Quarta, 06 Setembro 2017 10:29

Mulheres usam criatividade na fabricação de artesanato com palha de milho

Escrito por Dalva de Oliveira
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"Arte na Palha Crioula", Iniciativa de Guapiara (SP) que resgata a tradição cultural e contribui para melhoria da renda das famílias, é finalista do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social

A tecnologia social “Arte na Palha Crioula: Banco de Milhos Crioulos”, do município de Guapiara, interior de São Paulo, traz na palha do milho, que normalmente é descartada, o grande segredo de sucesso. Naturalmente colorida em tons de vermelho e roxo, a palha do milho é usada na produção de artesanatos decorativos e utilitários de alta qualidade.

Mas para garantir o sucesso da metodologia, o trabalho das mulheres da Associação Arte e Vida de Mulheres Artesãs,finalista do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, na Categoria Agroecologia, começa bem antes, com a escolha das melhores sementes, seguida da preparação do solo para a plantação. E para garantir uma boa cultura,também verifica-se as fases da lua, sendo que a minguante é a recomendada, principalmente na última semana de julho e entre os meses de setembro a dezembro. Todo esse processo faz parte de um trabalho de resgate na plantação das sementes crioulas, que foram utilizadas pelas agricultores de gerações anteriores e passaram pela seleção natural de milhares de anos, com grãos mais resistentes e menos dependentes de substâncias sintéticas.

Nascida na roça, a idealizadora da tecnologia, Alice de Oliveira Almeida, viu no oficio que aprendeu com o pai, uma forma de valorizar o artesanato local e de diversificar as atividades de geração de renda para as mulheres da região. Em 2005, Alice foi convidada pela prefeitura local para ministrar a arte do trançado para um grupo de mulheres.

O trabalho - totalmente artesanal - é feito com auxílio de uma agulha de arame, que também é confeccionada pelas artesãs. As palhas menores são utilizadas na produção de flores de variados modelos e tamanhos e as mais largas na produção de bonecas. Na lista de produtos, há também cestarias, vasos, santos, galinhas, jogos americanos, petecas, bolsas, chapéus e revestimento para móveis.

“Passei para as mulheres as técnicas que aprendi em casa e hoje colhemos do fruto do nosso trabalho. Essa arte ajuda no fortalecimento das mulheres e na continuidade das sementes crioulas". Alice comentou também que as novas gerações estão iniciando na produção. "As filhas das artesãs já se mostram interessadas no trabalho das mães. Muitas já ajudam na confecção das peças e no orçamento familiar", acrescentou. Hoje todo trabalho com a cadeia produtiva é realizado pelo grupo.

Alice explica ainda que, no manejo das sementes crioulas, é preciso esperar seis meses após o plantio para a colheita do milho seco e para a retirada das palhas para produção do artesanato. Nessa fase, se faz a seleção das sementes para um novo plantio e as que sobram podem ser utilizadas na produção de fubá, farinha quirera (milho mais quebrado, usado na alimentação de galinhas) ou para consumo animal.

Com o intuito de diversificar ainda mais a produção, sempre que participam de feiras, as mulheres fazem trocas de sementes crioulas com agricultores de outras regiões, indígenas e quilombolas. Para assegurar a continuidade do projeto, as mulheres já participaram de diversos cursos de capacitação, como de viabilidade econômica, formação de preços e designer de produtos.

Maria Aparecida da Silveira, de 74 anos, mais conhecida como dona Cida, é a artesã mais velha do grupo. Ela conta que aprendeu a trabalhar com palha ainda criança, aos seis e sete anos, e que continua até hoje, com amor pelo que faz. Eu via aquelas espigas bonitas e comecei a fazer as bonecas. Quando me casei parei para cuidar dos filhos, mas assim que eles cresceram retomei meu trabalho. Eu mesma crio as minhas peças e com a venda delas já realizei muitos sonhos”, disse.

Conheça outras iniciativas finalistas do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social 2017 em fbb.org.br/finalistas

Sobre o Prêmio

No total, 18 finalistas nas categorias nacionais e três na internacional concorrem ao Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. O evento de premiação será realizado em novembro. Entre as 735 inscritas neste ano, 173 foram certificadas e passaram a constar no Banco de Tecnologias Sociais (BTS), um acervo online gratuito mantido pela Fundação BB.

Nesta edição, o concurso tem a cooperação da Unesco no Brasil e o apoio do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF), do Banco Mundial, da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Veja aqui a lista das finalistas do Prêmio 
Veja aqui a lista das 173 certificadas 
Visite o site do Prêmio

A divulgação deste projeto contempla quatro Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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Ler 540 vezes Última modificação em Segunda, 13 Novembro 2017 16:44

2 comentários

  • Link do comentário Fundação Banco do Brasil Segunda, 11 Setembro 2017 09:38 postado por Fundação Banco do Brasil

    Obrigada por entrar em contato com a Fundação Banco do Brasil. Esclarecemos que o investimento social da Fundação BB é destinado, prioritariamente, para ações no meio urbano e rural em cinco vetores: Água, Agroecologia, Agroindústria, Educação e Resíduos Sólidos, nos quais estão contemplados os principais programas estruturados e projetos sociais, selecionados predominantemente por meio de editais e chamadas públicas.
    Você pode acompanhar as informações referentes a este assunto na seção "editais e licitações" em nosso site e também em nossas redes sociais. Caso você tenha algum projeto que não esteja contemplado nos editais abertos e que esteja alinhado com a atuação da FBB, encaminhe a descrição do projeto detalhada, esclarecendo o tipo de apoio e/ou patrocínio que necessita, para análise da Fundação BB por meio do e-mail fbb@fbb.org.br.

  • Link do comentário NASLY LUCIA LOBON PERDOMO Domingo, 10 Setembro 2017 22:36 postado por NASLY LUCIA LOBON PERDOMO

    Excelente iniciativa. felicita as mulheres por este grande e novo empreendimento. Eu estou perto de um grupo de mulheres artesãs aqui na cidade de Cunha no interior de Sau Paulo e estamos interessados em apresentar um projeto que eu acho que é possível contar com o apoio de você. Também pode ser interessante ter uma troca de experiências entre mulheres e famílias na região para estimular o desenvolvimento das Artes que se conectam com a Vida e a verdadeira produtividade. Obrigado.

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