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Premiação certifica tecnologias sociais que contribuem para o desenvolvimento social no país

Numa época não muito distante, a independência financeira para mulheres agricultoras era vista como um sonho difícil de ser alcançado. Apesar de contribuírem com as atividades nas plantações e colheitas, muitas vezes, cabia às mulheres também a responsabilidade dos afazeres domésticos, do tratamento de animais e da criação dos filhos – tarefas que impossibilitavam outras atividades para gerar renda extra e não depender exclusivamente dos proventos garantidos pelo homem da casa. De alguns anos para cá, a realidade no campo mudou. A agricultura familiar se fortaleceu e com ela, o protagonismo feminino vem se destacando pelo país. Um exemplo vem de Flexeiras, no interior de Alagoas, por meio da Cooperativa Agropecuária de Alagoas (Coopaal), que desenvolveu uma metodologia para agregar o conhecimento popular das mulheres da região e, ao mesmo tempo, possibilitar a venda de produtos em feiras da localidade.

Segundo Paulo Rodrigues Agra, diretor-presidente da Coopaal, a ideia começou há pouco mais de três anos, quando se identificou a oportunidade de trabalhar com o beneficiamento de alimentos da sociobiodiversidade local. Nesta ocasião foi construída a Casa de Beneficiamento de Produtos Agroecológicos, para a fabricação de doces e geleias de frutas, além de outros produtos como bolos, pães e biscoitos. “Realizamos cursos com as mulheres da comunidade com a finalidade de escoamento da produção. Atendemos o grupo de mulheres cooperadas que fornecem a matéria-prima e hoje aproximadamente 600 pessoas são beneficiadas diretamente”, explica. 

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   A agricultora Júlia da Silva Palmeira (foto), 57, é uma dessas pessoas. Nascida em Santana de Ipanema, no sertão alagoano, ela reside em Flexeiras desde 2010. Nessa época ainda trabalhava na roça, junto ao marido, para a subsistência do casal e cinco filhos. 

  “Antes eu trabalhava só na roça para ajudar com a renda de casa. Plantava macaxeira, principalmente. Depois que comecei na cooperativa a vida melhorou muito. Com a produção de geleia, doces e principalmente do pão caseiro de raízes, consigo uma renda melhor do que antes. Tem uma procura boa nas feiras, porque só trabalhamos com produtos saudáveis ”, avalia a cooperada.

  Primeiro lugar

  A solução “Mulheres Protagonistas no Beneficiamento de Produtos Agroecológicos” foi vencedora do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social de 2019, que identificou metodologias para o protagonismo feminino na gestão da produção agroecológica com a premiação especial Mulheres na Agroecologia. A Coopaal foi premiada com R$ 50 mil, destinados à expansão, aperfeiçoamento ou reaplicação da tecnologia social.

 A premiação deste ano teve a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Instituto C&A, Ativos S/A e BB Tecnologia e Serviços, além da cooperação da Unesco no Brasil e apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ministério da Cidadania e Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

Assista ao vídeo para conhecer o trabalho desenvolvido em Flexeiras (AL)

 

Confira os vídeos de todas as Vencedoras 2019 clicando aqui na playlist

Galeria de fotos Mulheres Protagonistas de Flexeiras (AL)

 

 

 

 

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Com cozinha industrial e cisterna os moradores terão condições de trabalhar a produção de polpas de frutas, remédios caseiros e realizar pequenas plantações

Na região conhecida como Quilombo Poços do Lunga, localizada na zona rural da cidade de Taquarana (AL), os descendentes de escravos sofrem com a falta de serviços básicos e de oportunidades de trabalho.

E para abolir o abandono ao qual essa população foi submetida, foi criada, em 2011, a Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos Passagem, com a finalidade de fortalecer o desenvolvimento sustentável e a preservação ambiental nas comunidades do sertão alagoano.

A agricultura familiar de subsistência é a principal atividade econômica da região, acompanhada por eventuais produções artesanais e de gêneros alimentícios, sendo que a maioria das famílias ainda precisa contar com o programa Bolsa Família para sobreviver.

Mesmo estando a cinco quilômetros do Rio Lunga, o acesso à água doce ainda é uma questão complicada. A prolongada seca que afeta a região desde 2012 tem provocado dificuldades de subsistência e intensificado o quadro de vulnerabilidade social. No segundo semestre de 2017, a associação apresentou o projeto “Quilombo, Inclusão e Transformação” à Fundação Banco do Brasil e foi contemplada com o investimento social de R$ 249 mil. O recurso foi usado na implantação de uma cozinha industrial e na construção de uma cisterna de placas de 52 mil litros. O projeto atende 65 famílias residentes no quilombo, contribuindo para promoção da segurança alimentar e geração de trabalho e renda.

Antônia do Espírito Santo é nascida e criada no povoado e hoje ocupa o cargo de coordenadora da associação. Ela explica que nesse período o rio já se encontra totalmente seco, o que faz com que as famílias recorram às cisternas para obterem água potável. “Nossa intenção no primeiro momento era abrir poços artesianos, mas aqui, qualquer tanto que cavar a terra, a água que brota é muito salgada, não serve para nada”.

E para garantir a geração de trabalho e renda, a cozinha industrial, que já está pronta, será usada na produção de polpas de frutas e na fabricação de remédios caseiros derivados de plantas medicinais, como angico, barbatimão, aroeira e caju vermelho. “Vamos trabalhar com as frutas da região, a exemplo do umbu, que no período de safra costuma dar em abundância. Além de outros frutos que já iniciamos o plantio". Os associados também já iniciaram o cultivo de verduras, legumes e folhagens para ajudar na alimentação das famílias. Todas atividades são acompanhadas de conversas para motivar os participantes. “As pessoas aqui são muito desconfiadas, muitas não acreditavam que o projeto iria acontecer, porque nunca tiveram uma renda, mas a gente está sempre trabalhando a questão do pensamento positivo e a autoestima, principalmente com as mulheres e os mais jovens”, declarou Antônia.

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