Sexta, 29 Março 2019 08:40

Projeto da Ilha das Cinzas (PA) foi vencedor do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social 2005 Destaque

Escrito por Dalva de Oliveira
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As inscrições para a décima edição do Prêmio estão abertas até 21 de abril

Em 2005, a experiência Manejo Comunitário de Camarão de Água Doce, apresentada pela Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas da Ilha das Cinzas (ATAIC) recebeu o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, como vencedora da Região Norte. A metodologia paraense foi criada com o objetivo de proporcionar às famílias ribeirinhas, condições de exploração sustentável dos recursos pesqueiros (camarão), com melhoria da qualidade do produto e da renda dos pescadores, sem prejudicar o meio ambiente.

Antes de vencer o Prêmio da Fundação BB, a pesca do camarão, uma das principais fontes de renda dos moradores da Ilha das Cinzas, teve que passar por melhorias. Na época a prática apresentava baixa produtividade, preços ruins para venda, prática predatória e desperdício de insumos. Um levantamento de campo identificou que os camarões comercializados tinham um tamanho muito pequeno (média de 4,5 cm) e que as armadilhas usadas pelas famílias para capturar os camarões, tinham em média de 140, consideradas armadilhas predatórias, além do preço muito baixo pago pelo quilo do crustáceo.

E para contornar a situação, Josineide Malheiros, coordenadora do ATAIC, se uniu aos pescadores na busca por melhorias. Participaram de seminários, quando foi definido um plano econômico sobre a a estocagem dos camarões vivos capturados no final da safra (dezembro), para comercialização na entressafra. Fizeram também o aprimoramento do matapi, equipamento feito de fibras vegetais, utilizado para pegar os camarões, e próprio para reter apenas camarões grandes, liberando aqueles ainda não aptos ao consumo, permitindo que os estoques naturais da espécie continuassem.

De acordo com Josineide, vencer o Prêmio da Fundação BB foi um marco histórico. “Aqui na região do Marajó e Baixo Amazonas a tecnologia social é reconhecida, e pessoas de diversos níveis nos procuram para obter informações sobre a nossa metodologia”. A coordenadora também explica que houve um avanço muito grande nesses quase 14 anos após o Prêmio. “Um exemplo é a Embrapa Amapá, com a parceria da ATAIC, que deu continuidade a buscas de melhoria da tecnologia de captura de camarão, com o uso do matapi”, disse.

“A pesca do camarão sempre existiu, mas com o Prêmio, ela saiu da invisibilidade. Continuamos nos organizando, só que agora temos vários meios de nos mobilizar. Também já deixamos um registro de que existimos, de que somos uma tecnologia social conhecida e reconhecida, e que tem gente que reaplica a nossa ideia, declarou Josi.

Essa iniciativa e outras 985 estão disponíveis para consultas gratuitas no Banco de Tecnologias Sociais (BTS)BTS) da Fundação BB. Este ano, novas experiências passarão a fazer parte do BTS, com a 10ª edição do Prêmio que está com inscrições abertas até 21 de abril.

Além da premiação especial Mulheres na Agroecologia, o Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social também irá reconhecer iniciativas em outras quatro categorias nacionais: "Cidades Sustentáveis e/ou Inovação Digital”; “Educação”; “Geração de Renda" e "Meio Ambiente”, outras duas premiações especiais: “Primeira Infância” e “Gestão Comunitária e Algodão Agroecológico,” e uma categoria Internacional, destinada a iniciativas da América Latina e do Caribe, onde serão identificadas tecnologias sociais que possam ser reaplicadas no Brasil e que constituam efetivas soluções para questões relativas a “Cidades Sustentáveis e/ou Inovação Digital”; "Educação", “Geração de Renda” e “Meio Ambiente.”

Os três primeiros lugares de cada categoria nacional e especial serão premiados com R$ 50 mil, 30 mil e 20 mil respectivamente. Todas as instituições finalistas irão receber um troféu e um vídeo retratando sua iniciativa. Além disso, as tecnologias sociais que promovem a igualdade de gênero e o protagonismo e empoderamento da juventude receberão um bônus de 5% na pontuação total obtida na classificação.

As inscrições podem ser feitas no site www.fbb.org.br/premio e estão abertas para entidades sem fins lucrativos, como instituições de ensino e de pesquisa, fundações, cooperativas, organizações da sociedade civil e órgãos governamentais de direito público ou privado, legalmente constituídas no Brasil ou nos demais países da América Latina ou do Caribe.

Nesta edição, o Prêmio conta com a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Instituto C&A, Ativos S/A e BB Tecnologia e Serviços, além da cooperação da Unesco no Brasil e apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ministério da Cidadania e Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

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Confira aqui as outras matérias da série Retrospectiva:

2001: Prêmio da Fundação BB de Tecnologia Social valoriza soluções desde 2001

2003: Tecnologia social: o saber popular ao alcance de todos

2005: Projeto da Ilha das Cinzas (PA) foi vencedor do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social 2005

2007: Colostro: um produto nobre

2009: Vida ativa na terceira idade

2011: Uma voz de liberdade para detentos e deficientes visuais

2013: Gueroba: a riqueza do Cerrado

2015: Librário: tecnologia social com efeito multipliador

2017: Prêmio de Tecnologias Sociais: países da América Latina e Caribe participam desde 2017

 

 

Ler 4265 vezes Última modificação em Sexta, 24 Maio 2019 18:01

1 Comentário

  • Link do comentário Laura de Souza Rodrigues Sexta, 29 Março 2019 09:42 postado por Laura de Souza Rodrigues

    Vamos respeitar a nossa falna para ter uma vida melhor cuidar da vida ambiental melhor dar a vida nossos rios nascentes queremos mais carinho pelo o mundo melhor

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