Thursday, 02 April 2020 15:17

Vamos falar sobre autismo?

Portal Interno v2 Autismo

Hoje, 02 de abril, é celebrado o Dia Mundial da Conscientização do Autismo

“Hoje consigo andar com ele na rua.”
“Fomos a uma festa de aniversário e conseguiu ficar e brincar.”
“Ele me chamou de mamãe.”
“A escola elogiou o comportamento do meu filho.”

Para a maioria das famílias, elogios como esses são corriqueiros. No entanto, para os pais que têm filhos com o Transtorno do Espectro Autista (TEA), ouvir essas simples frases significam muito. Afinal, representam que aos poucos com a ajuda de profissionais especializados, os pequenos estão vencendo as dificuldades de comunicação e socialização, características que estão ligadas a esse distúrbio.

No Centro de Autismo Dona Meca (CDA), que fica em Taquara, bairro da região de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, depoimentos como esses emocionam, já que muitas famílias chegam desamparadas com as crianças ainda no colo, em busca de uma cura ou, até mesmo, com crianças maiores procurando por uma solução para comportamentos inadequados.

“O CDA oferece acolhimento a essa família - através do grupo de pais e das orientações terapêuticas -, buscando mostrar as potencialidades do autista e a melhor maneira de proceder para obter respostas funcionais de interação entre o autista e sua família”, explica a fonoaudióloga Raquel Maria Gomes Andrade que atua no local.

A iniciativa

O CDA nasceu em 2013, a partir de uma necessidade dos terapeutas da instituição filantrópica Obra Social Dona Meca de oferecer um trabalho diferenciado e transdisciplinar, baseado nas questões e necessidades sensoriais de cada indivíduo atendido. Questões sensoriais essas que tornavam difícil a intervenção terapêutica tradicional.

Por isso, o principal objetivo da metodologia é oferecer conhecimento e ferramentas para que as crianças/adolescentes com o auxílio de suas famílias conquistem a integração sensorial e aumentem a independência e comunicação funcional.

Entre as atividades oferecidas no CDA destacam-se a fonoaudiologia, psicomotricidade, terapia ocupacional e psicologia (grupos de pais). Em média são atendidas nove crianças por ano, pois cada profissional dedica-se individualmente à criança, mostrando e aprimorando assim as habilidades de comunicação entre ela e a família.

Dessa forma, elas são reavaliadas a cada seis meses, que é quando os terapeutas indicam permanência ou alta para as terapias tradicionais realizadas na própria instituição. O tempo de permanência está diretamente ligado ao alcance dos objetivos.

Conscientização

Em celebração ao Dia Mundial da Conscientização do Autismo, Raquel deixa sua mensagem: “Leiam, estudem e compreendam. Quando entendemos o outro, a necessidade do outro e conseguimos nos adaptar a ele e oferecer as adaptações que o outro precisa, nos tornamos mais humanos. O autismo não mata, mas o preconceito e o descaso destroem famílias e geram fracassos. Juntos, escola, terapia, família e sociedade, podemos ampliar as capacidades da pessoa com autismo e torná-los funcionais e produtivos. O amor e a informação são sempre o melhor caminho!”.

Desafios 

Reconhecido como tecnologia social pelo Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, em 2017, o CDA não está em pleno funcionamento e trabalha em formato adaptado, desde o seu último patrocínio em 2018.

Por isso, para contribuir diretamente com a Obra Social Dona Meca (OSDM), acesse: https://osdm.org.br/projetos/centro-de-autismo/

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Tecnologia social utiliza a música e a arte para promover a inclusão social; além do DF, metodologia será reaplicada no Maranhão

João Gabriel é um garoto lindo, alegre, mas que depende de orientações para tudo que vai fazer, até mesmo executar as tarefas mais simples, como escovar os dentes e tomar banho.

Aos 2 anos e 6 meses de idade, foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista-TEA, isso após seus pais, o bancário Sérgio Rocha e a professora Érika Dinato, perceberem que ele não respondia às suas solicitações quando era chamado. Mais tarde, vieram as estereotipias (movimentos repetitivos) nas mãos que aos poucos foram se intensificando, e foi aí que eles começaram a peregrinação para descobrir o que o filho tinha. Já com o diagnóstico, o desafio era buscar formas de inclusão e de ampliar as possibilidades de socialização.

Prestes a completar 12 anos, João Gabriel é um dos 22 atendidos pela tecnologia social “Uma Sinfonia Diferente - musical para pessoas com autismo”, do Instituto Steinkopf, de Brasília (DF). Vencedora do Prêmio Fundação Banco do Brasil de 2017, na Categoria Saúde e Bem-Estar, a metodologia foi idealizada pela musicoterapeuta, Ana Carolina Steinkopf, em 2015, e utiliza a música e seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) no acompanhamento do autista.

A iniciativa envolve pessoas com autismo verbal e não-verbal e, no caso de João Gabriel, o foco é na atividade motora fina e estímulo à socialização. "Ele adora comer e ter contato com água, no caso piscina, rio, mar e chuveiro; gosta de cama elástica, de se balançar e ficar deitado em superfícies planas. Quando estimulado, adora dançar.Vejo muito progresso após fazer parte do Sintonia. Ele já desenvolveu a noção de espaço; gosta de rodopiar e quando é estimulado, dança e maneja os instrumentos musicais. Hoje já percebe que existem outros como ele", conta o pai, chamado de Serginho.

Nesse final de semana, o grupo fez duas apresentações do musical “Todas as formas de amor e de amar”, na Sala Plínio Marcos da Funarte. A primeira, para os parceiros do projeto; e a segunda foi aberta ao público em geral. O espetáculo contou um repertório diversificado voltado para o universo infantil como – Peixe Vivo, Tumbalacatumba, Se Você está Feliz - e com muitas brincadeiras no palco. Para que tudo fosse acontecesse foram realizados ensaios semanais, durante seis meses, com objetivo terapêutico e de aprendizagem das músicas e coreografias.

De acordo com Ana Carolina, o espetáculo deste ano foi todo produzido pelas pessoas com autismo. Os mais velhos do grupo foram os responsáveis pela a escolha do nome do espetáculo, roteiro, luz, cenário e figurinos. Tudo foi pensado neles, para que fosse um momento de diversão, em que eles pudessem mostrar seus potenciais e que a sociedade veja que as pessoas com autismo são muito mais do que só ficarem num cantinho, elas conseguem ser protagonistas de suas próprias histórias”, declarou Carol.

Da turma também participa o João Lucas, de nove anos, que está na projeto há três e não perde um ensaio. “O João Lucas já se desenvolveu muito. Aqui é onde nos encontramos com outras mães de autistas. O projeto tem feito muito bem para meu filho, e acredito que para todos que participam. A Carol é um amor de pessoa, sempre pronta a ajudar”, disse Lena Silva, mãe do João Lucas.

E o que falar de Daniel Cavalcanti? Jovem esperto e muito inteligente, que se envolveu em todas as fases do musical. Veja o que ele diz.


Desmistificação

Amar, cuidar e tratar de uma pessoa com autismo não é uma tarefa fácil. Os pais precisam de uma rede de apoio que vai do aspecto econômico ao psicossocial. Se informar sobre os direitos do filho, buscar tratamento especializado e ter tempo para se dedicar às tarefas cotidianas, muitas vezes, gera ansiedade e tristeza

Serginho diz que esta crença de que pais e mães de pessoas com autismo são especiais não ajuda, pelo contrário, esconde os desafios diários. “Não somos super-heróis; precisamos de ajuda dos familiares, da sociedade, do poder público. Não é porque somos 'especiais' que não temos cansaço, raiva, tristeza e frustração”, afirma.

Para ele, desmistificar estas crenças mostra que há grandes desafios no cuidado de um autista e precisa ser discutido de forma ampla. Além disso, em uma sociedade cada vez mais competitiva, o conceito de ser bem sucedido também precisa ser questionado. “Num mundo onde o sucesso é um valor, é preciso que ressignifiquem o que é sucesso para pessoas com dificuldades”, avalia.


Reaplicabilidade

Após ser vencedor do Prêmio de Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, a metodologia ganhou mais visibilidade, aumentou o número de crianças e jovens atendidos e criou mais uma turma em Brasília. Nos próximos dias, o método começará a ser reaplicado na cidade de São Luís (MA). A TS também foi vencedora do Edital do Fundo de Apoio à Cultura de Porto Alegre. A iniciativa e outras 985 formam o Banco de Tecnologias Sociais da Fundação BB, um acervo online com todas as metodologias certificadas pela organização desde 2001.

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Tecnologia utiliza a música como inclusão social para a pessoa com autismo e sua família

Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, a pessoa com autismo é capaz de desenvolver aptidões para a música e outras atividades. Prova disso é o que vem fazendo a tecnologia social, “Uma Sinfonia Diferente - musical para pessoas com autismo”, do Instituto Steinkopf, de Brasília (DF).

Idealizada pela musicoterapeuta, Ana Carolina Steinkopf, em 2015, a metodologia utiliza a música e seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) no acompanhamento do autista.

O método consiste em quatro etapas: inscrição e seleção dos participantes; ensaios em pequenos grupos; apresentação pública; e retorno aos ensaios, com a avaliação sobre a evolução dos atendidos. As fases são acompanhadas por uma equipe formada por psicólogos e terapeutas ocupacionais.

Finalista na categoria Saúde e Bem-Estar, do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, a iniciativa busca conscientizar a população em geral, além de incluir socialmente a pessoa com autismo como protagonista e agente cultural. O projeto ainda promove a saúde e bem-estar dos autistas e seus familiares.

Segundo a musicoterapeuta, a ideia surgiu da vontade de entender o universo da pessoa com autismo a partir das reclamações dos pais sobre as dificuldades de integrar seus filhos. Ela sonha em expandir o método para todo o Brasil e, a partir de pesquisa de mestrado prevista para 2018, consolidá-lo como metodologia científica.

“Uma Sinfonia Diferente é um pedaço de um grande sonho de tornar o Instituto Steinkopf um centro de referência em autismo, com foco na valorização do potencial das pessoas, com centro acadêmico de pesquisas e atendimentos clínicos de excelência”, relata.

Luciana Ribeiro, mãe de Gabriel Luiz, de sete anos, procurou ajuda no Instituto a partir de reportagem que assistiu na TV. “Meu filho já tinha um diagnóstico fechado e resolvi procurar o grupo pela ausência de terapias em grupo para autistas. Nesses dois anos é perceptível como ele está mais sociável. Lá ele é tratado como igual. Foi na música que o Gabriel descobriu o outro”, declara."

A iniciativa promove diversas atividades em grupo, como estimulação musical, ensaios e apresentações. O próximo show está marcado para 19 de outubro às 19 horas na Sala Plínio Marcos da Funarte, em Brasília.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem início na infância e está associado à dificuldade na comunicação (alteração na fala), socialização e a comportamentos repetitivos que têm ocorrência em diferentes contextos.

Conheça outras iniciativas finalistas do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social 2017 em fbb.org.br/finalistas



Prêmio
Assim como esta iniciativa, o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social tem outras 17 tecnologias nacionais e três internacionais concorrendo à premiação final. As vencedoras serão conhecidas no mês de novembro em cerimônia realizada em Brasília (DF). Esta edição tem a cooperação da Unesco no Brasil e o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Banco Mundial, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Veja aqui a lista das finalistas do Prêmio 
Veja aqui a lista das 173 certificadas 
Visite o site do Prêmio

A divulgação deste projeto contempla dois Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.


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