Sexta, 15 Fevereiro 2019 09:12

Feiras livres com tecnologias sociais Destaque

Escrito por Kelly Quirino
Avalie este item
(1 Votar)

Fundação BB e Cáritas revitalizam feiras livres em quatro estados do Nordeste

Nos últimos anos houve um aumento de arrombamento e explosões em agências bancárias em várias localidades do Brasil, conforme levantamento registrado pelas secretarias estaduais em todo o país. Geralmente, a forma de atuação das quadrilhas consiste em atacar cidades médias e pequenas, com pouco efetivo policial, usando caminhonetes, explosivos para arrombarem caixas eletrônicos e cofres. Depois recolhem o dinheiro e fogem sem ser localizadas.

Segundo levantamento da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, em dois anos, houve 202 ataques com explosivos a bancos no estado. Na Bahia, no mesmo período, foram 132; na Paraíba 61 e no Maranhão 27 ataques a estabelecimentos bancários, conforme dados contabilizados pelo Sindicato dos Bancários desses estados.

Essas ações criminosas impactam todos os atores do município ao interromper de forma abrupta o atendimento bancário, gerando prejuízo para as instituições financeiras e para as cidades, avalia o assessor do Banco do Brasil, Marco Caixeta. “Como as pessoas não estão preparadas para essa ruptura, começam a se deslocar para sacar seus benefícios, gastam o que recebem nas cidades vizinhas e o comércio da cidade de origem padece, sem recurso”, diz.

Neste cenário os comerciantes que atuam em feiras livres têm sido prejudicados porque sofrem com a falta de papel moeda. Para encontrar uma solução, a Fundação Banco do Brasil em parceria com a Cáritas Brasileira criou o projeto Nossa Feira Popular e Solidária. O objetivo é contribuir na reconstrução dos espaços populares, implantando tecnologias sociais nas feiras livres.

Reaplicação de tecnologias sociais

Em várias cidades médias e pequenas no Brasil as feiras livres são espaços que não existem apenas para comercialização de produtos. Há interação, criação de laços afetivos e apropriação cultural. Algumas são tombadas como patrimônio histórico, como na cidade histórica de Cachoeira (BA). Com quase 600 feirantes, a feira ocorre semanalmente e é possível encontrar de tudo: comidas típicas, legumes, verduras, roupas e calçados.

Jaime de Oliveira, coordenador do projeto, explica que a iniciativa está sendo implementada em 21 municípios de quatro estados do Nordeste: Bahia, Maranhão, Paraíba e Piauí. As três tecnologias sociais implantadas são: Oásis, Educação Financeira e Gestão dos Resíduos Sólidos. “Os municípios estão recebendo a cartilha de educação financeira para serem distribuídas nas escolas, Já os feirantes serão capacitados para darem destinação correta aos resíduos e não descartarem as sobras nas calçadas. Para isso, o projeto prevê a instalação de lixeiras com rodinhas” diz Jaime.

Os feirantes também receberão incentivo para substituírem o uso de cédulas por máquinas de cartão. . Segundo dados levantados pela Cáritas Brasileira e Fundação BB, antes da implementação do projeto, dos 1980 feirantes entrevistados, 96% não trabalhavam com cartão. “A maquininha vai facilitar a vida do feirante e vai ajudar a dinamizar a economia dos municípios”, avalia Jaime.

Outra ação será a revitalização das feiras com padronização das barracas, definindo os espaços de cada produto com o apoio de um arquiteto que vai trabalhar em conjunto com feirantes. O projeto arquitetônico vai adequar os espaços conforme os tipos de produtos. Jaime diz que “tem feirante que gosta da inovação. Uma feira moderna, bonita, para poder aumentar o fluxo de pessoas agora tem gente que tem mais resistência porque já está há mais de 30 anos no mesmo local”.

Apesar do impacto inicial, o coordenador do projeto avalia que os feirantes estão muito felizes. “Quando explicamos que eles irão receber uma barraca, com material resistente, os olhos deles brilham. É muito bonito isto”, finaliza.

Ler 1571 vezes Última modificação em Sexta, 15 Fevereiro 2019 15:26

Deixe um comentário

Certifique-se de preencher os campos indicados com (*). Não é permitido código HTML.