Agroecologia

Programa Ecoforte assina dois convênios para fortalecer redes camponesas de agroecologia no RS

Sexta-feira, 13 de Março de 2026 - 14:18

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Fundação BB e BNDES celebrarão, neste sábado (14), em Seberi (RS), parceria com a Cooperbio e o Instituto Cultural Padre Josimo

Duas iniciativas voltadas ao fortalecimento da agroecologia e da produção de alimentos saudáveis no Rio Grande do Sul receberão mais de R$ 4 milhões em investimentos por meio de convênios assinados no dia 6 de março entre a Fundação Banco do Brasil (Fundação BB) e organizações da agricultura familiar camponesa.

Os convênios foram firmados com a Cooperativa Mista de Produção, Industrialização e Comercialização de Biocombustíveis do Brasil (Cooperbio) e com o Instituto Cultural Padre Josimo (ICPJ). A solenização pública das parcerias será realizada no dia 14 de março, durante a 9ª Festa da Semente Crioula e 4ª Feira da Economia Solidária da Cooperbio, em Seberi, no norte do Rio Grande do Sul.

A cerimônia contará com a presença do presidente da Fundação Banco do Brasil, André Castelo Branco Machado, que virá de Brasília para participar do evento e de representante do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social – BNDES e oficializar a assinatura dos convênios junto às organizações parceiras. Outras autoridades vinculadas ao Governo Federal também foram convidadas, bem como deputados federais e estaduais, e ainda lideranças locais e regionais.

Apoio à produção de alimentos saudáveis e à economia camponesa

O convênio firmado com a Cooperbio, presidida por Luiza Pigozzi, prevê investimento de R$ 1,8 milhão no projeto “Ecoforte Redes: Estruturação e Fortalecimento da Rede Alimergia”. A iniciativa busca ampliar práticas de manejo sustentável da sociobiodiversidade e fortalecer sistemas produtivos orgânicos e agroecológicos na região.

Já o convênio com o Instituto Cultural Padre Josimo, que tem como novo coordenador o frade capuchinho Wilson Zanatta, destina R$ 2,35 milhões ao projeto “Ecoforte Redes – Estruturação e Fortalecimento da Rede Camponesa de Agroecologia (RS)”. A proposta envolve famílias agricultoras, assentamentos da reforma agrária e comunidades quilombolas, com ações voltadas à produção sustentável, formação técnica e fortalecimento das redes de comercialização solidária.

Os dois projetos fazem parte do Ecoforte – Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica, iniciativa apoiada pela Fundação Banco do Brasil e BNDES e, que apoia redes territoriais voltadas à agroecologia e ao manejo sustentável da sociobiodiversidade.

Agroecologia e soberania alimentar como projeto de país

Para as organizações envolvidas, os convênios representam mais do que investimento financeiro: são parte de um processo coletivo de construção de um modelo de desenvolvimento baseado na agroecologia, na cooperação e na autonomia das comunidades do campo.

A organização de redes territoriais de produção e circulação de alimentos saudáveis fortalece a economia local, amplia a renda das famílias agricultoras e contribui para garantir à população acesso a comida de verdade.

Nesse contexto, iniciativas desse tipo também reafirmam o papel estratégico da agricultura familiar e camponesa na garantia da soberania alimentar — princípio que defende o direito dos povos de decidir sobre seus próprios sistemas de produção e consumo de alimentos, respeitando os territórios, os saberes tradicionais e a natureza.

Sementes crioulas: patrimônio dos povos do campo

A celebração dos convênios ocorrerá durante a 9ª Festa da Semente Crioula e 4ª Feira da Economia Solidária da Cooperbio, evento que reúne agricultores, cooperativas, movimentos sociais e organizações populares em defesa da biodiversidade e da agricultura camponesa.

As sementes crioulas, conservadas e multiplicadas pelas famílias agricultoras ao longo de gerações, são consideradas patrimônio dos povos do campo. Elas representam diversidade genética, autonomia produtiva e resistência frente ao avanço do controle corporativo sobre a produção agrícola.

A festa se consolidou como um espaço de troca de sementes, saberes e experiências agroecológicas, além de fortalecer a comercialização direta de alimentos produzidos pela agricultura familiar.

Projeto carrega legado de Frei Sérgio Görgen

Tanto Wilson Zanatta quanto Luiza Pigozzi destacam a importância do legado de Frei Sérgio para ambos os projetos, que reverberam ideais históricos que o líder religioso e dirigente social sempre teve como pontos centrais de luta.

Zanatta destaca que seu irmão de vida e lutas sempre afirmava que “em meio à crise climática, as iniciativas da agricultura familiar e camponesa constroem caminhos concretos de produção de alimentos saudáveis, preservação da biodiversidade e fortalecimento da soberania alimentar”.

Pigozzi lembra que “Os projetos fortalecem redes camponesas, ampliam a produção agroecológica e dão continuidade ao legado de organização popular construído por Frei Sérgio Görgen a partir do RS e que se disseminam por todo o país.”

Frei Sérgio Görgen foi um frade franciscano da Ordem Menor, militante histórico da luta pela reforma agrária e uma das principais referências da agroecologia e da organização camponesa no Brasil. Ao longo de décadas, atuou junto a movimentos populares do campo, defendendo a soberania alimentar, a preservação da biodiversidade e a construção de alternativas ao modelo concentrador da agricultura de monocultivo.

Para integrantes da rede de agroecologia, a implementação do projeto também representa a continuidade de um processo coletivo que Frei Sérgio ajudou a construir ao longo de sua trajetória. Relembra uma fala recente protagonizada por ele: “Sem a terra, sem o camponês e sem a agroecologia não existe soberania alimentar. O futuro da alimentação do povo brasileiro nasce nas mãos de quem cultiva a terra.”

O que é o Programa Ecoforte?

O Ecoforte – Programa de Fortalecimento e Ampliação das Redes de Agroecologia, Extrativismo e Produção Orgânica é o principal instrumento da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica do governo federal para o apoio à agroecologia e transição de sistemas alimentares.

O programa é apoiado com recursos da Fundação Banco do Brasil e do BNDES e executado pelas instituições cujas propostas foram selecionadas no edital de seleção pública. O Programa ECOFORTE integra a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica  – PNAPO e os Planos Nacionais de Agroecologia e Produção Orgânica  – PLANAPO, focando no fortalecimento de redes, cooperativas e organizações de produção orgânica e extrativismo.

A iniciativa apoia, por meio de investimento social, projetos coletivos organizados em redes territoriais formadas por agricultores familiares, cooperativas, movimentos sociais, povos tradicionais e organizações da sociedade civil.

André Machado, presidente da Fundação BB destaca a importância da parceria com o BNDES no Edital Ecoforte. “Estas duas iniciativas celebradas aqui em terras gaúchas fortalecem redes de agroecologia e produção orgânica, ampliam a oferta de alimentos saudáveis e promovem autonomia para agricultores e comunidades tradicionais. Seguimos comprometidos com a transição agroecológica e o desenvolvimento sustentável dos territórios.”

“A agroecologia e a soberania alimentar são pilares estratégicos para o desenvolvimento sustentável, a transição ecológica e o combate à fome”, ponderou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “Os convênios que estamos firmando neste sábado destinarão mais de R$ 4 milhões a agricultores familiares, assentamentos de reforma agrária e comunidades quilombolas para produzir mais alimentos saudáveis de forma sustentável”.

Entre as ações apoiadas estão: implantação de unidades de referência agroecológica; formação e intercâmbio entre agricultores; fortalecimento de redes de produção e comercialização; manejo sustentável da sociobiodiversidade; ampliação da produção de alimentos saudáveis.

O objetivo é fortalecer a transição agroecológica, a autonomia econômica das comunidades do campo e a ampliação do acesso da população a alimentos livres de agrotóxicos.

Serviço:

9ª Festa da Semente Crioula e 4ª Feira da Economia Solidária da Cooperbio

Data: 14 de março de 2026 (sábado)

Local: Cooperbio – Seberi (RS)

Atividades: troca e preservação de sementes crioulas; feira da economia solidária; debates sobre agroecologia e soberania alimentar; solenização dos convênios do Programa Ecoforte com a Fundação Banco do Brasil e Fundo Socioambiental do BNDES.

O encontro reúne agricultores, cooperativas, movimentos sociais e organizações populares em defesa da biodiversidade, da agroecologia e da produção de alimentos saudáveis.

 

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