Segunda, 29 Outubro 2018 12:03

Upcycling, metarreciclagem e robótica livre

Fundação BB apoia o desenvolvimento de novas tecnologias para reúso de lixo eletrônico, em Pernambuco

O que você fez com aquele seu celular antigo? E com o notebook que você não usa mais? E aquele monte de carregadores celulares, que já se perdeu pela sua casa? Todo este material, chamado lixo eletrônico, ainda tem muita vida útil e pode ser utilizado na produção de outros produtos.

O Instituto Intercidadania estruturou com investimento social de R$ 758 mil da Fundação Banco do Brasil (FBB), o Pólo de Formação Técnica e Reúso de Eletroeletrônicos. A unidade de capacitação e vivência prática de metarreciclagem e economia circular é considerada referência no campo da logística reversa de equipamentos. A parceria, iniciada em fevereiro de 2018, oferece cursos gratuitos de aperfeiçoamento tecnológico, mídias sociais e web designer que são destinados para pessoas em situação de vulnerabilidade social abrangendo público de jovens e adultos, assim como catadores de material reciclável.

Na lista de materiais recuperados estão computadores, impressoras e celulares. Sávio França, consultor em gestão do Polo, explicou o processo que envolve o recebimento dos equipamentos obsoletos, o reaproveitamento dos materiais destinados à reciclagem, assim como o recondicionamento de máquinas que são direcionadas para entidades sem fins lucrativos. “Doamos as máquinas restauradas para instituições que trabalham com inclusão digital e atividades sócioprodutivas”, afirmou.

O consultor cita a iniciativa Catalisa, estruturada no bairro Alto José do Pinho, em Recife, que proporciona capacitação e práticas na área de inovação e robótica livre. França explicou que estão atuando também no campo de tecnologias assistivas e com sensores que previnem a queda de barreiras físicas em áreas de risco ocupadas na periferia da capital pernambucana. “Nosso trabalho com o catador, a importância da separação dos materiais e o recondicionamento de computadores e equipamentos eletrônicos desencadeia em uma maior geração de renda com valor agregado”, comentou.

França citou por exemplo os televisores com tubos de raios catódicos (CRT), que são constituídos por metais pesados e cujo vidro tem baixa aceitação no mercado local. “Conscientizamos os catadores quanto ao que existe de perigoso e de rentável dentre os resíduos eletrônicos”, afirmou.

O Polo de Formação Técnica e Reúso de Eletroeletrônicos, que é o desdobramento do Centro de Recondicionamento de Computadores (CRC) de Recife, tem a colaboração de pessoas físicas, governo e empresas. O consultor vê no itinerário da metarreciclagem um processo promissor. Ele explicou, por exemplo, que o mecanismo interno das impressoras pode ser aproveitado para a robótica. Já as carcaças das impressoras são trituradas e moídas a partir de equipamentos adquiridos com o apoio da Fundação BB. O material granulado é destinado para a empresa Hewlett Packard (HP) de São Paulo.

Um outro processo realizado com os resíduos eletrônicos é o Upcycling, que consiste em transformar peças eletrônicas obsoletas em objetos de decoração e utensílios domésticos. E quanto aos resultados, o grande desafio é reciclar e recondicionar até 95 % dos materiais dos equipamentos, sendo o restante reconhecido como refugo. “Este processo tem sido realizado por uma de nossas turmas que estão em processo de recuperação de dependência química. Esse trabalho caiu como uma luva para eles, por conciliar reciclagem e arte”, declarou.

Capacitação

No final de setembro foi lançada uma turma de qualificação para o trabalho em tecnologia para jovens e adultos com o propósito de qualificação nas áreas de inclusão digital e empreendedorismo social. Nesta ocasião, foram entregues 60 computadores para Associações Atléticas do Banco do Brasil (AABB) das cidades pernambucanas de Jaboatão dos Guararapes, Olinda, Gravatá, Garanhuns, Serra Talhada e Arapiraca (AL). Em outubro foram entregues 60 computadores para a AABB Limoeiro e para a cooperativa de catadores de Abreu e Lima (PE). Estas cidades contempladas, com exceção das duas primeiras, são participantes do programa AABB Comunidade.

Atualmente estão sendo recondicionados outras 50 máquinas que serão doadas para cinco instituições. Neste ano foram capacitados 268 alunos e serão formados em novembro outros 61 alunos. Essas novas turmas foram constituídas em parceria com entidades de cidades como Jaboatão dos Guararapes, Igarassu, e no bairro Alto José do Pinho.

E o que é economia circular?

A economia circular tem o objetivo de manter produtos, componentes e materiais em seu mais alto nível de utilidade e valor, reaproveitando-os como matérias-primas na cadeia produtiva. O sistema consiste em um ciclo de desenvolvimento positivo contínuo que preserva e aprimora as fontes de matéria-prima na natureza, otimiza a produção de recursos e minimiza riscos sistêmicos administrando estoques finitos e fluxos renováveis. Ela funciona de forma eficaz em qualquer escala, por ser regenerativa e restaurativa.

E upcycling?

Upcycling é o oposto do downcycling, que é uma outra parte do processo da reciclagem. Enquanto o downcycling converte materiais e produtos em novos materiais de menor qualidade, o upcycling os transforma em materiais com maior valor agregado.

E a Metarreciclagem, sabe o que é?

A Metarreciclagem é uma rede organizada, a partir de filosofia com mesmo nome, que atua no desenvolvimento de ações de apropriação e desconstrução de tecnologia, de maneira descentralizada e aberta, propondo uma transformação social.

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Iniciativa que tem o apoio da Fundação BB formou 120 alunos em empreendedorismo, culinária, corte e costura e estética capilar

O projeto Sustentabilidade em Movimento – que capacita moradores do Varjão (DF) para o mercado de trabalho - realizou um desfile de modas inclusivo, no dia 29, para mostrar o trabalho desenvolvido pelos alunos. Modelos da comunidade desfilaram roupas confeccionadas pelos alunos da oficina de corte e costura, oferecida pelo projeto, no Centro Social Comunitário Tia Angelina.
Outras três oficinas abertas aos moradores do Varjão foram culinária, estética capilar e empreendedorismo. Todas os cursos abordaram princípios de sustentabilidade e preservação ambiental e incentivaram o uso de produtos e conceitos da agroecologia. Os 120 participantes receberam os certificados logo após o desfile.

A iniciativa tem o investimento de R$ 180 mil da Fundação Banco do Brasil e da Brasilcap, com o objetivo de ampliar o campo de trabalho e a geração de renda local.

Além dos cursos na sede da entidade, o projeto realizou oficinas de intercâmbio de economia solidária e ações sociais de prestação de serviços gratuitos, como corte de cabelos e preparação de alimentos, em eventos comunitários na Cidade Estrutural, Paranoá, Brazlândia e no próprio Varjão.

O coordenador do projeto, Elkin Paez, afirma que a iniciativa trouxe vários benefícios: contribuiu no desenvolvimento de autoestima, de talentos e de empreendedorismo, além de ajudar a movimentar a economia local. "Superamos as metas iniciais do projeto na qualificação formativa. Conseguimos que as pessoas saíssem com mais do que o básico, com ferramentas reais para poder trabalhar", afirmou orgulhoso.

Os exemplos são vários, relata Paez. Salões de cabeleireiros do Varjão se comprometeram a empregar participantes da oficina de estética capilar. Três alunos conseguiram empregos em salões da Asa Norte, em Brasília. Outros estão montando um espaço de atendimento em suas próprias casas, e mulheres que trabalham com faxina em residências estão garantindo uma renda extra prestando serviços de cabeleireiros para as patroas.

Dener Alves Pereira, aluno do curso de estética capilar, deixou o trabalho como pedreiro e montou um salão dentro de casa. "É mais uma profissão que eu vou botar em prática. O projeto é muito bom, porque é algo que vai acrescentar na vida das pessoas", afirma Dener.

Os alunos de corte e costura acreditam que o desfile ajudou a  divulgar o trabalho na comunidade e vai ajudar nas vendas.

O projeto também está estimulando iniciativas de crédito comunitário, formando grupos de autopoupança, que iniciaram com a participação de 25 alunos. Eles já mobilizaram o valor de R$ 5 mil na compra de equipamentos para dois alunos de estética capilar. O coordenador faz planos para que os grupos de autopoupança evoluam para a criação de cooperativas no futuro. "O projeto contribuiu na formação de consciência solidária agroecológica e sustentável, em uma comunidade que está em processo de superação de situação de vulnerabilidade", concluiu Paez.
Centro Social

O Varjão, na extremidade norte de Brasília, próximo ao Lago Norte, apresenta índices de vulnerabilidade social, relacionados a desemprego, baixa escolaridade e condições precárias de inclusão social dos cerca de 12 mil moradores. Com mais de 20 anos de atuação, o Centro Social Comunitário Tia Angelina é referência na prestação de serviços sociais e educacionais na localidade. Além de diferentes projetos, a instituição oferece creche, reforço escolar, serviço de convivência, divulga serviços de utilidades gratuitos e vagas de emprego.

Mosaico

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 gerlania e fabricio dener e professora

A divulgação deste projeto contempla quatro Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

 

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