Queijo Diamante

Investimento social fomenta produção artesanal, aprimora processos e promove geração de renda

Quando o assunto é queijo, a história é valiosa... e saborosa. No Brasil, há uma diversidade de queijos e produtores que têm se dedicado a aprimorar seus produtos. Todo este trabalho tem sido reconhecido e a cada ano os queijos brasileiros conquistam novos prêmios nacionais e internacionais. E quando é possível unir o investimento social à tradicional arte de produzir queijos? O resultado é o resgate e o fortalecimento da cultura local, com respeito aos conhecimentos tradicionais da produção artesanal, e o apoio à geração de trabalho e renda.

Com foco na inclusão socioprodutiva e cuidado ambiental por meio da realização de ações relacionadas à implantação, expansão ou aperfeiçoamento de empreendimentos, o Programa de Inclusão Socioprodutiva (PIS) da Fundação BB selecionou, em 2017, o projeto socioambiental da Associação dos Produtores e Agropecuaristas de Major Gercino, de Santa Catarina, que produz o queijo colonial artesanal Diamante, uma “joia” típica e tradicional do estado.

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Antes, o queijo diamante era produzido por famílias mais vulneráveis, com menos tecnologia. Não havia interesse e valorização do produto pelas novas gerações, correndo o risco de extinção. Mas este cenário mudou. Com o apoio de recursos não reembolsáveis, foi possível a construção de sete queijarias adequadas às normas técnicas e sanitárias e à arquitetura regional, quatro salas de ordenha, pesquisa científica para determinar tempo de maturação, certificação de propriedades livres de brucelose e tuberculose, elaboração de documentos e manuais de treinamento de boas práticas, contratação de exames laboratoriais. Os produtores passaram por treinamentos em boas práticas de ordenha e fabricação, de marca e produto, de gestão e participaram de eventos de negócios.

No total, foram investidos R$ 272 mil, sendo R$ 250 mil da Fundação Banco do Brasil e R$ 22 mil da própria Associação. Além das famílias, o projeto também teve a participação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Unicamp, Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (EPAGRI), Sebrae, Correios, Assembleia Legislativa do Estado de SC e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

E assim a história do Queijo Diamante foi lapidada. Os resultados dessa parceria chegaram junto com o reconhecimento na 5ª Edição do Prêmio Queijos do Brasil: as sete queijarias desenvolvidas pelo projeto foram premiadas.

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De volta ao campo para transformar

O casal Alice e Marcelo Schlichting decidiu voltar para Diamante (SC) no início de 2020 e somaram esforços aos trabalhos da Queijaria Vô Ipa, que neste ponto já tinha uma nova estrutura física. “Com a chegada do nosso filho Felipe, começamos a pensar o que estávamos fazendo na cidade, tínhamos uma rotina muito corrida. E decidimos voltar para o interior para fazer queijos com os pais do Marcelo”, conta a empreendedora Alice Schlichting.

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 “Eles sempre fizeram queijo de forma tradicional, mas dentro de casa. E com a queijaria eles conseguiram melhorar, mas faltava mão-de-obra. Então fizemos uma parceria e investimos em aprimorar a genética, aumentar o rebanho para ter maior produção. Começamos a divulgar nas redes sociais e fazer entregas. Com a chegada da pandemia, o delivery aumentou”, explica Alice.

Alice, Marcelo, Seu Nélio (o vô Ipa) e Janete fazem o queijo, ordenha, produção, manutenção e venda. A Queijaria Vô Ipa produz em média 20 kg de queijo por dia. “Começamos a agregar outros produtos, como derivados do queijo, manteiga, nata, geleias caseiras, docinhos e pão de milho. Também passamos a servir o almoço colonial. Com a iniciativa do queijo conseguimos agregar diversos produtos. Tivemos uma mudança radical na nossa vida e o queijo foi a chave para a nossa liberdade. Cada passo é uma conquista, comemoramos e sonhamos ainda mais alto”, comemora a família de produtores.

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Projeto usa técnicas para preservação da água e do solo e produz alimentos mais saudáveis para o consumidor final


Agricultores familiares de Vilhena (RO) estão adotando, com sucesso, técnicas agroecológicas na produção de alimentos, com uso sustentável dos recursos naturais e sem uso de defensivos tóxicos. Essas técnicas propiciam a preservação da água e do solo, além de alimentos mais saudáveis ao consumidor final.

Esse método de produção vem sendo desenvolvido, desde dezembro do ano passado, pelo Projeto Semear em três unidades produtivas experimentais, com utilização de estufas e sistemas de irrigação apropriados. A iniciativa com investimento social de R$ 193 mil da Fundação BB e da Brasilcap foi selecionada por meio da Chamada Internada de Projetos de Inclusão Socioprodutiva de 2016.

Com os recursos, foi possível a aquisição de um veículo e a capacitação dos agricultores familiares nas áreas de produção, comercialização, mobilização social e a certificação de alimentos agroecológicos. O desenvolvimento do projeto também envolve a realização de 60 visitas de assistência técnica.

Segundo o engenheiro agrônomo, Gustavo Lisboa, um dos coordenadores técnicos do projeto, “as técnicas geram bastante curiosidade, mas os agricultores ainda têm dificuldades em eliminar o uso de ‘veneno’. Existem muitas barreiras a serem vencidas e as unidades demonstrativas estão mudando a percepção deles”.

A boa aceitação no mercado local já tem gerado mais renda aos agricultores. A agricultora Adriane Appelt percebeu a oportunidade e tem estimulado seus familiares a cultivarem hortaliças de acordo com as novas técnicas. Já estão sendo produzidos: cebolinha, coentro, salsa, alface, rúcula, tomate, couve, vagem, cenoura e outras hortaliças. “Estamos muito satisfeitos com nosso trabalho. Os clientes têm solicitado muitas encomendas e, por isso, estamos ampliando nossa oferta para atender a todos os pedidos”, destacou.

A divulgação deste projeto contempla quatro Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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