Quarta, 08 Março 2017 11:29

Consulado da Mulher abre inscrições para capacitação a produtoras informais

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No mês da mulher, projetos serão selecionados para receber assessoria gratuita de empreendedorismo durante dois anos com metodologia certificada pela Fundação BB

No Brasil, cerca de 53% dos empreendimentos informais são liderados por mulheres, segundo pesquisa  da  GEM/Global Entrepreneurship Monitor (2013). Neste universo, grande parte trabalha diretamente na produção de alimentos para comercialização. Esta prática, utilizada para garantir o próprio sustento ou ajudar no rendimento familiar, é muito comum em diversas faixas etárias e classes sociais. Frente a essa realidade, o Consulado da Mulher abriu a seleção Empreendedoras 2017. A entidade é gerida pela empresa Cônsul e presta serviços para o empoderamento e capacitação de mulheres de baixa renda ou da área rural.

A proposta consiste em oferecer um treinamento especializado e gratuito durante dois anos em diversas áreas como gestão administrativa, financeira, vendas, marketing, gestão da produção, recursos humanos, sustentabilidade e gênero. A metodologia aplicada é certificada pela Fundação Banco do Brasil desde 2009, sendo uma das finalistas no Prêmio de Tecnologias Sociais de 2015.

O curso será oferecido preferencialmente para mulheres acima de 18 anos, que produzem alimentos para vender (ou que já tenham vendido alguma vez) e que tenham renda máxima de um salário mínimo por pessoa da família. Para as inscrições serão válidos projetos de mulheres que residem nas regiões de São Miguel Paulista e Vila Prudente (na grande São Paulo), e cidades de Rio Claro (SP), Joinville (SC) e Manaus (AM), localidades onde já existem os escritórios do Consulado da Mulher e onde serão aplicados os cursos presencialmente. As inscrições devem ser realizadas no portal do Consulado da Mulher no endereço eletrônico http://consuladodamulher.org.br/inscricoes/ ou presencialmente nos escritórios de cada região até o dia 31 de março.

Segundo o Consulado da Mulher após o término das inscrições, será realizada a primeira seletiva onde serão analisados o perfil empreendedor e socioeconômico das mulheres inscritas. Em seguida, são realizados cursos de formações básicas de empreendedorismo para a construção de um plano de negócios simplificado. A terceira fase do processo é a construção e apresentação do plano para uma banca empreendedora, que dará avaliação e ideias sobre o negócio.

Aquelas que chegarem até o final destas etapas, receberão assessoria gratuita do Consulado da Mulher por dois anos, com base no plano de negócios e na Metodologia de Gestão de Empreendimentos Solidários. Esta Tecnologia Social é um conjunto de ferramentas desenvolvidas para atuação com grupos populares e que estão fundamentadas nos princípios de Educação Popular e no Trabalho em Rede.

A assessoria prestada será realizada quinzenalmente, em grupos e alguns encontros individuais, geralmente no escritório local do Consulado da Mulher ou em organizações parceiras nas comunidades onde vivem, e no próprio espaço de produção das selecionadas.

Luciane Gonçalves é de São Paulo e foi uma das selecionadas da edição Empreendedoras no ano passado. Ela produz salgadinhos para vender e afirma que após receber a assessoria técnica sua vida melhorou muito. Ela explica que há três anos resolveu comprar uma máquina de crepe e abriu um bufê de salgados para ajudar nas despesas da casa, já que o marido estava desempregado e precisava sustentar os quatro filhos que moram com o casal. A partir da inicialização no curso de empreendedorismo, passou a compreender melhor o próprio negócio. “No início a gente não sabe nada, nem sabe cobrar direito pelos produtos. Eu não tinha visão de empreendedora. Só queria pagar meu aluguel. Hoje isso mudou muito. Eu consegui ampliar a minha cozinha, atendo festas de casamento e até vou ter uma logomarca proporcionada pelos parceiros do Consulado”, afirma.

Para a coordenadora do projeto Erica Sacchi Zanotti, o processo de mobilização nas comunidades e seleção de mulheres é muito importante. “Muitas dessas pessoas acessadas não se veem como empreendedoras. O contato com as educadoras sociais do Consulado, a troca de saberes sobre empreendedorismo popular e a construção do modelo de negócios faz com que elas entendam que são capazes".

Somente em 2014, 108 empreendimentos foram assessorados, dos quais 59 diretamente pelo Consulado da Mulher e outros 49 por meio de entidades sociais parceiras. Estes empreendimentos propiciaram a geração de renda para 1.570 pessoas, com um total de 6.314 beneficiários incluindo filhos e familiares que dependem economicamente da renda destas mulheres. A elevação média da renda foi de 21% entre o início e o final do ano. Os 108 empreendimentos beneficiados faturaram em 2014 o equivalente a R$ 5 milhões, movimentando a economia e gerando riquezas em suas comunidades.

Serviço:

Baixe o formulário de inscrição: www.consuladodamulher.org.br/inscricoes.

Basta fazer o download, imprimí-lo, preenchê-lo e enviá-lo via e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Ou envie pelos Correios para o endereço Rua Dona Francisca, 7.173, Zona Industrial Norte – CEP 89219-600.

 

A realização deste projeto contempla três Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que fazem parte da Agenda da Organização das Nações Unidas com metas para o ano de 2030.

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Ler 952 vezes Última modificação em Segunda, 13 Março 2017 13:56

1 Comentário

  • Link do comentário Ana Lúcia Corbani Segunda, 13 Março 2017 15:09 postado por Ana Lúcia Corbani

    Parabéns ao Consulado da Mulher por esta iniciativa. Minha pergunta é: por que o Consulado não desenvolve esta atividade tão significativa na região Nordeste do Brasil? Eu sou articuladora da Comissão Pastoral da Terra - CPT e acompanhamos na Arquidiocese de Teresina vários grupos de mulheres quebradeiras de coco babaçu. E a grande luta dessas guerreiras mulheres é agregar valor ao seu trabalho. Estão colhendo o coco e processando a amêndoa para o fabrico do azeite de coco e processando o mesocarpo para fabrico da farinha de mesocarpo. Mas há grande dificuldade na gestão, na comercialização, no marketing... principalmente porque há uma cultura excludente aonde não se valoriza o trabalho da quebradeira de coco, contudo, aprecia-se e muito os subprodutos do babaçu.

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