Sexta, 03 Maio 2019 14:00

Librário: tecnologia social com efeito multiplicador Destaque

Escrito por Dalva de Oliveira
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Vencedora de 2015 já realizou mais de 200 oficinas em escolas, museus, universidades e comunidades pelo Brasil

Em 2015, 54 iniciativas foram certificadas como tecnologia social pelo Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, sendo que 12 foram finalistas e 6 receberam o título de vencedoras . Entre essas iniciativas , um jogo de cartas criativo, que dissemina a Língua Brasileira de Sinais e promove a universalização da comunicação entre surdos e ouvintes foi vencedora na categoria Universidades e Instituições de Ensino e Pesquisa, o “Librário: Libras na escola e na vida”.

A tecnologia social ensina e divulga a Libras com dinâmicas de pareamento de cartas, tipo Jogo da Memória, Pescaria e Saci. O método é composto por cartas de baralho em pares que contêm sinais de Libras e palavras que remetem ao universo das artes e do cotidiano. O jogo acontece de forma divertida, com o estreitamento de laços entre a comunidade, onde todos são incluídos. As ações são realizadas no contexto escolar e impulsionam a melhoria da qualidade da educação e transformação social. A tecnologia social é desenvolvida por meio de uma metodologia sistêmica que envolve as atividades de oficinas de noções básicas de Libras, gratuitas à comunidade, realizadas uma vez por semana, com carga horária de 60 horas.

Além da versão física do jogo, existe a versão digital. Um aplicativo desenvolvido a partir do jogo físico, com vídeos dos sinais de Libras. Com a ferramenta, pode-se brincar com duas maneiras de jogar, com o jogo da memória (em dupla ou individualmente) e com o jogo do Saci. Assim que é feito o download, disponibilizado gratuitamente para celulares e computadores, o usuário escolhe com qual jogo deseja interagir.

Em cinco anos de existência, a metodologia já foi compartilhada de diversas formas, promovendo mais de 200 oficinas em escolas, museus, universidades e comunidades. Considerando que cada oficina tenha em média 30 participantes, já foram seis mil pessoas impactadas pela tecnologia social.

Os responsáveis acreditam que esse número seja ainda maior, já que na maioria dos casos são formados multiplicadores, que aplicam a metodologia do Librário com outros grupos. Eles explicam que o Librário, na sua forma digital e como aplicativo gratuito, tem ainda mais potencial multiplicador. Desde o seu desenvolvimento em 2016, já foram mais 18 mil downloads em todo território nacional e impressos cerca de três mil Librários. Nas mídias sociais, Facebook e Instagram, o Librário contabiliza mais de dez mil seguidores.
Hoje, o Librário existe em duas categorias: o Geral (jogo que tem as palavras e sinais do campo semântico do dia-a-dia, e o da Arte (jogo que tem as palavras e sinais do universo da arte - pintura, cor, foto). O objetivo agora é ampliar as categorias de palavras dos jogos, tanto na versão física quanto digital. Criar o Librário dos verbos, das saudações, da matemática, geografia, história, biologia e etc. Além da ampliação das categorias de palavras, os responsáveis também desejam formar multiplicadores em todas as regiões do país, principalmente no Nordeste, Norte, Centro-oeste e Sul.

librarioestaFlávia Neves, idealizadora da iniciativa, destaca que várias parcerias com universidades foram firmadas após o reconhecimento. Diversas escolas públicas também adotaram as práticas para o ensino de Libras, como a Escola Municipal Raul Saraiva Ribeiro, em Betim (MG), que ministrou oficinas para pais, filhos e professores, e o Centro Cultural do Banco do Brasil, em Brasília (CCBB) que formou multiplicadores para os Centros Culturais de Belo Horizonte, Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro, onde a tecnologia social foi reaplicada durante três anos nas unidades.

A idealizadora conta ainda que a tecnologia social pretende se tornar um empreendimento criativo e uma política pública: “Pelas experiências com o Librário, percebe-se que é possível construir um mundo mais igualitário, a partir de pequenas mudanças. Por meio de atividades lúdicas, por exemplo, pode-se promover a popularização da Libras entre os ouvintes e, consequentemente, promover a inclusão do surdo na sociedade”.
Flávia acrescenta que o Librário tem uma metodologia a ser aperfeiçoada, que precisa ser aplicada, testada e estudada em todas as regiões do Brasil, com potencial de ser ampliada, multiplicada. E que seria pertinente fomentar debates e reflexões sobre o uso de tecnologias sociais nas políticas públicas de inclusão social, não apenas no ambiente escolar, mas em diferentes setores da administração e serviços públicos que atendam cidadãos surdos e ouvintes.
Prêmio 2019

As inscrições para a 10ª edição do Prêmio Fundação BB estão abertas até o dia 12 de maio. Podem participar, instituições de ensino e de pesquisa, fundações, cooperativas, organizações da sociedade civil e órgãos governamentais de direito público ou privado, legalmente constituídas no Brasil ou nos demais países da América Latina ou do Caribe.

As iniciativas vão concorrer a R$ 700 mil em prêmios divididos entre as categorias nacionais: "Cidades Sustentáveis e/ou Inovação Digital”; “Educação”; “Geração de Renda" e "Meio Ambiente” e as premiações especiais: “Mulheres na Agroecologia”, “Gestão Comunitária e Algodão Agroecológico” e “Primeira Infância”. A edição deste ano também irá reconhecer três iniciativas do exterior na categoria: “Internacional”, destinada a iniciativas da América Latina e do Caribe, onde serão identificadas tecnologias sociais que possam ser reaplicadas no Brasil e que constituam efetivas soluções para questões relativas a “Cidades Sustentáveis e/ou Inovação Digital”; "Educação", “Geração de Renda” e “Meio Ambiente.” Iniciativas que promovam a igualdade de gênero, o protagonismo e o empoderamento da juventude vão receber um bônus de 5% na pontuação total obtida na classificação final, conforme regulamento.

As 21 finalistas nacionais e as três finalistas internacionais vão ganhar um troféu e um vídeo profissional retratando a sua iniciativa. Além disso, serão convidadas a participar do Encontro de Tecnologias Sociais, a ser realizado em Brasília (DF), antecedendo a noite de premiação, prevista para outubro.

Nesta edição, o Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social tem a parceria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Instituto C&A, Ativos S/A e BB Tecnologia e Serviços, além da cooperação da Unesco no Brasil e apoio da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Ministério da Cidadania e Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC).
Saiba como participar

A leitura do regulamento e o procedimento de inscrição podem ser feitos no site: www.fbb.org.br/premio

Os resultados de cada etapa do Prêmio serão divulgados no portal da Fundação Banco do Brasil (www.fbb.org.br) e no BTS (www.fbb.org.br/premio).

Confira aqui as outras matérias da série Retrospectiva:

2001: Prêmio da Fundação BB de Tecnologia Social valoriza soluções desde 2001

2003: Tecnologia social: o saber popular ao alcance de todos

2005: Projeto da Ilha das Cinzas (PA) foi vencedor do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social 2005

2007: Colostro: um produto nobre

2009: Vida ativa na terceira idade

2011: Uma voz de liberdade para detentos e deficientes visuais

2013: Gueroba: a riqueza do Cerrado

2015: Librário: tecnologia social com efeito multipliador

2017: Prêmio de Tecnologias Sociais: países da América Latina e Caribe participam desde 2017

 

 

Ler 1299 vezes Última modificação em Sexta, 24 Maio 2019 17:56

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