Hortas comunitárias em conjuntos habitacionais populares melhoram alimentação das família e a convivência entre moradores 

Plantar na horta comunitária e levar para mesa hortaliças e verduras fresquinhas, sem agrotóxicos, além de ganhar uma renda extra com a venda para os vizinhos, são alguns dos benefícios que moradores de conjuntos habitacionais populares estão colhendo em projetos realizados em oito estados do Brasil: Bahia, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Maranhão, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e São Paulo.

"Aprendi a comer coisas que eu nem sabia que existiam. Rúcula é uma delas", conta Maria Alves, moradora do conjunto habitacional Recanto do Sobrado, na região rural de Casa Nova (BA). Maria e outros 22 moradores do residencial trabalham no cultivo. Cada um é responsável pelo plantio em uma área de 100 metros quadrados. As hortaliças que não são consumidas, são encaminhadas para venda em mercados locais e restaurantes e para encomendas dos moradores por telefone.

"Está tendo muita procura. Fala que é orgânico, aí vende bastante. O que mais sai é coentro, alface e couve ", conta Maria. Agora eles pensam em ampliar a produção e se organizar para vender na feira livre na área central do distrito de Santana, que faz parte do município.

As hortas comunitárias integram o projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social (Muts), da Fundação Banco do Brasil, e busca complementar o trabalho social dos empreendimentos habitacionais populares, como instrumento de promoção do desenvolvimento comunitário. Atualmente, estão abertas inscrições em novo edital para credenciar entidades sem fins lucrativos para realizar trabalho de mobilização comunitária nos conjuntos residenciais voltados à população com renda inferior a R$1.800. Saiba mais sobre o edital, clique aqui.

No estado do Paraná, na cidade de Arapongas, a horta comunitária também foi opção dos moradores do Residencial Arapongas III. "Agora a gente come à vontade, na hora em que queremos. Por ser horta orgânica, as pessoas estão gostando muito. O projeto foi um presente para a gente", diz Fátima Aparecida de Abreu, escolhida como coordenadora pelos participantes.

Fátima também notou outro benefício trazido pelo trabalho coletivo: a união dos moradores. A mesma percepção é demonstrada pela moradora Vandenilda Aparecida Claro, do residencial Piacenza, também na cidade de Arapongas. "A gente ficou feliz porque era um conjunto que precisava muito de uma coisa para unir as pessoas. No começo, a maioria não conversava uns com os outros, tinha brigas, conflitos. Hoje basicamente todo mundo conversa, são amigos", observou Vandenilda, conhecida por Duda e presidente da associação de moradores.

Dentro do residencial Raimundo Suassuna, em Campina Grande (PB), as hortas foram montadas em três equipamentos públicos: uma creche e duas unidades de saúde. E estão gerando satisfação nos participantes e frequentadores dos espaços.

"Estamos tentando fazer clientela com quem vai se consultar nas unidades de saúde, porque antes havia mato no local e agora há horta com muitas hortaliças. O pessoal fica muito admirado e no outro dia já vem comprar", explica Alvina Gonçalves Brasil, da Cáritas Regional Nordeste 2, entidade responsável pela realização do Muts em Campina Grande.

Mobilização comunitária

Desde 2015, 55 residenciais populares que contam com financiamento do Banco do Brasil em todo o país iniciaram o Projeto Moradia Urbana com Tecnologia Social (Muts).

Em cada empreendimento onde é implantado o projeto, os moradores passam por uma metodologia de mobilização e organização comunitária, chamada “Transformando Realidades por meio da Mobilização e Organização Comunitária” e participam de oficinas de educação financeira e outras capacitações. Depois de formado um grupo de moradores mobilizados, eles escolhem uma tecnologia social entre quatro opções possíveis: “Bibliotecas Comunitárias Vaga Lume”; “Gestão Comunitária de Resíduos Orgânicos e Agricultura Urbana - Revolução dos Baldinhos”; “Rede Criar – Joias Sustentáveis na Ilha das Flores” e “Produção Agroecológica de Alimentos em Meio Urbano”. Esta última foi a escolhida pelos participantes dos projetos mencionados nesta página.

A divulgação deste assunto contempla sete Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano 2030.

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Projeto oferece práticas sustentáveis na agricultura familiar na região de Cunha (SP)

Entre colinas e montanhas, a falta de perspectivas para a sustentabilidade cultural e socioeconômica de famílias de pequenos proprietários rurais de Cunha, em São Paulo, resultou na parceria entre a Fundação Banco do Brasil e a Serra Acima – Associação de Cultura e Educação Ambiental, que beneficia a agricultura familiar da região.

Com investimento social de R$ 228 mil da Fundação BB, o projeto ‘Desenvolvimento Agroecológico da Agricultura Familiar’, firmado em 5 de março de 2018, vai privilegiar jovens, filhos de agricultores, que poderão contribuir com a produção agroecológica de alimentos para a renda familiar, evitando assim a evasão para a zona urbana do Vale do Paraíba e demais cidades.

O projeto visa construir 24 hortas agroecológicas para contribuir com a segurança alimentar, estimular o consumo dos produtos e práticas sustentáveis, além de estimular o protagonismo direto de 66 jovens e a continuidade na propriedade das unidades rurais produtivas. A associação também receberá um veículo para ajudar nos deslocamentos dos produtos e a contratação de uma equipe com coordenador, administrador, técnico de campo e estagiário.

A presidente da Serra Acima, Marina Marcos Valadão, destaca que o trabalho da associação é inspirado em oferecer oportunidades para crianças e jovens do município, que enfrenta a evasão da população para as cidades há mais de 20 anos. Segundo ela, a agricultura familiar na região possui todos os componentes naturais para alavancar a agroecologia. Porém, afirma que ainda existem agricultores tradicionais usando agrotóxicos nas plantações. Mesmo assim, ressalta que associação tem a missão de compartilhar o conhecimento da sustentabilidade e da viabilidade financeira da agricultura orgânica, que o modo tradicional não proporciona.

“Com esse projeto, que foca os jovens, a valorização da propriedade da família e a oportunidade de produzir alimentos de qualidade 100% orgânicos irá trazer novas perspectivas para desenvolver até novos projetos no futuro. Gostaríamos, inclusive, que esses potenciais jovens fossem nossos monitores mais adiante. Queremos empoderá-los para valorizarem seu patrimônio cultural e territorial, favorecendo uma renovação geracional da agricultura familiar em moldes ecológicos”, reforça Marina Valadão.

Independência e compromisso

Nascida em Cunha, Roseli Pereira (37), mãe de Lucas, conta que o filho ficou sabendo do projeto na escola e chegou em casa empolgado dizendo que queria ter uma horta. “Eu disse que não teria como, pois não temos quintal. Mas o patrão do meu marido, cedeu um terreno. Ele ficou todo contente! A intenção dele, mais para a frente, é vender as verdurinhas, ter seu próprio dinheiro e ser mais independente. Esse projeto vai ajudar muitas famílias, pois hoje os jovens terminam a escola e querem ir embora para a cidade. Acho que é um incentivo muito bom para eles aprenderem a ter compromisso e seu próprio negócio”, afirma Roseli.

Com apenas 16 anos, Lucas Gabriel Pereira Massiere, diz que ficou bastante animado quando assistiu a palestra da presidente da Serra Acima sobre o projeto das hortas agroecológicas. “Fiquei interessado em fazer algo novo. Ter a nossa horta vai ajudar na renda da família e não precisaremos mais comprar. É uma grande oportunidade!”, disse.

Serra Acima

Fundada em 1999, a Serra Acima – Associação de Cultura e Educação Ambiental tem a missão de investir e atuar pela melhoria da qualidade de vida, incentivando de forma participativa a geração de conhecimentos e práticas ambientalmente sustentáveis e socialmente justas, com ênfase na agroecologia e desenvolvimento humano. Atualmente, a entidade realiza projetos em parceria com escolas públicas do município, oferecendo oportunidades de articulação do projeto pedagógico às atividades teóricas e práticas desenvolvidas junto a agricultores familiares.

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