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A entrega dos certificados tornou-se um marco no processo de integração dos refugiados e migrantes

Comunicar-se não era um problema até que eles tiveram que deixar forçosamente às suas terras natais e aprender do zero um novo idioma, uma nova cultura num novo lugar.  Essa é a realidade de vários refugiados e migrantes que escolheram o Brasil para recomeçar suas vidas e enfrentaram o desafio de estudar uma nova língua para se reintegrar.

Neste cenário, a Casa de Direitos, mantida pela Cáritas Brasileira com apoio da Fundação Banco do Brasil, desenvolveu o projeto de Educação e Capacitação para Refugiados e Migrantes no Distrito Federal e Cidades do Entorno, que na sexta-feira (19) entregou os certificados de conclusão da segunda turma de alunos.

A iniciativa além de ter como objetivo potencializar o estudo da língua portuguesa, também ofereceu ferramentas para a integração dos migrantes e refugiados na sociedade brasileira, respeitando seus valores culturais e autonomia. Para isto também foram promovidas oficinas de legislação trabalhista brasileira, empreendedorismo, economia popular solidária, rodas de conversa, atendimento psicossocial e conversação mediada por professores de uma escola de idiomas.

O projeto também contou com a parceria da BB Tecnologia e Serviços e da Cisco Networking Academy Brasil, nas oficinas de inclusão digital.

Para Hildete Emanuele, coordenadora da Casa de Direitos, a capacitação foi muito além do aprendizado de um novo idioma. “O projeto é um gesto concreto de acolhida a essas pessoas em nosso país, com ações básicas de transmissão da língua portuguesa, da cultura brasileira e do suporte para o acesso aos direitos e garantia de dignidade“, explica.

Ao todo, foram 35 participantes residentes em Brasília de 17 nacionalidades: Togo, Marrocos, Congo, Cuba, Venezuela, Paquistão, Gâmbia, México, Bolívia, Egito, Síria, Gana, Haiti, Equador, Mauritânia, Índia e Tunísia.

A congolesa Edwige Kayi Bisiwi foi uma das participantes do curso e relatou que apesar de já entender bem o português, a capacitação foi essencial para a sua vivência no país. “Eu aprendi muito, porque agora sei como usar as palavras, a escrever e a me relacionar com as pessoas. Isso faz muita diferença: saber a aplicação de como se fala a língua e poder se comunicar nos lugares”, afirma.

No entanto, não foram só os estudantes que tiveram suas vidas impactadas por esta iniciativa. Durante três meses, uma equipe multidisciplinar composta por professoras de língua portuguesa e cultura brasileira também esteve dedicada a escutar as histórias de vida dos alunos, e se aprofundar e conhecer suas culturas. Como é o caso da professora de português, Jamile Maeda.

“Esse projeto transformou muito a minha vida! Foram três meses de nove horas por semana, três horas de aula por dia, tendo profundo contato, conhecendo e ensinando. E ver o crescimento e a felicidade deles hoje, é incrível! Ao longo desse período, estar com representantes de culturas diferentes me fez ter novos olhares, novas perspectivas, a desconstruir preconceitos e a tentar entender de outra forma como as pessoas pensam”, conta.

Segundo a Cáritas, a Casa de Direitos é um espaço muito procurado por refugiados e migrantes e há previsão para formação de novas turmas de alunos.

 

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Projeto com o apoio da Fundação BB vai oferecer capacitações e atendimento jurídico e psicossocial

Oferecer um espaço de acolhimento, integração, atendimento jurídico e psicossocial e capacitação para imigrantes e refugiados é o objetivo da Casa de Direitos, inaugurada nesta quinta-feira (8), em Brasília, pela Cáritas Brasileira, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, a Cáritas Suíça e o Departamento de Estado dos Estados Unidos (PRM).

No espaço será realizado o Projeto de Educação e Capacitação para Refugiados e Migrantes no Distrito Federal e Cidades do Entorno, que vai oferecer acompanhamento psicossocial, formação em língua portuguesa, cultura brasileira, legislação trabalhista, economia solidária, empreendedorismo e inclusão digital.

As inscrições para o curso de língua portuguesa, que tem 40 vagas, estão abertas até o dia 14 de novembro. “Os cursos vão dar uma base fundamental para essas pessoas poderem se integrar melhor aqui em Brasília. Já existe uma procura grande por esses cursos”, afirma Cristina dos Anjos, assessora para Migração e Refúgio, da Cáritas Brasileira. Já houve inscrições de migrantes do Chile, Venezuela, Haiti, Colômbia, Afeganistão e Senegal.

O senegalês Abdoul Aziz, de 27 anos, é um dos que se inscreveu no curso de português. Abdoul está no Brasil há um ano e oito meses e deixou no país de origem a mãe e dois irmãos menores, em busca de emprego. Ele já trabalhou como mecânico de automóveis por um período, mas está sem trabalho no momento. O senegalês se comunica com dificuldade em português e acredita que o curso vai ajudar. "Espero conseguir trabalho", afirma.

Já Andrerobert Lunga, de 36 anos, veio da República Democrática do Congo há oito anos. Ele fala português fluente, mas foi convidado a participar do curso pra ajudar na integração dos outros imigrantes. Veja ele comentando como vai participar.




Na Casa de Direitos também vai funcionar o Programa Pana, que tem como objetivo ser referência na acolhida, proteção e integração de imigrantes no Brasil. O Pana também estará presente em outras seis capitais do país – Boa Vista, Porto Velho, Recife, São Paulo, Curitiba e Florianópolis.

A palavra pana significa amigo na língua do povo indígena venezuelano Warao, os primeiros a atravessar a fronteira com a Roraima em busca de ajuda e formas de sobrevivência.

O Pana propiciará acesso à moradia, por meio do aluguel subsidiado de casas ou apartamentos para imigrantes que serão alocados de Roraima, oportunidade de formação em vista de trabalho e renda, assistência jurídica e psicológica. Para complementar as ações, no campo emergencial, os migrantes em situação de vulnerabilidade social terão acesso a itens de primeira necessidade como alimentos e kits de higiene pessoal e de limpeza e roupas.

As iniciativas contam com a parceria da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH); Cátedra Sérgio Vieira de Mello, da Agência da Organização das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e Organização Internacional das Migrações (OIM).

Serviço:
Inscrições: na Cáritasno, endereço: CONIC - Edifício Venâncio II – SDS Bloco H - 1º Andar - Salas – 101 a 104
Telefone para informações: (61) 3521-0350 - com Juliana Sangoi 

 

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