Sexta, 02 Março 2018 15:13

Nova balsa reduz custos da produção do pirarucu no Amazonas Destaque

Escrito por Vanessa Campos
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O equipamento vai beneficiar 97 comunidades extrativistas da Reserva Médio Purus

Uma parceria entre a Fundação Banco do Brasil e a Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas do Médio Purus (Atamp), firmada em 24 de fevereiro de 2018, vai beneficiar pelo menos 1.300 famílias que vivem na unidade de conservação Reserva Médio Purus, no Amazonas. Atualmente, a pesca é uma das principais atividades socioeconômicas do município de Lábrea, localizado na reserva. Nos últimos anos, foi observado o aumento na produção do peixe Pirarucu, que tem beneficiado povos indígenas, ribeirinhos e extrativistas que vivem na região. Com trabalho árduo, os pescadores têm conseguido tirar o sustento do manejo do peixe, que pode alcançar o peso de até 200 quilos.

pirarucu

O investimento social da Fundação BB no projeto é de R$ 600 mil, que foi selecionado por meio do edital Ecoforte Extrativismo. A iniciativa contempla a construção de uma balsa de alumínio de 20 metros de comprimento e uma câmara refrigerada com capacidade para armazenar 40 toneladas de pescado. A venda dos peixes será realizada diretamente nas feiras e mercados do município.

O presidente da Atamp, José Maria Carneiro de Oliveira, enfatiza que desde 2005, data da fundação da associação, o gasto com o aluguel de embarcações é muito alto, chegando a R$ 700 a diária de um barco de grande porte. Segundo ele, com a aquisição da nova embarcação, a economia das comunidades será impulsionada com aumento do lucro e do número de pessoas beneficiadas.

“O apoio da Fundação BB foi uma conquista para nós da associação e para os pescadores, que há anos enfrentamos dificuldades no manejo do pirarucu. Os barcos que alugávamos não têm a mesma capacidade, nem câmara refrigerada, o que nos dá mais custo para realizar a pesca. Hoje, os gastos com gelo, aluguel e combustível são significativos. Agora, com o novo barco, que é mais leve por ser de alumínio, vamos gastar menos combustível, poderemos levar mais pescado e vender o peixe por um valor menor”, comemora o presidente da Atamp.

A entidade participou do processo de elaboração do Plano de Utilização da Reserva Extrativista Médio Purus, que tem como órgão gestor o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Criado pela Lei nº 9.985 de 2000, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) contempla categorias que permitem o uso de parte dos recursos naturais por comunidades que vivem no interior ou entorno dessas áreas. São as chamadas unidades de conservação (UCs) de uso sustentável: Florestas Nacionais, Reservas Extrativistas e Reservas de Desenvolvimento Sustentável são os principais exemplos desse tipo de UC.

Empoderamento das comunidades
Ouça aqui o depoimento do chefe da Reserva Médio Purus, gestor no ICMBio, José Maria Ferreira de Oliveira, que participa do manejo do pirarucu na região desde 2012.

Baixo custo e novos mercados
A embarcação de alumínio demanda baixo custo de manutenção, comparado a outras embarcações de ferro, aço ou madeira. O alumínio tem alta resistência à corrosão e demanda menor quantidade de combustível para o deslocamento por ser mais leve. A câmara frigorífica, contemplada pelo projeto, vai garantir a conservação do pescado pelo tempo que for necessário para percorrer os rios da Amazônia, sem a preocupação com a perda do gelo e risco de deterioração do pescado.

Com a nova aquisição, a Atamp fez prospecção de ganho de novos mercados como Manaus, Porto Velho, Boca do Acre e Acre, que serão futuros compradores diretos sem depender da venda para a cooperativa de Lábrea, que não absorve toda a produção.

Para o pescador Regimar Flor de Almeira (34), que há cinco anos trabalha com o manejo sustentável do pirarucu, a nova embarcação vai trazer mais qualidade de vida para os participantes, que atualmente enfrentam dificuldades por falta de melhor estrutura.

“Há muito tempo lutamos por isso, pois nós manejadores não temos condições de pagar uma diária de R$ 700 para praticar o manejo. Agora, teremos a possibilidade de ganhar mais e ter uma melhoria de vida, pois hoje está difícil. Ganhamos pouco. Estamos felizes por termos a oportunidade de evoluir”, destaca o pescador da comunidade Várzea Grande.

 

A divulgação deste assunto contempla três Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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Ler 1529 vezes Última modificação em Terça, 24 Abril 2018 17:09

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