Terça, 02 Julho 2019 11:50

Extrativistas da comunidade Surucuá, no Pará, são beneficiados por agroindústria

Escrito por Dalva de Oliveira
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Portal Interno   Amprosurt

Associação de produtores recebeu recurso do Ecoforte Extrativismo para melhorar a renda e a alimentação dos moradores


A floresta é o quintal da casa de Eloisa de Souza Castro e de outras 112 famílias que vivem na comunidade Surucuá, dentro da Reserva Extrativista (Resex) Tapajós/Arapiuns, no município de Santarém (PA). Criada em 1998, a partir da luta das comunidades, a reserva tem sua economia baseada no extrativismo e na agricultura, e o acesso fluvial, por meio de barcos ou voadeiras, pelo rio Tapajós.

As famílias extrativistas atuavam de forma artesanal na produção de farinha de mandioca, polpas de frutas, doces, compotas, farinha de tapioca e frutas secas, e devido à falta de estrutura adequada e de armazenamento, deixavam de beneficiar boa parte da produção, principalmente a de frutas.

Em dezembro 2017, a Associação Comunitária de Moradores Produtores Agroextrativistas de Surucuá (Amprosurt) firmou convênio com a Fundação Banco do Brasil e recebeu investimento social no valor de R$ 436 mil para o projeto “Agroextrativismo Sustentável na Resex Tapajós/Arapiuns”. Eloisa é uma das associadas e já desfruta das melhorias. Duas vezes por semana vai à agroindústria fazer o beneficiamento da sua produção. “Levo um pouco de tudo que colho aqui pertinho da minha casa – cupuaçu, acerola, murici, taperebá, manga, graviola, goiaba, abacate e coco - faço polpas e também chopinho (dindim: espécie de picolé que vem dentro de um saquinho plástico) que vendo na vizinhança. Ainda não temos como calcular uma renda, mas sei que em breve vamos ter condições de comercializar para outras cidades”, disse.

O apoio da Fundação BB contemplou a construção de uma agroindústria, a aquisição de equipamentos e a capacitação dos moradores para o aproveitamento das frutas, visando a melhoria de renda das 40 famílias associadas, aliada à preservação ambiental. O projeto foi habilitado no edital do Ecoforte Extrativismo, que apoia empreendimentos coletivos nas fases de produção, beneficiamento e comercialização de produtos extraídos por meio de práticas sustentáveis na floresta.

De acordo a gestora do projeto, Mayá Schwade, o empreendimento está proporcionando às famílias um espaço higienizado para manipulação de alimentos, melhoria na alimentação, com maior consumo das frutas e derivados, melhoria dos plantios pela utilização da compostagem, com promoção do protagonismo feminino e o despertar do interesse dos jovens na permanência no campo pela criação de alternativas produtivas.

Mayá explica que dentro dos princípios da agroecologia, o projeto atende primeiramente o consumo local. “Já avançamos bastante. Desde janeiro o aproveitamento das frutas tem ocorrido de forma mais sistemática. O controle da produção e a venda são feitos por um grupo de 12 pessoas, sendo dez mulheres e grande parte delas jovens. A distribuição do lucro obtido com a venda é feita igualitariamente entre todos os membros do grupo, com escala de trabalho seguida pelos integrantes”. A gestora também explica que o trabalho na agroindústria é feito em dois dias semanais para não comprometer as outras atividades produtivas dos núcleos familiares, e que a produção provém dos quintais, das roças e do extrativismo de frutos florestais. O espaço da agroindústria também é usado para secar produtos derivados de mandioca e castanha de caju. “Quase tudo é absorvido por lá, porque na comunidade não existe abastecimento público de energia”, destacou.

Com a parceria, os associados participaram de capacitação em compostagem, que orienta sobre a destinação correta de resíduos como restos de cascas, que são usados na produção de mudas e na plantação das hortas. A próxima capacitação será em manutenção de energia solar.

Ecoforte Extrativismo

Ao todo, o edital Ecoforte Extrativismo disponibilizou R$ 12,3 milhões, por meio da Fundação BB e do Fundo Amazônia aos estados que compõem a Amazônia Legal. O recurso foi gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). No estado do Pará o edital contemplou comunidades extrativistas de três municípios - Santarém, Curuçá e Belterra -, com investimento social de R$ 1,5 milhão. O recurso foi disponibilizado para a Associação Comunitária de Moradores Produtores Agroextrativistas de Surucuá (Amprosurt), a Associação dos Meliponicultores de Curuçá (Asmelc) e a Cooperativa Mista da Flona Tapajós (Coomflona), executoras de projetos na região.

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