
Parceria com BNDES e Governo Federal fortalece redes de reciclagem, amplia renda e melhora condições de trabalho de catadores no estado
Dados divulgados em 2025 pela Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema) apontam que, no ano anterior, cada habitante do Brasil gerou, em média, 384 quilos (kg) de lixo por ano. À época, apenas 8,7% dos resíduos secos foram destinados à reciclagem. O desperdício desse volume impacta diretamente a geração de renda e causa prejuízos ao meio ambiente.
Entre as histórias de quem vive dos resíduos sólidos está a da coordenadora do Centro de Triagem da Vila Pinto (CTVP), no bairro Bom Jesus, em Porto Alegre. Sirlei Batista de Souza trabalha com reciclagem há 25 anos, criou cinco filhos com a renda obtida da venda dos materiais, formou-se em Gestão Ambiental e atualmente cursa Sociologia. “Catadores são invisíveis para algumas pessoas, mas projetos como o Cataforte dão maior visibilidade e reconhecimento, melhorando as condições de trabalho com os novos equipamentos e os ganhos dos recicladores”.
O Centro integra a Rede Porto Alegre com Reciclagem Popular, um dos projetos estruturantes do Rio Grande do Sul contemplados com o Novo Cataforte. A assinatura ocorreu nesta quinta-feira (18), na sede do CTVP. O edital é resultado da parceria entre a Fundação Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sob coordenação da Secretaria-Geral da Presidência da República (SG-PR).
O ministro Guilherme Boulos, da SGPR, ressaltou no evento que, ao separarem os resíduos, os catadores vão além da busca por sustento e contribuem para a preservação ambiental. “Cada quilo, cada tonelada que vocês tiram do aterro sanitário e colocam na economia circular da reciclagem contribui para a melhoria das condições ambientais o que os torna agentes dessa causa”.
Participante de todas as fases do Cataforte, a Fundação Banco do Brasil lançou com o BNDES chamada pública com recursos não reembolsáveis de até R$ 50 milhões para reativar cooperativas, gerar renda, melhorar as condições de trabalho e promover mais dignidade para catadores e catadoras em todo o País. Gilson Lima, diretor da Fundação BB, destacou que o intuito é otimizar a cadeia de resíduos sólidos. “Esse é nosso objetivo. Fico muito grato por estar vendo que isso está acontecendo no território, vendo a concretude das ações, e que o que foi pensado está de fato acontecendo”.
“Quando se fala em reciclagem, não estamos tratando apenas de preservação ambiental, mas também de oportunidade, renda e cidadania. O governo do presidente Lula tem mobilizado diferentes atores em iniciativas como essa, com o objetivo de dar estrutura e apoio para quem atua nessa atividade. São ações que reconhecem o papel essencial desses trabalhadores e que contribuem para construir uma cadeia mais justa, sustentável e organizada”, disse o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Projetos beneficiados no Rio Grande do Sul
- Rede Coopersinos, com sete instituições vinculadas nos municípios de Campo Bom, Dois Irmãos, Morro Reuter, Novo Hamburgo e Santo Antônio da Patrulha;
- Rede Nova Geração, com sete instituições em Erechim e Passo Fundo;
- Rede Porto Alegre com Reciclagem Popular, abrangendo 15 instituições na capital gaúcha.
Equipamentos previstos e investimentos
Cada uma das três redes receberá aporte de cerca de R$ 2,4 milhões. Além dos equipamentos, estão previstas ações de gestão e capacitação ao longo de 24 meses. A iniciativa tem foco na inclusão produtiva e na qualificação operacional das cooperativas urbanas.
Entre os itens previstos estão caminhões de coleta seletiva, empilhadeiras, retroescavadeiras, esteiras, climatizadores de ambiente, reforma de galpões e equipamentos de informática, entre outros.
Novo Cataforte
O Novo Cataforte tem como objetivo selecionar projetos para fortalecer redes de cooperativas e associações.
O programa teve início em 2007, com o lançamento do Cataforte I. Em 2009, avançou para o Cataforte II, voltado ao fortalecimento da estrutura logística das cooperativas. Já o Cataforte III, lançado em 2014, focou na estruturação técnica de 33 redes de empreendimentos. Após um período sem atividades, a iniciativa foi retomada com a expectativa de ampliar conquistas anteriores, beneficiando catadores e suas comunidades.
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