Mulheres agricultoras familiares que enfrentam diariamente o estigma da desigualdade de renda, gênero e a dificuldade de acesso a investimentos em suas unidades produtivas.
Para as agricultoras da Associação Agroecológica Mulheres da Reforma Agrária (AAMRAC) a realidade não tem sido diferente. Elas têm enfrentado dificuldades no acesso a recursos como insumos e equipamentos e crédito para as suas atividades agrícolas, o que restringe suas oportunidades de investimento e expansão.
Para superar os desafios, a AAMRAC organiza mutirões agroecológicos coletivos para manejo e produção cooperada. Há três anos, as agricultoras do assentamento constroem um futuro mais justo e sustentável, produzindo alimentos de forma agroecológica como ato de resistência e cuidado com a terra e com as pessoas.
Para enfrentar esses desafios, potencializar as atividades e melhorar a condição socioeconômica das associadas agricultoras familiares a entidade desenvolve, com o apoio da Fundação Banco do Brasil, o projeto Raízes do Canaã: Sistemas Agroecológicos e Sustentabilidade no Assentamento Canaã, em Brazlândia/DF.
O projeto propõe capacitar agricultoras familiares em Economia Solidária e Sistemas Agroecológicos, estruturar sistemas produtivos agroecológicos diversificados, fortalecer a gestão e equipar a associação, além de promover ações de comunicação do projeto e da produção agroecológica das agricultoras familiares.
A sustentabilidade do projeto, após a execução das propostas, será garantida pela autonomia e empoderamento das mulheres agricultoras. As capacitações em economia solidária, em conjunto com a estruturação dos sistemas produtivos de maracujá, da meliponicultura e da produção de ovos caipiras, serão base fundamental para a manutenção e amplificação financeira da associação.
Mutirão de plantio
No último dia 06/01, a AAMRAC recebeu no Assentamento Canaã, em Brazlândia/DF, funcionários voluntários da Fundação Banco do Brasil para um mutirão de plantio de mudas de maracujá Pérola, uma das culturas incentivadas pelo projeto.
Ao todo, foram plantadas dezenas de mudas por cerca de 20 voluntários. Para a presidente da associação Maria Ivanildes Sousa, a participação de funcionários da Fundação BB é mais uma razão para engajar e motivar as agricultoras da associação. “Esse projeto é de grande importância pois dará sustentabilidade para as mulheres da associação, não sendo necessário que tenham que deixar suas casas para prestar serviço a terceiros”, disse.
Já para Jair Alves Farias, assessor na gerência de implementação de projetos, “participar de uma atividade dessas, além de colocar a mão na massa, traz significado para nosso trabalho de transformar realidades”, revelou.
Importância da agricultura familiar e da agroecologia
Você sabe de onde vem o alimento que consome? A agricultura familiar é responsável por cerca de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros e por grande parte das ocupações rurais.
Segundo o Censo Agropecuário 2017 (IBGE), são mais de 10 milhões de pessoas em 3,9 milhões de estabelecimentos familiares, 55% dirigidos por negros e negras. Sendo que a maioria dessas unidades atua de forma agroecológica, onde se valoriza saberes tradicionais, preserva o meio ambiente e promove relações inclusivas no campo, garantindo alimentos saudáveis e sustentabilidade.
O compromisso com a agroecologia implica, portanto, na urgente necessidade de evidenciar e repensar as formas de produzir alimentos ao estabelecer uma relação direta entre produção de alimentos saudáveis e qualidade de vida, entre agricultoras e agricultores e consumidores, entre padrões saudáveis de produção e consumo e manutenção da vida no planeta.
Foi uma honra participar deste mutirão e conhecer as associadas! Obrigada Fundação BB!