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Organização comunitária no Médio Juruá, na Amazônia, fortalece produção sustentável de recursos e atrai apoio de organizações e empresas

O boto cor-de-rosa é atração entre os turistas que vão visitar os rios da Amazônia, mas não é companhia desejada pelos barqueiros da região. Têm a fama de distraírem a atenção do condutor e de fazê-lo perder o rumo. Além disso, os barqueiros rejeitam levar mulheres que estão no período menstrual, devido ao folclore de que elas atraem os mamíferos ao redor do barco.

Essa história faz parte do repertório das comunidades ribeirinhas no Médio Juruá, no município de Carauari, região sudoeste do Amazonas, onde o transporte fluvial tem papel decisivo: é o único meio de ligação entre as localidades e o resto do mundo. O rio Juruá tem inúmeras curvas, o que torna o percurso bastante demorado. Para chegar à área urbana leva até três dias de barco. Para a capital do estado, Manaus, a viagem dura até dez dias. Assim vivem 4,2 mil pessoas que moram nas 55 comunidades na reserva extrativista Médio Juruá e na reserva de desenvolvimento sustentável Uacari, unidas pelo sinuoso rio.  

“Aqui na Amazônia, além da falta de comunicação, nós temos grandes distâncias que elevam os custos e aumenta o preço dos produtos”, afirma Adevaldo Dias, presidente do Memorial Chico Mendes. 

Para superar a dificuldade com o transporte e o sustento das famílias, a saída foi a organização comunitária. Associações e cooperativas formadas por moradores contam com o apoio financeiro e acompanhamento de instituições parceiras mobilizadas na preservação da biodiversidade e da cultura dos ribeirinhos. As iniciativas na região conciliam a geração de renda com a conservação da floresta e buscam fortalecer cadeias produtivas com base no manejo sustentável de espécies vegetais e animais.

As famílias vivem da extração de acaí, da borracha e de oleaginosas como andiroba e murumuru, do cultivo da mandioca e da pesca - principalmente do manejo do pirarucu. O manejo das tartarugas, com o acompanhamento de pesquisadores, é feito para evitar que entrem para a lista das espécies em extinção, mas o uso comercial autorizado é um objetivo dos produtores locais.

Apoiadores nacionais, entre eles a Fundação Banco do Brasil, se reuniram com representantes de 45 comunidades em um seminário, entre 17 e 19 de outubro, na comunidade de Bauana. O evento teve a participação de mais de 200 pessoas, entre moradores e parceiros, e a organização foi do Instituto Chico Mendes (ICMBio) e da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc). O objetivo foi debater o fortalecimento das cadeias produtivas das duas reservas.

Bruna de Vita, coordenadora Geral de Populações Tradicionais do ICMBio, ficou satisfeita com a aproximação entre os comunitários e as instituições.


Ecoforte

A Fundação Banco do Brasil investe em diversos projetos no Médio Juruá, por meio do Programa Ecoforte, em parceria com o Fundo Amazônia (gerido pelo BNDES) e o apoio do Ministério do Meio Ambiente e ICMBio. 

Em convênio com a Asproc, o recurso em torno de R$ 1,2 milhão  foi utilizado para a compra de dois barcos para o transporte dos produtos e para a construção de um entreposto de pesca, que está em andamento. “Agora a gente pega o peixe e leva para Manaus para ser feito o processamento, com alto custo de transporte e de beneficiamento. Com esse entreposto construído aqui o manejador vai poder receber um valor a mais pelo pescado”, explica o presidente da Asproc, Manuel Siqueira. A entidade também recebeu o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, em 2015, na categoria Comunidades Tradicionais, Agricultores Familiares e Assentados da Reforma Agrária. O troféu foi um reconhecimento à Tecnologia Social Sanear, que permite o acesso a água potável, por captação de chuva ou de poço, e a construção de sanitário nas residências.

Ainda pelo Ecoforte, a Cooperativa Codaemj recebeu cerca de R$ 600 mil que são empregados na aquisição de sementes de andiroba, murumuru e ucuuba e na construção de galpão para o processamento das oleaginosas.

"Participar do Seminário nos deu a dimensão da forte mobilização e organização social dos comunitários e da seriedade de suas associações e cooperativas para o desenvolvimento sustentável da região. Com o Ecoforte, contribuímos para a estruturação das cadeias produtivas manejadas por essas comunidades, agregando valor e ativando a economia extrativista,  possibilitando que mais pessoas se beneficiem, conheçam e consumam esses produtos em todo o Brasil", explica Cláudia Zulmira, assessora da Fundação Banco do Brasil. 

O que é manejo

Manejo Florestal Sustentável é a administração da floresta para obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando os mecanismos de sustentação do ecossistema, possibilitando a utilização de múltiplas espécies, produtos e subprodutos madeireiros e não-madeireiros, assim como outros bens e serviços florestais. A produção leva em conta a legislação em vigor e tem o acompanhamento de órgãos ambientais. 

Fotos: Paula Crepaldi/Fundação BB e Bruno Bimbato/ICMbio

Publicado em Notícias

O equipamento vai beneficiar 97 comunidades extrativistas da Reserva Médio Purus

Uma parceria entre a Fundação Banco do Brasil e a Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus (Atamp), firmada em 24 de fevereiro de 2018, vai beneficiar pelo menos 1.300 famílias que vivem na unidade de conservação Reserva Médio Purus, no Amazonas. Atualmente, a pesca é uma das principais atividades socioeconômicas do município de Lábrea, localizado na reserva. Nos últimos anos, foi observado o aumento na produção do peixe Pirarucu, que tem beneficiado povos indígenas, ribeirinhos e extrativistas que vivem na região. Com trabalho árduo, os pescadores têm conseguido tirar o sustento do manejo do peixe, que pode alcançar o peso de até 200 quilos.

pirarucu

O investimento social da Fundação BB no projeto é de R$ 600 mil, que foi selecionado por meio do edital Ecoforte Extrativismo. A iniciativa contempla a construção de uma balsa de alumínio de 20 metros de comprimento e uma câmara refrigerada com capacidade para armazenar 40 toneladas de pescado. A venda dos peixes será realizada diretamente nas feiras e mercados do município.

O presidente da Atamp, José Maria Carneiro de Oliveira, enfatiza que desde 2005, data da fundação da associação, o gasto com o aluguel de embarcações é muito alto, chegando a R$ 700 a diária de um barco de grande porte. Segundo ele, com a aquisição da nova embarcação, a economia das comunidades será impulsionada com aumento do lucro e do número de pessoas beneficiadas.

“O apoio da Fundação BB foi uma conquista para nós da associação e para os pescadores, que há anos enfrentamos dificuldades no manejo do pirarucu. Os barcos que alugávamos não têm a mesma capacidade, nem câmara refrigerada, o que nos dá mais custo para realizar a pesca. Hoje, os gastos com gelo, aluguel e combustível são significativos. Agora, com o novo barco, que é mais leve por ser de alumínio, vamos gastar menos combustível, poderemos levar mais pescado e vender o peixe por um valor menor”, comemora o presidente da Atamp.

A entidade participou do processo de elaboração do Plano de Utilização da Reserva Extrativista Médio Purus, que tem como órgão gestor o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Criado pela Lei nº 9.985 de 2000, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) contempla categorias que permitem o uso de parte dos recursos naturais por comunidades que vivem no interior ou entorno dessas áreas. São as chamadas unidades de conservação (UCs) de uso sustentável: Florestas Nacionais, Reservas Extrativistas e Reservas de Desenvolvimento Sustentável são os principais exemplos desse tipo de UC.

Empoderamento das comunidades
Ouça aqui o depoimento do chefe da Reserva Médio Purus, gestor no ICMBio, José Maria Ferreira de Oliveira, que participa do manejo do pirarucu na região desde 2012.

Baixo custo e novos mercados
A embarcação de alumínio demanda baixo custo de manutenção, comparado a outras embarcações de ferro, aço ou madeira. O alumínio tem alta resistência à corrosão e demanda menor quantidade de combustível para o deslocamento por ser mais leve. A câmara frigorífica, contemplada pelo projeto, vai garantir a conservação do pescado pelo tempo que for necessário para percorrer os rios da Amazônia, sem a preocupação com a perda do gelo e risco de deterioração do pescado.

Com a nova aquisição, a Atamp fez prospecção de ganho de novos mercados como Manaus, Porto Velho, Boca do Acre e Acre, que serão futuros compradores diretos sem depender da venda para a cooperativa de Lábrea, que não absorve toda a produção.

Para o pescador Regimar Flor de Almeira (34), que há cinco anos trabalha com o manejo sustentável do pirarucu, a nova embarcação vai trazer mais qualidade de vida para os participantes, que atualmente enfrentam dificuldades por falta de melhor estrutura.

“Há muito tempo lutamos por isso, pois nós manejadores não temos condições de pagar uma diária de R$ 700 para praticar o manejo. Agora, teremos a possibilidade de ganhar mais e ter uma melhoria de vida, pois hoje está difícil. Ganhamos pouco. Estamos felizes por termos a oportunidade de evoluir”, destaca o pescador da comunidade Várzea Grande.

 

A divulgação deste assunto contempla três Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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