Terça, 12 Abril 2016 00:00

Produção agroecológica oferece alternativa de renda para famílias em MG Destaque

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Projeto que integra o Programa Ecoforte visa atender cerca de 1.750 agricultores familiares em seis municípios da região noroeste do estado
 
Conseguir o sustento da família com o plantio de vegetais orgânicos no terreno de casa e ter alimentos de graça e sem agrotóxicos era um sonho da produtora Geralda Santana Barbosa quando se inscreveu no Programa Ecoforte Redes, em Arinos (MG). "O importante é que eu deixe de comer comida com veneno e passe a comer alimento orgânico e também a tirar meu próprio sustento. A saúde é outra quando você começa a plantar e a produzir", afirma.
Ao ingressar no projeto da Cooperativa de Agricultura Familiar Sustentável com base na Economia Solidária (Copabase), em 2015, Santana participou de capacitações sobre estratégias de fertilização do solo, técnicas de irrigação, podas e controle de pragas e doenças com produtos naturais.
O projeto também forneceu mudas de abacaxi e baru, caixa d'água e mangueiras para ela fazer a irrigação por gotejamento, que mantém a hidratação do solo com menor gasto de água, em uma região com baixa incidência de chuvas. Outra estratégia aprendida pela produtora para manter o solo úmido foi a adubação verde. A técnica consiste no cultivo de plantas rasteiras - feijão, mandioca, abóbora, maxixe, melancia - que reduzem a incidência direta da luz sobre o solo, ajudam na fertilização e ainda complementam o cardápio da família. 
Desde o início, Santana conta com a assistência de técnicos agrícolas agrônomos. Após seis meses de iniciar o plantio com a ajuda de dois dos três filhos adolescentes, a agricultora acompanha diariamente o crescimento dos pés de abacaxi e de baru. Das plantas rasteiras, já colheu maxixe e abóbora e aguarda para breve o feijão, a mandioca e o quiabo.
Agora que vê o antigo sonho se tornar realidade, está otimista em relação ao futuro. "Meu plano é que a família fique junto, meu esposo venha para cá e meus filhos não precisem ir para a cidade para trabalhar."
Conscientização
O projeto desenvolvido na região Noroeste de Minas - nos municípios de Arinos, Chapada Gaúcha, Natalândia, Riachinho, Uruana de Minas e Urucuia - é realizado pela cooperativa Copabase. A entidade está entre as 28 redes habilitadas e atendidas pelo edital Ecoforte Redes, em todo o Brasil, programa que visa o fortalecimento da agricultura familiar com base na agroecologia, extrativismo e produção orgânica. A iniciativa é da Fundação Banco do Brasil, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e parceiros, com investimento social total de R$ 34,6 milhões 
O objetivo do projeto da Copabase é estruturar 53 unidades de referência em pequenas propriedades rurais e assentamentos agrícolas que vão servir como modelo para disseminar a cultura da agricultura familiar orgânica e sustentável em uma região dominada pela monocultura da soja e do milho. A meta é atingir diretamente 1.750 produtores. 
As 45 unidades já implantadas cultivam ao mesmo tempo pés de acerola, goiaba e abacaxi ou associam o plantio de baru ao abacaxi. As outras oito unidades restantes estão em implantação. Os proprietários recebem apoio técnico desde o início e passam por capacitação em diversas oficinas.
"Eles são influenciados pela cultura do uso de agrotóxico. O programa veio para mudar essa mentalidade", diz Rafael Pinzón, consultor e coordenador das oficinas de capacitação e sensibilização. "A gente vê a mudança de cabeça e que está fazendo bem para a gente mesmo e para a natureza", afirma Regislane Pereira Leite, produtora em Uruana de Minas.
"Depois da oficina que eu fui entender, se a gente limpar e tratar da plantação direitinho, dá certo", diz o agricultor João Alves Pereira, bastante animado com o conhecimento adquirido nas capacitações. Ele e a mulher, Tatiani Pereira Alves, vivem no assentamento Paulo Freire, onde ela é presidente da associação. O projeto trouxe ao casal esperança no futuro. "O apoio da Fundação BB e da Copabase é muito importante para conseguir os recursos pra irrigação e para escoar a produção. Meu medo era meus filhos crescerem e saírem do assentamento. Com o projeto, eu posso garantir meus filhos aqui, junto comigo", celebra Tatiani.
As atividades de sensibilização e capacitação já atingiram mais de 600 pessoas da comunidade local. Também houve oficinas de conscientização ambiental e receitas com orgânicos em 12 escolas públicas, voltadas para estudantes, pais, professores e servidores. A meta é alcançar 21 unidades de ensino. Além do caráter de preservação ambiental, a conscientização nas escolas serve de incentivo para o consumo dos vegetais cultivados no projeto. 

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Ler 2520 vezes Última modificação em Sexta, 21 Outubro 2016 10:55

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