Evento reuniu representantes do governo, movimentos sociais e especialistas que discutiram desafios sociais e econômicos do país
O segundo dia do Festival de Soluções Sociais para o Brasil reuniu, no dia 28 de maio, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em Brasília, representantes do governo federal, movimentos sociais e lideranças nacionais para discutir temas centrais para o desenvolvimento do país, como os desafios das relações de trabalho, a soberania alimentar e as estratégias de combate à fome. A programação também foi marcada pela assinatura de um acordo de cooperação entre a Fundação Banco do Brasil e o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), voltado ao fortalecimento de ações em comunidades tradicionais de todo o país.
A parceria prevê a implementação de iniciativas voltadas à inclusão produtiva, geração de renda, etnodesenvolvimento, turismo comunitário, segurança hídrica, preservação da biodiversidade e disseminação de tecnologias sociais em territórios de povos e comunidades tradicionais presentes nos diferentes biomas brasileiros. Para o presidente da Fundação Banco do Brasil, André Machado, a iniciativa fortalece a construção de soluções desenvolvidas junto às comunidades. “Esse acordo representa a união de esforços em favor de quem mais precisa. Queremos construir soluções ao lado das comunidades, respeitando seus saberes e suas realidades, para gerar oportunidades, fortalecer a autonomia das famílias e promover desenvolvimento sustentável nos territórios”, afirmou.
O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Eric Moura, destacou que a iniciativa reforça o compromisso do Governo Federal com a valorização da agricultura familiar e dos conhecimentos tradicionais. “Estamos fortalecendo a agricultura familiar praticada nos territórios, que produz alimentos saudáveis e preserva saberes ancestrais fundamentais para o desenvolvimento sustentável”, disse.
A assinatura ocorreu antes da mesa temática “Soberania Alimentar e Justiça Social: Caminhos para Superar a Fome no Brasil”, que reuniu o Padre Júlio Lancellotti, o dirigente nacional do MST, João Paulo Rodrigues, a artista e ativista por moradia Preta Ferreira e a secretária nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Social, Lilian Rahal, responsável pela mediação do debate.
Durante sua participação, Padre Júlio Lancellotti defendeu uma reflexão mais ampla sobre os conceitos relacionados à alimentação e ao desenvolvimento social, destacando a importância da autonomia das comunidades: “Precisamos revisitar conceitos como segurança alimentar e soberania alimentar. Embora importantes, eles ainda refletem uma lógica muito centrada no Estado. É fundamental fortalecer a autonomia, a participação e a capacidade das comunidades de construir soluções para garantir alimentação digna e qualidade de vida”, comentou.

Já Preta Ferreira ressaltou o papel dos movimentos populares na garantia de direitos e na transformação social. “Os movimentos sociais não apenas garantem direitos, eles salvam vidas. Foi por meio deles que conseguimos construir moradia, combater a fome e oferecer dignidade para quem mais precisa”, destacou.
A programação também contou com a mesa “Desafio do Mundo do Trabalho: Precarização, Tecnologia e Caminhos Coletivos”, com a participação do secretário nacional de Economia Popular e Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego, Fernando Zamban, da professora da Unicamp Ludmila Costhek e do jornalista e cientista político Leonardo Sakamoto. Em sua fala, Sakamoto alertou para os impactos da uberização e da plataformização nas relações de trabalho e defendeu a construção de mecanismos de proteção aos trabalhadores. “Uma grande parcela do que chamamos de empreendedorismo no Brasil hoje é trabalho precarizado com marketing melhor”, afirmou.
Tecnologias sociais em destaque

Ao longo da programação, o Festival de Soluções Sociais apresentou experiências que já promovem mudanças concretas em comunidades de diferentes regiões do país. Entre os destaques estiveram iniciativas de reaproveitamento de óleo de cozinha para a fabricação de sabão ecológico, que unem geração de renda, educação ambiental e sustentabilidade, além de tecnologias sociais voltadas à construção de moradias de baixo custo, garantindo habitação digna por meio de métodos inovadores e materiais acessíveis.
Também chamaram a atenção projetos voltados ao fortalecimento da agricultura familiar, da sociobiodiversidade e das economias locais. A experiência imersiva da cadeia do algodão agroecológico apresentou práticas sustentáveis de produção que aliam preservação ambiental e geração de renda, enquanto a Feira da Sociobiodiversidade reuniu produtos de comunidades tradicionais, povos indígenas, quilombolas e agricultores familiares.
As iniciativas integram a seleção de finalistas do 13º Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, que revelou os projetos vencedores no dia 29 de maio. O encerramento da programação ficou por conta das cantoras Letícia Fialho e Luedji Luna. Realizado com o apoio de instituições nacionais e internacionais, o festival contou com a parceria do CCBB Brasília, da BB Asset, da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e da Associação Brasileira de Ensino, Pesquisa e Extensão em Tecnologia Social (ABEPETS).
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