com o cobrado em outras regiões do país.

Para a coordenadora do projeto, irmã Ana Lúcia Corbani, ainda persiste a percepção de que o trabalho das quebradeiras de coco vale pouco. Mesmo carregando muito peso nas costas ou na cabeça, o esforço não é recompensado com valor justo. A religiosa explica que, na contramão da desvalorização da mão de obra, existe uma grande expectativa com as novas unidades de beneficiamento, com as quais as mulheres organizadas poderão melhorar a qualidade dos produtos, além de ampliar a produção.

Merenda escolar
No segundo semestre deste ano, a Associação das Mulheres Quebradeiras de Coco passará a fornecer os produtos para o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), por meio da Secretaria de Agricultura e Educação do município. Serão 800 quilos de farinha de mesocarpo e 600 quilos de biscoitos de mesocarpo para as escolas da rede municipal de ensino de Miguel Alves. Também existe um diálogo bem avançado com a Secretaria de Desenvolvimento Rural do Piauí - SDR para acessar o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e obter maior visibilidade nas feiras de agricultura familiar e economia solidária que periodicamente acontecem na região.

Homenagens
As unidades de processamento entregues nas comunidades de Conrado e Retrato receberam nomes de personagens locais. Em Conrado, o empreendimento foi batizado com o nome de Dona Paixão - em memória à quebradeira de coco, pioneira do grupo organizado de mulheres em Miguel Alves. Ela ajudou a conceber as Comunidades Eclesiais de Base na região. Dona Paixão faleceu há três anos.
Já na comunidade de Retrato, a unidade foi apelidada de Expedita Araújo, uma agente pastoral, que ainda vive e que sempre abraçou a causa da terra e, em especial, a mulheres camponesas.

O projeto tem o apoio também das Irmãs do Imaculado Coração de Maria, Comissão Pastoral da Terra Piauí, Sindicato de Trabalhadores Rurais e Paróquia de Miguel Alves.

A divulgação deste assunto contempla cinco Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano 2030.

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Projeto de melhoramento genético participativo desenvolvido pela Embrapa Cerrados tem o apoio da Fundação Banco do Brasil há 13 anos

Uma mandioca de cor amarela forte, mais bonita, nutritiva em vitamina A, que exige menor tempo de cozimento, e com maior produtividade para os agricultores. Esse é o resultado de um trabalho de melhoramento genético participativo desenvolvido pela Embrapa Cerrados, desde 2005. O projeto tem o apoio da Fundação BB, com o investimento de cerca de R$ 1 milhão.

A pesquisa começou há 13 anos, na Embrapa em Planaltina (DF), e depois envolveu cerca de 800 propriedades de agricultores familiares, no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O trabalho prosseguiu em 2015 com 25 produtores do Distrito Federal. Os pesquisadores testaram quais as variedades que melhor se adaptavam às condições da região e que foram mais aceitas pelos agricultores, além de identificar as principais demandas deles.

"O próprio produtor faz um ranking classificando essas variedades, de acordo com preferência. A melhor classificada tem alta probabilidade de ser usada pelos produtores", explica o pesquisador Josefino Fialho.

O programa de melhoramento participativo desenvolveu três variedades de mandioca com polpa amarela e uma de cor creme. Para orientar os produtores, foram realizados treinamentos e elaborados diversos materiais didáticos, como cartilhas, livros, vídeos e apostilas.
Conheça a publicação "Mandioca no Cerrado, Questões Práticas".

O agricultor Paulo César Gonçalves tem uma propriedade em Planaltina de Goiás, onde cultiva a raiz de tipo amarela. Ele conta que a produtividade aumentou bastante. "É uma mandioca muito resistente a pragas, muito mais rápida para colher e muito produtiva. Antes, um pé produzia uns quatro quilos. Nessa variedade nova dá seis, sete quilos por pé".

As mandiocas de polpa amarela estão à venda nas feiras livres pelo Distrito Federal. O projeto também desenvolveu dois tipos de mandioca de cor rosada, que contêm elevados teores de licopeno, uma substância antioxidante que ajuda a prevenir o envelhecimento das células e doenças como câncer. Mas essa variedade precisa de conscientização para ser consumida.

"Aqui no DF os consumidores estão mais acostumados com as mandiocas de polpa amarela. Agora as mandiocas com polpa da raiz rosa são uma novidade. Então muitos consumidores não consomem por acharem que se trata de um produto estragado, por não conhecerem", conta o pesquisador Eduardo Alano.

Na cantina Italiana Pepe Nero, no centro histórico de Planaltina DF, o proprietário e chefe de cozinha Gianfranco Giannella fez um teste. Preparou um prato de nhoque com mandioca amarela e outro com a rosa. "Hoje tinha no cardápio nhoque de mandioca rosa e pedi para experimentar. Eu adorei! É muito saborosa!", disse a cliente Sarah Loreto.

Outra cliente do restaurante, Eunice Resende Correia, também quis provar a novidade junto com outras duas amigas. Elas gostaram. "Uma delícia!", disse Eunice, que já conhecia os dois tipos de mandioca e até já havia levado para a mãe experimentar. "Ela gostou muito das duas, da qualidade, da facilidade para cozinhar e do sabor".

A ideia é estabelecer qual o momento exato de realizar a irrigação, qual a quantidade de água que a cultura precisa e quais as condições para gastar o mínimo possível de recursos hídricos e de energia.

A divulgação deste projeto está relacionada aos seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável - ODS:

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Projeto de agroindústria cria oportunidades de inclusão social de agricultoras e suas famílias na região do Rio Doce

"Depois que a gente começou a vender para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e a prefeitura a gente ficou mais independente. Antes as mulheres não tinham seu próprio dinheiro e agora já podem comprar o que querem", comemora Adriana de Paiva, moradora da comunidade do Barbosa, no município de Sem Peixe (MG), na região do Rio Doce.

Adriana, sua mãe e irmã fazem parte das 16 famílias de agricultores familiares beneficiadas pelo projeto de estruturação de uma cozinha comunitária para fabricação de doces, bolos, pães e biscoitos – conhecidos como quitandas de Minas – além do processamentos de frutas. A agroindústria foi inaugurada no dia 10 de maio pelo Conselho de Desenvolvimento Comunitário do Barbosa. A iniciativa é uma parceria da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional de Econômico e Desenvolvimento Social (BNDES), com o investimento social de R$110 mil.

O conselho surgiu há 20 anos com o objetivo de melhorar as condições de vida das mulheres, conforme explica Aparecida das Graças de Paiva, mãe de Adriana, e uma das fundadoras da entidade. Na época, ao planejar a produção de doces para venda, Aparecida deu o pontapé inicial para firmar uma proposta de projeto coletivo. Com a agroindústria, elas pretendem também gerar oportunidades para os jovens. "Muitos saíram de casa e voltaram porque não encontraram condições para viver na cidade. Com o projeto, estou vendo o futuro deles com a conquista da própria renda", afirma Aparecida.

O conselho prevê ainda profissionalizar e ampliar a produção, que atualmente está localizada nas residências, com vendas na feira livre. Os insumos vêm do cultivo das famílias - além de frutas, também há plantação de hortaliças e legumes, que são fornecidos para programas do governo federal e municipal.

Para aprimorar o processamento, eles vão passar por capacitações oferecidas pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), nas áreas de processamento de doces e quitandas, de custos de produção, confecção do rótulo e tabela nutricional e de boas práticas de fabricação.

Tecnologias sociais e recuperação de nascentes em Barbosa

A comunidade rural de Barbosa também foi beneficiada por outro projeto apoiado pela Fundação BB e o BNDES, para a recuperação de recursos hídricos de efluentes do Rio Doce. O investimento social foi de cerca de R$ 135 mil, em convênio com a Associação da Escola Família Agrícola de Camões.

Foram implantadas 21 unidades de experimentação que tiveram a aplicação de tecnologias sociais para tratar o esgoto doméstico, conter a enxurrada e permitir a penetração mais lenta da água no solo. As tecnologias são fossas sépticas, caixas secas e barraginhas, entre outras. Aliadas ao plantio de mudas, as técnicas ajudaram a recuperar áreas degradadas e nascentes de rios.

"A gente recuperou várias nascentes e a visão das pessoas mudou muito em relação ao cuidado com o uso da terra, de entender que é preciso cuidar da propriedade como um todo. O boi não pode pisar na água diretamente, o uso de agrotóxico é prejudicial, por exemplo", destacou Alessandra de Lima.

Com o recurso do convênio, também houve a implantação de um viveiro de mudas com sistema de irrigação, a contratação de um técnico e a realização de cursos de capacitação para os agricultores em técnicas de recuperação do solo, saneamento rural e produção agroecológica e sistemas agroflorestais. O projeto também conta com as parcerias da Emater e da Universidade Federal de Viçosa.

A divulgação deste projeto está relacionada aos seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável - ODS:

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