Fundação BB investiu R$ 600 mil nas cadeias produtivas do açaí e da andiroba e na produção de biocosméticos

As famílias ribeirinhas que vivem às margens do Rio Araguari, próximo ao município de Porto Grande (AP), já descobriram que a exploração sustentável dos recursos naturais pode render muito mais do que eles têm hoje. Pertencente à demarcação reconhecida como Mosaico da Amazônia Oriental, a região, que é uma unidade de conservação nacional, abriga 96 famílias que vivem da pesca, de pequenas plantações e da coleta de frutos e sementes da floresta, a exemplo do açaí e andiroba. A perspectiva é que em breve esses produtos sejam responsáveis pela mudança nas condições de vida e no resgate do conhecimento tradicional.

Essa oportunidade vem da parceria da Associação dos Agroextrativistas Ribeirinhos do Rio Araguari (Bom Sucesso) com a Fundação Banco do Brasil, por meio do Ecoforte Extrativismo, que investiu R$ 600 mil no projeto “Bom Sucesso Sustentável: cadeias produtivas do açaí e da andiroba gerando trabalho e renda na floresta nacional do Amapá”. O recurso está sendo aplicado na estruturação e no fortalecimento da gestão da associação por meio da capacitação de 200 pessoas em coleta, beneficiamento e comercialização dos produtos e na produção de biocosméticos.

A associação já desenvolve um trabalho com as famílias na difusão de boas práticas de manejo dos açaizais e das andirobeiras, assim como de outros produtos típicos da região, como breu branco, fava e pracaxi. As matérias-primas dessas cadeias produtivas são transformadas pela rede de mulheres em biocosméticos, que são vendidos nas feiras e comércio local - velas de andiroba; óleos; sabonetes de breu branco, andiroba, copaíba e fava; pomadas de gergelim preto, andiroba e tintura de pracaxi (produto que ajuda a aliviar as dores e a ação do veneno da cobra até chegada ao médico).

De acordo com o consultor ambiental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Marcos Pinheiro, o projeto está contribuindo para o fortalecimento da agricultura familiar, para que, em breve, a associação tenha condições de firmar parcerias com o poder público, a exemplo do Programa de Aquisição de Alimentos – PAA e do Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE, e com ações que garantam a permanência das famílias na região, oferecendo, sobretudo, condições para envolvimento da juventude. "É uma oportunidade de evolução da organização social dos ribeirinhos do rio Araguari, visando a construção de um ciclo virtuoso de geração de trabalho e renda. Além disso, as lições e as experiências que estão sendo vivenciadas aqui, graças ao projeto, poderão ser irradiadas para outras comunidades e aldeias envolvidas com o mosaico de áreas protegidas do Amapá", destacou o consultor.

Há um ano, a jovem Aline Silva Leal, de 20 anos, passou a fazer parte da Associação Bom Sucesso. Ela conta que o trabalho da mãe na entidade lhe serviu de inspiração e que, assim como ela, outros 35 jovens também foram convencidos a fazer parte do projeto e a dar continuidade ao trabalho dos pais. “Aqui eu faço um pouco de tudo, ajudo na colheita, no beneficiamento e na fabricação dos biocosméticos. É uma boa oportunidade para todos, principalmente para os jovens, porque aqui a gente trabalha no que gosta, no lugar que a gente nasceu e foi criado”.

O projeto foi selecionado pelo Ecoforte Extrativismo, com apoio do Fundo Amazônia, gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e conta também com o apoio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e o Instituto de Estudos e Pesquisas do Amapá (IEPA).

A divulgação deste assunto contempla três Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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Parceria da Fundação BB e IDIS completa um ano de reaplicação de tecnologias sociais

No início de 2017, a Fundação Banco do Brasil e o Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social – IDIS se uniram para minimizar problemas relacionados às áreas de saneamento básico, tratamento de água e saúde de famílias ribeirinhas nos municípios de Borba, Nova Olinda e Itacoatiara, no Amazonas. Após um ano de atuação, o projeto “Tecnologias Sociais no Amazonas” já apresenta resultados surpreendentes na melhoria das condições de vida das pessoas atendidas.

Os principais problemas identificados na região são a falta de saneamento básico adequado e de água potável. Apesar da abundância de recursos hídricos, a água disponível é imprópria ao consumo, e é uma das causas apontadas para os altos índices de diarreia e doenças correlacionadas nas localidades. Como solução - eficaz e de baixo custo - foi escolhida a iniciativa Sodis – Desinfecção Solar da Água, um purificador de água por meio da luz solar.

A iniciativa já beneficiou 1.900 pessoas. O método destrói os micro-organismos causadores de doenças e funciona de forma simples: a água é colocada em uma garrafa plástica transparente ou de vidro e deve ficar exposta ao sol durante seis horas. A luz solar trata o conteúdo por meio de radiação e aumento de temperatura.

Cerca de 380 pessoas já foram capacitadas para implantar a técnica: 50 moradores de comunidades de Borba, 135 em Nova Olinda e 195 em Itacoatiara. Além da Sodis, o projeto reaplicou outras duas metodologias do Banco de Tecnologias Sociais (BTS) da Fundação BB - a HB: Combate à Anemia Ferropriva e o Banheiro Ecológico Ribeirinho. O investimento social é de R$ 1 milhão e atende cerca de 2 mil famílias. Também apoiam a iniciativa a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) e a Universidade do Estado do Amazonas (UEA).

A reaplicação da tecnologia HB: Combate à Anemia Ferropriva  teve como finalidade o combate à anemia por carência de ferro em alunos de escolas públicas. A ação resultou na diminuição da incidência em crianças de 36% para 2,8% – abaixo do índice aceitável estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que é de até 5%. Com um aparelho portátil, é realizado o diagnóstico da deficiência de ferro. As informações detectadas são transcritas para um aplicativo, que calcula a suplementação necessária de sulfato ferroso e ingestão de vermífugos.

Em Borba, 60% das crianças foram diagnosticadas com anemia, retrato dos problemas relacionados à indisponibilidade de água tratada e de saneamento básico. Mírian, moradora da comunidade de Axinim, está muito satisfeita com a melhora da saúde do filho, após tratamento e acompanhamento recebido para cura da anemia. Confira o depoimento da mãe no vídeo abaixo. 



O Banheiro Ecológico Ribeirinho consiste em um pequeno cômodo de madeira, equipado com um vaso sanitário e uma estrutura impermeável para a coleta de dejetos. Foram contempladas comunidades compostas por casas suspensas, que tiveram a instalação da estrutura acima do nível do chão para evitar a contaminação de cursos de água superficiais e subterrâneos. Até agora, estima-se que 300 pessoas já foram atendidas.

Sobre o BTS – É uma base de dados que reúne as metodologias reconhecidas pelo Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. Atualmente, a plataforma online conta com cerca de 1 mil iniciativas disponíveis.

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