Sexta, 11 Maio 2018 09:15

Moda e resgate cultural quilombola Destaque

Escrito por Kelly Quirino
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Moda e resgate cultural quilombola Fotos: Piauí Moda House

Projeto apoiado pela FBB gera renda para comunidades de matriz africana no Piauí

“Conhecer nossa cultura, nossa religião, nossos turbantes, colares, pulseiras; o que há de belo na cultura negra”. É desta forma, que Lusineide de Souza, participante do projeto Sustentabilidade das Comunidades de Matriz Africana, narra a experiência ao participar do desfile Piauí Moda House 2018, na última semana.

As peças exibidas no evento trazem o resgate cultural da identidade negra e reforçam a importância dos movimentos de resistência dos quilombos no Brasil. No desfile, mulheres de 10 quilombos apresentaram roupas com identidade, cor e arte afro-brasileira produzidas por meio do projeto Sustentabilidade das Comunidades de Matriz Africana, apoiado pela Fundação BB e com participantes de 20 quilombos, localizados nas proximidades de Teresina (PI).

Com investimento social de R$ 350 mil, o projeto atende prioritariamente mulheres quilombolas, 80% do público atendido. Elas costuram, bordam e rendam, resgatando tradições repassadas de geração em geração. “Era um trabalho feito pelas nossas ancestrais para sobreviverem”, ressalta Lusineide.

Segundo Vinicius Queiroz, gerente do projeto, a iniciativa apoia a produção de artesanato, costura e adereços com apelo simbólico dos grupos de matrizes africanas. Também resgata a ancestralidade africana, perpetuada no Brasil.

Em parceria com a Secretaria Municipal de Economia Solidária (Semest), o projeto gera oportunidades de emprego e renda para as mulheres quilombolas, que tinham dificuldades de inserção no mercado de trabalho. Após a implementação, foi possível atuar em dois eixos: a gestão solidária com capacitação em empreendedorismo e a criação de novos produtos.

Durante toda a cadeia de produção – da concepção da roupa, à costura e da venda da peça – é perceptível o envolvimento e participação das mulheres. “Elas estão se sentido representadas e com autoestima elevada. É um sonho estar lá” ressalta Vinicius.

Ele informa que está em fase de conclusão a construção de 20 ateliês e que 170 participantes passarão por capacitação com carga horária de 120 horas. Também já foram adquiridas cinco máquinas – entre costura e de bordar –, além de tecidos.

Orgulhosa, Lusineide destaca dois vestidos produzidos por meio do projeto e que participaram dos desfiles: um para moda casual com bordados das cores do estado do Piauí, turbante e bolsa e outro para atividades religiosas, branco com símbolos africanos e colares. “Este projeto ajuda dar visibilidade, combater o preconceito e traz prosperidade. Ele também mostra que somos capazes de criar desde uma bolsa a uma roupa artesanal sofisticada”.

A divulgação deste assunto contempla os seguintes Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030:

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Ler 321 vezes Última modificação em Segunda, 14 Maio 2018 11:29

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