Sexta, 23 Novembro 2018 11:03

Educação política e divertida

Promover o debate de um tema polêmico de forma alegre e saudável, sem criar inimizade, é a proposta do Fast Food da Política

Em uma época em que a propagação de notícias falsas tornou o debate eleitoral mais confuso e a polaridade de posições chegou ao extremo, uma iniciativa oferece uma forma mais leve de debater o assunto, sem acabar em briga entre amigos e familiares. A ONG Fast Fast Food da Política, de São Paulo, se propõe a levar as pessoas a aprenderem na prática, por meio de jogos de tabuleiro e online, como funciona a política no Brasil.

“A vantagem dos jogos é proporcionar a capacidade de conversar coisas que são difíceis sem ficar inimigo do outro. Um espaço seguro, onde as pessoas se deparam com o próprio preconceito e refletem sobre o posicionamento político que têm”, explica Júlia Carvalho, a designer que idealizou a metodologia.

Em três anos de existência, a equipe já elaborou 90 jogos, incluindo os protótipos criados em oficinas. No site da entidade, há 18 jogos disponíveis para baixar gratuitamente. Também é possível receber jogos de tabuleiro mediante doação em dinheiro à organização, em valores que variam de R$ 80 a R$ 150. A proposta deu tão certo que há um ano a iniciativa venceu o Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social, na categoria Educação, e ficou entre as seis finalistas, entre 160 inscritos, no Prêmio Empreendedor Social 2018Prêmio Empreendedor Social 2018.

Após a conquista do Prêmio de Tecnologia Social e com o aumento de interesse por 2018 ser ano eleitoral, a equipe recebeu muitos convites para aplicar jogos, dar cursos e participar de eventos. As atividades ocorreram em universidades, espaços públicos, escolas e organizações sociais, envolvendo mais de 1.200 pessoas. “Tivemos muita solicitação de educadores, de pessoas de ONGs, que trabalham com educação, e de muita gente querendo comprar jogos. Acredito que muitos desses convites aconteceram por causa da visibilidade que recebemos pela premiação e certificação da Fundação BB’, afirma Lays Harumi Morimoto, a vice-presidente da ONG.

Uma das ações realizadas foi a arrecadação virtual, lançada em maio, para o projeto Jogo e Eleições. O projeto reuniu cinco jogos, cada um com um tema: a história do voto no Brasil e suas implicações sociais; como é a competição no sistema proporcional; o que pode ou não ser prometido por cada candidatura; a discussão dos planos de governo ou a falta deles; e a desigualdade entre gêneros na disputa eleitoral.

A entidade conseguiu mobilizar 420 doadores e arrecadou R$ 55 mil reais, o suficiente para imprimir 250 kits. Os materiais chegaram a 11 estados do Brasil e foram baixados mais de 250 vezes no site da Fast Food. Além disso, foram doados para 16 escolas públicas de São Paulo – um kit para cada unidade - e para participantes de oficinas.

Uma das formações, batizada de Descomplicadores da Política, aconteceu na capital paulista, em agosto e setembro, em que 20 jovens foram capacitados como multiplicadores para aplicarem os jogos nos seus contextos sociais. Para saber mais sobre os jogos deste projeto, clique aqui http://juntos.com.vc/pt/jogosdeeleicoes2018

Para quem tem várias conquistas em tão pouco tempo de existência, a expectativa para os próximos anos não poderia ser tímida. “Queremos formalizar uma rede de educação política a ponto de influenciar as políticas públicas brasileiras”, destaca Júlia.

Uma das ideias é formatar uma formação cívica de maior profundidade, também com metodologia lúdica, chamada “Slow Food da Política, voltada para a compreensão da política no Brasil, da colonização até os dias de hoje.

A iniciativa está inserida no  Banco de Tecnologias Sociais da FundaçãoBB para reaplicação em outras localidades. 

Serviço:
Contato: e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. e telefone (11) 95107-3842, com Lays.

 

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Proposta é aplicada pela Fast Food da Política que já disponibilizou seus jogos para quatro mil pessoas

É possível aprender algumas regras do sistema político brasileiro no mesmo intervalo de tempo em que uma pessoa come um hambúrguer? A associação Fast Food da Política, sediada em São Paulo, acredita que sim e por isso desenvolveu uma metodologia lúdica para provocar reflexões e diálogos a respeito da política no país. Ela atua há dois anos desenvolvendo jogos interativos e já atingiu cerca de quatro mil pessoas de diferentes perfis e faixas etárias. A metodologia já foi aplicada em escolas, universidades, órgãos públicos, manifestações e eventos culturais. Agora a iniciativa concorre como finalista no Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, na categoria Educação.

A proposta tomou corpo em 2015, em uma grande manifestação em Brasília. A designer Júlia Fernandes de Carvalho e outros colegas saíram de São Paulo com destino à capital federal para aplicar jogos com os manifestantes sobre o sistema político brasileiro. “Ali percebemos o grande desconhecimento acerca do funcionamento das regras e das consequências práticas das reivindicações. Neste momento notamos o poder dos jogos para transformar este cenário”, relembra. Júlia voltou para São Paulo e fundou a associação. “Queríamos garantir um aprendizado político que fosse rápido, delicioso e divertido. Como um fast food”, explica.

A metodologia opera de forma que participantes possam adquirir novos aprendizados, independentemente do grau de conhecimento político que possuem. “Deixando as ideologias de lado, juntamos diferentes perfis de pessoas e faixas etárias para decifrar as regras que regem o funcionamento do nosso Estado. No fim, todos se divertem, aprendem e trocam”, constata a fundadora.

Ao longo dos dois anos de atuação, a equipe já elaborou mais de 80 jogos entre oficiais e protótipos elaborados pelos participantes das oficinas de criação. Quinze deles são sobre o sistema político; cinco são da linha Molho Especial, que trata a questão de gênero e política; os outros jogos são sobre gestão pública. Eles já foram aplicados em cidades como Santos, São Paulo, Jundiaí, Brasília, Cotia e Guarulhos. Atualmente o principal território de atuação é a cidade de São Paulo, mas a partir da certificação de tecnologia social conferida pela Fundação BB neste ano, a iniciativa pode ser reaplicada em outras regiões do país. Veja a proposta no Banco de Tecnologias Sociais.

Reconhecimento como tecnologia social

“Foi ótimo perceber que as pessoas confiam e reconhecem nosso trabalho, além de todo o apoio e o enorme número de pessoas que estão torcendo pela gente”, comenta Júlia sobre ser uma das 21 finalistas na 9ª edição do Prêmio. Para ela, foi uma honra ter chegado à etapa final ao lado de outros projetos tão relevantes. “Isso nos deu mais energia para continuar”, resume. Ela diz que, se vencedora, a Fast Food pretende contar com parcerias em diversas localidades, proporcionando uma atuação em rede e assim realizar o sonho de promover educação política em todos os estados brasileiros.

O adolescente Gustavo Goyes foi um dos jogadores da Fast Food da Política e conheceu a metodologia quando foi aplicada no Centro de Juventude do Jardim Vila Madalena, em São Paulo. “Tem pessoas que vêm aqui, falam e conversam sobre política e nós acabamos não aprendendo nada. Por meio de uma simples brincadeira, os jogos da Fast Food nos ensinaram muito”, relata o estudante.

A analista legislativa da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) Tânia Rodrigues Mendes também é uma das pessoas que reconhecem a iniciativa. “Para definirmos o que o Brasil quer ser quando crescer, a diretriz de ação aplicada com esses jogos é estratégica e com alta funcionalidade político-pedagógica, capaz de fazer as pessoas questionarem seus preconceitos políticos, sociais e culturais, além de perceberem suas limitações e potencialidades”, avalia a servidora que atua no setor há 25 anos.

Conheça outras iniciativas finalistas do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social 2017 em fbb.org.br/finalistas



Acesso gratuito
Todos os jogos estão disponíveis para download no site da associação fastfooddapolitica.com.br. Os arquivos são de utilidade pública, abertos e disponíveis para serem acessados e disseminados livremente. Os recursos materiais necessários são acesso à internet para fazer o download, impressora, papel e cola. As instruções para cada jogo estão presentes nos manuais que também estão disponíveis on-line. A duração da rodada é de aproximadamente 10 minutos.

A edição do 9º Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social tem a cooperação da Unesco no Brasil e o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Banco Mundial, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Veja aqui a lista das finalistas do Prêmio
Veja aqui a lista das 173 certificadas
Visite o site do Prêmio

A divulgação deste projeto contempla dois Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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