Programa Ecoforte realizará quarta seleção voltada a fortalecer práticas agroecólogicas que promovem geração de renda e sustentabilidade

Entidades formadas por agricultores familiares terão nova oportunidade, em breve, de obter investimento social para agroecologia. A Fundação Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vão investir R$ 25 milhões no Programa Ecoforte, voltado para apoiar redes de agroecologia em todo o país. O investimento será destinado a novas iniciativas e também ao fortalecimento dos projetos já participantes do primeiro edital, realizado em 2014. Ainda não há previsão para realização das seleções.

O anúncio foi feito durante o Seminário Nacional sobre o Programa Ecoforte - Redes de Agroecologia para o Desenvolvimento dos Territórios, que reuniu representantes das 28 redes de agroecologia participantes do primeiro edital do programa. O evento foi realizado em Campinas (SP), de 3 a 5 de julho, com o objetivo de promover o intercâmbio entre as experiências de rede já implantadas.

A realização do evento - pela ANA - Articulação Nacional de Agroecologia - faz parte de um projeto apoiado pelo Ecoforte. A iniciativa prevê a sistematização das experiências de rede que estão em execução para que sirvam de referência para futuras iniciativas e para formulação de políticas públicas fomentadoras da expansão da agroecologia no Brasil.

Segundo o diretor de Desenvolvimento Social da Fundação BB, Rogério Biruel, a sistematização é importante para explicitar os resultados positivos do Ecoforte para a agricultura familiar e o desenvolvimento sustentável. "Procuramos aprimorar a formulação de indicadores objetivos dos investimentos para mensurar a efetividade dos projetos."

Sobre o Ecoforte - O Programa Ecoforte, que integra o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) e visa o fortalecimento e a ampliação das redes, cooperativas e organizações socioprodutivas e econômicas de agroecologia, extrativismo e produção orgânica.

O investimento social no Ecoforte foi possível com o diálogo e articulação com órgãos do governo e movimentos sociais do campo, valorizando conhecimentos tradicionais e as diversas tecnologias sociais que viabilizam a agricultura de base agroecológica em comunidades rurais. De 2014 a 2016 foram lançados três editais, com um investimento total de R$ 42,6 milhões, em parceria entre a Fundação BB e o BNDES, atendendo a 39,3 mil agricultores familiares.

A divulgação deste projeto contempla quatro Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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Livros lançados pela Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) oferecem novos olhares sobre o tema

Articular, qualificar e divulgar iniciativas desenvolvidas junto a grupos de agricultores familiares no âmbito nacional. Foi este o objetivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), ao executar o projeto “Promovendo Agroecologia em Rede”. O resultado deste trabalho está em duas publicações desenvolvidas durante o projeto: Olhares Agroecológicos – análise econômico-ecológica de agroecossistemas em sete territórios brasileiros e, Método de análise econômico-ecológica de agroecossistemas.

O projeto, que recebeu o apoio da Fundação Banco do Brasil e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi selecionado por meio do edital Ecoforte Redes, que visa o fortalecimento e ampliação das redes, cooperativas e organizações socioprodutivas e econômicas de agroecologia, extrativismo e produção orgânica.

A proposta das publicações nasceu a partir do 3º Encontro Nacional de Agroecologia, realizado em 2014, na Bahia. Com isso, foram realizados estudos de caso em sete regiões brasileiras: Litoral Norte do Rio Grande do Sul, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, Sertão do Araripe, localizado em Pernambuco, Alto do Rio Pardo no Semiárido Mineiro, Sudoeste de Mato Grosso, Mesorregião Leste de Rondônia e Santarém.

Os dois livros foram lançados simultaneamente, no final de março, no Rio de Janeiro, em cerimônia que contou com a presença dos autores. Na ocasião também foi realizado um debate sobre agroecologia.

O processo de elaboração dos estudos gerou intensa mobilização envolvendo organizações e grupos de cada território, e os resultados das pesquisas, que estão sintetizados no livro, trazem à luz a história, a riqueza e os caminhos que as experiências de agroecologia apresentam para a agricultura familiar e o desenvolvimento dos territórios.

Segundo Flávia Londres, membro da Secretaria Executiva da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA) e coordenadora do projeto “Promovendo Agroecologia em Rede”, a organização social empodera e fortalece a luta das mulheres e contribui para que jovens conquistem espaço nas tomadas de decisões e oportunidades de geração de renda. Ao invés de enriquecer grandes complexos agroindustriais, a riqueza gerada no campo pela agroecologia contribui para o desenvolvimento dos territórios onde vivem as comunidades rurais.

Apesar disso, para a autora existe uma carência de informações quantificadas e sistematizadas para comprová-las. “Os métodos de pesquisa econômica-convencionais não dão conta de evidenciar esses aspectos”, explica.

Flávia ressalta que os resultados das pesquisas elaboradas a partir do Lume, como foi chamado o método, mostram a complexidade da interação entre os componentes que integram o agroecossistema - um tipo de agricultura que não foca apenas na produção agrícola, mas na relação da área cultivada com todos os agentes naturais do entorno, incluindo a fauna, a flora, o solo, a água e até os micro-organismos.

Buscando demonstrar as vantagens para a sociedade em apoiar a Agroecologia, os pesquisadores desenvolveram um Método de Avaliação Econômico-ecológico de Agroecossistemas, em que resgatam informações históricas e a configuração socioeconômica e ambiental do território. O método possibilita a visualização de dados como o valor agregado da produção e do autoconsumo conforme os locais pesquisados, a repartição desse valor agregado por gênero e esfera de trabalho, entre outros dados econômicos. A interação com as políticas públicas e aspectos da sustentabilidade dos agroecossistemas também são evidenciados, como o grau de autonomia e resiliência (capacidade de adaptação a condições adversas), a participação social dos membros da família e a equidade de gênero (protagonismo das mulheres).

A obra proporciona uma análise profunda e oferece um olhar ousado sobre os rumos e os avanços da agroecologia, imprimindo um verdadeiro raio-x dos territórios em estudo, além de documentar toda a metodologia aplicada. Ao mesmo tempo destaca a criatividade e o conhecimento utilizados na agricultura camponesa e dos povos e comunidades tradicionais como importante ferramenta e que se reinventa com o passar dos anos, recursos por vezes, ocultado pelo pensamento econômico convencional, segundo os autores.

Para acessar os livros, clique nos links abaixo:

Olhares Agroecológicos – análise econômico-ecológica de agroecossistemas em sete territórios brasileiros

Método de análise econômico-ecológica de agroecossistemas

A divulgação deste projeto contempla quatro Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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