Sexta, 08 Março 2019 13:30

Dia internacional da Mulher: Desafio, luta, trabalho e determinação Destaque

Escrito por Dalva de Oliveira e Kelly Quirino
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Mulheres tem sido protagonistas na criação de tecnologias sociais e reconhecidas pela Fundação BB por gerarem transformação social

No dia Internacional da Mulher, a Fundação Banco do Brasil dá visibilidade as mulheres do Brasil e destaca três iniciativas incríveis em que elas são as principais protagonistas.

A partir da oitava edição do Prêmio Fundação Banco do Brasil do Brasil de Tecnologia Social, realizado em 2015, a Fundação incluiu uma categoria dedicada às a mulheres, com o objetivo de exaltar as iniciativas de protagonismo e o empoderamento feminino. E entre as muitas ações apresentadas nas duas últimas edições destacaram-se às tecnologias sociais “Água Viva: Mulheres e o redesenho da vida no semiárido”, da cidade de Mossoró (RN), vencedora em 2015; a “Rede Bodega de Comercialização Solidária”, de Fortaleza (CE), vencedora em 2017, e a “Arte na Palha Crioula”, da cidade de Guapiara (SP), finalista em 2017.

A metodologia “Água Viva: Mulheres e o redesenho da vida no semiárido” consiste no reaproveitamento da água utilizada nas atividades domésticas para a irrigação de frutas e hortaliças agroecológicas. A ideia nasceu de um grupo de mulheres do assentamento Monte Alegre, devido às constantes estiagens na região. O sistema gerou uma mudança significativa na vida, produção, auto-organização e na autonomia das mulheres.

Passados quase quatro anos em que foi vencedor do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social 2015, o projeto segue no caminho proposto, o do reuso da água nos quintais produtivos, uma alternativa que gera vida e renda para as famílias. A iniciativa foi desenvolvida em 2013 pelo Centro Feminista 8 de Março (CF8), em parceria com a Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa) e financiamento da União Europeia.

“A tecnologia segue sendo utilizada pelas mulheres em seus quintais produtivos. Em 2018 tivemos um projeto aprovado pelo CNPq e agora, em 2019, ele será implantado. Nesse projeto novas pesquisas e ajustes podem surgir na tecnologia Água Viva”, destacou Ivi Aliana Dantas, umas das coordenadoras do CF8. Ela também acrescentou que, ao longo desses anos, as beneficiárias estiveram em diversos espaços no Rio Grande do Norte e fora do estado, compartilhando suas experiências com a tecnologia de reuso de água. “Outra grande conquista é o fato das próprias mulheres apresentarem a experiência e seus aprendizados, superando o medo e a vergonha da fala em espaços públicos. Realizamos, ainda, o encontro Mulheres do Semiárido e a Construção de Tecnologias Sociais. Foi um espaço muito valioso onde as mulheres de todos os estados do semiárido puderam conhecer e trocar experiências em tecnologias sociais”, disse.

No estado do Ceará, a Rede Bodega é o símbolo de luta e trabalho das mulheres. As Bodegas são espaços coletivos e solidários de divulgação e comercialização de produtos - alimentos, roupas e livros, por exemplo - frutos do trabalho de mulheres e homens do campo e da cidade.

Articulada pela Rede Cáritas, a partir de demanda de grupos organizados em cooperativas e associações, a tecnologia social "Rede Bodega de Comercialização Solidária” está presente em Fortaleza, Sobral, Viçosa do Ceará, Aracati e Maranguape.

“Trabalhamos para fortalecer e ampliar a Rede e aumentar os grupos. Após o Prêmio da Fundação Banco do Brasil, os espaços físicos receberam melhorias. O dinheiro da premiação ajudou nas reformas das bodegas que já existiam. Ainda temos as dificuldades da luta, da crise, mas uma coisa que é fundamental é que a Rede se mantém firme, uma bodega ajudando a outra, e essa união nos mantém vivas, declarou, Luciana Eugênio, articuladora da Rede. Luciana explica, ainda, que figura feminina é a mais presente nos empreendimentos. A Rede também se envolve em outras lutas em benefício das mulheres, como a questão do feminicídio. “A cada ano, mais mulheres morrem e isto tem estado muito presente em nossas ações enquanto movimento da economia solidária. Além disso, a rede tem se aproximado mais dos territórios, não só na área da comercialização, mas no todo, no pensar das pessoas como o centro da vida humana”, disse.

Do interior de São Paulo, mais precisamente do município de Guapiara, apresentamos a tecnologia social “Arte na Palha Crioula: Banco de Milhos Crioulos”, que traz na palha do milho, que normalmente é descartada, o grande segredo de sucesso de um grupo de mulheres. O trabalho totalmente artesanal é realizado com o auxílio de uma agulha de arame, que também é confeccionada pelas artesãs. Naturalmente colorida em tons de vermelho e roxo, a palha do milho é usada na produção de peças decorativas e utilitárias de alta qualidade. As palhas menores são usadas na produção de flores de variados modelos e tamanhos e as mais largas na produção de bonecas. Na lista de produtos, há também cestarias, vasos, santos, galinhas, jogos americanos, petecas, bolsas, chapéus e revestimento para móveis.

A iniciativa da Associação Arte e Vida de Mulheres Artesãs foi uma das finalistas do Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social, na Categoria Agroecologia. Nascida na roça, a idealizadora da tecnologia, Alice de Oliveira Almeida viu no oficio que aprendeu com o pai, uma forma de valorizar o artesanato local e de diversificar as atividades de geração de renda para as mulheres da região. Em 2005, Alice foi convidada pela prefeitura local para ministrar a arte do trançado para um grupo de mulheres e não parou mais.

“Passei para as mulheres as técnicas que aprendi em casa e hoje colhemos do fruto do nosso trabalho. Essa arte ajuda no fortalecimento das mulheres e na continuidade das sementes crioulas”, concluiu

Reconhecimento da luta das mulheres
A Fundação Banco do Brasil, por meio do Projeto Memória, reconheceu o protagonismo e a luta da educadora Nísia Floresta, no ano de 2006, e da filosofa e militante negra Lélia Gonzalez, em 2015. Nísia Floresta nasceu em 1810 na cidade de Papari (RN) e ficou conhecida pela defesa de igualdade de educação para mulheres além de denunciar a violência que as mulheres sofriam por não terem oportunidade de atuarem na vida pública durante o século XIX.

Lélia Gonzalez nasceu em 1935 em Belo Horizonte (MG) e teve uma grande contribuição nos estudos de gênero e raça no Brasil, com destaque para a vida das mulheres negras.Fundadora do Movimento Negro Unificado, Lélia teve uma atuação importante nos movimentos sociais negros e feministas. Segundo a filósofa Sueli Carneiro: “Lélia enegreceu o movimento feminista e feminizou a raça”.

Nísia Floresta1 Lelia Gonzalez

 

Ler 385 vezes Última modificação em Sexta, 08 Março 2019 14:07

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