Sistemas agroflorestais ajudam famílias a produzir alimentos de maneira sustentável

O Assentamento Três Conquistas, localizado no Paranoá, região administrativa do Distrito Federal, é hoje um lugar com muitas árvores e plantações, que nem de longe lembra o final dos anos 90, quando foi destinado às 65 famílias provenientes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Na época, a terra tinha baixo índice de produtividade, resultado de muitos anos de produção de eucaliptos e capim braquiária.

A mudança aconteceu a partir de 2011, com o uso da Tecnologia Social Sistemas Agroflorestais para Composição de Reserva Legal (Safs), implantada pela Associação dos Trabalhadores Rurais da Reforma Agrária, após a Secretaria de Agricultura informar aos moradores que eles precisariam estabelecer a reserva legal para que pudessem iniciar o processo de regularização de suas parcelas. A metodologia foi apresentada por Maria da Conceição do Nascimento Oliveira, a Ceiça, ex-moradora do assentamento e responsável pela tecnologia.

Os Safs fazem uso de espécies arbóreas de portes e ciclos diferenciados, associadas a cultivos agrícolas, intercaladas de forma que possam aproveitar o espaço de plantio tanto na vertical quanto na horizontal. A técnica é apropriada para recuperar solos degradados, promover equilíbrio ambiental, infiltração de água no solo, garantir autonomia alimentar e estreitar a relação do homem com a terra.

Hoje, 32 propriedades na região trabalham com a metodologia e já são mais de 10 hectares reflorestados com árvores nativas do Cerrado. Entre as espécies plantadas estão jatobá, pequi, araçá, cagaita, paineira rosa, ipê (branco, rosa e amarelo), imburana e angico. Além disso, os moradores cultivam banana, mamão, abacaxi, feijão, milho, abóbora, melancia, batata doce, cana, maxixe, quiabo, mandioca e gergelim. A produção ajuda na subsistência e melhoria da renda familiar.

Ceiça, que tem graduação em agroecologia, conta que no projeto todas as decisões são tomadas em conjunto, de forma democrática e participativa e que a participação das mulheres no desenvolvimento das ações foi essencial para o sucesso do projeto. “Elas têm um cuidado todo especial e uma preocupação em oferecer o alimento mais natural para as famílias”.

Após duas décadas em que a terra foi entregue às famílias, mais da metade dos moradores são pioneiros, assim como Gilberto Ribeiro dos Santos. Na sua propriedade de 15 hectares ele explica que produz e comercializa um pouco de tudo. “Somos orgulhosos do que já fizemos, porque lutamos muito para chegar até aqui. Hoje trabalhamos na sombra e temos diversidade na produção, o que nos permite colheita o ano inteiro. Nosso assentamento é visto como referência em produção sustentável, tanto que recebemos visitas de estudantes o ano inteiro”, conclui.

Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social
Este ano, o Prêmio Fundação BB tem 18 finalistas nas categorias nacionais e três na internacional. O evento de premiação será realizado em novembro e tem a cooperação da Unesco no Brasil e o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Banco Mundial, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)

Você pode conferir as finalistas acessando fbb.org.br/finalistas.



A divulgação deste projeto contempla quatro 
Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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Finalista no Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social, a Rede Bodega do Ceará está presente em cinco municípios do estado

Sabe aqueles lugares onde você encontra tudo o que precisa? No estado do Ceará eles são chamados de Bodegas: espaços coletivos e solidários de divulgação e comercialização de produtos - alimentos, roupas e livros, por exemplo - frutos do trabalho de homens e mulheres do campo e da cidade.

Articulada pela Rede Cáritas, a partir de demanda de grupos organizados em cooperativas e associações, a tecnologia social "Rede Bodega de Comercialização Solidária" está presente no estado do Ceará, além da capital Fortaleza, onde recebe o nome de a Budegama, e em outros quatro municípios: Sobral, com a Bodega dos Arcos; Viçosa, com a Bodega do Povo; Aracati, com a Bodega Nordeste Vivo e Solidário e Maranguape, com a Bodega da Vila.

Finalista no Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, na Categoria Economia Solidária, a metodologia é constituída de pontos fixos de comercialização coletiva e autogestionária, que abriga trabalhos de 220 famílias de agricultores familiares, extrativistas, costureiras, artesãos, escritores e poetas.

De acordo com Izabel Cristina de Lima, responsável pela iniciativa, a participação das mulheres se dá em todos os aspectos, na produção de artesanato, de alimentação, na gestão dos grupos de produção, sejam eles formais e informais. A presença feminina também é maioria na diretoria e na comissão gestora.

“Elas estão nas feiras, nos encontros e detêm a fala sobre a Rede Bodega, mesmo nas regiões onde se tem uma expressiva participação masculina e isso revela um dado já mostrado em pesquisas, que no Brasil a economia solidária tem rosto feminino, pois é a maioria no movimento”, destacou Izabel.

Ana Lurdes de Freitas expõe seu trabalho na Bodega da Vila, situada na cidade de Maranguape, a 26 quilômetros de Fortaleza. Especialista na confecção do rói rói - brinquedo que leva esse nome por conta do som que emite -, a artesã trabalha em parceria com outras nove pessoas.

Na Bodega da Vila, além do rói rói, o visitante também pode encontrar cartões com poesias produzidas pelos artistas locais, livros, brinquedos confeccionados a partir de materiais reciclados e brindes feitos com madeiras reaproveitadas, além de alimentos variados e outras atrações.

O espaço também oferece hospedagens na pousada local - com capacidade para receber até 30 pessoas-, serviços de massoterapia e reiki. “Vivemos do que produzimos, das poesias, do artesanato, das apresentações artísticas e das oficinas que ministramos. Com o nosso trabalho, também ajudamos as pessoas a adquirirem o gosto pela leitura e pela poesia”, declarou Ana.

Sobre o Prêmio

A fase final do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social irá selecionar vencedoras entre 18 finalistas nas categorias nacionais e três na internacional. O evento de premiação será realizado em 23 de novembro. Entre as 735 inscritas neste ano, 173 foram certificadas e passaram a constar no Banco de Tecnologias Sociais (BTS), um acervo online gratuito de soluções para problemas sociais mantido pela Fundação BB.

Nesta edição, o concurso tem a cooperação da Unesco no Brasil e o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Banco Mundial, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Veja aqui a lista das finalistas do Prêmio 

Veja aqui a lista das 173 certificadas

Visite o site do Prêmio


A divulgação deste projeto contempla quatro Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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