Quarta, 19 Dezembro 2018 11:08

30 anos sem Chico Mendes

No próximo dia 22 de dezembro fará 30 anos que o ambientalista Chico Mendes foi assassinado na porta dos fundos de sua casa na cidade de Xapuri (AC). Para celebrar o legado de Chico, para a causa dos povos da Floresta, o Conselho Nacional das Populações Extrativistas – CNS - organizou o “Encontro de Extrativistas Chico Mendes 30 anos: uma memória a honrar, um legado a celebrar”. 

O evento ocorreu nos dias 15 a 17 de dezembro, em Xapuri, cidade onde Chico Mendes nasceu e viveu até a sua morte. Amigos, familiares e entidades se reuniram para discutir a memória e o futuro deixado pelo ambientalista para os povos da floresta. Durante os três dias, ocorreram mesas de debate com temas relacionados ao extrativismo, violência, protagonismo das mulheres nas cadeias produtivas, uma romaria ao túmulo de Chico Mendes e visita à casa onde o ambientalista morou e que atualmente é um museu para visitação na cidade de Xapuri.

Na mesa de abertura do evento, o diretor de ações socioambientais do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade – ICMbio,  Claudio Maretti, destacou a criação das reservas extrativistas como o maior legado de Chico Mendes para a proteção da Floresta. “As resex são um marco porque a conservação da natureza e a defesa das populações extrativistas se tornaram um só pacto”, reconheceu Maretti.

O conceito de reservas extrativistas (Resex) da Amazônia, que alia o convívio sustentável entre o produtor e a floresta, foi uma criação de Chico Mendes. As quatro primeiras Resex do Brasil, foram criadas em 1990 e depois foi expandido para outros biomas brasileiros. Atualmente há 92 unidades apenas na Amazônia, que se dividem em reservas extrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável.

Ao serem criadas, as Resex concretizaram o sonho de Chico Mendes de assegurar o futuro para as gerações seguintes de seringueiros e extrativistas. Desta forma, durante o evento, a bisneta de Chico Mendes, Lívia (9 anos) escreveu uma carta ao bisavó reconhecendo o legado dele.

“Meu querido bisavô Chico Mendes. Eu gostaria de ter conhecido você, mesmo assim, eu ouvi falar de você e da tua história. Eu sei que você sempre foi importante para o mundo, e sempre será. Você salvou a floresta amazônica e o mundo. Por sua causa, a floresta amazônica é a maior floresta do mundo. Se não fosse por você, aconteceria um desastre. Tomara que as pessoas tenham consciência e tenham entendido que eles não vivem sem a natureza”.

Ecoforte
Cláudia Zulmira, assessora da Fundação Banco do Brasil, participou do encontro e reafirmou o compromisso do Ecoforte Extrativismo para o fortalecimento do Bioma. “Ao apoiar ações de agregação de valor aos produtos da sociobiodiversidade amazônica, a Fundação BB reforça sua diretriz estratégica de atuar na região Norte, em parceria com o Fundo Amazônia, contribuindo para a conservação da floresta, promoção do desenvolvimento sustentável e melhoria da qualidade de vida dos povos e comunidades tradicionais que vivem em Unidades de Conservação de Uso Sustentável”, afirmou Cláudia durante o evento.

O Programa de Ampliação e Fortalecimento das Redes de Agroecologia e Produção Orgânica – Ecoforte – integra o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) e visa o fortalecimento e a ampliação das redes, cooperativas e organizações socioprodutivas e econômicas de agroecologia, extrativismo e produção orgânica. A Fundação Banco do Brasil é parceira do Programa Ecoforte ao lado do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade – ICMbio.

A Fundação Banco do Brasil investiu mais de R$ 36 milhões, em 51 projetos, gerando renda para 14 mil participantes e mais de 10 milhões de hectares de floresta manejados. Claudia destacou que o Ecoforte só existe devido ao diálogo e articulação com órgãos do governo e movimentos sociais do campo, valorizando conhecimentos tradicionais e as diversas tecnologias sociais que viabilizam a agricultura de base agroecológica em comunidades rurais. 

Um dos participantes do Ecoforte que estava presente no Encontro Chico Mendes é Sebastião Feitosa, presidente da Cooperativa Mista de Desenvolvimento Sustentável e Economia Solidária da Reserva Extrativista do Médio Juruá - Codaemj. Ele explicou que o apoio da Fundação ajuda no escoamento da produção de sementes oleaginosas produzidas pelos extrativistas. “Lá no meio do mato, com a ajuda de vários parceiros que acreditaram que a gente poderia fazer um trabalho bom e a gente fez”, afirma Sebastião. As sementes são destinadas à produção de cosméticos e gera renda para os extrativistas do Médio Juruá, além de agregar valor para a cadeia produtiva.

Prêmio Global 500 da ONU
O nome de batismo de Chico Mendes era Francisco Alves Mendes Filho. Ele nasceu em Xapuri (AC) em 15 de dezembro de 1944 e só foi alfabetizado já na vida adulta, com 19 anos de idade. Começou a ser seringueiro quando o pai ficou impossibilitado de trabalhar e passou a ser ativista político e ambientalista denunciando o desmatamento desordenado da Floresta Amazônica e as relações trabalhistas precárias entre os seringueiros e os fazendeiros.

O reconhecimento internacional veio em 1988, quando a Organização das Nações Unidas – ONU – concedeu o Prêmio Global 500 para Chico Mendes em reconhecimento à contribuição que ele deu para a preservação do meio ambiente e a promoção de um projeto de convivência sustentável entre os seres humanos e a natureza. Aos 44 anos, em 22 de dezembro desse mesmo ano, foi morto com tiros de espingarda no peito a mando de um fazendeiro da região. 

 

Publicado em Notícias
Terça, 27 Fevereiro 2018 11:19

Do Amazonas para o mundo

Com investimento social de R$ 600 mil da Fundação BB, cooperativa fortalecerá as cadeias produtivas do cacau e castanha, com manejo adequado e produção sustentável

Constituída em 2003, a Cooperar (Cooperativa Agroextrativista do Mapiá e Médio Purus) propõe a conservação do meio ambiente por meio da capacitação da população local na exploração sustentável dos recursos naturais, com geração de emprego e renda. O público atendido, formado por um grupo de 150 pessoas, é constituído por ribeirinhos dos municípios de Boca do Acre, Pauini e Lábrea (AM), cuja população tem elevada incidência de pobreza e baixa escolaridade.

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O manejo adequado e a produção sustentável do cacau e da castanha do Brasil são justamente os objetivos da parceria firmada entre a Fundação Banco do Brasil e a Cooperar, com o apoio do Fundo Amazônia, que é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O investimento de R$ 600 mil irá fortalecer as cadeias produtivas por meio de sistemas agroflorestais na região de Purus, localizada ao sul do estado do Amazonas.  

"Essa parceria com a Fundação BB será fundamental para o crescimento e manutenção da Cooperar. Trabalhamos com pessoas que vivem na pobreza e com o nível de escolaridade muito baixo. Além disso, para desenvolver qualquer atividade aqui é trabalhoso, devido a dificuldade de logística e comunicação. A gente precisa de investimento para desenvolver a produção florestal, e a Fundação chegou para nos ajudar a levar recursos para essas famílias isoladas e gerar riqueza a partir da floresta. Essa é uma grande oportunidade de mudar o cenário da região com atividades que ajudem a conservar a floresta”, disse Alexandre Lins, presidente da entidade.

Exportação para Alemanha, Suíça, Estados Unidos e Bolívia
Com o projeto a cooperativa pretende ampliar o número de clientes, produzindo em maior escala. Atualmente, a Cooperar comercializa cacau para o estado de São Paulo e exporta cacau nativo para a Alemanha, Suíça, Estados Unidos e Bolívia. Selecionada no edital Ecoforte Extrativismo, a iniciativa prevê a construção de fábrica e aquisição de equipamentos para o beneficiamento do cacau, castanha do Brasil, madeira e de outros frutos da região. Os recursos também serão destinados para compra de barcos para comercialização de produtos e para assistência técnica voltada à certificação de acordo com os critérios de qualidade para o manejo florestal da FSC (Forest Stewardship Council).

O colaborador do projeto Geraldo Tramin explica que o transporte dos produtos dará autonomia aos produtores locais com a redução dos custos com o frete. O recolhimento da produção da cooperativa leva em torno de 3 a 5 dias para percorrer os pontos de coleta das comunidades.

A agricultura familiar além de responsável pela produção de 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros, atravessa o Oceano Atlântico, apresentando sabores típicos do Brasil. Com o intuito de ampliar o mercado consumidor, a Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (Sead), levou nove empreendimentos que foram selecionados por meio de chamada pública para a Biofach 2018. O evento aconteu entre os dias 14 e 17 de fevereiro, em Nuremberg, na Alemanha.

A Cooperar foi um dos nove empreendimentos brasileiros presentes na Biofach 2018 - considerada a maior e mais importante feira de orgânicos do mundo, que aconteceu entre os dias 14 e 17 de fevereiro, em Nuremberg, na Alemanha. Para o Stande Brasil - Family Farming, a entidade levou óleos vegetais e cacau. “A Feira abriu novas portas para a comercialização dos produtos extraídos da Amazônia, como a primeira parceria para a exportação de castanha que a cooperativa fará para o Peru, além de gerar interesses de clientes europeus nos produtos”, declarou Alexandre.

A divulgação deste assunto contempla três Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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