Com cozinha industrial e cisterna os moradores terão condições de trabalhar a produção de polpas de frutas, remédios caseiros e realizar pequenas plantações

Na região conhecida como Quilombo Poços do Lunga, localizada na zona rural da cidade de Taquarana (AL), os descendentes de escravos sofrem com a falta de serviços básicos e de oportunidades de trabalho.

E para abolir o abandono ao qual essa população foi submetida, foi criada, em 2011, a Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos Passagem, com a finalidade de fortalecer o desenvolvimento sustentável e a preservação ambiental nas comunidades do sertão alagoano.

A agricultura familiar de subsistência é a principal atividade econômica da região, acompanhada por eventuais produções artesanais e de gêneros alimentícios, sendo que a maioria das famílias ainda precisa contar com o programa Bolsa Família para sobreviver.

Mesmo estando a cinco quilômetros do Rio Lunga, o acesso à água doce ainda é uma questão complicada. A prolongada seca que afeta a região desde 2012 tem provocado dificuldades de subsistência e intensificado o quadro de vulnerabilidade social. No segundo semestre de 2017, a associação apresentou o projeto “Quilombo, Inclusão e Transformação” à Fundação Banco do Brasil e foi contemplada com o investimento social de R$ 249 mil. O recurso foi usado na implantação de uma cozinha industrial e na construção de uma cisterna de placas de 52 mil litros. O projeto atende 65 famílias residentes no quilombo, contribuindo para promoção da segurança alimentar e geração de trabalho e renda.

Antônia do Espírito Santo é nascida e criada no povoado e hoje ocupa o cargo de coordenadora da associação. Ela explica que nesse período o rio já se encontra totalmente seco, o que faz com que as famílias recorram às cisternas para obterem água potável. “Nossa intenção no primeiro momento era abrir poços artesianos, mas aqui, qualquer tanto que cavar a terra, a água que brota é muito salgada, não serve para nada”.

E para garantir a geração de trabalho e renda, a cozinha industrial, que já está pronta, será usada na produção de polpas de frutas e na fabricação de remédios caseiros derivados de plantas medicinais, como angico, barbatimão, aroeira e caju vermelho. “Vamos trabalhar com as frutas da região, a exemplo do umbu, que no período de safra costuma dar em abundância. Além de outros frutos que já iniciamos o plantio". Os associados também já iniciaram o cultivo de verduras, legumes e folhagens para ajudar na alimentação das famílias. Todas atividades são acompanhadas de conversas para motivar os participantes. “As pessoas aqui são muito desconfiadas, muitas não acreditavam que o projeto iria acontecer, porque nunca tiveram uma renda, mas a gente está sempre trabalhando a questão do pensamento positivo e a autoestima, principalmente com as mulheres e os mais jovens”, declarou Antônia.

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Parceria entre a Fundação BB e entidade local vai atender 70 famílias em comunidade do município de Moju

Os moradores do quilombo de São Manoel têm sonhos em comum: novas oportunidades de trabalho e acesso à água potável. A comunidade localizada no Território do Jambuaçu, a 42 quilômetros do município de Moju (PA), possui um único reservatório com capacidade de dez mil litros, com mais de 20 anos de uso e insuficiente para a população atual.

Uma parceria inédita entre a Associação Quilombola dos Agricultores de São Manoel e a Fundação Banco do Brasil traz esperança de transformação social. Com investimento de R$ 250 mil, o projeto “Potencializando Direitos e Levando Dignidade para a Comunidade Quilombola de São Manoel” irá construir um microssistema de abastecimento de água com poço artesiano, instalação de caixa d’água central e encanamentos. A estrutura tem capacidade para atender o consumo das 70 famílias que vivem no local.

O presidente da associação, Manoel Almeida, destaca a importância de garantir o abastecimento de água na região. “Apesar da abundancia de água na comunidade, ela não é própria para o consumo. Essa questão vinha nos preocupado bastante”, disse.

Além do sistema de abastecimento, o projeto também prevê a implementação de um atelier de corte e costura, onde serão ministrados cursos de capacitação. Trabalhar com corte e costura é um desejo antigo das mulheres da comunidade que sonham com a possibilidade de resgatarem a cultura e a autonomia familiar.

“Estamos bem otimistas com esse projeto, pois vai atender toda família, beneficiando os mais jovens, que são a grande maioria. Queremos que eles encontrem um meio de sustento aqui, para que não precisem buscar oportunidades nas grandes cidades. Esperamos que consigam trabalhar e criar seus filhos em nossa terra”, concluiu Manoel.

A divulgação deste projeto contempla três Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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