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Entidades sem fins lucrativos podem se inscrever até 23 de setembro para executarem trabalhos em 112 cidades mineiras

 

A Fundação Banco do Brasil e a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) vão habilitar entidades sem fins lucrativos para fazerem a reaplicação de tecnologias sociais em 112 municípios mineiros. A parceria visa promover ações de conservação e recuperação de nascentes e mananciais no estado.

O credenciamento será realizado por meio de edital e prevê recursos de R$ 2 milhões para dar continuidade ao Pró-Mananciais, programa de proteção e conservação de mananciais usados pela empresa mineira no abastecimento da rede pública.

Estão previstas no edital as reaplicações de quatro tecnologias sociais certificadas pela Fundação BB e que integram o Banco de Tecnologias Sociais (BTS), são elas: 1) SAF – Sistemas Agroflorestais (uso ou manejo da terra que reúnem culturas agrícolas e espécies arbóreas, de maneira consorciada e que serve de base para a agricultura orgânica); 2) Biodigestor Sertanejo (produção de gás a partir de esterco animal), 3) Fossa Séptica TeVap (tratamento e disposição final dos dejetos do vaso sanitário domiciliar) e 4) Cisterna Ferrocimento (alternativa usada na captação e armazenamento de água da chuva). O Banco de Tecnologias Sociais é um acervo on-line que reúne todas as metodologias certificadas pela Fundação BB desde 2001.

As entidades interessadas devem ficar atentas ao prazo de inscrições, que ficará aberto até às 18 horas de 23 de setembro de 2019, para recebimento das propostas na Fundação BB.

As localidades onde serão reaplicadas as tecnologias sociais foram indicadas pela Copasa e estão relacionadas com as bacias hidrográficas de cada região do estado de Minas Gerais. Para ser contemplada, a entidade precisa comprovar capacidade técnica para atuar em reaplicação das tecnologias sociais ou similares às propostas no edital.

Sobre o Pró-Mananciais

O Pró-Mananciais foi desenvolvido pelo governo de Minas Gerais por meio da Copasa. Entre as diversas atividades desenvolvidas, estão o cercamento de nascentes, plantio de mudas nativas em mata ciliar e implantação de bacias de contenção de enxurradas. O Pró-Mananciais vai além do cumprimento dos requisitos legais e regulamentares, ele estimula a pró-atividade, a responsabilidade social, a criatividade e o protagonismo a partir da formação de agentes locais transformadores, cujo trabalho integrado às políticas públicas locais amplia os resultados do Programa.

Leia o edital completo aqui.

Publicado em Notícias
Segunda, 01 Outubro 2018 14:07

Sabe o que é um biodigestor?

Portal Biodigestor

Conheça esta tecnologia social que é uma energia limpa, alternativa para o botijão de gás e que pode reduzir acidentes com queimaduras pelo uso indevido de álcool no preparo de alimentos

Para as famílias em situação de vulnerabilidade social, o preço do botijão de gás GLP tem impactado no orçamento. Segundo a Agência Nacional de Petróleo, de janeiro de 2017 a julho de 2018, houve um aumento de quase 75% no botijão. Os preços variam de R$ 60 a R$ 150 dependendo da região do país. Para driblar o alto custo, muitas famílias têm substituído o botijão de gás pelo álcool de cozinha, mas isto tem gerado outro problema: explosões e queimaduras nas pessoas.

Segundo o médico Marcus Vinícius Crepaldi, que atende pacientes vítimas de queimaduras há mais de quinzes anos, é comum pessoas com dificuldade de comprar o gás, usarem o álcool para cozimento de alimentos. O médico defende que o álcool não deva ser usado no ambiente doméstico porque funciona como uma bomba que pode detonar a qualquer momento. “A mãe que vai esquentar uma mamadeira rápida para o filho ou o pai que vai acender a churrasqueira são as principais vítimas de queimadura devido a explosões em decorrência do uso de álcool”, afirma.

Diante de um cenário de alto custo econômico e risco à saúde, uma alternativa é o biodigestor, uma tecnologia social que produz biogás a partir de esterco animal e que pode ser usado para cozinhar alimentos. O custo é menor do que um botijão de gás e evita o risco de explosões que ocasionam queimaduras nas pessoas.

No sertão brasileiro, a entidade Diaconia implementou o biodigestor sertanejo, que é utilizado em fogão para a preparação de alimentos. A iniciativa foi certificada pela Fundação Banco do Brasil como tecnologia social em 2015. O impacto da TS se deve à simplicidade de manutenção e manejo, baixo custo de instalação, substituição do GLP pelo biogás, redução de emissão dos gases metano e carbônico na atmosfera e produção de adubo orgânico e biofertilizante.

Como fazer

O biodigestor consiste em três partes: numa caixa se coloca o esterco misturado à água. A fermentação do esterco (biomassa) ocorre num tanque circular, por meio da digestão anaeróbica de bactérias, resultando na produção do biogás. Da caixa de descarga sai o biofertilizante e o adubo orgânico ricos em nutrientes, resultado final da fermentação do esterco animal. A capacidade de produção é de 26 kg de biogás ao mês, o que equivale ao consumo médio mensal de uma família de cinco pessoas em fogões domésticos. A chama que sai do fogão deve ter cor azul e não ter cheiro. O custo de implantação desse tipo de biodigestor é de R$ 2.800 com mão-de-obra. Para fazer o abastecimento diário são utilizados 10 quilos de esterco misturados a 10 litros de água. Os dejetos podem ser de dois bovinos adultos, dez suínos, 20 caprinos, ou cem aves.     

Biodigestor Sertanejo

Diferentes usos

Segundo o Engenheiro Agrônomo Luiz Cláudio Matos, da Diaconia, o biodigestor tem inúmeras funções. “Algumas famílias usam para aquecer água para o banho, substituindo o chuveiro, acoplado a sistema de motorização para bombeamento de água. E já vi, de forma experimental, para uso em lamparina para iluminação de ambientes domésticos”, afirma.

Ao longo de oito anos, a Diaconia implantou mais de 400 biodigestores nos estados de Pernambuco, Bahia, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Rio Grande do Norte, Goiás e Minas Gerais De fácil construção, um pedreiro capacitado faz a parte de alvenaria em três dias e um técnico instala a caixa e faz a ligação até o fogão em um dia.

O biodigestor é uma estratégia que possui relação com o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) 7 ao assegurar o acesso à energia a um preço acessível e sem a emissão de gases na atmosfera, o que mitiga os efeitos das mudanças climáticas, além de evitar acidentes com o uso indevido de álcool para o cozimento de alimentos.

“Acreditamos que essa tecnologia tem todas as condições para se tornar uma política pública. Isto porque ela é sustentável, traz benefícios econômicos importantes e contribui para a qualidade de vida das famílias, bem como se constitui em ganhos relevantes na dimensão do meio ambiente”, finaliza Luiz Cláudio.

A Agenda 2030

Definidos pela ONU durante a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável, os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, também conhecidos como Objetivos Globais, fazem parte da Agenda 2030, que se baseia nos progressos e lições aprendidas com os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milénio, entre 2000 e 2015. Esta agenda é fruto do trabalho conjunto de governos e cidadãos de todo o mundo que pretende criar um novo modelo global para acabar com a pobreza, promover a prosperidade e o bem-estar de todos, proteger o meio ambiente e combater as alterações climáticas.

No total são 17 ODS e 169 metas que estimulam ações até o ano de 2030 em áreas de importância crucial para a humanidade e para o planeta.

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Esta matéria faz parte da série “Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável no Brasil”, produzido pela Fundação BB com conteúdos sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas para o ano de 2030.

 

Publicado em Série ODS

Reaplicação de tecnologias sociais envolvem a participação feminina no semiárido

Ampliar a participação das mulheres e torná-las protagonistas de soluções para problemas do cotidiano. Esses são os objetivos do projeto Mulheres em Movimento, que irá reaplicar três tecnologias sociais no município de Simão Dias, localizado no sertão sergipano. A experiência é uma parceria da Fundação BB com a Sociedade de Apoio Sócio Ambientalista e Cultural (SASAC), firmada no final do ano passado com investimento social de R$ 246 mil.

Uma das tecnologias reaplicadas será o Biodigestor, mecanismo que produz gás natural a partir de esterco animal. Também estão previstas a instalação de Cisternas de Placas - voltada para o consumo, com armazenamento de 16 mil litros de água da chuva e a Cisterna Calcadão para produção de alimentos, com reservatório de 52 mil litros. Até o final do projeto, serão construídos 10 unidades de cada iniciativa.

O envolvimento das comunidades é um dos fundamentos do conceito de tecnologia social e, no caso do Mulheres em Movimento, o diferencial é a capacitação de 30 agricultoras familiares na construção das soluções. Elas estão recebendo orientação sobre a produção de biogás e estruturação dos reservatórios para armazenamento da água da chuva. As iniciativas integradas permitirão o desenvolvimento de atividades agroecológicas, com produção de hortaliças e leguminosas.

A presidente da entidade, Joelma Santos, destacou o engajamento das participantes. Para ela, o protagonismo na construção das tecnologias foi um passo importante para as agricultoras. “Não foi uma conquista apenas para a entidade, mas para as participantes. Elas estão felizes e frequentam o curso mesmo em dias de chuva”, afirmou.

Em março, duas participantes visitaram comunidades que tiveram êxito na reaplicação de tecnologias sociais. Mary Gonçalves, moradora da comunidade de Mato Verde - município de Simão Dias (SE), irá construir um biodigestor em sua propriedade. "Aprendi muita coisa que não sabia fazer. Colocarei tudo em prática e compartilharei com o meu parceiro."

Vilma São Francisco, do povoado de Sítio Alto - município de Simão Dias (SE), também comentou suas expectativas com o projeto. "Ele veio pra mudar a vida das mulheres, porque a gente sofria muito. É um sonho realizado”. A propriedade da agricultora familiar já começou a ser preparada para a reaplicação da cisterna calçadão. “O cisterneiro irá tirar o restante da terra e eu o ajudarei. Ele vai quebrando as pedras e eu carregando. Vou estar à frente de tudo, se Deus quiser".

Experiência reconhecida 
A SASAC foi criada em 2002 e integra a rede Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), que é composta por mais de três mil organizações da sociedade civil de distintas naturezas, como sindicatos rurais, associações de agricultores e agricultoras, cooperativas, ONG´s, Oscip, entre outras.

Em razão da parceria com a Fundação BB, a entidade obteve a certificação da Agência Nacional de Assistência Técnica Rural (ANATER), reconhecimento que chancela a organização para participar de seleções, editais e chamadas públicas. Este reconhecimento é buscado por muitas instituições do terceiro setor que trabalham com assessoria técnica no campo. No estado do Sergipe, existem somente dez instituições certificadas.

A divulgação deste projeto abrange questões vinculadas aos seguintes ODS:

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