Produtos são distribuídos de graça para os moradores da comunidade e vendidos para outras partes do Brasil e do mundo

Provavelmente você já ouviu falar em capim santo, arruda, erva-de-São João e mastruz. Essas e outras espécies são encontradas na Floresta Nacional do Purus, no Amazonas, e usadas pelo Centro Medicina da Floresta (CMF) em receitas caseiras de medicamentos fitoterápicos, importantes para evitar e tratar doenças do corpo, da mente e da alma.

Na lista encontramos também, artemísia, benguê, citronela, colônia e cordão de frade. Ao todo, o CMF cultiva em torno de 500 espécies de plantas nativas e ornamentais. E para não deixar morrer o saber popular, a entidade, que está situada dentro da comunidade Vila Céu do Mapiá, no município de Pauini, dedica-se há 29 anos, a pesquisa, educação, preservação e resgate dos conhecimentos tradicionais dos povos da floresta.

O resultado é visto nas 200 fórmulas produzidas de florais da Amazônia, chás, banhos, compressas perfumadas, defumação, tônicos, fitoessências, homeopatias, pomadas, argila, travesseiros de ervas, repelente, piolhicida, neutralizadores de venenos, óleos e desinfetantes. Os florais são desenvolvidos com 71 tipos de flores. Já na lista das pomadas estão os nomes popularmente conhecidos como sara tudo, cura benta, radical, deliciosa, refrescante, balsâmica e poderosa. A produção é destinada gratuitamente à comunidade local e vendida para consumidores do Brasil e do mundo.

Este ano, a Fundação Banco do Brasil tornou-se parceira e investiu R$ 336 mil para construir e mobiliar o novo laboratório, e ainda capacitar os associados em produção de florais e bioconstrução. O projeto atende 32 moradores da comunidade.

A organização não governamental foi fundada em 1989 por mulheres, com a participação de jovens, que se debruçaram sobre o saber dos mais velhos e na preservação de sua ciência. A organização evoluiu de uma pequena experiência para a expansão em outros pontos da Amazônia, onde se tornou uma referência em educação e saúde comunitárias. A partir de 1997 se oficializou como uma ONG e, desde então, ampliou os horizontes, passando a interagir com outros atores sociais, desenvolvendo parcerias, tanto na Amazônia como no cenário nacional e internacional.

“Abraçamos também os jovens, porque são eles que vão dar continuidade ao trabalho de seus pais e avós. A tradição estava sendo perdida e o projeto está resgatando a cultura, melhorando a autoestima, expandindo os saberes, aliado à preservação da mata amazônica”, declarou José Kubitschek, coordenador do projeto.

O coordenador acredita que a parceria com a Fundação BB o CMF irá iniciar uma nova etapa, com melhoria no espaço de trabalho, com mais organização para produzir e aprofundar nas pesquisas, gerar mais emprego e garantir mais renda para as famílias. “Com isso, vamos dar continuidade a essa cultura milenar, valorizando o conhecimento dos nossos anciãos e dando oportunidade para os jovens aprenderem”.

Em 2015, o Centro Medicina da da Floresta foi certificado como tecnologia social no Prêmio Fundação Banco do Brasil e hoje faz parte o Banco de Tecnologias Sociais.

 

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