Terça, 12 Março 2019 12:45

Prêmio da Fundação BB de Tecnologia Social valoriza soluções desde 2001

Escrito por Dalva de Oliveira
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Após dezoito anos de existência, premiação segue revelando iniciativas inovadoras

O que fazer se a sua região enfrenta escassez de água potável para o consumo? No Banco de Tecnologias Sociais (BTS) da Fundação Banco do Brasil você encontra soluções para esse e outros problemas. 
Em 2001, quando foi lançado o primeiro prêmio de tecnologia social muitas foram as novidades que apareceram. A Fundação Deusmar Queirós, da cidade de Fortaleza (CE), por exemplo, apresentou um projeto simples, autossustentável e de baixo custo, o "Moringa: a Semente da Vida". O método consiste na distribuição de sementes de moringa oleifera para o plantio e purificação da água. A planta cresce rapidamente e não precisa de muita água, o que torna fácil o seu cultivo.

A metodologia foi certificada como tecnologia social e está disponível no BTS juntamente com outras 986 iniciativas. O BTS é uma base de dados on-line que reúne metodologias reconhecidas por promoverem a resolução de problemas comuns às diversas comunidades brasileiras. Esta tecnologia social também ensina a população a plantar e purificar a água. Seu objetivo é atender localidades desprovidas de água potável e atenuar os problemas de saúde de populações carentes. Já é comprovada a eficiência da moringa, esmagada em pó, como um dos melhores purificadores que existem, pois consegue eliminar partículas de impurezas. Desde que foi idealizada, cerca de duas mil árvores de moringa oleifera já foram plantadas, e já que beneficiou mais de 600 comunidades no Brasil.

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 “A purificação da água com a utilização da semente da moringa oleifera é um processo simples, condizente com a realidade das regiões onde o projeto tem contribuído de forma efetiva para a melhoria da saúde e o bem-estar das famílias. Receber o reconhecimento como tecnologia social deu margem para melhor expansão do projeto” disse Vicente Pereira, vice-presidente da Fundação Deusmar Queirós.

Já a tecnologia social Projeto Pescar, da Fundação Pescar, de Porto Alegre (RS) foi vencedora do Prêmio na primeira edição, em 2001. É efetiva na criação de oportunidades para transformar a vida de jovens em vulnerabilidade social. Os beneficiados são jovens com idades entre 16 e 19 anos, por meio de cursos de iniciação profissional em oito áreas de formação.

O método é um sistema pioneiro em que as cem organizações parceiras que compõem a Rede Pescar abrem espaço em suas dependências para a formação pessoal e profissional. Os cursos têm duração de 800 a 1,1 mil horas, sendo 60% da carga horária comportamental (descoberta do eu, meio ambiente, sociedade etc.) e 40% técnica, estimulando-os a se desenvolverem pessoal e profissionalmente. Após o curso, os participantes são encaminhados ao mercado de trabalho para geração de renda e acompanhados pela Unidade Formadora e Fundação Projeto Pescar por dois anos. A tecnologia está presente em dez estados brasileiros e o fruto desse trabalho já resultou na formação de 31.765 jovens.

Segundo o Superintendente da Fundação Projeto Pescar, Ézio Rezende, a entidade vivenciou um verdadeiro marco em sua história após a conquista da primeira edição do prêmio de tecnologia social: “ A aprendizagem iniciou na própria participação do edital, que proporcionou uma reflexão interna e consequente melhoria no modelo de multiplicação da tecnologia social Pescar, a época. A notícia de estar entre os 15 finalistas também foi muito comemorada, pois já era um importante reconhecimento do trabalho desenvolvido até então, principalmente quando considerado o número de mais de 500 organizações pré-selecionadas. Quando recebemos a confirmação que a Fundação Projeto Pescar foi uma das 3 premiadas finais , foi notória a satisfação dos mantenedores e apoiadores da Entidade,” disse.

De acordo com Ézio, o reconhecimento, além de reforçar os vínculos com os doadores, também foi diferencial para o ingresso de novos apoiadores. “Da mesma forma que cada voluntário que participava da formação dos jovens no Brasil percebeu o seu trabalho também premiado. No ano da premiação a entidade obteve um dos maiores números de veiculação na mídia, fato que alavancou a criação de novas Unidades de formação socioprofissionalizante. A Fundação Banco do Brasil também proporcionou aos finalistas a participação em eventos importantes que qualificou o corpo técnico da entidade. Por fim, foi de suma importância a apresentação das tecnologias premiadas na sede mundial da Unesco, em Paris. Evento que demarcou de forma significativa o quanto o Brasil tem construído novas formas para superar os seus desafios socioambientais”, concluiu.

2019: ano de Prêmio

Como acontece a cada dois anos, desde 2001, este é um ano de prêmio. As inscrições estarão abertas até o dia 21 de abril de 2019. Podem participar entidades sem fins lucrativos, como instituições de ensino e de pesquisa, fundações, cooperativas, organizações da sociedade civil e órgãos governamentais de direito público ou privado, legalmente constituídas no Brasil ou nos demais países da América Latina ou do Caribe.

 Assim como em 2017, iniciativas da América Latina e do Caribe podem ser inscritas na categoria “Internacional”, onde serão identificadas tecnologias sociais que possam ser reaplicadas no Brasil e que constituam efetivas soluções para questões relativas a “Cidades Sustentáveis e/ou Inovação Digital”; “Educação”, “Geração de Renda” e “Meio Ambiente.” Da mesma forma, nesta categoria, as instituições finalistas receberão um troféu e um vídeo retratando a sua iniciativa.

As novidades desta edição são as três premiações especiais: “Mulheres na Agroecologia”, que visa identificar tecnologias sociais que promovam o protagonismo feminino na gestão da produção agroecológica; “Gestão Comunitária e Algodão Agroecológico”, destinada para identificar tecnologias sociais de modelos de gestão/governança de organizações e comunidades na produção do algodão agroecológico e “Primeira Infância”, que busca identificar tecnologias sociais que promovam ações que abordem as dimensões do desenvolvimento infantil (linguagem, cognitivo, motricidade e socioafetividade), o fortalecimento de vínculos familiares e o exercício da parentalidade. Nestas premiações especiais também serão classificadas três finalistas, com as mesmas regras das categorias nacionais. As vencedoras serão conhecidas na premiação, prevista para outubro. Todas as categorias são relacionadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)

Nesta edição, o concurso conta com a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Instituto C&A, Ativos S/A e BB Tecnologia e Serviços, além da cooperação da Unesco no Brasil e apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ministério da Cidadania e Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).

 

Confira aqui as outras matérias da série Retrospectiva:

 

2001: Prêmio da Fundação BB de Tecnologia Social valoriza soluções desde 2001

2003: Tecnologia social: o saber popular ao alcance de todos

2005: Projeto da Ilha das Cinzas (PA) foi vencedor do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social 2005

2007: Colostro: um produto nobre

2009: Vida ativa na terceira idade

2011: Uma voz de liberdade para detentos e deficientes visuais

2013: Gueroba: a riqueza do Cerrado

2015: Librário: tecnologia social com efeito multipliador

2017: Prêmio de Tecnologias Sociais: países da América Latina e Caribe participam desde 2017

 

 

Ler 3725 vezes Última modificação em Sexta, 24 Maio 2019 18:05

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