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Projeto de melhoramento genético participativo desenvolvido pela Embrapa Cerrados tem o apoio da Fundação Banco do Brasil há 13 anos

Uma mandioca de cor amarela forte, mais bonita, nutritiva em vitamina A, que exige menor tempo de cozimento, e com maior produtividade para os agricultores. Esse é o resultado de um trabalho de melhoramento genético participativo desenvolvido pela Embrapa Cerrados, desde 2005. O projeto tem o apoio da Fundação BB, com o investimento de cerca de R$ 1 milhão.

A pesquisa começou há 13 anos, na Embrapa em Planaltina (DF), e depois envolveu cerca de 800 propriedades de agricultores familiares, no Distrito Federal e nos estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O trabalho prosseguiu em 2015 com 25 produtores do Distrito Federal. Os pesquisadores testaram quais as variedades que melhor se adaptavam às condições da região e que foram mais aceitas pelos agricultores, além de identificar as principais demandas deles.

"O próprio produtor faz um ranking classificando essas variedades, de acordo com preferência. A melhor classificada tem alta probabilidade de ser usada pelos produtores", explica o pesquisador Josefino Fialho.

O programa de melhoramento participativo desenvolveu três variedades de mandioca com polpa amarela e uma de cor creme. Para orientar os produtores, foram realizados treinamentos e elaborados diversos materiais didáticos, como cartilhas, livros, vídeos e apostilas.
Conheça a publicação "Mandioca no Cerrado, Questões Práticas".

O agricultor Paulo César Gonçalves tem uma propriedade em Planaltina de Goiás, onde cultiva a raiz de tipo amarela. Ele conta que a produtividade aumentou bastante. "É uma mandioca muito resistente a pragas, muito mais rápida para colher e muito produtiva. Antes, um pé produzia uns quatro quilos. Nessa variedade nova dá seis, sete quilos por pé".

As mandiocas de polpa amarela estão à venda nas feiras livres pelo Distrito Federal. O projeto também desenvolveu dois tipos de mandioca de cor rosada, que contêm elevados teores de licopeno, uma substância antioxidante que ajuda a prevenir o envelhecimento das células e doenças como câncer. Mas essa variedade precisa de conscientização para ser consumida.

"Aqui no DF os consumidores estão mais acostumados com as mandiocas de polpa amarela. Agora as mandiocas com polpa da raiz rosa são uma novidade. Então muitos consumidores não consomem por acharem que se trata de um produto estragado, por não conhecerem", conta o pesquisador Eduardo Alano.

Na cantina Italiana Pepe Nero, no centro histórico de Planaltina DF, o proprietário e chefe de cozinha Gianfranco Giannella fez um teste. Preparou um prato de nhoque com mandioca amarela e outro com a rosa. "Hoje tinha no cardápio nhoque de mandioca rosa e pedi para experimentar. Eu adorei! É muito saborosa!", disse a cliente Sarah Loreto.

Outra cliente do restaurante, Eunice Resende Correia, também quis provar a novidade junto com outras duas amigas. Elas gostaram. "Uma delícia!", disse Eunice, que já conhecia os dois tipos de mandioca e até já havia levado para a mãe experimentar. "Ela gostou muito das duas, da qualidade, da facilidade para cozinhar e do sabor".

A ideia é estabelecer qual o momento exato de realizar a irrigação, qual a quantidade de água que a cultura precisa e quais as condições para gastar o mínimo possível de recursos hídricos e de energia.

A divulgação deste projeto está relacionada aos seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável - ODS:

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Publicado em Notícias

Projeto que conta com a parceria da Fundação BB já colhe frutos dos cincos anos de atuação na região da Bacia do Pipiripau

O casal Vicente de Paulo e Jalile Cardoso são agricultores familiares que vivem do plantio de hortaliças, plantas para jardinagem e da venda de refeições na região rural do Distrito Federal. A família é uma das 177 participantes do projeto Produtor de Água no Pipiripau. Orgulhoso do trabalho que faz na conservação dos recursos hídricos, o agricultor conta que mudou o jeito de pensar e de trabalhar. Para abastecer a casa e os 30 hectares da família, que fica a 1,7 quilômetro do rio Pipiripau, a família faz uso de água das minas, por meio de gravidade e sem bombeamento e já plantou 2.700 mudas de árvores do Cerrado.

O projeto teve início em 2010, para promover a melhoria das condições ambientais e hidrológicas do Ribeirão Pipiripau, bacia de grande relevância para o Distrito Federal.  O conjunto de iniciativas promove a readequação ambiental da bacia, incluindo práticas de manejo do solo, da água, de produção agrícola e de recomposição de matas de galeria, além do pagamento pelos serviços ambientais prestados pelos produtores rurais por manterem suas propriedades ambientalmente adequadas ao projeto.

E é o que faz Daniel Almeida, um jovem produtor rural, de 30 anos, que há um ano assumiu a chácara 2 no Núcleo Rural Taquara, uma das propriedades atendidas pelo projeto. Nos 28 hectares que lhe pertencem, recebeu alguns benefícios que ajudaram a aumentar a capacidade de infiltração da água no solo e a recarga de água do lençol freático.

Já os irmãos Thiago e Diogo Kaiser são dois jovens promissores atendidos pelo projeto. Na chácara “Pé na Terra”, eles apostam no sistema de trabalho denominado CSA - Comunidades que Sustentam a Agricultura, que visa cuidar do meio ambiente e proporcionar alimentos mais saudáveis para as famílias e as futuras gerações. Com o cultivo sem uso de defensivos químicos, eles passaram a fazer parte de uma rede de agricultores familiares e coagricultores, que abastecem diversos pontos estratégicos do Distrito Federal com frutas, verduras e legumes orgânicos. “Somos orgulhosos de fazer parte desse projeto que implanta no agricultor a vontade de cuidar do meio ambiente e da biodiversidade”, disse Diogo.

Tecnologia social
O CSA é uma prática adotada por grupos de consumidores que se unem a um agricultor e se tornam corresponsáveis pela produção – desde bancar previamente o plantio, em cotas mensais, passando pela gestão financeira e administrativa do empreendimento até a distribuição da colheita entre os participantes. Sem precisar se preocupar com os recursos financeiros e a logística de distribuição, o agricultor pode focar somente na produção, o que o motiva a permanecer no campo. Os integrantes do grupo recebem de volta o investimento financeiro em cotas de alimentos retirados semanalmente. Em 2017, a prática de Botucatu (SP) foi finalista na categoria Economia Solidária do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social.

No Distrito Federal existe o CSA Brasília, composto por cerca de 20 grupos, um deles é CSA Pé na Terra, que tem a participação dos irmãos Thiago e Diogo e que é acompanhado pela Associação de Produtores Agroecológicos do Alto São Bartolomeu (Aprospera).

Na quarta-feira (21), a Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Adasa), organizou uma visita técnica às propriedades atendidas pelo projeto Produtores de Água. A ação integrou a programação do 8º Fórum Mundial da Água e levou 40 pessoas para conhecer de perto o trabalho realizado pelos produtores e agricultores familiares na conservação do solo, restauração das Áreas de Preservação Permanente (APP) e vegetação nativa.

A comitiva composta por técnicos, especialista em água e meio ambiente, visitantes e jornalistas pôde conhecer também a Estação de Captação de Água do Pipiripau. Desde o ano 2000, a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) começou a operar na região, captando água para o abastecimento das cidades de Sobradinho e Planaltina (DF). O trabalho é feito por meio de decantação, sem uso de produtos químicos. Após esse processo, os 300 litros de água captados por segundo seguem para a estação de tratamento.

O Produtor de Água do Pipiripau é fruto de uma articulação multiinstitucional de dezesseis atores assinantes do Acordo de Cooperação, construído com base na determinação das instituições e do comprometimento dos produtores rurais, peças fundamentais para o desenvolvimento desse trabalho. Hoje, além da restauração ambiental, existem produtores conscientizados sobre a importância do uso adequado do meio ambiente, onde cada um assume a adoção de boas práticas de produção agrícola e compromissos dentro do planejamento do programa.

Entre as ações realizadas destacam-se: 177 contratos assinados; 360 mil mudas plantadas; 134 mil metros de estradas recuperadas; construção de 1.014 bacias de retenção; recuperação de 202 bacias de retenção; construção de 1.858 ondulações transversais; 310 hectares de terraceamentos e manutenção de cerca de mil hectares de terraceamentos.

Fazem parte do projeto as seguintes instituições: Adasa, ANA, Caesb, Emater/DF, Fundação Banco do Brasil, Embrapa, Banco do Brasil, Ibram, Secretaria de Agricultura, Secretaria do Meio Ambiente, Rede de Sementes do Cerrado, Sudeco, The Nature Conservancy, WWF, DEF/DF e UnB

Livro 
O Produtor de Águas gerou frutos que resultaram no livro “A Experiência do Projeto Produtor de Água do Pipiripau”, lançado no dia 19 , no 8º Fórum Mundial da Água. A obra traz a caracterização física da bacia, sua história, objetivos, planejamento e governança. Nele estão reunidas, também, as lições e os desafios enfrentados nos primeiros cinco anos do projeto, assim como as expectativas para os próximos cinco anos, dada a renovação do Acordo de Cooperação Técnica.

A divulgação deste projeto contempla quatro Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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