Terça, 25 Setembro 2018 10:10

Cadê a farinha? Farinha pra fazer pirão Destaque

Escrito por Dalva de Oliveira
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Fábricas móveis em Goiás vão melhorar condições de trabalho de agricultores familiares e aumentar a capacidade de beneficiamento da mandioca

Um dos ingredientes mais populares na mesa dos brasileiros, a farinha de mandioca está presente no mercado de qualquer região do País. Com grãos finos ou grossos, brancos ou amarelos, a iguaria já foi homenageada com músicas e rimas por diversos artistas. Martinho da Vila, por exemplo, cantou “Menina cadê a farinha? Farinha pra fazer pirão, pirão pra comer com peixe pescado no ribeirão”. Em 2001, Djavan dedicou uma canção inteirinha a ela: “a farinha é feita de uma planta da família das euforbiáceas de nome manihot utilissima que um tio meu apelidou de macaxeira”. O rei do baião - Luiz Gonzaga - também não deixou a farinha passar despercebida e declarou seu amor nos versos da música Fogo Pagou: "teve pena da rolinha que o menino matou, mas depois que torrou a bichinha, comeu com farinha...gostou”.

Para agricultores familiares dos municípios goianos de Planaltina e Vila Boa, vai além da música: é garantia de aumento na renda e melhoria das condições de vida. Por meio de um projeto inovador do Instituto Sócio Econômico de Desenvolvimento Social - Instituto Transformar, eles receberam duas casas de farinha móveis, no início deste mês. São trailers equipados com forno, descascador, ralador, prensa, e com capacidade para beneficiar 600 kg por dia de farinha. As unidades fazem parte da primeira fase do projeto “Organização Agroecológica do Processo Produtivo Mandiocultura no Nordeste Goiano”, que recebeu da Fundação Banco do Brasil investimento social de R$ 211 mil.

A iniciativa tem como objetivo melhorar a produtividade e solucionar os problemas de cultivo de mandioca no cerrado e prevê também a entrega de equipamentos, de insumos agrícolas e assessoria técnica. Nessa primeira fase serão atendidas 200 famílias. “É um projeto construído por várias mãos para melhorar a vida do produtor rural. As casas vão circular pelas propriedades para atender as demandas das famílias e tornar o trabalho mais rápido e menos árduo. Somos gratos à Fundação BB por mais uma vez acreditar nos nossos projetos”, declarou Jesiel Campos, coordenador do projeto.

A primeira unidade foi entregue na chácara do casal Vicente Maia Sobrinho e Maria do Socorro Marques Maia, em Planaltina - GO. “Antes, plantávamos a mandioca para vender. Depois, nós e os vizinhos passamos a juntar a mandioca para fazer farinha numa casa de beneficiamento muito rústica na propriedade do senhor Pedro, nosso vizinho. Mas o processo era muito trabalhoso e demorado. Só temos a agradecer à Fundação Banco do Brasil pela confiança”, disse dona Socorro.

A segunda unidade foi entregue na Associação dos Pequenos Produtores de Vila Boa – GO. Na década de 1990, os agricultores familiares de Vila Boa foram os maiores produtores e processadores de farinha de mandioca do nordeste goiano, mesmo utilizando o método artesanal (forno de barro e prensa de madeira). Já os trabalhadores de Planaltina, só começaram a produzir farinha a partir de ano 2000. O produto tem boa aceitação pelo consumidor porque mantém a goma, o que facilita o preparo do pirão.

Participação das mulheres

As mulheres estão presentes em todo processo da cadeia produtiva da mandioca – plantio, colheita, beneficiamento e na elaboração de pratos. A aposentada Juraci Dias de Oliveira, de 72 anos, faz parte dessa tradição - o antigo forno de barro que era usado no beneficiamento da farinha fica na propriedade dela e do marido, Pedro da Cruz. Cozinheira de profissão, Juraci já mostrou seus dotes culinários em restaurantes famosos de Brasília e até em Nova Iorque. “Tudo em minhas mãos vira comida boa e gostosa, e com a farinha não é diferente, faço farofa e pirão como ninguém”, conta com orgulho.

 

 

Ler 7403 vezes Última modificação em Terça, 25 Setembro 2018 10:21

1 Comentário

  • Link do comentário Paulo Roque da Mata Quinta, 16 Maio 2019 12:15 postado por Paulo Roque da Mata

    Tenho uma propriedade no Piauí e estou pesquisando sobre produção de farinha. Vcs tem alguma informação sobre preços e financiamentos?

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