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Tecnologia social utiliza a música e a arte para promover a inclusão social; além do DF, metodologia será reaplicada no Maranhão

João Gabriel é um garoto lindo, alegre, mas que depende de orientações para tudo que vai fazer, até mesmo executar as tarefas mais simples, como escovar os dentes e tomar banho.

Aos 2 anos e 6 meses de idade, foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista-TEA, isso após seus pais, o bancário Sérgio Rocha e a professora Érika Dinato, perceberem que ele não respondia às suas solicitações quando era chamado. Mais tarde, vieram as estereotipias (movimentos repetitivos) nas mãos que aos poucos foram se intensificando, e foi aí que eles começaram a peregrinação para descobrir o que o filho tinha. Já com o diagnóstico, o desafio era buscar formas de inclusão e de ampliar as possibilidades de socialização.

Prestes a completar 12 anos, João Gabriel é um dos 22 atendidos pela tecnologia social “Uma Sinfonia Diferente - musical para pessoas com autismo”, do Instituto Steinkopf, de Brasília (DF). Vencedora do Prêmio Fundação Banco do Brasil de 2017, na Categoria Saúde e Bem-Estar, a metodologia foi idealizada pela musicoterapeuta, Ana Carolina Steinkopf, em 2015, e utiliza a música e seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) no acompanhamento do autista.

A iniciativa envolve pessoas com autismo verbal e não-verbal e, no caso de João Gabriel, o foco é na atividade motora fina e estímulo à socialização. "Ele adora comer e ter contato com água, no caso piscina, rio, mar e chuveiro; gosta de cama elástica, de se balançar e ficar deitado em superfícies planas. Quando estimulado, adora dançar.Vejo muito progresso após fazer parte do Sintonia. Ele já desenvolveu a noção de espaço; gosta de rodopiar e quando é estimulado, dança e maneja os instrumentos musicais. Hoje já percebe que existem outros como ele", conta o pai, chamado de Serginho.

Nesse final de semana, o grupo fez duas apresentações do musical “Todas as formas de amor e de amar”, na Sala Plínio Marcos da Funarte. A primeira, para os parceiros do projeto; e a segunda foi aberta ao público em geral. O espetáculo contou um repertório diversificado voltado para o universo infantil como – Peixe Vivo, Tumbalacatumba, Se Você está Feliz - e com muitas brincadeiras no palco. Para que tudo fosse acontecesse foram realizados ensaios semanais, durante seis meses, com objetivo terapêutico e de aprendizagem das músicas e coreografias.

De acordo com Ana Carolina, o espetáculo deste ano foi todo produzido pelas pessoas com autismo. Os mais velhos do grupo foram os responsáveis pela a escolha do nome do espetáculo, roteiro, luz, cenário e figurinos. Tudo foi pensado neles, para que fosse um momento de diversão, em que eles pudessem mostrar seus potenciais e que a sociedade veja que as pessoas com autismo são muito mais do que só ficarem num cantinho, elas conseguem ser protagonistas de suas próprias histórias”, declarou Carol.

Da turma também participa o João Lucas, de nove anos, que está na projeto há três e não perde um ensaio. “O João Lucas já se desenvolveu muito. Aqui é onde nos encontramos com outras mães de autistas. O projeto tem feito muito bem para meu filho, e acredito que para todos que participam. A Carol é um amor de pessoa, sempre pronta a ajudar”, disse Lena Silva, mãe do João Lucas.

E o que falar de Daniel Cavalcanti? Jovem esperto e muito inteligente, que se envolveu em todas as fases do musical. Veja o que ele diz.


Desmistificação

Amar, cuidar e tratar de uma pessoa com autismo não é uma tarefa fácil. Os pais precisam de uma rede de apoio que vai do aspecto econômico ao psicossocial. Se informar sobre os direitos do filho, buscar tratamento especializado e ter tempo para se dedicar às tarefas cotidianas, muitas vezes, gera ansiedade e tristeza

Serginho diz que esta crença de que pais e mães de pessoas com autismo são especiais não ajuda, pelo contrário, esconde os desafios diários. “Não somos super-heróis; precisamos de ajuda dos familiares, da sociedade, do poder público. Não é porque somos 'especiais' que não temos cansaço, raiva, tristeza e frustração”, afirma.

Para ele, desmistificar estas crenças mostra que há grandes desafios no cuidado de um autista e precisa ser discutido de forma ampla. Além disso, em uma sociedade cada vez mais competitiva, o conceito de ser bem sucedido também precisa ser questionado. “Num mundo onde o sucesso é um valor, é preciso que ressignifiquem o que é sucesso para pessoas com dificuldades”, avalia.


Reaplicabilidade

Após ser vencedor do Prêmio de Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, a metodologia ganhou mais visibilidade, aumentou o número de crianças e jovens atendidos e criou mais uma turma em Brasília. Nos próximos dias, o método começará a ser reaplicado na cidade de São Luís (MA). A TS também foi vencedora do Edital do Fundo de Apoio à Cultura de Porto Alegre. A iniciativa e outras 985 formam o Banco de Tecnologias Sociais da Fundação BB, um acervo online com todas as metodologias certificadas pela organização desde 2001.

Publicado em Notícias

Tecnologia utiliza a música como inclusão social para a pessoa com autismo e sua família

Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, a pessoa com autismo é capaz de desenvolver aptidões para a música e outras atividades. Prova disso é o que vem fazendo a tecnologia social, “Uma Sinfonia Diferente - musical para pessoas com autismo”, do Instituto Steinkopf, de Brasília (DF).

Idealizada pela musicoterapeuta, Ana Carolina Steinkopf, em 2015, a metodologia utiliza a música e seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) no acompanhamento do autista.

O método consiste em quatro etapas: inscrição e seleção dos participantes; ensaios em pequenos grupos; apresentação pública; e retorno aos ensaios, com a avaliação sobre a evolução dos atendidos. As fases são acompanhadas por uma equipe formada por psicólogos e terapeutas ocupacionais.

Finalista na categoria Saúde e Bem-Estar, do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, a iniciativa busca conscientizar a população em geral, além de incluir socialmente a pessoa com autismo como protagonista e agente cultural. O projeto ainda promove a saúde e bem-estar dos autistas e seus familiares.

Segundo a musicoterapeuta, a ideia surgiu da vontade de entender o universo da pessoa com autismo a partir das reclamações dos pais sobre as dificuldades de integrar seus filhos. Ela sonha em expandir o método para todo o Brasil e, a partir de pesquisa de mestrado prevista para 2018, consolidá-lo como metodologia científica.

“Uma Sinfonia Diferente é um pedaço de um grande sonho de tornar o Instituto Steinkopf um centro de referência em autismo, com foco na valorização do potencial das pessoas, com centro acadêmico de pesquisas e atendimentos clínicos de excelência”, relata.

Luciana Ribeiro, mãe de Gabriel Luiz, de sete anos, procurou ajuda no Instituto a partir de reportagem que assistiu na TV. “Meu filho já tinha um diagnóstico fechado e resolvi procurar o grupo pela ausência de terapias em grupo para autistas. Nesses dois anos é perceptível como ele está mais sociável. Lá ele é tratado como igual. Foi na música que o Gabriel descobriu o outro”, declara."

A iniciativa promove diversas atividades em grupo, como estimulação musical, ensaios e apresentações. O próximo show está marcado para 19 de outubro às 19 horas na Sala Plínio Marcos da Funarte, em Brasília.

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) tem início na infância e está associado à dificuldade na comunicação (alteração na fala), socialização e a comportamentos repetitivos que têm ocorrência em diferentes contextos.

Conheça outras iniciativas finalistas do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social 2017 em fbb.org.br/finalistas



Prêmio
Assim como esta iniciativa, o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social tem outras 17 tecnologias nacionais e três internacionais concorrendo à premiação final. As vencedoras serão conhecidas no mês de novembro em cerimônia realizada em Brasília (DF). Esta edição tem a cooperação da Unesco no Brasil e o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Banco Mundial, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud).

Veja aqui a lista das finalistas do Prêmio 
Veja aqui a lista das 173 certificadas 
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A divulgação deste projeto contempla dois Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.


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