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Iniciativa cearene vai além da comercialização de produtos, contribuindo para troca de saberes e resgate cultural


O cheirinho do bolo de milho que dá água na boca, o sabor da tapioca e as cores exuberantes das verduras e legumes cultivados por famílias agricultoras é o resultado da Rede de Feiras Agroecológicas e Solidárias do Ceará apoiada pela Fundação Banco do Brasil. A iniciativa, realizada pelo Centro de Estudos do Trabalho e de Assessoria ao Trabalhador (CETRA), surgiu em 2009, como fruto de experiências de comercialização e articulações vivenciadas nos Territórios Vales do Curu e Aracatiaçu, Sertão Central, Maciço de Baturité e Sobral.

A rede atende 300 famílias, e abrange 16 feiras no estado Ceará, que são organizadas em diversos municípios, comunidades e distritos. Os agricultores levam seus produtos para esses espaços que são oferecidos diretamente para o consumidor. A produção é certificada pela Organização de Controle Social (OCS), documento emitido pelo Ministério da Agricultura que garante que o alimento produzido pelo produtor é agroecológico.

Nas bancas há diversos produtos que não são encontrados em mercados. “A feira valoriza a cultura que estava se perdendo, é o resgate da identidade rural”, destaca Luiz Eduardo, coordenador do projeto da Rede de Feiras Agroecológicas e Solidária do Ceará. E completa: “Um bom exemplo é a araruta, planta que estava entrando em extinção, então as famílias passaram a trabalhar o seu cultivo, comercializar nas feiras e explicar seus benefícios para a saúde. Deu certo e a procura veio também dos médicos para usá-la em tratamentos medicinais.”

O projeto é apoiado pela Fundação Banco do Brasil a partir do edital Ecoforte Redes, realizado em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A iniciativa recebeu o investimento social de cerca de R$ 1 milhão.

O campo mais próximo da cidade

Como as feiras se localizam próximas aos consumidores e levam para o município o que é produzido na região, os clientes têm a oportunidade de conhecer as áreas de plantio, de saber a origem do produto e como é cultivado. “É uma ponte que liga a cidade com o campo e a natureza. As famílias disponibilizam seu cultivo de forma solidária para que as pessoas tenham acesso ao conhecimento e colaborem com o fortalecimento da produção de alimentos saudáveis”, pontua Luiz Eduardo.

Os agricultores familiares são protagonistas e possuem total autonomia para o trabalho. O acompanhamento dos processos é efetuado pelos próprios feirantes, que realizam intercâmbios de saberes de forma permanente, trocas de sementes e novas técnicas de plantio e colheita, além de tomarem decisões sobre planos, questões de embalagem, entre outros assuntos.

Dentro da rede de feiras existem os grupos de beneficiamentos que cuidam de diferentes produções. O coletivo do caju produziu 25 mil litros de cajuína em um ano. Com o investimento social da Fundação BB, a equipe atuará na construção de um forno para cozinhar a cajuína, uma estratégia que vai valorizar a produção e aprimorar o produto final.

Beneficiamento da Produção

O empreendimento tem conquistado o público, e a procura pelos feirantes cresce a cada dia para atender outros mercados. “Atualmente, temos demandas de feiras em organizações e espaços institucionais para discutir essa temática da agroecologia, consumo consciente e segurança alimentar. O alimento saudável tem ganhado cada vez mais visibilidade”, ressalta.

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Projetos vão atender cerca de 7 mil pessoas das cinco regiões do país

Vinte e oito entidades sem fins lucrativos foram habilitadas pela Fundação Banco do Brasil e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio do Programa Ecoforte Redes, para investirem em projetos de agroecologia nas cinco regiões do país. As contempladas foram escolhidas nas seleções públicas 2017/030 e 2017/031, que disponibilizam recursos no valor de R$ 25 milhões do Fundo Social e do Fundo Amazônia administrados pelo BNDES. 

A seleção tem como objetivo, apoiar projetos territoriais de redes de agroecologia, extrativismo e produção orgânica, voltados à intensificação das práticas de manejo sustentável de produtos da sociobiodiversidade e de sistemas produtivos orgânicos e de base agroecológica. Os projetos vão atender cerca de 7 mil pessoas diretamente.

No Edital 2017/030, que é voltado para atender propostas novas de redes de agroecologia ou à consolidação das atendidas pelo certame de 2014 foram habilitadas 21 entidades..

Enquanto o Regulamento número 2017/031, uma chamada direta para melhoria de organizações de agroecologia conveniadas pelo edital de 2014, vai atender sete entidades.

Conheça aqui as vencedoras.

Programa Ecoforte
Criado em 2013, o Ecoforte possibilitou a integração das organizações participantes, com ampliação da participação de agricultores familiares no processo de transição agroecológica, inserção produtiva de jovens e mulheres, melhoria da capacidade de produção, articulação e realização de negócios solidários nas próprias redes

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Quinta, 05 Julho 2018 10:16

Moinho de possibilidades

Estrutura construída com apoio da Fundação BB irá possibilitar a diversificação de produtos do milho

Uma das especialidades da Associação Agricultores Guardiões da Agrodiversidade (Agabio), sediada em Tenente Portela, município na região noroeste do Rio Grande do Sul, é o plantio agroecológico do milho - sem o uso de agrotóxicos e com sementes crioulas -, e a produção de derivados do cereal. Mesmo com uma gama diversificada de produtos, faltava ainda uma infraestrutura adequada para o beneficiamento de insumos.

O grande sonho da associação era ter o próprio moinho, pois utilizam estrutura de terceiros para produzir farinha, com custo de R$ 30 por balde de milho. Essa despesa tinha alto impacto para os agricultores, cuja a renda média varia entre R$ 500 e 600.

Em 2015, a partir de seleção no edital Juventude Rural, o moinho foi edificado com o investimento de R$ 200 mil. Foram dois anos de obras, concluídas recentemente com a instalação elétrica para operação das máquinas. Agora, um novo projeto da Fundação, com o investimento de R$ 205 mil, possibilitará também a aquisição de veículo, insumos agroecológicos, capacitação, construção de fornos à lenha e kits para a construção de canteiros. "Com o novo projeto, acreditamos que a nossa renda irá aumentar” afirma a presidente da entidade Marivone Schepp.

A agricultora Luciane Ritter conta que chegou a mudar para a cidade por três anos após se casar. “Meu pai trabalha há mais de 50 anos com agricultura, criou minhas irmãs na roça. Sempre gostei desse trabalho, voltei para ajudá-los”. Ela acredita que, assim como o moinho, as capacitações serão muito importantes para ampliar e aperfeiçoar a produção. “Agora teremos como produzir a nossa farinha e desenvolver novos produtos”, conclui.

Objetivo de Desenvolvimento Sustentável - ODS 2

A Agabio se destaca por oferecer alimentos saudáveis por meio de práticas sustentáveis. Ela também preserva as tradições no manejo com a terra por meio do cultivo sementes crioulas como forma de garantir a soberania alimentar e erradicação da fome. Além do milho, as 19 famílias que participam da associação também plantam hortaliças, legumes e frutas.

A divulgação deste projeto contempla quatro Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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